Video: Palestra sobre Eclipses na íntegra Simpósio Internacional de Astrologia – SINARJ

A Companhia dos Astros disponibilizou em seu canal a palestra que proferi no Simpósio Internacional de Astrologia do SINARJ, em 12 de novembro de 2017. Confiram e desfrutem. Abaixo, um texto que introduz esse material. Ele é também uma pequena parte de um workshop sobre eclipses cuja primeira apresentação será em fevereiro de 2018, em data a divulgar.

 

Quem foi que apagou a luz?! Eclipses, Tombos e Desvios no Indivídual e no Coletivo.

Por muitos anos fui questionado por alunos e leitores sobre os efeitos prováveis dos eclipses, quase sempre com algum temor de se ocorrer algum tipo de catástrofe ou perda. Não que tais coisas não sejam relativamente frequentes e claramente visíveis nos pontos do mapa individual pelos quais passou o eclipse, mas por vários anos observei que o que há ali ultrapassa a mera destruição: há, simultaneamente, um processo criador, um início, um disparo de um potencial. Cataloguei ao longo dos anos, no entanto, uma grande quantidade de desvios repentinos de planos, o encontro com situações fortuitas vindas do coletivo, modificações súbitas de comportamento individual, como se ali fosse finalmente ligado o interruptor de algum potencial latente em sua faceta mais intensa, talvez descontrolada, mas certamente mais poderosa e viabilizadora de tomadas de decisão há muito suprimidas. No coletivo as situações majoritariamente propagadas em observações e estudos de outros astrólogos são muito precisas e correspondem quase sempre a guerras, desastres e convulsões sociais. Não é difícil constatar que tais afirmações se mostram corretas, basta olhar o noticiário nas épocas indicadas nas previsões. Os eclipses, sobretudo os solares, são quase sempre processos desestabilizadores. Muitas vezes podem recordar efeitos similares a trânsitos de Urano (com nuances compulsivas, estilo Plutão) sobre aqueles pontos do mapa, com guinadas e repentes, coisas não esperadas ou cogitadas. Veremos, durante a apresentação, de que modo se estabelece esse paralelo.

Em termos técnicos e mundanos, de acordo com Ptolomeu, no livro II do Tetrabiblos, os eclipses, como temos constatado, se relacionam a megatendências, macro-eventos que afetam países, cidades ou grandes grupos de pessoas. Para Ptolomeu a astrologia natal estaria subordinada a tais macro-eventos. Aqui proponho um diálogo entre a visão ptolomaica e os processos inconscientes, como um todo indissociado. De fato, uma catástrofe natural talvez não seja necessariamente causada por um indivíduo, exceto se ele for um presidente de um país, o responsável por uma indústria de produção em larga escala em vários países ou se é uma pessoa comum que, por acidente, desencadeia um processo de grandes proporções. Porém, os eclipses em mapas individuais correspondem, na vida pessoal e nas das pessoas com quem se tem algum contato, uma série de situações que se encontram entrelaçadas ao momento coletivo.

Aqui, apesar de procurar bases tradicionais para a compreensão apurada deste fenômeno, em grande parte recorro à experiência empírica: observação, comparação, catalogação e filtragem dos dados que me chegam. Desde as experiências pessoais com esse fator tão poderoso até os relatos cedidos por clientes e os pareceres de outros astrólogos são considerados. Procura-se, assim, estabelecer os elos entre o elemento simbólico e mitológico com aquilo que eventualmente se repete na prática de observação dos efeitos. Temos como recorte as conjunções e oposições dos eclipses solares com planetas e ângulos, bem como algumas localizações do fenômeno em casas, tudo em mapas radicais. Mais precisamente em se tratando dos eclipses por trânsito do que daqueles que já se encontram num mapa de nascimento. Os eclipses lunares serão abordados noutro trabalho.

É o mesmo supracitado Ptolomeu quem ressalta a importância de algo que aqui é também abordado tanto no sentido coletivo quanto no individual: o planeta que governa o eclipse, isto é, o signo em que ele ocorre. Ele ainda recorre a detalhes mais rebuscados (que não se encontram neste recorte), como, por exemplo, o regente da triplicidade do grau de eclipse para determinar a região do mundo que é afetada, a duração e a extensão do efeito. Determina o tipo de pessoas e animais afetados a partir das características do signo do planeta governante e a qualidade do evento (se mais ou menos danoso ou auspicioso). Complementa com as eventuais configurações formadas por esse planeta com os demais.

Até aqui só há concordâncias, porém, se pudermos acrescentar dados além dos símbolos mais corriqueiros, como o do “dragão que devora o Sol”, entenderemos que Eclipses são também uma espécie de “piscar de olhos cósmico” ou, em outras palavras, uma espécie de lubrificação da percepção e uma breve “suspensão” da natureza provendo um novo ponto de partida.  De fato, o eclipse solar não deixa de ser uma Lua Nova superpotente ou uma conjunção de Lua com Sol. É o início de algo, de um ciclo, simultaneamente à conclusão de outro ou a um novo caminho iniciado num ciclo anterior. Não admira ser uma fase, cuja duração média é de 6 meses a partir do efeito inicial, em que nos confundimos, perdemos o rumo, enfrentamos algo novo e diferente, potencialmente turbulento e caótico. É a chegada do desconhecido, daquilo que estava oculto, que nos “assalta” de repente, mas que já estava ali aguardando uma oportunidade para irromper das sombras.

Entretanto, apesar desse susto e até de algumas circunstâncias críticas ou violentas, seguidamente ao período de confusão e desorientação possíveis ao ponto ligado ao eclipse em trânsito sobre o mapa natal, há um “despertar” sob diversos pontos de vista. Neste caso, refiro-me tanto ao fator do mapa natal que o eclipse tocou por conjunção quanto ao planeta, também em trânsito, que o rege e suas condições naquele momento-semente.

O eclipse recorda os mitos em que há um personagem totalmente cego ou caolho, mas que enxerga além das aparências, das circunstâncias normais e imediatas, que conectam o mundo dos homens com o dos mortos e dos deuses e ainda podem vislumbrar o porvir. É o caso de Odin, que cede um olho para obter a sabedoria e uma espécie de onisciência, de Tirésias, tornado cego pela ira de Hera, mas a quem foi concedido o dom da adivinhação e da visão dos deuses por Zeus (visão interior). Seria também o de Hórus, um deus solar que a tudo vê (o símbolo do olho de Hórus é também conhecido como “o olho que tudo vê), que perde um dos olhos em batalha contra Seth. Enquanto a visão física e consciente é limitada, sua contraparte inconsciente a complementa e a estende para possibilidades praticamente ilimitadas. Assim, a “Visão” de que falamos aqui refere-se ao desenvolvimento das duas formas de ver, de perceber. Não raro, como já dito, o processo ocorre sincronicamente a um grande desnorteio que obriga o indivíduo, naquele ponto sensibilizado do mapa a desviar seus caminhos, intentos, convicções e conhecimentos. O desvio pode ser uma bela chacoalhada naquilo que em se tratando dos desejos de segurança e de poder que o ego individual tinha como o “mais certo ou mais aceitável”, enquanto que uma vontade maior o arranca daquela trajetória, independentemente de parecer que tudo carece de lógica ou fundamento. Como costumo repetir aos clientes e alunos, “o mapa está pouco se lixando para nossa lógica, que prefere pensar em termos de controle individual”. Trocando em miúdos, é mais ou menos dizer que há pontos em que nossos planos conscientes estão muito desalinhados com um processo bem maior. Este pode envolver situações fortuitas promovidas no coletivo, como guerras, situações geológicas ou crises econômicas ou algo que brota do interior, do inconsciente ou, se for preferível, de forças divinas, se o entendedor optar por uma linguagem mais iniciática. O eclipse nos obriga a ver além, justamente por representar esse ponto cego. Pelo que pude observar, e pelas entrevistas feitas, a esmagadora maioria tem claramente a simultaneidade dessas duas motivações, a coletiva e externa ou mundana, e a interna, cujo movimento muitos podem identificar através de sonhos, em psicoterapias e práticas místicas ou religiosas.

Um excelente exemplo dos efeitos da conjunção de um eclipse no mapa é visto quando ela ocorre com Mercúrio. Ali o processo se relacionaria com perdas de documentos, desentendimentos com pessoas que falam muito ou que trabalham com sistemas de comunicação, mudanças de idéia causadas por situações em que a principal ferramenta de pensamento se mostra inválida, entre outras. Pode, igualmente, mostrar uma alteração significativa no discurso, o início de um novo e muito profundo estudo que intensifica a influência do indivíduo em sociedade. Seria preciso ter bastante cuidado com escritos ou vídeos para que eles não se percam ou corrompam. Percebe-se, ainda que o que o indivíduo profere causa um impacto muito maior, podendo algumas pessoas tomarem meras metáforas como declarações literais. Com Vênus, um dos efeitos possíveis é o encontro repentino de uma nova afeição como se o indivíduo tivesse sido subjugado por algo muito intenso e avassalador. Ou ele pode sofrer algum revés financeiro em investimentos que “tinham tudo para dar certo”, segundo o ponto de vista do indivíduo.

Uma oposição de eclipse com o Sol radical de um país tem como um dos melhores exemplos a que ocorreu em fevereiro de 2017, formando esse aspecto com o Sol do mapa da Independência do Brasil (com uma órbita de cerca de 6 graus). Fácil ver nos noticiários o súbito enfraquecimento da figura do presidente (Sol) três meses depois do fenômeno. Durante a apresentação teremos vários exemplos das questões tratadas neste texto.

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