Excelsior! O Mapa Astrológico de Stan Lee

Por Carlos Hollanda

Os pesquisadores, fãs e criadores de quadrinhos, grupos nos quais me incluo, ficaram um pouco órfãos no dia 12/11/2018, com a passagem para o “andar de cima” de um dos mais importantes e espetaculares autores de histórias em quadrinhos do planeta: Stan Lee. Stanley Martin Lieber, transformou em nome e sobrenome a palavra “Stanley”, cuja pronúncia é de fato Stan Lee (algo como “steanli” – separando em dois pedaços a própria fonética do prenome ou fazendo duas abreviações, com o “Li” de “Lieber”) e transformou dramaticamente a indústria dos quadrinhos pelo mundo, ao humanizar personagens superpoderosos, deuses e semideuses situados num contexto cotidiano de vida,com as falhas humanas, seus dilemas éticos, morais, crises, dores, tristezas e felicidades. Lee é provavelmente o autor com maior número de personagens criados nos quadrinhos e também o que mais teve personagens transcodificados para as mídias televisivas e cinematográficas. Se ele já tinha grande impacto no mundo dos quadrinhos em diferentes países antes de haver a onda Marvel nos cinemas, após isso tornou-se um dos maiores ícones do início do século XXI em ambas as mídias, entre públicos de diferentes idades, níveis de instrução e nacionalidades/culturas.Por volta dos meus 12 a 16 anos de idade, lá pelo início dos anos 1980, o autor era bem pouco conhecido fora do círculo dos leitores mais vorazes de quadrinhos e colecionadores, sendo que estes dois últimos eram tidos como “incultos”, “imaturos”e outros pejorativos que os secundarizavam intelectual e socialmente. Hoje há inúmeras pesquisas acadêmicas densas e levadas extremamente a sério em diferentes países, o Brasil inclusive, sobre obras de quadrinhos de Lee,  autores de diferentes nacionalidades, sem contar que mesmo quem não era fã ou nem mesmo se interessava por tal expressão artístico-midiática, passou a assistir os longa-metragens e a tentar identificar quem era aquele velhinho que sempre aparecia em breves situações cômicas em cada um deles. Sim, os quadrinhos devem muitíssimo a este senhor que nos deixou aos 95 anos de idade,mas também aqueles que passaram a estudar Comunicação, Semiótica, História,Sociologia e, claro Mitologia Comparada.

Stan Lee em três épocas diferentes. Na foto maior, fazendo o gesto de lançamento de teias de uma de suas maiores criações: o Homem Aranha

Aqui disponibilizo duas versões do mapa do autor: a primeira um “mapa solar” ou mapa com “derivações solares”, com uma técnica que situa o Sol no local onde seria o Ascendente, se dispuséssemos do horário de nascimento.Com ela, as casas são iguais, com 30 graus de arco, todas iniciando no grau do Sol, para cada signo. Assim, se Stan nasceu com o Sol a 5 graus de Capricórnio, a casa seguinte terá a cúspide em 5 graus de Aquário, a próxima a 5 graus de Peixes e assim sucessivamente até a décima segunda casa. Esse método é bastante funcional em casos assim, conforme demonstrado em alguns cursos e palestras,como a que dei em 11/11/2018, no Simpósio Internacional de Astrologia do SINARJ – Sindicato dos Astrólogos do Rio de Janeiro. A segunda versão é uma calculada com uma hipótese de horário que faz com que o mapa assuma feições realmente muito próximas das que Stan manifestava em comportamento e das situações que podemos encontrar em sua biografia, personagens e aparições públicas. Na análise que se fará a seguir, me concentrarei na segunda versão, cujo signo Ascendente cogito ser Escorpião por diversas razões a demonstrar.

Ao analisarmos mapas astrológicos de autores e suas obras não raro nos deparamos com um curioso fenômeno de identificação ou projeção dos atributos dos primeiros nas segundas. Assim, o conteúdo e a sintaxe ou a concatenação dos símbolos dentro do mapa do autor, são identificáveis nas narrativas que cria por escrito, se ele for escritor, ou nas formas, jeitos e trejeitos que desenha, se for artista visual. Lee pertence ao rol dos roteiristas que, para construir seus personagens, fazia breves pesquisas sobre símbolos e mitologias, traduzindo isso em figuras heróicas adaptadas a um mundo contemporâneo e à tecnologia estilo Sci-Fi que permeara sua formação como escritor desde os anos 1940 e editor desde os 1950. Com isso, pode-se dizer que os personagens e suas trajetórias de vida são expressões do próprio autor, de seus complexos e de seus dramas íntimos.

Stan não teve uma vida fácil, tal qual muitos de seus personagens. Precisou trabalhar ainda adolescente, como entregador de sanduíches e lanterninha de cinema. Aos 17 anos leu um anúncio da editora Timely Comics, que precisava de um assistente que fizesse de tudo. Apesar da tenra idade, foi contratado pela empresa, ainda pequena, na época, cujo quadro de empregados trazia o desenhista Jack Kirby e o editor Joe Simon, além de Martin Goodman, o presidente e fundador da editora. No início dos anos 40, a Timely apenas comprava material artístico de outras editoras, como as histórias do Príncipe Namor e do  Tocha Humana (outro que não o do Quarteto Fantástico).

Durante Segunda Guerra, os heróis anti-nazistas dominavam o mercado norte-americano. Um deles era o Capitão América, de Jack Kirby e Joe Simon.  Stan teve a oportunidade de escrever uma história de duas páginas na revista Captain America número 3 e com isso acabou dando início a uma carreira de roteirista que durou décadas. Com a saída de Joe Simon, assumiu a função de editor com o respaldo de Goodman. Pouco depois de assumir a função, ele se desligou do emprego e se alistou no Exército, onde produziu roteiro de filmes de treinamento, cartoons e pôsteres para incentivar a adesão dos jovens americanos. A carreira militar não era o futuro do jovem artista. Deu baixa no Exército e voltou para a Timely, agora renomeada como Marvel Comics.


Na Marvel, Stan trabalhou em vários setores, assumindo cadeiras de diretor de arte e roteirista-chefe. Mas a revolução veio somente no início dos anos 60, mais precisamente em 1961, com a volta de Kirby à editora e o lançamento do primeiro número de The Fantastic Four (ou Quarteto Fantástico). A dupla conseguiu salvar a empresa da falência total e recuperou prestígio junto aos adversários da DC Comics, dona do Super-Homem e Batman, que acabara de lançar o título da Liga da Justiça. A família de seres com poderes extraordinários não somente deu um novo caminho para os heróis trilharem, mas também salvou o gênero – inundado de quadrinhos de faroeste, terror e ficção científica. A identificação do leitor com o sofrimento dos personagens foi a chave que mudou as HQs para sempre – sem nunca deixar de lado a arte de Kirby, primeiro desenhista a realmente explorar os limites da arte e a criar um estilo que é copiado até hoje.

O mapa que disponibilizamos, com o Ascendente em Escorpião e o Sol na terceira casa, pode muito bem conter um horário próximo da verdade, pois Stan Lee foi antes de tudo um escritor: a escrita é um dos atributos da casa 3, sobretudo em mapas de pessoas que a enfatizam de algum modo, como é o caso desta hipótese. Um escritor de fantasias, com um Netuno, regente de assuntos transcendentes, fantásticos, psicodélicos (como as histórias ocultistas do Dr. Strange, que também responde ao padrão escorpiano do Ascendente hipotético e de Júpiter e Vênus nesse signo) posicionado na casa 10, no criativo signo de Leão. É também alguém com uma visão hiperbólica da realidade, tal como o seria um Júpiter na casa 1 ou um Ascendente Sagitário. No entanto, se o Ascendente estivesse em Sagitário, o Sol do autor iria para a casa 2, cuja compatibilidade seria maior com atividades mais administrativas e financeiras, diferentemente da forma criativa e eloquente de se expressar com a qual Stan realmente o fazia. Até mesmo o bordão “Excelsior!”, com o qual terminava suas comunicações e entrevistas remete a Júpiter. O termo significa “ilustre”, “grandioso”, “superior”, “majestoso” ou “mais elevado”, algo bastante de acordo com a identidade do Meio do Céu em Leão e com Júpiter na casa 1. O Meio do Céu, fator ligado ao modo como um indivíduo é visto social e profissionalmente em sua época, como disse, fica em Leão, com o horário aqui adotado. Isso faz com que o regente desse signo, o Sol, situado na casa 3, manifeste a reputação através dos dotes comunicativos e quase sempre falando sobre assuntos ligados à vizinhança, bairros, periferias, vias urbanas, escolas de ensino fundamental e médio. Qualquer semelhança disso com as situações narradas em torno do balançar das teias em arranha-céus com o Homem Aranha, que morava no Queens, do Demolidor, em sua Hell`s Kitchen, da Nova Iorque do Edifício Baxter, onde viviam os Quatro Fantásticos ou a Torre Stark, onde se reuniam os Vingadores, entre tantos outros personagens de sucesso antes e hoje não seria mera coincidência. Nem mesmo o rabugentíssimo J. J. Jameson, o jornalista ambicioso que desqualifica as ações do heróico aracnídeo novaiorquino escapa dessas coincidências simbólicas.

Por outro lado, vários dos vilões do universo Marvel criados por Stan Lee seguem o ritmo da oposição entre Plutão com o Sol e com o Mercúrio do autor. Plutão, na casa 9, o “local distante”, a “longa jornada”, o “estrangeiro”. A aniquilação (Plutão) bem ao estilo de Thanos (o nome vem de Tânato, uma personificação da morte entre os gregos antigos – Plutão é o Hades, deus da Morte – eis a correlação), o arquivilão dos filmes dos Vingadores (Thanos foi criado por Jim Starlin e Mike Friedrich, não por Lee, mas entra no universo dos Vingadores, então…). Igualmente Galactus, o “devorador de planetas”, vindo dos confins do Universo, sendo detido pelo prodigioso Quarteto Fantástico com a ajuda do Surfista Prateado, o piscianíssimo ex-arauto do destruidor que recobra a consciência e sensibilidade ao lidar com a humanidade de Susan Richards, a Mulher Invisível, que o faz lembrar do grande amor de sua vida, a adorada Shalla Ball (uma corruptela de Shamballa, a cidade mística das lendas do Budismo Tibetano) e de Zen-La, seu planeta natal, cujo nome é inspirado no mix entre a filosofia Zen e Shangri-la, de James Hilton, em seu romance “Horizonte Perdido”, e, igualmente, Shamballa. Aconspiração internacional (casa 9) com um poder aterrorizante e arcano (Plutão), com o Dr. Destino, senhor de Latveria, alguém que além do uso de sofisticadíssima tecnologia, detinha conhecimentos de magia negra e enfrentava o mesmo Quarteto, sendo este último formado por nada menos que seres dos 4 elementos: Fogo (Tocha Humana), Terra (o Coisa), Ar (a Mulher Invisível) e Água (O Homem Elástico ou Sr. Fantástico). No mapa de Stan, esses elementos ficam bastante distribuídos, com Sol e Mercúrio em Capricórnio, um signo de Terra, regido por Saturno, situado em Libra, um signo de Ar, enquanto a Lua está em Áries (nesse horário hipotético), um signo de Fogo, sendo regida por Marte em Peixes, um signo de Água. Aliás, voltaremos a esse fator mais adiante. Por enquanto, vale lembrar que muitas das narrativas novaiorquinas dos heróis os mostram lutando contra clãs de bandidos. São mafiosos de diferentes tipos e etnias, algo que remete ao Plutão em Câncer (clãs, grupos fechados e tradicionais, normalmente estrangeiros – Câncer na casa 9) oposto ao Sol em Capricórnio.

Stan, sendo capricorniano, possui forte correlação astrológica com várias características do Homem Aranha, sobretudo o lema “com grandes poderes vêm grandes responsabilidades”. Seu entusiasmo pueril, tantas vezes propagado em alto em bom som, não combina tanto assim, no entanto, com um tímido Ascendente em Escorpião. Porém, nessa hipótese, um dos planetas que ocupa a casa 1, iniciada pelo Ascendente, setor ligado à identidade, é o super-expansivo, generoso, otimista, aventureiro e, às vezes, espalhafatoso, Júpiter. A agressividade de muitos dos heróis e vilões ganha vínculo com a Lua em Áries e com o próprio tom escorpiano de Júpiter e de Vênus, além do já referido hipotético Ascendente. Ainda que de fato a Lua esteja em Touro, e não em Áries, como se propõe aqui, o simples fato de Touro ser regido por Vênus e este planeta estar em Escorpião já retoma a temática escorpiana das grandes conspirações, dos grandes enigmas, das ameaças mundiais e da prontidão contra ações danosas ocorridas à revelia das pessoas. Mas muitos fatores levam a crer que deve haver algo ariano ou que represente esse símbolo no mapa. Por exemplo, se a Lua está em Áries, como suspeito, ela é regida por Marte. Este último está em Peixes, o subtom de personalidade que caracteriza um dos personagens mais marcantes de Stan: o supracitado Surfista Prateado. O Surfista é extremamente piedoso, compassionado, auto-sacrificial e prisioneiro de um mundo que o rejeita, que não o compreende, que avilta a poesia de sua alma. Ele fora impedido energeticamente de deixar a Terra após se voltar contra seu mestre Galactus. Como castigo, viveria entre aqueles reles mortais primitivos e violentos e seria obrigado a lidar com a ganância, a traição, a dor e o isolamento. Essas temáticas são piscianas, são netunianas, em suas expressões. Mas não é só isso: o Surfista é também um alienígena, um ser que veio literalmente do céu, que, em grego, é Ouranós, isto é, Urano. Este planeta está conjunto a Marte no mapa de Stan, enfatizando ainda mais a suspeita de a Lua ser regida por Marte. Isso tonifica a condição de Urano, o planeta da tecnologia, dos grandes saltos de progresso científico, das revoluções e daquilo que vai além do conhecido ou do tradicional, das quebras de paradigmas. A mesma Lua em Áries, na casa 6, a casa dos trabalhadores, do cotidiano, da saúde, faria uma oposição com Saturno em Libra na casa 12. Na obra de Stan isso fica visível nas oponências entre jovens aventureiros, com os X-Men, ou o próprio Homem Aranha, e algo antigo, pessoas bem mais velhas e poderosas, com alianças (Libra) escusas (casa 12) e influências políticas (Saturno). Os X-Men, em resumo, são os marginalizados (casa 12), jovens que sofrem preconceito pela diferença, como o sofrem aqueles cuja raça, credo, etnia, sexualidade, nacionalidade etc., são diferentes do status quo ou do modelo preconizado por uma elite social. A Lua em Áries oposta a Saturno perfaz o caminho do inocente jovem guerreiro arquetípico (Áries) que enfrenta o lorde sinistro em seu castelo oculto (Saturno na casa 12). A identidade secreta de muitos personagens se correlaciona com a casa 12 (a identidade propriamente dita está na 1). O Homem de Ferro, outra criação do autor, é algo com a cara dessa oposição ocorrendo no eixo das casas 6 e 12: uma Lua em Áries, signo regido por Marte, o planeta que rege o ferro (ou as fundições, o aço, o “metal pesado”). A casa da saúde, com a cara de um Tony Stark com problemas cardíacos causados por nada menos que um estilhaço de granada (na versão original dos anos 1960), coincide com ferimentos por instrumentos cortantes ou explosivos, nessa ficção. A tecnologia do Homem de Ferro corresponde ao Marte, regente daquela Lua, conjunto a Urano.

O Hulk e Thor, dois pesos pesados do Universo Marvel criados por Stan Lee são visíveis em seu mapa pela combinação de Júpiter, Plutão e Urano-Marte em um Grande Trígono. A Lua em Áries também tem seu papel nesses personagens (se bem que se estiver em Touro, também bate com a força do Hulk, mas não com seu temperamento). Para o monstro verde, que, no início, era cinza, a conjunção Urano-Marte representa o acidente atômico que levou às primeiras transformações. A mutação e o poder arrasador fica por conta de Plutão, que toca o Sol por oposição e os demais fatores do Grande Trígono. A grande força e o crescimento extraordinário do corpo do frágil cientista Bruce Banner tornando-o uma massa de músculos furiosa fica por conta de Júpiter na casa 1. O grande trígono é a combinação dessas potências.  No caso de Thor, Júpiter, que possui relação com o mitológico Zeus e seu poderoso raio, temos a hipérbole da força somada ao trovão de seu martelo Mjolnir, sua origem na distante (Plutão na casa 9) Asgard e o fato de que o mito nórdico fora adaptado ao padrão super-heroístico em que o deus se torna um mortal, que precisa de bengala (a coxeadura mítica de Kiron de Stan, na 6 ou a Lua oposta a Saturno) para se transformar no deus impetuoso (Urano-Marte). Em Thor vê-se um ou outro elemento da cultura judaico-cristã, nas adaptações de Odin na narrativa, como um deus que tudo vê e é todo poderoso. As cidades imaginárias super-avançadas, inatingíveis ao comum dos mortais, como Atillan, dos Inumanos, Wakanda, do Pantera Negra, Hala, o planeta dos Krees, entre outras localidades que abrigam os personagens fantásticos, conversam diretamente com esse Urano na casa 4 do mapa com este horário hipotético.

Aliás, o Pantera Negra participa dessa mesma configuração, independentemente de estarmos falando de um mapa com o Ascendente em Escorpião. O Grande Trígono permanece assim mesmo. No contexto desse personagem, Wakanda, a misteriosa nação oculta no meio do continente africano, com inacreditável tecnologia, regida por guerreiros poderosos, com uma sociedade muito avançada e com um mineral indestrutível (ou, nas primeiras histórias do personagem, com propriedades sônicas e estrutura atômica muito diferentes das conhecidas da tabela periódica) como reserva mineral mais valiosa (o Vibranium), é o berço Tchalla, o rei de seu povo, alguém cujo codinome faz uma clara alusão ao movimento dos anos 1960, em que a organização socialista revolucionária formou um partido político e chegou a ser considerado uma ameaça por J. Edgar Hoover, então diretor do FBI, por se opor à segregação racial e outras mazelas sofridas pela população negra nos EUA. Urano-Marte é algo um tanto revolucionário, sobretudo em se tratando de apoio a vítimas (Peixes), através de uma organização social poderosa que exerce poder à margem do establishment (Plutão). 

Seguindo essa linha, a hipótese desse Ascendente, posicionamentos por casas e tendências marcadas por aspectos astrológicos pode ser averiguada por outros personagens neste site especializado em quadrinhos e cinema, clicando aqui.

Não é intenção deste artigo esgotar todas as possibilidades de associação entre o mapa do autor e seus personagens e narrativas. Fica a critério do leitor decidir se o que leu até aqui corresponde a algo plausível do ponto de vista astrológico. Não tenho a pretensão de ter a palavra final com esse horário nem com essa disposição das casas desse mapa. Faço-o aqui pelo prazer de realizar as associações possíveis e também por homenagem a alguém que muito influenciou a tantas pessoas como eu, que gostam de mídias populares como os quadrinhos e têm por eles muito carinho e respeito.

Stan Lee se foi deste plano na época em que Saturno em trânsito fazia uma conjunção exata, aos 5 graus, com seu Sol de nascimento em Capricórnio. Saturno é sempre um fator debilitante, quando em contato com o Sol. A vitalidade (Sol) se reduz, fica-se vulnerável a doenças e ao desgaste físico. Segundo as agências de notícias, o que o levou foi um agravamento de pneumonia (doença mercurial, já que Mercúrio rege os pulmões), enquanto que, já em idade avançada, também se agravaram os problemas já existentes por anos em seus olhos (que problemas exatamente eram, a imprensa não informa). De fato, entre as vulnerabilidades de Mercúrio em seu mapa, estão os aspectos de quadratura de Kiron e Júpiter com Mercúrio e de Plutão em oposição com o mesmo Mercúrio. Netuno fazia conjunção com Marte, aspecto que costuma coincidir com um “minar as forças”, enquanto já se aproximava da órbita de uma quadratura com Mercúrio. Plutão ainda estava em órbita de conjunção com Mercúrio, planeta que na hipótese do mapa abaixo, regeria a casa 8, das crises e perdas. Ainda assim, o autor foi bastante longevo e produtivo até o final.

Sobre os personagens de Stan Lee e de outros autores, entre escritores e artistas, haverá o livro, cuja execução já se encontra em fase final, intitulado “Astrologia e os Mitos dos Heróis Modernos”, de autoria deste que vos fala. Ele trata de diferentes personagens, entre DC e Marvel Comics, passando também por criações literárias diversas, como “O Senhor dos Anéis” e aqueles heróis do início do século XX que marcaram época. É um exercício muito divertido de identificação dos símbolos na dinâmica entre as características dos personagens e as analogias com planetas, casas, aspectos e signos astrológicos, algo que pode ser muito esclarecedor para o estudante, intrigante para o profissional e, acima de tudo, delicioso para o leigo apreciador, por ensinar um pouco de Mitologia através de obras conhecidas e de Astrologia. É interessante ver a coincidência entre os mapas dos personagens e seus autores em a análises como esta, feita neste artigo. Em 2019 já estará saindo da forja deste Hefesto contemporâneo.

Fica aqui minha singela homenagem e despedida de alguém que certamente está nos confins da galáxia em uma grande aventura para a defesa do Universo. Eu sempre achei que você era o homem mais feliz do mundo. Me enganei: é o mais feliz do Multiverso. Alguém cujas criações foram tão bem aceitas e incorporadas no imaginário, que teve sucesso estrondoso nesses campos, que teve uma vida plena, que viu seus personagens transcenderem gerações e ainda servir de referência até mesmo nas narrativas deles, tornando-se personagem. Rapaz, que privilégio! O seu e o nosso, de viver na mesma época em que você compartilhava conosco. Que você, Stan, seja para nós, autores, tão inspirador quanto o daimone foi para Sócrates e as musas para Mozart. EXCELSIOR!

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