IV COLÓQUIO: CIÊNCIA E ESPIRITUALIDADE

AS ORDENS DE CAVALARIA NA MODERNIDADE

Data: 25 e 26 de Junho de 2019  (Terça-feira e quarta-feira)

Local: Universidade do Estado do Rio de Janeiro

Horário: das 18:00  às 21:00.

Endereço:

Rua São Francisco Xavier, 524 auditório 71 7º andar  – Maracanã  -Rio de Janeiro – RJ – Brasil.

Informações: nehmaat@gmail.com

INSCRIÇÃO (GRATUITA):

·         Data limite: 25-06-2019; APÓS SOMENTE PRESENCIAL

·         Inscrições: formulário google on-line;

·         Certificado presencial de 10ha.

Realização:

O IV Colóquio Ciência e Espiritualidade é uma realização do:

Programa de Estudos e Pesquisas das Religiões da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (PROPER-UERJ) do Centro de Ciências Sociais;

Núcleo URCI – RJ1 (Universidade Rosacruz Internacional);

Núcleo de Estudos em História Medieval, Antiga e Arqueologia Transdisciplinar da Universidade Federal Fluminense – Campos (NEHMAAT-UFF);

 Laboratório História, Espiritualidade e Religiosidade da Universidade Federal Fluminense – Campos (LHER-UFF);

Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM).

Apoio:

Centro de Ciências Sociais – UERJ;

Prefeitura do Campus UERJ;

Revista Mundo Antigo.

O Colóquio:

O imaginário medieval europeu se construiu pelo hibridismo cultural, mesclando elementos da cultura greco-romana, germânica, valores da religião cristã e contribuições árabes e judaicas. A mentalidade místico-religiosa do medievo compreendia o mundo como uma totalidade integrada, onde os astros, a natureza e o Homem eram pares indissociados. As Ordens de Cavalaria tiveram um papel fundamental na conservação desses saberes através do simbolismo de templos, catedrais e até mesmo na organização de seus rituais.  Um desses saberes é conservado através da lenda do Graal. Uma combinação de lendas, romance e misticismo o envolve. Uma das lendas afirma que o Graal possui propriedades místicas, em outra, lenda o Graal representa a busca pelo segredo da vida. O Graal tonou-se o emblema da pureza moral, da fé triunfante, do heroísmo soldadesco ou da caridade graciosa. Desse modo, a busca pelo Graal seria realizada pelo puro de coração, uma pessoa moralmente correta, a fim de adquirir o conhecimento maior do eu e sua relação cósmica (LEWIS). Essa busca pode ser trazida para a atualidade através do cavaleiro moderno. Além disso, a virtude e o bem são entendidos, por Sócrates, como conceitos universais e imutáveis servindo de critério e de guia para toda ação particular e para toda a vida da cidade (sociedade). É o conhecimento desses universais que os homens devem buscar e, uma vez descobertos levar o homem a pratica-los em seu benefício e do próximo (ANDERY). A proposta do IV Colóquio: Ciência e Espiritualidade é apresentar o Cavaleiro Medieval com suas questões sócio-históricas, e apontar alguns simbolismos que são contextualizados, socioculturalmente, na vida moderna.

Coordenação Geral:

Prof. Dr. Adílio Jorge Marques

Prof. Dr. Julio Cesar Mendonça Gralha

Profª  Drª Telma Rosina Simoni da Gama

Comissão Organizadora:

Prof. Dr. Adílio Jorge Marques

Profª Ms Ana Lucia do Nascimento

Prof. Dr. Carlos Hollanda

Prof. Dr. Julio Cesar Mendonça Gralha

 Profª  Drª  Melissa M. G. Boëchat

Prof. Dr. Pablo Santos

Profª  Drª Telma Rosina Simoni da Gama

Público-alvo:

·         Professores, pesquisadores e alunos das Ciências Humanas, Ciência da Religião;

·         Todos os interessados na relação Ciência e Espiritualidade.

Modalidade do Evento:

·         Mesa de debate com conferencistas;

·         Apresentação: 30 minutos;

·         Debate: 30-45 minutos;

·         Certificado presencial para os conferencistas;

·         Certificado presencial para os ouvintes;

Programação:

TERÇA-FEIRA

18:00/18:15 – RECEPÇÃO/ABERTURA

18:20/18:50 – TEMPLÁRIOS NA HISTÓRIA

Prof. Dr. Adílio Jorge Marques

18:50/19:05 – INTERVALO

19:10/19:40 –O NEOTEMPLARISMO DA OSTI

Prof. André Pereira de Almeida

19:45/20:15 – OGG E AS VIRTUDES DO CAVALEIRO MODERNO

Prof. Ms. Ana Lucia do Nascimento

20:20/21:00 – DEBATE E ENCERRAMENTO

QUARTA-FEIRA

18:00/18:15 – RECEPÇÃO/ABERTURA

18:20/18:50 – AS ORDENS DE CAVALARIA NA MAÇONARIA MODERNA

Prof. Alexander Mazzoli Lisboa

18:50/19:05 – INTERVALO

19:10/19:40 – IMAGINÁRIO, ORDENS DE CAVALARIA E A COSMOLOGIA NO MEDIEVO

Prof. Dr. Carlos Hollanda

19:45/20:15 – A O.T.O.: THELEMA, TEMPLARISMO NO NOVO AEON

Prof. Pedro Chaves

20:20/21:00 – DEBATE E ENCERRAMENTO

Conferências e Conferencistas

O NEOTEMPLARISMO DA OSTI

André Pereira de Almeida

Doutor em Filosofia e pesquisador de tradições iniciáticas

Resumo:

A comunicação visa contribuir para o debate acerca da tradição templária e o lugar da ordem de cavalaria fundada por Raymond Bernard, denominada de Ordem Soberana do Templo Iniciático, no mundo atual.

OS TEMPLÁRIOS NA HISTÓRIA

Adílio Jorge Marques

Prof. Dr. em História da UFVJM e URCI

Resumo:

Objetivamos mostrar como os Templários influenciaram a história medieval, assim como foram importantes para a Tradição Primordial que seguiu em outras Organizações após o fim da Ordem dos Pobres Cavaleiros do Templo. O legado cavaleiresco permanece entre nós em pleno séc. XXI.

THELEMA: UM “TEMPLARISMO” PARA O NOVO AEON

Pedro Chaves

Jornalista pela PUC-Rio. Psicólogo pela UNESA. Especialista em Psicologia Junguiana pela UNESA, em parceria com o Instituto Junguiano do Rio de Janeiro (IJRJ).

Resumo:

Os desafios de pensar e praticar Thelema, religião e sistema místico iniciado por Aleister Crowley e em desenvolvimento na contemporaneidade, à luz da experiência em uma de suas ordens iniciáticas: a Ordo Templi Orientis (O.T.O.), cuja mitologia sobre “monges-cavaleiros” inspira-se no templarismo do passado para aspirar a realização do Graal no presente do “Novo Aeon”. Revoluções sociais, gnosticismo, magia sexual, laboratório social, horizontalidade e fraternidade na pós-modernidade serão alguns dos problemas abordados.

AS ORDENS DE CAVALARIA NA MAÇONARIA MODERNA

Prof. Alexander Lisboa Mazzoli

Resumo:

A interação entre a Maçonaria e as tradições cavalheirescas começou  a partir do século XVIII. Sabe-se que foram os autores maçons que criaram a maioria das lendas e mistérios ligados aos cavaleiros cruzados, especialmente aqueles referentes ás Ordens militares que foram fundadas durante a presença dos cristãos na Terra Santa. E que foram eles, também, que ligaram os Templários á Maçonaria, sugerindo ser a Maçonaria uma espécie de herdeira das tradições daquela Ordem. Como os Templários, os Hospitalários e as demais Ordens de Cavalaria interagiram com os maçons operativos e depois transmitiram suas tradições aos maçons modernos? É possível formular algumas hipóteses, o que faremos nesta apresentação. Essa influência, no entanto, só é percebida a partir dos rituais praticados nos chamados graus superiores, particularmente os graus capitulares e filosóficos.

OGG E AS VIRTUDES DO CAVALEIRO MODERNO

Ana Lucia do Nascimento

Mestre em Letras e Ciências Humanas; Psicopedagoga; especialista em Estimulação Essencial e Desenvolvimento Infantil (bebês surdos, Instituto Nacional de Educação de Surdos/INES); Pós-graduanda em Neurociências Aplicadas, com ênfase na Aprendizagem – EEFD/UFRJ.

Resumo:

Tratar de um tema tão rico como os Cavaleiros Medievais, nos permite não só reconhece-los em sua abordagem histórica mas, também com suas contribuições éticas e sociais. Sabedoria, Coragem, Lealdade são algumas virtudes que a Geração do Milênio e a Geração Z, reconhecidas também como Crianças Índigo e Crianças Cristais, vem demonstrando em seus atos e palavras, por suas ações significativas visando o futuro planetário; o cuidar do próximo, através da resiliência e do próprio autoconhecimento.

Essas duas gerações, com características tecnológicas, utilizam uma linguagem própria

que não se limita à palavra, falada ou escrita e sim, a própria intuição, como um potencial interno. As Virtudes trazidas do modelo dos Cavaleiros Medievais podem auxiliar no desenvolvimento de diferentes habilidades e assim permitir que crianças e jovens utilizem a razão sem se distanciar da emoção. A Responsabilidade como virtude

é um dos objetivos de trabalhos desenvolvidos com essas faixas etárias. A Ordem Guias

do Graal/OGG- AMORC se coloca entre eles. Na sociedade tecnológica a cooperação e

o trabalho em grupo são virtudes reconhecidas desde a mais tenra idade.

IMAGINÁRIO, ORDENS DE CAVALARIA E A COSMOLOGIA NO MEDIEVO

Carlos Hollanda

Doutor em Artes Visuais (Imagem e Cultura)-UFRJ. Mestre em História Comparada-UFRJ. Palestrante em eventos internacionais de Astrologia e de Estudos do Símbolo-UNIPAZ-SC, ASPAS, ECO-UFRJ

Resumo:

Uma análise comparativa tendo por base os estudos de Jacques Le Goff e Georges Duby sobre o imaginário medieval e as diferentes ordens de cavalaria, sagradas e profanas, suas representações na cultura de massas e o hibridismo da cultura medieval em relação à formação do imaginário cavaleiresco. A cultura místico-religiosa do medievo compreendia o mundo como uma totalidade integrada, onde os astros, a natureza e o Homem eram partes indissociáveis de um todo. Partindo desse mesmo princípio, aqui também se fará um estudo comparativo de diferentes mitologias em torno da figura cavalheiresca em tradições místicas e religiosas, como a de São Jorge.

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Horas Planetárias – o que são? Para que servem? Como usar?

As horas planetárias ou horário planetário na introdução à chave de Salomão

A Chave de Salomão é um dos muitos textos mágicos clássicos, medievais e renascentistas, conhecidos como grimórios, reivindicando a autoria do rei Salomão, renomado por sua sabedoria e poderes espirituais. O texto neste artigo vem de S. Liddell MacGregor Mathers ‘A Chave de Salomão, o Rei.

Publicado pela primeira vez em 1888, os manuscritos usados ​​por Mathers parecem datar do século XVI. Para mais informações sobre a chave de Salomão e o ciclo salomônico de grimórios mágicos, ver Elizabeth Butler, Ritual Magic [1949] (Penn State Press, 1998), pp. 47-99.

 

Segue, abaixo, a tradução/transcrição do texto supracitado referente ao capítulo das Horas Planetárias.

LIVRO I CAPÍTULO II – DOS DIAS E HORAS E DAS VIRTUDES DOS PLANETAS

Quando tu queres fazer qualquer experimento ou operação, tu deve primeiro preparar, de antemão, todos os requisitos que encontrarás descritos nos seguintes capítulos: observando os dias, as horas, e os outros efeitos das Constelações que podem ser encontrados neste livro. É, portanto, aconselhável saber que as horas do dia e da noite juntas são vinte e quatro em número, e que cada hora é governada por um dos Sete Planetas em ordem regular, começando no mais alto e descendo para o mais baixo.

A Ordem dos Planetas e as Horas Planetárias

A ordem dos planetas é a seguinte: SHBTHAI, Shabbathai, Saturno; Abaixo de Saturno está TZDQ, Tzedeq, Júpiter; Abaixo de Júpiter está MADIM, Madim, Marte; Abaixo de Marte está SHMSH, Shemesh, o Sol; abaixo do Sol está NVGH, Nogah, Vênus; Abaixo de Vênus é KVKB, Kokav, Mercúrio; abaixo de Mercúrio é LBNH, Levanah, a Lua, que é o mais baixo de todos os planetas. Deve, portanto, ser entendido que os planetas têm seu domínio sobre o dia que se aproxima mais próximo ao nome que é dado e atribuído a eles, ou seja, no sábado [Saturday/Sábado/Samedi], Saturno; Quinta-feira [Thursday/Jueves/Jeudi], Júpiter; Terça-feira [Tuesday/Martes/Mardi], Marte; Domingo [Sunday/Domingo/Dimanche], o Sol; Sexta-feira [Friday/Viernes/Vendredi], Vênus; Quarta-feira [Wednesday/Miercoles/Mercredi], Mercúrio; segunda-feira [Monday/Lunes/Lundi] a Lua.

 

A regra dos planetas sobre cada hora começa a partir do amanhecer, ao nascer do Sol, no dia que leva o nome de tal Planeta, e o Planeta que segue isto em ordem, sucede ao governo na próxima hora. Assim [no sábado] Saturno rege a primeira hora, Júpiter a segunda, Marte a terceira, o Sol a quarta, Vênus a quinta, Mercúrio a sexta, a Lua a sétima e Saturno retorna no domínio sobre a oitava, e os outros, por sua vez, sempre mantêm a mesma ordem relativa. Observe que cada experimento ou operação mágica deve ser realizada sob o Planeta e, geralmente, na hora, que se refere ao mesmo. Por exemplo:

[a seguir, na transcrição, a forma pela qual os prováveis autores compreendiam o uso e finalidades das horas, algo explicado detalhadamente, adaptado para a vida contemporânea e aplicado no curso “Magia Planetária – Kabbalah, Astrologia e Hermetismo”, que é periodicamente oferecido conforme a Agenda de Eventos – clique aqui para saber mais]

Calendário da Magia pelos Dias e Horas Planetárias

Nos Dias e Horas de Saturno tu podes realizar experimentos para invocar as Almas do Hades, mas somente daqueles que morreram uma morte natural. Da mesma forma, nestes dias e horas você pode operar para trazer boa ou má sorte para os edifícios; ter Espíritos familiares atendendo-te no sono; causar bons ou maus sucessos a negócios, posses, bens, sementes, frutos e coisas semelhantes, a fim de adquirir aprendizado; trazer destruição e dar morte, e semear ódio e discórdia.

 

Os dias e as horas de Júpiter são apropriados para obter honras, adquirir riquezas; contrair amizades, preservando a saúde; e chegando a tudo que tu podes desejar.

 

Nos dias e horas de Marte tu podes fazer experiências sobre a guerra; chegar à honra militar; para adquirir coragem; para derrubar inimigos; e além disso causar ruína, matança, crueldade, discórdia; ferir e dar morte.

 

Os Dias e as Horas do Sol são muito bons para aperfeiçoar experimentos relativos a riqueza temporal, esperança, ganho, fortuna, adivinhação, o favor dos príncipes, para dissolver sentimentos hostis e fazer amigos.

 

Os dias e as horas de Vênus são bons para formar amizades; por bondade e amor; para empreendimentos alegres e agradáveis, e para viajar.

 

Os Dias e Horas de Mercúrio são bons para operar em eloquência e inteligência; prontidão nos negócios; ciência e adivinhação; maravilhas; aparições; e respostas sobre o futuro. Tu também podes operar sob este Planeta por furtos; escritos; engano; e mercadoria.

Os dias e as horas da lua são bons para embaixadas; viagens; enviados; mensagens; navegação; reconciliação; amor ; e a aquisição de mercadorias por água. Tu deves tomar pontualmente o cuidado de observar todas as instruções contidas neste capítulo, se desejas ter sucesso, vendo que a verdade da Ciência Mágica depende disso.

 

As Horas de Saturno, de Marte e da Lua são igualmente boas para comunicar e falar com os Espíritos; como os de Mercúrio são para recuperar roubos por meio dos Espíritos.

 

As Horas de Marte servem para convocar Almas do Hades, especialmente dos que foram mortos em batalha.

 

As Horas do Sol, de Júpiter e de Vênus, são adaptadas para preparar quaisquer operações de amor, bondade e invisibilidade, como é mostrado mais adiante, às quais devem ser acrescentadas outras coisas de natureza semelhante, que são contidas em nosso trabalho.

 

As Horas de Saturno e Marte e também os dias em que a Lua está em conjunção com eles, ou quando ela recebe sua oposição ou aspecto quartil, são excelentes para fazer experimentos de ódio, inimizade, disputa e discórdia; e outras operações do mesmo tipo que são dadas mais adiante neste trabalho.

 

As Horas de Mercúrio são boas para realizar experimentos relacionados a jogos, esportes, esportes e afins.

 

As Horas do Sol, de Júpiter e de Vênus, particularmente nos dias que elas governam, são boas para todas as operações extraordinárias, incomuns e desconhecidas.

 

As Horas da Lua são apropriadas para fazer experimentos relativos à recuperação de propriedades roubadas, para obter visões noturnas, para invocar Espíritos durante o sono e para preparar qualquer coisa relacionada à Água.

 

As Horas de Vênus são, além disso, úteis para muitos, venenos, todas as coisas da natureza de Vênus, para preparar pós provocadores de loucura e coisas semelhantes. Mas, a fim de efetivar completamente as operações desta Arte, você deve realizá-las não apenas nas Horas, mas também nos Dias dos Planetas, porque então a experiência sempre terá melhor sucesso, desde que você observe as regras mais tarde, pois se tu omitires uma única condição tu nunca chegarás à realização da Arte.

[obs.: venenos são assuntos relacionados a Marte, pela tradição astrológica, e a Netuno e Plutão, em olhares modernos. Particularmente me parecem esclarecedoras ambas as formas de entender o assunto. É preciso observar alguns outros pormenores e entender que o contexto dos escritos de que tratamos pode estar se referindo a poções de amor, fatores que, então, seriam relacionado à produção de desejo por outrem, assunto de Vênus].

 

Tempo Mágico pela Lua

Para aqueles assuntos então que pertencem à Lua, como a Invocação de Espíritos, as Obras de Necromancia, e a recuperação da propriedade roubada, é necessário que a Lua esteja em um Sinal Terrestre: Taurus, Virgem ou Capricórnio.

 

Por amor, graça e invisibilidade, a Lua deve estar em um Sinal de Fogo: Áries, Leão ou Sagitário.

 

Por ódio, discórdia e destruição, a Lua deveria estar em um Signo de Água: Câncer, Escorpião ou Peixes.

Para experiências de natureza peculiar, que não podem ser classificadas sob uma determinada experiência concreta, a Lua deve estar em um signo aéreo: Gêmeos, Libra ou Aquário.

 

Mas se essas coisas parecem difíceis de realizar, basta apenas observar a Lua após a combustão, ou a conjunção com o Sol, especialmente quando ela abandona os raios e parece visível. Pois então é bom fazer todos os experimentos para a construção e operação de qualquer matéria. É por isso que o tempo da Nova até a Lua Cheia é adequado para realizar qualquer um dos experimentos dos quais falamos acima.

 

Mas em sua fase minguante ou diminuição [do brilho], é bom para Guerra, Perturbação e Discórdia. Da mesma forma, o período em que ela é quase privada de luz é apropriada para experimentos de invisibilidade e de morte. Mas observe de modo inviolável que você não começa nada enquanto a Lua está em conjunção com o Sol, vendo que isso é extremamente infeliz, e que então você será capaz de efetuar nada; mas a Lua, abandonando seus raios e aumentando em Luz, tu podes realizar tudo o que desejas, observando no entanto as direções neste Capítulo.

 

Tempo para Invocação

Além disso, se você deseja conversar com os Espíritos, deve ser especialmente no dia de Mercúrio e em sua hora, e deixar a Lua estar em um Signo Aéreo, assim como o Sol. Retire-se então para um lugar secreto, onde ninguém poderá vê-lo ou impedi-lo, antes da conclusão do experimento, se desejaria trabalhar de dia ou de noite.

 

Mas se desejas trabalhar de noite, aperfeiçoe teu trabalho na noite seguinte; se de dia, vendo que o dia começa com o nascer do Sol (perfeito teu trabalho) no dia seguinte. Mas a Hora do origem [início, princípio] é a Hora do Mercúrio. Em verdade, já que nenhum experimento para conversar com Espíritos pode ser feito sem um Círculo sendo preparado, seja qual for a experiência que você deseja empreender para conversar com os Espíritos, aí você deve aprender a construir um certo Círculo particular; isso sendo feito cercar esse círculo com um círculo de arte para melhor cautela e eficácia.

 

 

O ASPECTO TRANSCENDENTE DO TRABALHO: SUA DIMENSÃO ESPIRITUAL E MUNDANA

por Carlos Hollanda

A palavra “trabalho” nos lembra esforço físico, aplicação de concentração mental em fatores que determinam a sobrevivência, o conforto e o sentimento de que algo importante foi produzido para a prosperidade. Para certas pessoas, no entanto, o trabalho pode estar associado a um estado de aprisionamento, sacrifício ou submissão a autoridades que, julga-se, não estariam em condições de exercê-la.

O Dia do Trabalho ou do Trabalhador, suscita essa reflexão, quando nos damos conta de que estamos vivenciando mais um dos muitos processos revolucionários com relação à necessidade do Homem de lidar com a vida cotidiana, seus desafios e vicissitudes, sobretudo na era da informática, que, ao mesmo tempo, gera empregos para alguns e cria uma massa de desempregados não especializados que cresce e precisa ser remanejada a cada ano. A economia informal invade as ruas, locais turísticos, escolas e centros de recreação. Por causa disso, muita gente poderia pensar que se trata de uma “falta de dignidade”, o fato de estar subempregado ou vivendo pelos próprios meios, nem sempre bem recompensados e carentes de suporte em caso de mudanças radicais na economia nacional ou mundial.

Entendamos, todavia, a dimensão espiritual do trabalho, com seus atributos de correção (Tikun, em hebraico), sobre aquilo que somos, que produzimos e que viremos a produzir na vida. Toda atividade que visa a criação de algo útil para a vida, isto é, algo que a facilite e faça com que possamos enfrentar o dia-a-dia mais confiantes, pode ser denominada como trabalho. O fato de nos tornarmos mais confiantes deriva-se não somente pela satisfação no uso do que foi criado, mas, principalmente, pelo fato de que algo, a princípio, veio de nós, frutificou e resultou em benefício para mais de uma só pessoa. Isso nos torna importantes no esquema de vida de uma comunidade e, ainda mais, nos torna importantes perante nossa própria consciência, pois passamos a saber que um circuito foi estabelecido, no sentido de que precisamos do trabalho dos outros e os outros precisam do nosso. Uma verdadeira relação de dar e receber no nível da coletividade.

Astrologicamente falando, os arquétipos do elemento Terra são os que mais estão vinculados a essa atividade sagrada, que é o uso da vontade e da concentração para tornar tangível um intento. A isso chamamos trabalho. Signos de Terra – Touro, Virgem e Capricórnio, na ordem de apresentação zodiacal – são referentes, entre outros fatores, a: Touro – satisfação, estabilidade, conforto físico; Virgem – retificação, conhecimentos, técnicas; Capricórnio – realização, concentração, esforço.

Antes de tudo, o elemento Terra é ligado à condição de estar atuante fisicamente, isto é, no mundo fenomênico. Não se trata constantemente de uma consciência descrente de atributos não físicos, mas de alcançar o verdadeiro significado desse elemento (e do que realmente é o trabalho), usando as capacidades mentais, emocionais e espirituais como um todo e viabilizando aquilo que se originou como potencial no desejo humano de sentir-se feliz.

O dia 1º de Maio é referente ao ponto no ano em que o Sol, em sua trajetória, está aproximadamente a 10o do signo de Touro – um signo de Terra. A comemoração nesta data é escolhida na maioria dos países industrializados para celebrar a figura do trabalhador. A origem foi uma manifestação operária por melhores condições de trabalho, iniciada no dia 1º de maio de 1886, em Chicago, nos EUA. No dia 4 de maio daquele ano, vários trabalhadores são mortos em conflitos com a polícia. Esta prende oito anarquistas e os acusa pelos distúrbios. Quatro deles são enforcados, um suicida-se e três, posteriormente, são perdoados. Por isso, desde 1894, o Dia do Trabalho, nos EUA, é comemorado na primeira segunda-feira de setembro, o que é um fator significativo, em termos de simbolismo astrológico. De 23 de agosto até o dia 22 de setembro, aproximadamente, o arquétipo que impera, pela passagem do Sol, é Virgem, o mais contundente representante do trabalho e do aperfeiçoamento dos arquétipos zodiacais e também um signo de Terra.

Todavia, não se pode falar de trabalho e de classes trabalhadoras hoje em dia, sem que nos reportemos à Revolução Industrial, que aconteceu em meados do séc. XVIII, muito próximo da descoberta de Urano, por Herschel, em 13 de março de 1781. Apesar disso, as mudanças devem ter tido seu ponto culminante durante a passagem de Urano em Touro, de maio de 1767 até dezembro de 1774. Nunca, em toda a história da humanidade, o ser humano pôde dispor de tantas possibilidades de crescimento e de acúmulo de riquezas, como vem acontecendo desde que foram instaurados os métodos de produção industrial. As massas passaram, gradativamente, a se organizar em sindicatos e grupos que apoiavam (e apóiam) as classes trabalhadoras em suas respectivas áreas. O primeiro passo havia sido dado em direção à Era de Aquário, com a difusão dos bens gerados através do empenho de milhares de pessoas, que se tornaram bilhões, após as duas guerras mundiais, com o advento do trabalho feminino em larga escala.

Esse contato mais profundo com a necessidade de aplicação, de aprendizado, de aprimoramento pessoal, foi vivenciado por todo o planeta, sendo esses atributos, fatores característicos do símbolo de Virgem, que, no âmbito pessoal, leva nosso enfoque, com aguda concentração, para o processo individual de Tikun (correção de debilidades cármicas ou do lado negativo de um arquétipo). Esses últimos séculos, portanto, foram cruciais, no sentido de fazer perceber o valor de cada ser humano pelo que ele é e pelo que faz. Obviamente, ainda temos que nos defrontar com o aspecto mais primitivo de tudo isso que é a ganância e a exploração do homem pelo homem, que, a despeito do quanto evoluímos em termos de técnicas (sobretudo depois da conjunção de Urano e de Plutão em Virgem de 1962 a 1969), ainda persiste nos corações de muitos, que acreditam ter mais direitos a privilégios do que os outros ou que não conseguem se integrar como parcelas de um grupo, de uma “personalidade” muito maior do que um indivíduo julgado poderoso.

Mesmo assim, o trabalho pode ser encarado, antes de ser uma obrigação para nos mantermos vivos, como um fator de interiorização e crescimento espiritual. É através do trabalho mundano – que leva ao contato com o mundo prático – que obtemos um poderoso referencial do quanto ainda temos que nos aperfeiçoar para que possamos efetivamente executar uma tarefa de auxílio ao próximo. Os colegas de trabalho, mesmo aqueles cuja vibração é dissonante com a nossa, têm essa função de formadores de um campo de auto-observação muito importante. O trabalho feito em equipe proporciona uma visão tão clara a respeito de nossas imperfeições que nada temos a fazer senão tentar melhorar nossos pontos de vista, sermos mais flexíveis e menos egocêntricos. Entendemos que precisamos cooperar mais e que deve haver algum tipo de contato social capaz de nos tirar da casca estéril de uma visão fundamentada em percepções limitadas pelo ego. O trabalho em equipe fornece isso, pois trata-se de um compromisso, antes de ser apenas um encontro informal entre amigos e familiares. É nossa responsabilidade fazer com que as coisas funcionem.

É preciso aprender a aceitar a discordância de um método que achamos ser o ápice da qualidade. A relatividade é que o que se entende por qualidade e método variam de pessoa para pessoa, não se pode ser intolerante com variações de atitudes que visam o mesmo resultado.

Nos meios esotéricos, ouvimos muito falar da “Obra do Mundo” ou do “Grupo de Servidores Mundiais” do alvorecer da Era de Aquário, mas quem, afinal, são eles? Não são necessariamente – como podem pensar muitas pessoas que se julgam privilegiadas pelo conhecimento adquirido – estudantes de esoterismo, mas pessoas que realmente se importam com a humanidade e com qual efeito seu trabalho virá a ter sobre ela. São pessoas que têm compaixão, que aprendem com seus erros e que desejam profundamente compartilhar a Graça que recebem com seus irmãos. Estas pessoas também desejam, como qualquer outra, conforto, reputação e saúde – atributos do elemento Terra – mas são capazes de esforços grandiosos para acertar, para corrigir suas debilidades junto com todas as outras que também têm dificuldades.

E o que dizer do trabalho esotérico? O que se define assim e como trabalho não esotérico? Há uma certa diferença, é claro, entre servir à coletividade imediata através do esforço solicitado e através do serviço individual, visando a inserção de valores espirituais no mundo, dentro do ponto de vista do ser que se aperfeiçoa. O esoterista, a partir de sua natural tendência ao isolamento, é capaz de atingir um grau muito profundo de contato com a Luz Divina contida em si, mas sem o devido contato com a mentalidade de sua época, com as pessoas que o rodeiam e com o clamor de suas necessidades emocionais e fisiológicas, torna-se sem finalidade. O que fazer, então? Pôr-se num pedestal imaginário, julgando-se acima das debilidades dos outros é um erro grosseiro. É o mesmo que achar que, para dirigir um carro, basta ler o manual. O ser humano precisa constantemente de contato com a realidade mundana, em vista dela estar constantemente em mudança. Esse mundo ilusório em que vivemos reflete os atributos divinos, mas se nos mantivermos absortos ou excluídos de nossa sociedade, pensando que somente os exercícios de respiração e meditação vão resolver tudo, estaremos deixando de realizar a experiência que no Gênesis foi descrita como “lavrar a terra de que o homem fora tomado”, quando Adão provou da Árvore do Conhecimento. Portanto “lavrar a terra”, significa pôr a mão na massa, encarar o fato de que somos imperfeitos, mas poderemos receber dádivas de uma consciência perfeita através da prática da vida propriamente dita.

Isso vale também para todos nós que trabalhamos isoladamente com o intuito de passar o conhecimento das Leis dos Mundos Superiores. Se não nos desvincularmos, um pouco que seja, da mentalidade “ideal”, certamente entraremos em colapso, sendo vítimas dos mesmos problemas que tanto tentamos evitar que afetem aos nossos clientes, pois, desse modo, ficamos pouco conscientes de nosso processo individual de vida, a vida normal, de quem tem fome, sede, necessidade de sexo, de amor, de respeito e de importância. Vale a pena um contato maior com a vida “mundana”, com atividades como a do vendedor, a do operário, do motorista, do gerente, da dona-de-casa ou do empregado de uma empresa de informática.

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Levanta-se então, uma questão inquietante para muitas pessoas que têm dificuldade em aceitar a autoridade alheia. É uma luta entre submissão e talento, entre o emprego e a livre iniciativa. Einstein é um exemplo típico. Com sua Lua na casa 6 – casa do elemento Terra – apesar de seu grande talento como físico imaginativo que era – que poderia ser desfrutado através de sua fama, ganhando muito em palestras e livros – passou boa parte de sua carreira prestando serviços como empregado do governo dos EUA, após se naturalizar americano durante o apogeu do nazismo. Nem por isso seu brilho foi diminuído, nem ele deixou de ser considerado pela própria genialidade – o que lhe garantiu conforto material. Einstein tinha uma espécie de vida paralela, no que diz respeito às suas atividades profissionais. Sempre fora dotado de uma mentalidade de professor, o que exercia entre períodos de pesquisas pagos pelo governo. Ele não vivia enclausurado, como seria de se esperar, em uma “abóbada” de cálculos e fórmulas. Ao contrário, atuou plenamente na defesa do controle internacional de armas nucleares. Além disso, com toda a fama, era considerado uma pessoa simpática pelos que com ele trabalhavam e conviviam intimamente.

Finalizando, a comemoração do Dia do Trabalho, assim como o trabalho em si, deve, na intimidade, nos levar à compreensão de nossa função ou missão de vida, seja ela como um rei ou como um serviçal. Cada atividade é um mar de possibilidades de crescimento e de contato com nossa ancestralidade divina, pelo simples fato de que temos a oportunidade de lapidar nossas arestas pelo contato com outras pessoas que tiveram outra formação e vivência.

Para o astrólogo, a consciência do trabalho quer dizer aplicar na prática o que aprendemos ao longo de tantos estudos. Isso sim é um contato verdadeiro com a divindade que subjaz em todos nós. É isso o que faz com que possamos dar orientações verdadeiras, baseadas no sentimento de compaixão e na certeza de que compreendemos o que passa aquela pessoa que nos procura. Parabéns para todos nós nessa comemoração do Dia do Trabalho!

A Importância do Equinócio de Março na Astrologia, na Alquimia e em Tradições Esotéricas

* Artigo extraído da página oficial da OKRC, no Facebook. Veja o original, navegue pela página, solicite informações sobre a Ordem clicando aqui

Fisicamente falando, os equinócios e solstícios são eventos astronômicos que marcam a mudança das estações do ano. No Solstício de verão, o Sol atinge seu mais elevado ponto no céu, enquanto no solstício de inverno desce ao seu ponto mais baixo. Os equinócios da primavera e do outono marcam os pontos médios no movimento do sol entre os dois solstícios e é nesses pontos do ano que o dia e a noite têm a mesma duração. Cultural e historicamente falando, no entanto, para algumas culturas arcaicas, elas também representavam um mistério mais profundo nessas etapas, relacionando-as às noções de nascimento, crescimento, amadurecimento, morte e, enfim, ressurreição.

Para as tradições astrológicas e alquímicas, herdeiras de sistemas culturais tremendamente antigos, o Sol e o ouro são representados por um ponto dentro de um círculo. Esse símbolo pode ser lido como um olho aberto, representando a Consciência Desperta, como a semelhança entre o micro (ponto) e o macrocosmo (círculo), o “um” e o “todo” num só conjunto, o ponto que tudo contém e de onde tudo emana. O símbolo ou glifo (inscrição) do Sol ainda designa o centro de um sistema onde tudo gira e ainda pode servir de referência para axiomas como “Deus é um círculo [infinito] cujo centro está em toda parte e a circunferência em lugar algum” –  frase atribuída a diferentes pensadores, mas em especial a Santo Agostinho. A ligação do Sol com o ouro se dá, em grande parte pelas propriedades “incorruptíveis”, ou melhor, perenes do ouro diante dos elementos e do tempo: o Sol, diferentemente da Lua, que representa mudanças, entre outros fatores de seu simbolismo, é tido como “imutável”, em sua natureza, assim como o ouro, que não oxida e que sob várias circunstâncias em que outros metais perderiam características e se degradariam, o mesmo continua com sua estrutura atômica inalterada. Sua cor amarela também é passível de associação, por analogia, à tonalidade aparente da luz solar em grande parte do dia. Não bastasse isso, devido às propriedades supracitadas, o ouro, entre os alquimistas passou a ser, metaforicamente, como correspondência do Sol na matéria, a meta de transformação/depuração da consciência, da alma e da vida em algo sublime e superior ao estado de degradação provocado pelo tempo e por uma consciência não-desperta na maioria da Humanidade.

Nenhuma descrição de foto disponível.Grande parte das culturas antigas, entre elas a egípcia, a celta e a maia, viam nos movimentos celestes do sol uma reflexão cósmica da jornada espiritual que poderiam realizar na Terra dentro de si. Isso explica por que monumentos, cidades e estilos de vida foram modelados em torno dos solstícios e equinócios e alinhados à jornada do sol pela eclíptica (o caminho percorrido pelo Sol ao longo do ano, perfazendo o zodíaco) e das estrelas (seu aparecimento sazonal, incluindo as constelações não-zodiacais). Essas antigas civilizações baseadas na religião do sol viam a iluminação espiritual como o verdadeiro propósito da vida, e procuravam orientar suas sociedades inteiras para os princípios espirituais que eles viam exibidos acima deles no céu.

Os símbolos solares também são análogos às narrativas de muitas divindades e se encontram por trás da maioria das formas religiosas atuais. Por exemplo, figuras salvadoras do sol-Cristo emergiram uma e outra vez dentro de várias tradições derivadas da antiga religião original/primitiva do sol e estágios chave em suas vidas freqüentemente correspondem a eventos solares. Figuras como Jesus, Mithra, Krishna, Quetzalcoatl, entre outros – freqüentemente compartilham semelhanças. Elas podem estar associadas ao sol, nascidas no solstício de inverno, ensinar e realizar maravilhas, morrer e ressuscitar no equinócio da primavera e ascender aos céus no solstício de verão. O futuro retorno dessas divindades solares é também muitas vezes anunciado, novamente com sua chegada em um solstício de inverno (quando o mundo está mais escuro) trazendo luz ao mundo mais uma vez. As festividades religiosas ocidentais, mesmo as do hemisfério sul obedecem ao simbolismo das estações do ano no hemisfério norte devido, sobretudo, aos processos de colonização, mas ainda assim o significado subjacente à jornada solar pelas estações permanece.

Equinócio de primavera em Stonehenge.

Pode-se afirmar que a sobrevivência desses mitos em diferentes culturas se dá meramente por transferência ou difusão cultural das narrativas, mas do ponto de vista comparativo, o processo simbolizador que realiza essas associações entre heróis salvadores, sua jornada de vida e o Sol, na verdade se dá independentemente de ter havido um contato mais direto entre um grupo social e outro na História. Tais pessoas, tenham elas realmente existido fisicamente ou sejam um amálgama de várias figuras virtuosas numa só narrativa e personagem, funcionam como uma luz para guiar o caminho, uma referência, modelo de consciência desperta e meta a ser atingida.

 

 

Imagem relacionadaO equinócio de 20 de março (primavera para o hemisfério norte e outono para o sul) é o ponto em que, astronomicamente, o Sol inicia sua ascensão pela eclíptica até que atinge seu apogeu no verão, quando chega ao Solstício de 21 de junho. No zodíaco trópico, adotado pela Astrologia Ocidental, esses pontos fundamentais representam, respectivamente, o ingresso do Sol no signo de Áries e de Câncer. O equinócio e solstício seguintes são os de Libra e de Capricórnio, respectivamente. O equinócio de março em essência (mesmo que no hemisfério sul seja a entrada do outono), é marcado simbólica e culturalmente pelo ressurgir da força vital (Sol) em seu signo de exaltação (Áries). É o momento em que a luz retorna ao mundo e em que todos os inícios, em tese, seriam fortalecidos. Aqui se iniciava o calendário agrário e religioso, um atrelado ao outro, tanto no Egito, quanto na Suméria e noutras partes do planeta em que culturas agrárias ou pastoris se utilizavam dos movimentos celestes para garantir a sobrevivência da tribo, comunidade ou cidade-estado hierática. Tal como se percebe no simbolismo do Carneiro, no zodíaco, com seu conjunto de características guerreiras, portadoras do poder da Vontade e o desejo intenso de ação, o equinócio, desde os tempos remotos, é também visto como um período (não só a data precisa do equinócio, mas o decorrer do primeiro mês a partir dele) em que há uma verdadeira luta entre luzes e trevas, com uma vitória final das forças luminosas (vide a

A subdivisão do ano no calendário celta (uma das tradições) com os 8 Sabbats.

ressurreição nas narrativas de diversas tradições, após o herói descer aos infernos).

 

O Áries é também o símbolo do semeador, do fertilizador, tanto no sentido agrário quanto no sexual do termo. É conhecida a predileção das pessoas com ênfases arianas em seus mapas astrológicos por situações, digamos, “polinizadoras”, por um lado na base das conquistas amorosas, por outro lado na base da tendência muito forte a iniciar projetos em grande número. Obviamente essa tendência pode ser mais acentuada nuns e menos noutros, de acordo com as posições dos demais fatores a considerar num mapa astrológico, mas todos os arianos partilham, em algum grau, desse impulso.

 

Imagem cristã representando o Cordeiro de Deus.

Os rituais religiosos modernos e as práticas mágicas, teúrgicas, filosóficas ou pagãs da atualidade, herdeiras e ressignificadoras que são das formas antigas de conexão com os aspectos divinos da natureza, têm em grande parte relações com as mudanças de estação pela via dos equinócios e solstícios. O início desses calendários mágico-religiosos é o símbolo do irromper da vida, do otimismo, entusiasmo, da ultrapassagem do que era antigo, mas sua retomada num nível acima, renovado. No simbolismo judaico-cristão, parte do que o ingresso do Sol nessa fase do ano representa é a crucificação-morte-ressurreição do Salvador, a páscoa cristã, enquanto a páscoa judaica é o grande processo de libertação e despertar, com o êxodo do Egito. O símbolo da páscoa na forma do coelho ou do ovo é também o símbolo do irromper da vida, ao usar um animal cuja prole é numerosa e o ovo universal contendo a vida que irá surgir como símbolo. A noção de que o equinócio é época de renovação/libertação/irrupção da vida é o que mobilizava as sociedades antigas a realizarem rituais purificadores em suas casas e aldeias. Atualmente esses rituais são realizados por muitas sociedades secretas, tanto em atos coletivos em templos, reservados a seus membros, quanto individualmente, com os participantes de tais sociedades praticando suas meditações, orações e atividades sagradas em seus santuários particulares. Em outras palavras, o equinócio da primavera é a melhor época do ano para se concentrar em novos projetos, livrar-se de coisas que não servem mais e encontrar um grau maior de equilíbrio na vida – afinal, falamos de um momento em que dia e noite estão equilibrados, o mesmo valendo para o equinócio de Libra, em setembro, mas ali já com outra abordagem que não o irromper da vida, marcada pelo Áries. De fato, muito mais do que no dia primeiro de janeiro, quando muitas pessoas se auto-comprometem a fazer mudanças e a perseguirem metas, é aqui que, mágica e energeticamente, a natureza inteira conspira para tanto. Em todo equinócio de março semeamos algo. A semeadura do amor, da luz, da boa vontade, da proatividade e do respeito ao próximo pode fazer com que você se surpreenda com os bons retornos que terá ao longo do ano. E se você atuar mágica ou teurgicamente, espere um contato muito virtuoso com os deuses.

Carlos Hollanda – Membro da OKRC

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Revolução Solar | Curso Extensivo

A revolução ou retorno solar, é seu verdadeiro aniversário, seu ano novo pessoal e particular. Todos os anos você tem um mapa que serve de norteador para lidar com as tendências durante 12 meses.

Através dessa técnica é possível identificar, de maneira muito precisa, épocas para que dadas possibilidades possam ser incentivadas ou atenuadas. As ferramentas de previsão do retorno solar pode ajudar no planejamento mês após mês, podendo chegar a descrever potenciais para semanas e até dias. Isso sem falar no modo como você passa a sentir, pensar e enxergar as coisas durante aquele ano, comportando-se de acordo com as configurações astrológicas da época do aniversário.

Cada aniversário você vai ter um mapa de revolução solar diferente, sempre considerando o grau, minuto e segundo da posição do Sol do seu nascimento.

No curso veremos, entre outros assuntos, os seguintes:

* Os padrões recorrentes ao longo dos anos
* O que irá acontecer para cada um individualmente
* Vale a pena passar o aniversário noutra localidade? (Demonstrações)
* O dia a dia no retorno solar
* Como o retorno solar dialoga com o mapa de nascimento
* A importância do Ascendente e as técnicas de combinação do mapa do retorno solar com o mapa natal
* O que fazer durante as configurações críticas e as favoráveis naquele ano
* Exercícios com o mapa dos participantes e outros ao longo do curso.

ATENÇÃO: o curso será presencial, mas com TRANSMISSÃO SIMULTÂNEA via ZOOM. Os interessados só precisam realizar as inscrições pelo formulário .

QUANDO: a partir de 11/02/2019 (10 AULAS)
HORÁRIO: das 19 às 20:30 (sempre segundas-feiras)
ONDE: Espaço Psi – Rua Conde e Bonfim, 310, sala 1011 – metrô Saens Peña, entre a Di Santinni e a Casa do Pão.

Faça já a sua inscrição.

Para mais informações, entre em contato: (21) 98827-9999 ou carlos-hollanda@hotmail.com

A tragédia em Brumadinho – MG

A Vale do Rio Doce foi fundada em 01/06/1942, em Itabira-MG. 
Não disponho do horário. Se algum colega o tiver e puder compartilhar, agradeço.

A empresa também teve algumas reformulações, como quando passou a se chamar somente Vale, portanto, é passível de ter algum outro mapa válido. O mapa da privatização será analisado posteriormente. Essa análise será publicada em outro post.

Com o mapa da fundação, é possível verificar uma correspondência com a tragédia em Brumadinho: Saturno e Plutão em Capricórnio encostam na Lua do mapa radical. Igualmente, O último ECLIPSE SOLAR, ocorrido em 06/01/2019, aos 15 graus de Capricórnio, também é associável ao evento. Se a Lua radical estiver mesmo perto dos 15 graus o eclipse a pegou em cheio.

Como não há horário, o gráfico que acompanha este post é calculado para o meio-dia e é feito pelo esquema do mapa solar, situando, arbitrariamente, o Sol como um ascendente e com as casas iguais de 30 graus derivadas da posição do Sol. A Lua, nesses casos pode ter sua posição diferente da que está aqui. Ela muda de grau a cada duas horas, aproximadamente.

Solidariedade para com as vítimas do lamentável ocorrido.


O mapa da cidade de Brumadinho – MG e o mapa do momento do rompimento da barragem da Mina Feijão, divulgado pela Imprensa. Esperem outros desastres ao redor do mundo.

Eis aqui um dos efeitos possíveis de Júpiter em quadratura com Netuno. É um aspecto que, entre outras possibilidades, comporta a de enchentes, sendo que Netuno atualmente está transitando sobre a estrela Achernar, tradicionalmente associada a eventos do tipo.

Essa quadratura entre planetas em trânsito – no caso Netuno, Júpiter e Vênus no céu atual – atinge o Mercúrio da cidade.

Novamente se confirma minha hipótese de que em situações calamitosas, com grande mortandade, sejam elas criminosas ou naturais, Kiron se encontra em posições cruciais do mapa. No caso do momento em que a barragem se rompeu, a Lua fazia oposição a esse fator e a Marte (planeta que rege o ferro – eis o vínculo com o minério de ferro da barragem).

No mapa do ocorrido, Vênus é o planeta dispositor do Ascendente e está envolvido na já citada quadratura com Netuno, o que reforça o caráter de dissolução e vitimização, sendo que está na casa 8, a casa das perdas e grandes transformações (voluntárias ou fortuitas).

Vários aspectos que correspondem a situações dramáticas envolvendo os elementos da tragédia, como desabamentos, destruição por água, soterramento, lama e ferro, estão já com órbitas separativas, isto é, os aspectos já haviam ocorrido em sua exatidão um pouco antes, talvez alguns dias. É possível que isso seja indicador de que o problema que levou a tamanho desastre já estivesse prestes a eclodir. Esses aspectos seriam os seguintes:

A Lua em trânsito em conjunção com Netuno radical e em quadratura com o Sol radical no dia anterior.

Uma semana antes, Marte em trânsito fizera conjunção com Saturno radical da cidade.

Mercúrio em trânsito fizera, um dia antes, uma oposição com Plutão radical e o Sol fizera o mesmo 4 dias antes.

Kiron em trânsito saíra há pouco tempo de uma órbita de quadratura com o Sol da cidade.

Urano em trânsito em fins de 2018, ingressara em Touro e, por órbita de aspecto, fizera uma oposição com Marte. Essa oposição tornará a ocorrer em fins de março de 2019. E durará até abril de 2020. Este trânsito, o de Netuno e o de Plutão, aliás, são os únicos que nunca ocorreram nesses pontos do mapa de Brumadinho. Isso é uma particularidade deste momento.

Até aqui, podemos dizer que os demais trânsitos, sobretudo os mais velozes, ocorrem todos os anos, enquanto os da Lua ocorrem todo mês. Não há novidade e não necessariamente ocorrem calamidades só por que esses movimentos planetários ocorrem. No entanto, eles estão todos combinados em épocas muito próximas e ocorrem sobre o mapa da cidade simultaneamente a grandes configurações com planetas lentos, como Saturno e Plutão. Estes últimos, embora ainda relativamente distantes um do outro em órbita de longitude (Saturno a 14 de Capricórnio e Plutão a 21 graus do mesmo signo) já estão em conjunção no céu. São dois planetas cujos contatos mútuos são tremendamente tensos. Para se ter uma idéia, tiveram outro contato tenso na oposição que fizeram em 2001 e se encaixam perfeitamente no momento do atentado às Torres Gêmeas, além da guerra que se seguiu. Tanto Saturno quanto Plutão estão diretamente associados ao subsolo, mineração e a soterramentos, desabamentos. Saturno está a apenas um grau de distância do último eclipse solar de 6 de janeiro, que se formara enquadrado entre Saturno e Plutão, a 15 graus de Capricórnio. A proximidade de fatores em movimento com o grau do eclipse têm efeito disparador de eventos.

Podemos esperar outras situações similares ao redor do mundo, em locais que, como Brumadinho, funcionam como um elo mais fraco de uma corrente de possibilidades. Ali, onde as condições mais favorecem o desastre é que a potencialidade se torna concreta. Finalizando, quem conhece aspectologia em leituras astrológicas, verá claramente a quadratura que Saturno e Mercúrio fazem com Marte do mapa do rompimento, sendo Marte, como dito, regente do ferro. Mais ainda, há a quadratura “T” envolvendo o principal de todos os gatilhos, a Lua, com Júpiter-Vênus e Netuno (Águas), respectivamente em Gêmeos, Sagitário e Peixes, o que sugere os impedimentos no ir e vir, as dissoluções e os prejuízos para as famílias, sociedade e país. O Sol também já formava a quadratura com Urano (eventos repentinos, destruições).

Torcendo aqui para que toda a dor e sofrimento sejam reduzidos o quanto possível para as famílias das vítimas. Fica aqui também a dica para outras localidades com potenciais semelhantes refazerem suas manutenções preventivas e que as fiscalizações se tornem ainda mais rigorosas, tanto com a segurança do meio ambiente quanto para com a população e funcionários das empresas.

OBS.: O mapa radical de Brumadinho apresentado aqui é calculado para meio-dia e é construído conforme a técnica do Mapa Solar, situando o Sol como uma espécie de Ascendente e dele derivando casas iguais de 30 graus. Caso alguém possua o horário da fundação da cidade, agradeço se puder compartilhar.

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Uerj – Curso “OS SÍMBOLOS SAGRADOS DO CÉU”

“OS SÍMBOLOS SAGRADOS DO CÉU”

O SIMBOLISMO MÁGICO, ALQUÍMICO E COSMOLÓGICO/ASTROLÓGICO NAS REPRESENTAÇÕES ANTIGAS E CONTEMPORÂNEAS, NOS RITOS INICIÁTICOS E NOS CICLOS PLANETÁRIOS EM TEORIA E PRÁTICA

Prof. Carlos Hollanda

  • Período: de 13 de março a 11 de setembro de 2019
  • Quartas-feiras
  • Das 18 às 21h.
  • CARGA HORÁRIA TOTAL: 72 HORAS 
  • LOCAL: Rua São Francisco Xavier, 524, Maracanã – Portão 07, Av. Radial Oeste – Centro Profissional.
  • Investimento: 6x R$ 145,00 (mensais por pessoa)
  • Inscrições pelo site da Uerj
  • Contatos com o prof.: carlos-hollanda@hotmail.com ou (21) 98827-9999.

Envolvendo estudos de Astrologia, Kabbalah, Tarot e Mitologias Comparadas, o curso apresenta referenciais literários, traduções de obras de filósofos neoplatônicos e neopitagóricos, entre os astrólogos “helenistas”, entre eles Claudio Ptolomeu, Vetius Valens, Dorotheus de Sidon. O início se dá com um estudo sobre as raízes do mito pelo olhar antropológico e também esotérico. Outros assuntos bastante trabalhados no curso: o simbolismo iniciático de Elêusis, os mistérios órficos, simbolismo kabbalístico e o mapa onírico do céu como base; as representações do Cosmo entre macro e microcosmo desde em construções medievais até, e sobretudo, as renascentistas e barrocas; a Alquimia seiscentista e setecentista, seu simbolismo iniciático e astrológico; o misticismo e o magismo do século XIX, que visava fazer frente às posturas pré-científicas e científicas na transição dos séculos XVII e XVIII, numa espécie de “reencantamento do mundo”; a chegada das grandes mídias e as ondas sincréticas entre o misticismo europeu e oriental, na difusão dos saberes antigos, de forma resumida ou coisificada para as massas; o extrato dessas ondas nas práticas mais fechadas entre os intérpretes de símbolos contemporâneos; as práticas em si, com exemplos de análises astrológicas e interpretações de lâminas do Tarot (com diferentes baralhos) e as correspondências entre ambas as artes..

  • APRESENTAÇÃO:

Curso a ser ministrado sob a Coordenação do PROEPER/CEPUERJ, com um trabalho de análise e decodificação das representações visuais do Cosmo, de simbolismo da Alquimia e discurso Mágico-Kabbalístico de diferentes épocas, com breves percursos entre a Antiguidade, a Idade Média e a Modernidade, mostrando, ainda, os paralelos contemporâneos dessas representações ressignificadas por obras de cultura de massas e sistemas hermenêuticos que preconizam o uso de tais símbolos.

O curso visa principalmente atender aos trabalhos que são desempenhados pelo CCS (Centro de Ciências Sociais), no que tange, junto ao PROEPER (Programa de Estudos e Pesquisas das Religiões), temáticas referentes à cultura do esoterismo da atualidade, permitindo discernir parte considerável de suas raízes históricas, culturais e seus usos ressignificados pelos sujeitos e agentes sociais contemporâneos.

  • OBJETIVO GERAL:

Mostrar as principais razões simbólicas que constituem o legado cultural de diferentes concepções antigas, quer sejam gregas, babilônicas, egípcias, e romanas, entre sincretismos, apropriações e ressignificações das mesmas ao longo dos séculos, mas, sobretudo, desde o século XIX na Europa, e seus usos contemporâneos no Ocidente.

  • JUSTIFICATIVA:

A importância e a necessidade da implantação deste curso se devem inicialmente ao fato de que há uma grande procura, sobretudo na Internet, em redes sociais e, igualmente, em círculos fechados, quer sejam sociedades secretas (rosacrucianismo, maçonaria, gnosticismo, neopaganismo), quer sejam entre grupos independentes ou entre indivíduos, por esclarecimento dentro desses campos. A procura, que quase sempre demanda movimentação financeira ou o uso de espaços midiáticos como forma de propagação aliada ao oferecimento de serviços, tem sido cada vez maior, proporcionalmente ao aumento de acesso à internet por diferentes camadas da população em vários países. O Brasil, que possui um dos maiores índices de participação em redes sociais no mundo, é particularmente afetado pelo uso e, da mesma forma, pela desinformação a respeito desses temas.

Assim, difundir este curso dentro de uma universidade pública como a UERJ, com o pioneirismo da instituição e, mormente, do PROEPER, além de ser um reconhecimento a tais legados ocidentais imersos na cultura brasileira por meio das mídias e de publicações muito propagadas entre grupos iniciáticos ou esotéricos, permitirá o acréscimo de um novo olhar e um melhor senso crítico sobre essas representações, enquanto cria condições para novos e mais profundos estudos acadêmicos futuros sobre tais assuntos. Da mesma forma, estando essa cultura sincrética, ressignificada e, muitas vezes, deturpada entre vários setores da sociedade, o curso cumpre o propósito de lançar luz sobre aspectos negligenciados das práticas e representações contemporâneas que servem de base para comportamentos de diferentes grupos, suas identidades e suas formas de consumo. Por fim, as demonstrações e práticas em sala de aula com as técnicas e os pressupostos astrológicos visam proporcionar aos participantes experiências mais diretas com o que realmente é possível fazer em leituras do tipo.

  • CADERNO PROGRAMÁTICO:

Resumos de Mitologia/ História dos Símbolos e Idéias Religiosas/ Filósofos e práticas mágicas/ O conteúdo iniciático: origens e templos/ as concepções de céu e as práticas derivadas/ Humanismo e simbolismo celeste/ Artes e misticismo/ Alquimia e a pedagogia da Alma/ Magia e Ciência/ Mídias e representações alquímicas/ Astrólogos, gurus, o céu interior, sincretismos e ressignficações nas leituras e expressões terapêuticas atuais/ Aplicações (leituras de Mapas Astrológicos e Tarô) em sala.

  • METODOLOGIA:

Aulas expositivas com acompanhamento de slides em powerpoint e observação do céu em datas programadas durante o curso.

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Diretor do Centro de Ciências Sociais: Professor Domenico Mandarino

Coordenação: Professoras Edna Maria dos Santos e Telma Rosina Simoni da Gama

Facilitador: Prof. Dr. Carlos Manoel de Hollanda Cavalcanti

CERTIFICADOS DE EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA EXPEDIDOS PELO CEPUERJ/UERJ

 

 

Excelsior! O Mapa Astrológico de Stan Lee

Por Carlos Hollanda

Os pesquisadores, fãs e criadores de quadrinhos, grupos nos quais me incluo, ficaram um pouco órfãos no dia 12/11/2018, com a passagem para o “andar de cima” de um dos mais importantes e espetaculares autores de histórias em quadrinhos do planeta: Stan Lee. Stanley Martin Lieber, transformou em nome e sobrenome a palavra “Stanley”, cuja pronúncia é de fato Stan Lee (algo como “steanli” – separando em dois pedaços a própria fonética do prenome ou fazendo duas abreviações, com o “Li” de “Lieber”) e transformou dramaticamente a indústria dos quadrinhos pelo mundo, ao humanizar personagens superpoderosos, deuses e semideuses situados num contexto cotidiano de vida,com as falhas humanas, seus dilemas éticos, morais, crises, dores, tristezas e felicidades. Lee é provavelmente o autor com maior número de personagens criados nos quadrinhos e também o que mais teve personagens transcodificados para as mídias televisivas e cinematográficas. Se ele já tinha grande impacto no mundo dos quadrinhos em diferentes países antes de haver a onda Marvel nos cinemas, após isso tornou-se um dos maiores ícones do início do século XXI em ambas as mídias, entre públicos de diferentes idades, níveis de instrução e nacionalidades/culturas.Por volta dos meus 12 a 16 anos de idade, lá pelo início dos anos 1980, o autor era bem pouco conhecido fora do círculo dos leitores mais vorazes de quadrinhos e colecionadores, sendo que estes dois últimos eram tidos como “incultos”, “imaturos”e outros pejorativos que os secundarizavam intelectual e socialmente. Hoje há inúmeras pesquisas acadêmicas densas e levadas extremamente a sério em diferentes países, o Brasil inclusive, sobre obras de quadrinhos de Lee,  autores de diferentes nacionalidades, sem contar que mesmo quem não era fã ou nem mesmo se interessava por tal expressão artístico-midiática, passou a assistir os longa-metragens e a tentar identificar quem era aquele velhinho que sempre aparecia em breves situações cômicas em cada um deles. Sim, os quadrinhos devem muitíssimo a este senhor que nos deixou aos 95 anos de idade,mas também aqueles que passaram a estudar Comunicação, Semiótica, História,Sociologia e, claro Mitologia Comparada.

Stan Lee em três épocas diferentes. Na foto maior, fazendo o gesto de lançamento de teias de uma de suas maiores criações: o Homem Aranha

Aqui disponibilizo duas versões do mapa do autor: a primeira um “mapa solar” ou mapa com “derivações solares”, com uma técnica que situa o Sol no local onde seria o Ascendente, se dispuséssemos do horário de nascimento.Com ela, as casas são iguais, com 30 graus de arco, todas iniciando no grau do Sol, para cada signo. Assim, se Stan nasceu com o Sol a 5 graus de Capricórnio, a casa seguinte terá a cúspide em 5 graus de Aquário, a próxima a 5 graus de Peixes e assim sucessivamente até a décima segunda casa. Esse método é bastante funcional em casos assim, conforme demonstrado em alguns cursos e palestras,como a que dei em 11/11/2018, no Simpósio Internacional de Astrologia do SINARJ – Sindicato dos Astrólogos do Rio de Janeiro. A segunda versão é uma calculada com uma hipótese de horário que faz com que o mapa assuma feições realmente muito próximas das que Stan manifestava em comportamento e das situações que podemos encontrar em sua biografia, personagens e aparições públicas. Na análise que se fará a seguir, me concentrarei na segunda versão, cujo signo Ascendente cogito ser Escorpião por diversas razões a demonstrar.

Ao analisarmos mapas astrológicos de autores e suas obras não raro nos deparamos com um curioso fenômeno de identificação ou projeção dos atributos dos primeiros nas segundas. Assim, o conteúdo e a sintaxe ou a concatenação dos símbolos dentro do mapa do autor, são identificáveis nas narrativas que cria por escrito, se ele for escritor, ou nas formas, jeitos e trejeitos que desenha, se for artista visual. Lee pertence ao rol dos roteiristas que, para construir seus personagens, fazia breves pesquisas sobre símbolos e mitologias, traduzindo isso em figuras heróicas adaptadas a um mundo contemporâneo e à tecnologia estilo Sci-Fi que permeara sua formação como escritor desde os anos 1940 e editor desde os 1950. Com isso, pode-se dizer que os personagens e suas trajetórias de vida são expressões do próprio autor, de seus complexos e de seus dramas íntimos.

Stan não teve uma vida fácil, tal qual muitos de seus personagens. Precisou trabalhar ainda adolescente, como entregador de sanduíches e lanterninha de cinema. Aos 17 anos leu um anúncio da editora Timely Comics, que precisava de um assistente que fizesse de tudo. Apesar da tenra idade, foi contratado pela empresa, ainda pequena, na época, cujo quadro de empregados trazia o desenhista Jack Kirby e o editor Joe Simon, além de Martin Goodman, o presidente e fundador da editora. No início dos anos 40, a Timely apenas comprava material artístico de outras editoras, como as histórias do Príncipe Namor e do  Tocha Humana (outro que não o do Quarteto Fantástico).

Durante Segunda Guerra, os heróis anti-nazistas dominavam o mercado norte-americano. Um deles era o Capitão América, de Jack Kirby e Joe Simon.  Stan teve a oportunidade de escrever uma história de duas páginas na revista Captain America número 3 e com isso acabou dando início a uma carreira de roteirista que durou décadas. Com a saída de Joe Simon, assumiu a função de editor com o respaldo de Goodman. Pouco depois de assumir a função, ele se desligou do emprego e se alistou no Exército, onde produziu roteiro de filmes de treinamento, cartoons e pôsteres para incentivar a adesão dos jovens americanos. A carreira militar não era o futuro do jovem artista. Deu baixa no Exército e voltou para a Timely, agora renomeada como Marvel Comics.


Na Marvel, Stan trabalhou em vários setores, assumindo cadeiras de diretor de arte e roteirista-chefe. Mas a revolução veio somente no início dos anos 60, mais precisamente em 1961, com a volta de Kirby à editora e o lançamento do primeiro número de The Fantastic Four (ou Quarteto Fantástico). A dupla conseguiu salvar a empresa da falência total e recuperou prestígio junto aos adversários da DC Comics, dona do Super-Homem e Batman, que acabara de lançar o título da Liga da Justiça. A família de seres com poderes extraordinários não somente deu um novo caminho para os heróis trilharem, mas também salvou o gênero – inundado de quadrinhos de faroeste, terror e ficção científica. A identificação do leitor com o sofrimento dos personagens foi a chave que mudou as HQs para sempre – sem nunca deixar de lado a arte de Kirby, primeiro desenhista a realmente explorar os limites da arte e a criar um estilo que é copiado até hoje.

O mapa que disponibilizamos, com o Ascendente em Escorpião e o Sol na terceira casa, pode muito bem conter um horário próximo da verdade, pois Stan Lee foi antes de tudo um escritor: a escrita é um dos atributos da casa 3, sobretudo em mapas de pessoas que a enfatizam de algum modo, como é o caso desta hipótese. Um escritor de fantasias, com um Netuno, regente de assuntos transcendentes, fantásticos, psicodélicos (como as histórias ocultistas do Dr. Strange, que também responde ao padrão escorpiano do Ascendente hipotético e de Júpiter e Vênus nesse signo) posicionado na casa 10, no criativo signo de Leão. É também alguém com uma visão hiperbólica da realidade, tal como o seria um Júpiter na casa 1 ou um Ascendente Sagitário. No entanto, se o Ascendente estivesse em Sagitário, o Sol do autor iria para a casa 2, cuja compatibilidade seria maior com atividades mais administrativas e financeiras, diferentemente da forma criativa e eloquente de se expressar com a qual Stan realmente o fazia. Até mesmo o bordão “Excelsior!”, com o qual terminava suas comunicações e entrevistas remete a Júpiter. O termo significa “ilustre”, “grandioso”, “superior”, “majestoso” ou “mais elevado”, algo bastante de acordo com a identidade do Meio do Céu em Leão e com Júpiter na casa 1. O Meio do Céu, fator ligado ao modo como um indivíduo é visto social e profissionalmente em sua época, como disse, fica em Leão, com o horário aqui adotado. Isso faz com que o regente desse signo, o Sol, situado na casa 3, manifeste a reputação através dos dotes comunicativos e quase sempre falando sobre assuntos ligados à vizinhança, bairros, periferias, vias urbanas, escolas de ensino fundamental e médio. Qualquer semelhança disso com as situações narradas em torno do balançar das teias em arranha-céus com o Homem Aranha, que morava no Queens, do Demolidor, em sua Hell`s Kitchen, da Nova Iorque do Edifício Baxter, onde viviam os Quatro Fantásticos ou a Torre Stark, onde se reuniam os Vingadores, entre tantos outros personagens de sucesso antes e hoje não seria mera coincidência. Nem mesmo o rabugentíssimo J. J. Jameson, o jornalista ambicioso que desqualifica as ações do heróico aracnídeo novaiorquino escapa dessas coincidências simbólicas.

Por outro lado, vários dos vilões do universo Marvel criados por Stan Lee seguem o ritmo da oposição entre Plutão com o Sol e com o Mercúrio do autor. Plutão, na casa 9, o “local distante”, a “longa jornada”, o “estrangeiro”. A aniquilação (Plutão) bem ao estilo de Thanos (o nome vem de Tânato, uma personificação da morte entre os gregos antigos – Plutão é o Hades, deus da Morte – eis a correlação), o arquivilão dos filmes dos Vingadores (Thanos foi criado por Jim Starlin e Mike Friedrich, não por Lee, mas entra no universo dos Vingadores, então…). Igualmente Galactus, o “devorador de planetas”, vindo dos confins do Universo, sendo detido pelo prodigioso Quarteto Fantástico com a ajuda do Surfista Prateado, o piscianíssimo ex-arauto do destruidor que recobra a consciência e sensibilidade ao lidar com a humanidade de Susan Richards, a Mulher Invisível, que o faz lembrar do grande amor de sua vida, a adorada Shalla Ball (uma corruptela de Shamballa, a cidade mística das lendas do Budismo Tibetano) e de Zen-La, seu planeta natal, cujo nome é inspirado no mix entre a filosofia Zen e Shangri-la, de James Hilton, em seu romance “Horizonte Perdido”, e, igualmente, Shamballa. Aconspiração internacional (casa 9) com um poder aterrorizante e arcano (Plutão), com o Dr. Destino, senhor de Latveria, alguém que além do uso de sofisticadíssima tecnologia, detinha conhecimentos de magia negra e enfrentava o mesmo Quarteto, sendo este último formado por nada menos que seres dos 4 elementos: Fogo (Tocha Humana), Terra (o Coisa), Ar (a Mulher Invisível) e Água (O Homem Elástico ou Sr. Fantástico). No mapa de Stan, esses elementos ficam bastante distribuídos, com Sol e Mercúrio em Capricórnio, um signo de Terra, regido por Saturno, situado em Libra, um signo de Ar, enquanto a Lua está em Áries (nesse horário hipotético), um signo de Fogo, sendo regida por Marte em Peixes, um signo de Água. Aliás, voltaremos a esse fator mais adiante. Por enquanto, vale lembrar que muitas das narrativas novaiorquinas dos heróis os mostram lutando contra clãs de bandidos. São mafiosos de diferentes tipos e etnias, algo que remete ao Plutão em Câncer (clãs, grupos fechados e tradicionais, normalmente estrangeiros – Câncer na casa 9) oposto ao Sol em Capricórnio.

Stan, sendo capricorniano, possui forte correlação astrológica com várias características do Homem Aranha, sobretudo o lema “com grandes poderes vêm grandes responsabilidades”. Seu entusiasmo pueril, tantas vezes propagado em alto em bom som, não combina tanto assim, no entanto, com um tímido Ascendente em Escorpião. Porém, nessa hipótese, um dos planetas que ocupa a casa 1, iniciada pelo Ascendente, setor ligado à identidade, é o super-expansivo, generoso, otimista, aventureiro e, às vezes, espalhafatoso, Júpiter. A agressividade de muitos dos heróis e vilões ganha vínculo com a Lua em Áries e com o próprio tom escorpiano de Júpiter e de Vênus, além do já referido hipotético Ascendente. Ainda que de fato a Lua esteja em Touro, e não em Áries, como se propõe aqui, o simples fato de Touro ser regido por Vênus e este planeta estar em Escorpião já retoma a temática escorpiana das grandes conspirações, dos grandes enigmas, das ameaças mundiais e da prontidão contra ações danosas ocorridas à revelia das pessoas. Mas muitos fatores levam a crer que deve haver algo ariano ou que represente esse símbolo no mapa. Por exemplo, se a Lua está em Áries, como suspeito, ela é regida por Marte. Este último está em Peixes, o subtom de personalidade que caracteriza um dos personagens mais marcantes de Stan: o supracitado Surfista Prateado. O Surfista é extremamente piedoso, compassionado, auto-sacrificial e prisioneiro de um mundo que o rejeita, que não o compreende, que avilta a poesia de sua alma. Ele fora impedido energeticamente de deixar a Terra após se voltar contra seu mestre Galactus. Como castigo, viveria entre aqueles reles mortais primitivos e violentos e seria obrigado a lidar com a ganância, a traição, a dor e o isolamento. Essas temáticas são piscianas, são netunianas, em suas expressões. Mas não é só isso: o Surfista é também um alienígena, um ser que veio literalmente do céu, que, em grego, é Ouranós, isto é, Urano. Este planeta está conjunto a Marte no mapa de Stan, enfatizando ainda mais a suspeita de a Lua ser regida por Marte. Isso tonifica a condição de Urano, o planeta da tecnologia, dos grandes saltos de progresso científico, das revoluções e daquilo que vai além do conhecido ou do tradicional, das quebras de paradigmas. A mesma Lua em Áries, na casa 6, a casa dos trabalhadores, do cotidiano, da saúde, faria uma oposição com Saturno em Libra na casa 12. Na obra de Stan isso fica visível nas oponências entre jovens aventureiros, com os X-Men, ou o próprio Homem Aranha, e algo antigo, pessoas bem mais velhas e poderosas, com alianças (Libra) escusas (casa 12) e influências políticas (Saturno). Os X-Men, em resumo, são os marginalizados (casa 12), jovens que sofrem preconceito pela diferença, como o sofrem aqueles cuja raça, credo, etnia, sexualidade, nacionalidade etc., são diferentes do status quo ou do modelo preconizado por uma elite social. A Lua em Áries oposta a Saturno perfaz o caminho do inocente jovem guerreiro arquetípico (Áries) que enfrenta o lorde sinistro em seu castelo oculto (Saturno na casa 12). A identidade secreta de muitos personagens se correlaciona com a casa 12 (a identidade propriamente dita está na 1). O Homem de Ferro, outra criação do autor, é algo com a cara dessa oposição ocorrendo no eixo das casas 6 e 12: uma Lua em Áries, signo regido por Marte, o planeta que rege o ferro (ou as fundições, o aço, o “metal pesado”). A casa da saúde, com a cara de um Tony Stark com problemas cardíacos causados por nada menos que um estilhaço de granada (na versão original dos anos 1960), coincide com ferimentos por instrumentos cortantes ou explosivos, nessa ficção. A tecnologia do Homem de Ferro corresponde ao Marte, regente daquela Lua, conjunto a Urano.

O Hulk e Thor, dois pesos pesados do Universo Marvel criados por Stan Lee são visíveis em seu mapa pela combinação de Júpiter, Plutão e Urano-Marte em um Grande Trígono. A Lua em Áries também tem seu papel nesses personagens (se bem que se estiver em Touro, também bate com a força do Hulk, mas não com seu temperamento). Para o monstro verde, que, no início, era cinza, a conjunção Urano-Marte representa o acidente atômico que levou às primeiras transformações. A mutação e o poder arrasador fica por conta de Plutão, que toca o Sol por oposição e os demais fatores do Grande Trígono. A grande força e o crescimento extraordinário do corpo do frágil cientista Bruce Banner tornando-o uma massa de músculos furiosa fica por conta de Júpiter na casa 1. O grande trígono é a combinação dessas potências.  No caso de Thor, Júpiter, que possui relação com o mitológico Zeus e seu poderoso raio, temos a hipérbole da força somada ao trovão de seu martelo Mjolnir, sua origem na distante (Plutão na casa 9) Asgard e o fato de que o mito nórdico fora adaptado ao padrão super-heroístico em que o deus se torna um mortal, que precisa de bengala (a coxeadura mítica de Kiron de Stan, na 6 ou a Lua oposta a Saturno) para se transformar no deus impetuoso (Urano-Marte). Em Thor vê-se um ou outro elemento da cultura judaico-cristã, nas adaptações de Odin na narrativa, como um deus que tudo vê e é todo poderoso. As cidades imaginárias super-avançadas, inatingíveis ao comum dos mortais, como Atillan, dos Inumanos, Wakanda, do Pantera Negra, Hala, o planeta dos Krees, entre outras localidades que abrigam os personagens fantásticos, conversam diretamente com esse Urano na casa 4 do mapa com este horário hipotético.

Aliás, o Pantera Negra participa dessa mesma configuração, independentemente de estarmos falando de um mapa com o Ascendente em Escorpião. O Grande Trígono permanece assim mesmo. No contexto desse personagem, Wakanda, a misteriosa nação oculta no meio do continente africano, com inacreditável tecnologia, regida por guerreiros poderosos, com uma sociedade muito avançada e com um mineral indestrutível (ou, nas primeiras histórias do personagem, com propriedades sônicas e estrutura atômica muito diferentes das conhecidas da tabela periódica) como reserva mineral mais valiosa (o Vibranium), é o berço Tchalla, o rei de seu povo, alguém cujo codinome faz uma clara alusão ao movimento dos anos 1960, em que a organização socialista revolucionária formou um partido político e chegou a ser considerado uma ameaça por J. Edgar Hoover, então diretor do FBI, por se opor à segregação racial e outras mazelas sofridas pela população negra nos EUA. Urano-Marte é algo um tanto revolucionário, sobretudo em se tratando de apoio a vítimas (Peixes), através de uma organização social poderosa que exerce poder à margem do establishment (Plutão). 

Seguindo essa linha, a hipótese desse Ascendente, posicionamentos por casas e tendências marcadas por aspectos astrológicos pode ser averiguada por outros personagens neste site especializado em quadrinhos e cinema, clicando aqui.

Não é intenção deste artigo esgotar todas as possibilidades de associação entre o mapa do autor e seus personagens e narrativas. Fica a critério do leitor decidir se o que leu até aqui corresponde a algo plausível do ponto de vista astrológico. Não tenho a pretensão de ter a palavra final com esse horário nem com essa disposição das casas desse mapa. Faço-o aqui pelo prazer de realizar as associações possíveis e também por homenagem a alguém que muito influenciou a tantas pessoas como eu, que gostam de mídias populares como os quadrinhos e têm por eles muito carinho e respeito.

Stan Lee se foi deste plano na época em que Saturno em trânsito fazia uma conjunção exata, aos 5 graus, com seu Sol de nascimento em Capricórnio. Saturno é sempre um fator debilitante, quando em contato com o Sol. A vitalidade (Sol) se reduz, fica-se vulnerável a doenças e ao desgaste físico. Segundo as agências de notícias, o que o levou foi um agravamento de pneumonia (doença mercurial, já que Mercúrio rege os pulmões), enquanto que, já em idade avançada, também se agravaram os problemas já existentes por anos em seus olhos (que problemas exatamente eram, a imprensa não informa). De fato, entre as vulnerabilidades de Mercúrio em seu mapa, estão os aspectos de quadratura de Kiron e Júpiter com Mercúrio e de Plutão em oposição com o mesmo Mercúrio. Netuno fazia conjunção com Marte, aspecto que costuma coincidir com um “minar as forças”, enquanto já se aproximava da órbita de uma quadratura com Mercúrio. Plutão ainda estava em órbita de conjunção com Mercúrio, planeta que na hipótese do mapa abaixo, regeria a casa 8, das crises e perdas. Ainda assim, o autor foi bastante longevo e produtivo até o final.

Sobre os personagens de Stan Lee e de outros autores, entre escritores e artistas, haverá o livro, cuja execução já se encontra em fase final, intitulado “Astrologia e os Mitos dos Heróis Modernos”, de autoria deste que vos fala. Ele trata de diferentes personagens, entre DC e Marvel Comics, passando também por criações literárias diversas, como “O Senhor dos Anéis” e aqueles heróis do início do século XX que marcaram época. É um exercício muito divertido de identificação dos símbolos na dinâmica entre as características dos personagens e as analogias com planetas, casas, aspectos e signos astrológicos, algo que pode ser muito esclarecedor para o estudante, intrigante para o profissional e, acima de tudo, delicioso para o leigo apreciador, por ensinar um pouco de Mitologia através de obras conhecidas e de Astrologia. É interessante ver a coincidência entre os mapas dos personagens e seus autores em a análises como esta, feita neste artigo. Em 2019 já estará saindo da forja deste Hefesto contemporâneo.

Fica aqui minha singela homenagem e despedida de alguém que certamente está nos confins da galáxia em uma grande aventura para a defesa do Universo. Eu sempre achei que você era o homem mais feliz do mundo. Me enganei: é o mais feliz do Multiverso. Alguém cujas criações foram tão bem aceitas e incorporadas no imaginário, que teve sucesso estrondoso nesses campos, que teve uma vida plena, que viu seus personagens transcenderem gerações e ainda servir de referência até mesmo nas narrativas deles, tornando-se personagem. Rapaz, que privilégio! O seu e o nosso, de viver na mesma época em que você compartilhava conosco. Que você, Stan, seja para nós, autores, tão inspirador quanto o daimone foi para Sócrates e as musas para Mozart. EXCELSIOR!

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