Análise Astrológica – Ritual do Uni (Ayahuascar)

No dia 4 de março de 2016 participei do Ritual do Uni (Ayahuascar) Ritual do UNI Yawanawa com a pajé Hushahu, seu companheiro Mawa Isã Nawa e Wyahu Yawanawa. No dia seguinte, emendando o processo, fizemos, na manhã do dia 5, o Temazcal (Tenda do Suor) da Tradição Asteca. Embora a substância seja a mesma e a Tenda obedeça a princípios semelhantes, os nomes variam em função de sua conexão com diferentes tradições e métodos. Neste caso, a beberagem foi produzida segundo a tradição indígena Yawanawá, de acordo com o pajé Tata, da aldeia Mutum, com quem o supracitado Wyahu, caçador nato, convive, sendo seu “filho” mais próximo. A aldeia daquele pajé fica a oeste do Estado do Acre. Já a Tenda, foi conduzida pelo Ricardo Iztlimitl, iniciado em tradições mesoamericanas e pela Jacira Monteiro, índia guarani.

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Exemplo de festividade na Aldeia Mutum, no Acre

Não pude me furtar à curiosidade de ver o céu do momento, para, posteriormente, registrar cá comigo as impressões e experiências que tive, encontrando, assim, pistas nítidas para os símbolos que porventura viesse a ver/receber. E de fato isso ocorreu, uma torrente incessante, que creio, ficará brotando em minha mente de Mercúrio em Peixes e Júpiter de casa 12 pelas próximas semanas a fim de que eu possa estabelecer os elos.

Não vou contar aqui minha experiência pessoal com o que o Uni permitiu. Vale dizer que o comecinho dela é caleidoscópico, como nos relatos mais variados de experiências psicodélicas, mas no caso foi muito mais poderoso e interessante. Em meu caso, pulei dos fractais que inicialmente percebi dançando à minha frente a coisas bastante inusitadas que trouxeram de volta algumas propostas e missões a que me havia submetido e que andavam em suspenso por diversos motivos pessoais. Mas isso é assunto para uma outra hora. Conto depois que fixar os conteúdos devidamente. Afinal, apesar de Mercúrio em Peixes, tem aqui dentro uma racionalidade que também precisa ser satisfeita e que pode contribuir um bocado para intensificar experiências como estas a posteriori. Aqui me limitarei a descrever algumas características do céu do momento de início de fato do ritual, até porque durante minha experiência pude discernir, com toda clareza, Júpiter exatamente no Meio do Céu, por entre as árvores (antes de mergulhar totalmente no efeito da beberagem e fazer Júpiter “falar comigo”).

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A bela casa do Espaço Terra Viva, com a Igreja do Santo Daime na parte superior, de onde partimos para a cerimônia, que se realizou uns 200 metros acima.

Subimos até o local onde ocorreria a cerimônia. Eram 23:33, com Saturno em cima do Ascendente. De fato, subimos uma escadaria em etapas até uma gruta. Ambos são símbolos saturninos, sobretudo a gruta (e também a tenda do suor, que é o útero da Mãe cósmica, Binah!). Ela era aberta, na verdade uma enorme rocha que serve de cobertura, devido à sua posicão natural. O Ascendente da breve jornada colina acima estava em Sagitário, com Júpiter, seu regente, no centro da casa 10, bem no alto do mapa (e do céu, claro). Mas o ritual mesmo, com as pessoas bebendo o Uni, só começou um pouco depois. A essa altura, já devia ter passado de meia noite, mais precisamente, meia noite e quinze. Como sei disso? Eu acabara de tomar minha primeira dose e, sem planejar, me deu uma enorme vontade de olhar para cima. Foi aí que vi, Júpiter, no centro da abóbada celeste. Como sei que era Júpiter? Fácil: a olho nu, planetas, diferentemente de estrelas, não “piscam”, no céu. Visto daqui da Terra, Júpiter é o fator de maior brilho, logo após Vênus, que mesmo sendo muito menor fisicamente, está muito mais  próximo da Terra. Vênus não poderia estar naquele ponto do céu naquela hora, pois nunca dista mais que 45 graus de arco do Sol. Por fim, sabendo que o Sol está, nessa época do ano, em Peixes (no ZODÍACO TRÓPICO, obviamente – se quiser saber do que isso se trata, leia um artigo a respeito neste link aqui, e tem outro tão interessante quanto, neste aqui) e que já tinha passado de 23h., com o Sol no Fundo do Céu, aquele fator em cima de nossas cabeças só poderia ser Júpiter, que no zodíaco trópico tem transitado em Virgem, signo oposto a Peixes e está em órbita de oposição com o Sol.

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Mapa do Início do Ritual do Uni (ayahuascar)

 

Então você pode perguntar: “e daí?”.

Daí que os procedimentos foram realizados em um momento bastante potencializado astrologicamente e suas repercussões podem ser mais intensas e mais significativas do que outras atividades como esta em épocas nas quais o céu não está tão de acordo como este. Júpiter, como Netuno, é um planeta que tem tudo a ver com o procedimento pelo qual passamos. Tanto ele quanto Netuno são os regentes de Peixes, sendo o primeiro o regente tradicional e o segundo o regente moderno. Ambos lidam com estados alterados de consciência, sendo Netuno atualmente o mais associado a isso, embora Júpiter, juntamente com a Lua, sempre tenha sido esse fator de conexão com o divino, com sistemas míticos, religiosos, metafísicos e similares, cada qual em seu âmbito. Na Tradição Hermética,

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Alegoria de Júpiter no Meio do Céu. No local, ele estava literalmente acima de nossas cabeças.

É precisamente Júpiter quem rege esses assuntos e, utilizando o sistema das Horas Planetárias, verifica-se, naquele momento, a hora de Júpiter. Com o Ascendente em Sagitário (signo regido por esse planeta) e com o Júpiter físico no ponto de culminação no céu, digamos que o ritual estava tão potente, com um cosmo tão favorável e aberto a tais atividades, que dificilmente alguém que dele participasse não teria alterações perceptivas e não faria conexões muito significativas com seus desejos de cura, esclarecimento etc. Se rituais como este já são bastante eficazes sem qualquer planejamento astrológico sobre qual céu “usar”, imagine com essa “coincidência”! (ênfase nos aspas)

Kiron, o planetóide cuja órbita o mantém entre Saturno e Urano, é o símbolo do Mestre, função que divide com Júpiter, porém, mais voltado para a medicina, para o ensino de coisas que possam fazer o aluno/discípulo superar situações-limite. Kiron é o Curador Ferido, na verdade, é o arquétipo do próprio xamã, do caçador pré-histórico que, já com idade avançada ou com um ferimento que o acompanha constantemente, cura a todos com suas habilidades e alternativas apreendidas com a vida e com a intensidade de suas próprias experiências-limite. O Sol desse mapa está “enquadrado”, isto é, entre Netuno e Kiron, meio que “emoldurado” por eles, formando uma oposição com Júpiter, o que significa que as dores, as fraquezas, as inadequações e os problemas que enfrentamos também socialmente estavam todos sendo ressaltados, prontos para um procedimento de limpeza. Tudo vindo à tona, sobretudo num dia em que a Lua tivera feito uma conjunção com Plutão horas antes – Plutão, entre outras coisas, representa purgações. De fato, desde 25/02/2016 até 13/03/2016 essa configuração formada pelo trânsito do Sol com os regentes do alívio do sofrimento e do mergulho no Inconsciente (ou do contato com “entidades” curadoras) inclina a maioria das pessoas no mundo a voltarem-se para assuntos similares, indo desde consultas corriqueiras no médico ou ler livros sobre saúde física e mental, até prestar auxílio em instituições que visam trabalhos de alívio coletivo, compaixão e desenvolvimento da consciência. estrelasfixas-lgodomachado2O Sol estava transitando pela estrela Achernar, que é a foz do Rio Erídano, o rio mítico que sintetiza em si todas as jornadas da alma, como o Estige, que leva as almas dos mortos ao Hades, que nos conecta com os Campos Elíseos, o paraíso dos mitos gregos. Assim também como o Nilo, o rio físico e o mítico, com seu aspecto fertilizador e de contato com o mundo divino. O rio, que nunca será o mesmo amanhã, como o tempo e as águas na correnteza. Achernar é, pela tradição babilônica, conhecida como “O Querubim e a Espada”, possuindo, segundo Ptolomeu, a natureza de Júpiter. A mesma tradição astrológica afirma que essa estrela promete felicidade e sucesso, com “bons costumes” (adequando esse conceito à época, sociedade, relativizando o que se entende por boas ações em sociedade), adesão às crenças religiosas, metafísicas ou inclinação filosóficas com as quais se entra em contato.

NOVO-cartaz-italia-astroO Temazkal se realizou com a Lua ainda em Capricórnio, formando um trígono com Marte em Escorpião, com o Sol em sextil com Plutão, que vem estando sob um trígono com Júpiter. Perfeito para um procedimento que visa aquecer intensamente (é quase como cozinhar!) e purgar tudo quanto é porcaria , com o acompanhamento dos cânticos e mensagens, que só intensificam ainda mais o processo. Ufa! Intenso! Sobretudo após uma noite inteira de ayahuáscar com experiências igualmente intensas por uma outra via! Os aspectos supramencionados são melhorias e favorecimentos em função de intensidades, de força, de, claro, calor! A Lua em Capricórnio só me faz pensar novamente em Saturno, que na Kabbalah Hermética é ligado a Binah, a Grande Mãe, como já disse. Saturno é frio, mas o útero da Mãe é poderosamente quente e acolhedor. Um belíssimo símbolo de renascimento, coroado pelo sextil com Plutão (morte-renascimento). O ritual que usa pedras (Saturno) quentes (Sol), às vezes literalmente incandescentes (Marte) iniciou-se na hora de Marte, no dia 5, por volta das 9 horas, com Ascendente em Áries, domicílio diurno desse planeta, sendo que ele, o planeta, está em Escorpião, seu domicílio noturno. E Marte, nesses dias, está transitando precisamente sobre a estrela Toliman, mais conhecida como a Alfa do Centauro (outro nome conhecido é Bungula). É estrela mais brilhante da constelação do Centauro, lembrando que este NÃO é o Sagitário, mas sim outra constelação, aquela que, observando daqui deste hemisfério, fica logo acima do Cruzeiro do Sul. Ele é o Kiron, que, em seu mito, foi transformado em constelação por Zeus, após os clamores de Hércules, filho deste último e discípulo ou filho adotivo do primeiro, rogando para que o sofrimento do Mestre, com sua ferida incurável, terminasse. E assim, o mestre rege eternamente a todos os que caminham por essa senda.

cartaz-espaco-psi-webUma curiosidade sobre uma de minhas percepções na Temazkal: no finalzinho, quando olhei para cima, dentro da tenda, observei uns pequenos furinhos ou aberturas no teto causadas pela colocação da cobertura. Cada parte da cobertura foi colocada meio que aleatoriamente, portanto, se até mesmo calculando isso seria extremamente difícil de fazer o que vi, quanto mais sendo a coisa montada sem essa finalidade. Uma obra do “acaso”, que não deve ser bem acaso de fato, dadas as circunstâncias. O que vi? As aberturas no teto tinham uma certa organização ou pareciam ter. Olhei várias vezes, ainda no torpor do ritual. Até que me deu um baita estalo: “Céus, são as Híades! E as Plêiades! Ali! Aldebaran! E ali, a mais distante, lá na pontinha! El Nath!”. O que esses estranhos nomes querem dizer? Simplesmente são estrelas que compõem a constelação do Touro. Ela estava lá, quase inteirinha, perfeita! E não era só por causa do torpor que eu a vi, era física a configuração. Não estava lá quando começou, pois olhei com atenção. Ficou assim com o movimento das pessoas dentro da tenda. E daí??? E daí que esse final do ritual foi por volta das 11 horas da manhã, alguns minutos a mais. cartaz-curso-talismas-RegulusNessa hora, o Ascendente estava em Touro! Coincidência? Tanta, mas tanta que aí não dá pra ser só isso.

Será difícil encontrar uma combinação de rituais com um céu tão adequado. Parabéns a todos, facilitadores e participantes.

Gratidão!

 

 

 

 

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