Curas, Rotinas e a Alquimia: a Casa 6 e seus Denominadores Comuns

Por que a sexta casa do mapa é relacionada ao cotidiano e às rotinas, se ela é a casa do trabalho e da saúde?

construction1Por que na maior parte das vezes, o melhor remédio para um distúrbio em diferentes níveis de saúde (mental, emocional, física, social…) é voltar à rotina, criar uma, concentrar-se no trabalho, lapidar continuamente um hábito, construir um saudável aos pouquinhos, prestar atenção a detalhes que antes negligenciávamos.

Quantas vezes, devido a um mal do coração, no sentido da alma, das emoções e sentimentos, lhe deu um alívio tremendo se concentrar no trabalho? Desviar a atenção obsessiva de algo, ou melhor, concentrar essa atenção obsessiva num ou mais detalhes importantes e úteis é dar ao talento de aprimorar as coisas um lugar e uma via de escoamento, de uso. Estabelecer uma rotina clara o bastante, dedicar-se ao trabalho com afinco, ainda que ele seja simplesmente varrer uma casa, consertar sapatos, operar uma máquina, pode ser a diferença entre permanecer estilhaçado por um distúrbio emocional (perdas de relacionamentos, mortes de entes queridos, sentimentos de fracasso por motivos diversos) e estabelecer alguma organização para a psique e, consequentemente, dar margem à cura ou até mesmo significar a própria cura.

alquimiaA casa 6 é também uma casa de Alquimia, em diferentes sentidos, mas também naquele de lapidação ou purificação da alma, de ajuste ou Tikun (este termo em hebraico refere-se à correção, ajuste ou aprimoramento, com vias à purificação, algo comum ao estudo de Kabbalah e que também encontraremos nos significados e características da oitava casa). Enquanto vivemos estamos continuamente trabalhando, ainda que em ritmo menor, quando estamos a fazer “nada” (não existe “fazer nada” – até quando estamos contemplando uma parede e “babando”, a mente está em movimento – e se tivermos um Netuno poderoso no mapa ou algo enfático em Peixes, mais ainda – isso inclui as contemplações da casa 12). A cada passo, cada sucesso, cada frustração, cada despertar da percepção de que há algo que não havíamos levado em conta, trabalhamos. A mente trabalha, procura sintomas, procura explicações, procura sentido. Recorda vivências, junta pedaços, peças de nosso quebra-cabeças pessoal, em nossas narrativas pessoais, narrativas estas (memórias, experiências pessoais, construções sociais) que fazem de nós o que somos dia após dia. Temos um corpo, mas todo o restante é narrativa, é sinal, é signo, é código, é uma história e é, sobretudo, símbolo. Este último se manifesta nas mais variadas experiências de campo que temos, as coisas “externas” que têm, simultânea e invariavelmente, um correspondente interno e vice-versa. Há essa inteireza, não um “fora” e um “dentro”, há uma espécie de codificação que revela que material e imaterial são uma só coisa e tal código/história/narrativa estabelece o link e o sentido em todos os níveis, só precisamos decifrá-lo. tumblr_inline_ncqsynvmpn1qdcnhbPorém, o simples fato de tentar essa decodificação já é uma narrativa, já é um processo, já é uma jornada e faz parte de nossa história. E isso é trabalho, isso é feito cotidianamente e aos poucos, ora intensificando, ora suavizando. Isso é casa 6, isso é o contato com a doença, literalmente falando, com a discrepância entre nossas realidades internas e as realidades internas de outras pessoas no nosso dia a dia, no ajuste que temos que fazer para chegar a um certo grau de eficiência entre nossas vontades, as dos outros e as realidades concretas que se impõem e que servem de ferramentas para esse “apertar de parafusos” psicológico até que nos descobrimos tremendamente diferentes do que éramos quando ingressamos num dado sistema. Esse sistema dará lugar a outro, mais adequado ao estado em que estivermos numa dada fase da vida. Invariavelmente. Ainda podemos incluir o seguinte: no momento em que focamos nossa atenção, que evitamos as dispersões, que assumimos uma linha, um trilho de raciocínio ou um método para atingir determinado fim, ainda que este seja apenas contemplar, sentado à beira-mar, o horizonte, esse método já é um trabalho, uma rotina que pode produzir determinado resultado.

threecard-14-temperanceEu diria que as casas 6, 7 e 8 podem ter um belo parentesco com vários sentidos da carta da Temperança, no Tarot, culminando na casa 9, com uma direção de vida renovada após as crises que levam ao aprimoramento (afinal, em muitas concepções do Tarot, sobretudo as herméticas, costuma-se associar a Temperança ao signo de Sagitário, que, embora não seja absolutamente idêntico à casa 9, tem óbvias tangências e interseções de significados entre si – lembrem-se: casa não é signo e signo não é planeta, apesar de possuírem seus pontos de convergência). Se for resumir, a casa 6 detecta os pontos com fissuras, os trabalha com constância, produz mais e mais percepção, seja sobre um detalhe técnico, seja sobre si mesmo, psicologicamente falando. A casa 7 faz a mediação, verifica e estabelece os prós e contras entre o que se passa interna e externamente, procura encontrar o meio-termo entre aqueles impulsos primários, e nem sempre úteis ou desejáveis, e os ideais, a forma purificada, aperfeiçoada projetada pela casa anterior. Na casa 8 encontramos os meios para purgar aquilo que já não somos mais, aquilo que já não nos pertence. É a casa das “perdas”, mas creio que posso acrescentar que não necessariamente “perdas” no sentido de “ficar sem um pedaço”, mas em se tratando de “descascar”, “polir”, “eliminar” ou “recombinar” vários aspectos dispersos num todo mais coerente. Esse “recombinar” teria características semelhantes aos das sementes, que absorvem da terra nutrientes e que, como no caso das vinhas, fazem com que a síntese entre a qualidade da uva e a da terra (do clima, da água…) se tornem uma só coisa e resultem em sabores muito particulares para cada tipo de vinho. A casa 8 pode funcionar analogamente à pedra preciosa que, encontrada na mina, ainda possui resquícios de outros minérios, mas que, ao passar pela lapidação e polimento, descartando as partes que não se encontram no cerne brilhante e cristalino, revela o que de mais verdadeiro aquela pedra possui, inclusive, deixando passar a luz do Sol através de si. Alquimia, em um de seus mais claros atributos.

Cordialmente,
Carlos Hollanda
domingo – 27 de novembro de 2016 – Sol em 5:45 de Sagitário, Lua em 15 de Escorpião, Júpiter em Libra e Nodo Norte em Virgo.

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20 comentários em “Curas, Rotinas e a Alquimia: a Casa 6 e seus Denominadores Comuns

  1. Admiro sua capacidade de colocar na escrita um alto nivel intelectual à imensa sensibilidade. Meu gosto e sempre priorizado pela escrita e pela leitura. Muito obrigada por esclarecer certos pontos da carta com tanta riqueza!

  2. Ótimo texto mesmo, Hollanda! Interessantes as analogias que fez.. Hj a sincronicidade caprichou, pois vc colocou em palavras muito da experiência que tive durante meu dia. Muito bom.. Beijo grande!

  3. Estava aqui pensando em outro aspecto do trabalho como cura na 6, o serviço, o curador, o que trabalha para servir ao bem estar do outro. E como isso faz bem, sair da simesmice obssessiva, para algo produtivo, humano e engrandecedor. Faz bem fazer bem. Olha, seu texto trazendo os insights.. 🙂

  4. Carlos, ler seu texto me Fez pensar sobre o assunto uma vez que sou virginiana com stelium Na casa seis.
    E posso testemunhar que a rotina pode ser tb uma fuga do essential ou um mergulho profundo no aperfeicoamento.
    Tudo depende da dedicacao ou do motivo

    • Sem dúvida que pode ser fuga do essencial. Sempre se tem um lado meio obscuro. Tudo simplesmente depende. O contexto é uma chave. Todas as casas podem ter essa porta para a luz, como no caso da dedicação que eleva, quanto para o outro lado, como no caso da casa 6, que pode ser só uma robotização ou um incremento da necessidade de se provar certo o tempo todo, de ver falhas onde é preciso relativizar e coisas do tipo. Nesse caso, a natureza fornece o extremo oposto, na casa 12, na sua pior acepção: rejeição, isolamento, internações, doenças crônicas, impossibilidades de agir sob quaisquer circunstâncias e coisas do tipo. Tema para outro artigo, que, aliás, até já tem boa parte do que digo aqui. Aí vai o link dele: https://projetoluminar.wordpress.com/2016/02/22/casa-12-sofrimento-ou-libertacao-depende-de-como-voce-a-usa/

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