Casa 12: sofrimento ou libertação? Depende de como você a usa.

por Carlos Hollanda
Casa 12: a prisão como um ambiente propício às mais elevadas considerações filosóficas é um locus literário muito recorrente na história do pensamento ocidental.
  door-cosmic-380x235De fato, muitos me demonstram dificuldade para entender a casa cuja característica simbólica e localização dentro do sistema astrológico, remete a uma direta associação com o signo de Peixes. Ora, signos e casas não são idênticos. Possuem interseções de significado e de ação, mas não são a mesma coisa. De fato, casas são “coisas”, manifestações concretas. Se tocam com suas cúspides os signos, é para manifestar concretamente seus atributos, mesclando-os com os atributos próprios de cada casa. Assim, por exemplo, uma casa 3, que entre seus significados contém literalmente as esquinas e confluências de conhecimento num bairro de uma cidade, quando tem sua cúspide em Escorpião, pode manifestar-se por frequentes jornadas a livrarias, bibliotecas ou locais em que a mente consciente realiza verdadeiros mergulhos profundos e passionais no conhecimento. Pode ser onde encontre mais possibilidades de sexo ou de conflitos de longa duração, de encontro com os extremos de céu e de inferno, na relativa ausência de meio-termo escorpiana.
Se pensarmos que casas têm diferenças em relação aos signos, porém, com semelhanças inegáveis em muitos pontos (Gêmeos, signo da comunicação, casa 3, casa em que nos comunicamos com locais próximos), então não é delírio associar uma parcela considerável da casa 12 (o quadro geral, atos de contemplação, isolamento, afastamento das realidades cotidianas) com Peixes (percepção holográfica, contemplador, recolhimento interior, fuga das realidades comuns). Peixes não significa “presídio” ou “hospital”, mas a casa 12 sim. A casa 12 não significa hipersensibilidade, mas Peixes sim (embora, um Sol na casa 12 possa dotar o indivíduo com características comportamentais extremamente semelhantes às do Sol em Peixes! – o mesmo se aplicando com o Sol em cada casa em relação a seus signos análogos).
a01c60aa804a18dc73a624677537d6adSendo assim, a casa 12, ligada aos aprisionamentos e limitações, às situações fortuitas que nos impedem de fazer o que sonhamos ou restringem consideravelmente nossa liberdade (casa 11), é um setor ideal para as atividades do pensamento, do questionamento sobre as razões que nos levam a viver de determinada forma limitada, com seus padrões repetitivos. Igualmente ideal é para o pensamento sem interferências e distrações, para correlacionar coisas ou situações aparentemente díspares em algo que possa convergir e ser coerente. A casa 12, por sua condição limitadora e fortuita, nos impele a encontrar significado. Normalmente isso se dá pelo sofrimento, sendo que o encontro do significado e das convergências é o linimento que, no final das contas, é uma libertação muito mais profunda e verdadeira, mais real, do que aquelas que buscamos no mundo exterior, nas competições inúteis e nas ideologias transitórias. Com isso, a casa 12, a exemplo da 9, acaba por tornar-se uma outra espécie de bússola filosófica com a qual norteamos um caminho de vida. Enquanto a 9 norteia com elementos provenientes da vida em comunidade, do contato com os saberes considerados elevados e verdadeiros num dado contexto exterior, a 12 é o norteamento interno, promovido pelas experiências subjetivas associadas às impossibilidades vividas por cada indivíduo em seu contexto particular. A 9 abre seu pensamento para o mundo exterior, você percebe que o mundo é muito maior e mais interessante (ou mais aterrador) que aquilo que lhe ensinaram seus pais ou que acreditam seus conhecidos mais próximos com quem você foi criado. A 12 abre em dobro seu pensamento para o interior, para a parcela da condição humana que não se pode ver com os olhos físicos ou com os olhos sociais que enxergam apenas aquilo que alguma celebridade indicou e deu certo numa época. É a abertura que ocorre quando fisicamente somos impotentes, quando socialmente somos rejeitados, quando estamos no gueto intelectual ou descrédito, quando não temos berço ou simplesmente quando sofremos os resultados de uma série de atos nossos que foram aos poucos nos condenando a algum tipo de limitação ou infelicidade. E ainda pode ser resultado de atrocidades que vieram de outro local e nos atingiram, de catástrofes naturais. Que limitações você pode imaginar? A 12 tem.
A solidão que a 12 representa propicia essa abertura. Para uns, uma fuga de uma realidade torturante, seja ela do ponto de vista físico, com algum problema de saúde ou mesmo um aprisionamento literal, seja do ponto de vista psicológico, em que não suportamos mais viver de um certo modo, com as imposições e preocupações banais da vida. Ali encontramos, até porque não temos qualquer outra alternativa, um meio de compensar essa dor e aprisionamento. Em sua maior parte tal compensação vem da imaginação, das reconsiderações filosóficas, da adoção não de um norteador, mas uma síntese deles, talvez até num estranho sistema de crenças. Ali somos convocados a sermos sábios. Como disse, não há alternativa.
untitled-3A limitação da 12 é uma oportunidade de fazer essa abertura. E nem sempre as pessoas se tocam de que é preciso esse tempo ou de isolamento, ou de descrédito, ou fraqueza. O mundo nos ocupa em demasia, a mente se torna escrava do mundo, do trabalho, das obrigações sociais com família, amigos, títulos, com o ego e suas ilusões. A 12 não é a casa da ilusão necessariamente (Netuno é), mas de revelações. Só é preciso prestar atenção não às paredes de sua prisão, mas ao horizonte galáctico de sua mente. Juntar os pedaços e descobrir, revelar-se é atributo dessa casa. E não se espante se encontrar algum livro, alguma pessoa ou algum sistema de pensamento muito inspirador quando estiver vivendo um período em que essa casa do mapa estiver sobreativada e você não puder fazer muita coisa com sua condição.
v-for-vendetta-20060221085723795 O que não falta à 12 é inspiração, o problema é que muita gente presta mais atenção àquilo que não consegue mais fazer no mundo (ou que nunca conseguiu ou conseguirá) e não às coisas que, naquele pequeno universo fechado e escuro em que se encontra, passam a dançar diante de sua tela mental. O corpo ou a expressão sociais estão encarcerados, mas a mente está tão livre que chega a ser assustadora a distância até onde ela chega, para melhor ou para pior.
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Aqui uma hipérbole que pode ser bastante reveladora e didática quanto a um dos aspectos da casa 12: Evey Hammond, personagem de “V for Vendetta”, interpretada por Nathalie Portman, em duas cenas. No alto, lendo bilhete de outra personagem presidiária da narrativa, dentro da cela falsa em que V a havia colocado. Acima, sendo “batizada” pela chuva, diante de sua libertação dupla: a física e a mental.

Enfim, se Peixes é tradicionalmente regido por Júpiter, o planeta das aberturas, da filosofia, do ilimitado, das grandes jornadas, e se a casa 12, como dito acima, tem essa forte analogia com o signo, fica mais fácil entendê-la como uma ambientação e condição propícia a uma jornada muito significativa para um espaço não condicionado fisicamente.

Os planetas ali localizados representam caminhos para se chegar a isso. Alguns são muito tortuosos, outros nem tanto. Alguns são particularmente difíceis, por não permitirem com facilidade imaginações libertadoras quando em situação limitadora. Mas todos podem levar a isso, a despeito de serem caracterizados como sofrimento de algum modo ou, como o supracitado Júpiter, um inspirador incessante, que ajuda a encontrar alívio com o pensamento “fora da caixinha”.
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12 comentários em “Casa 12: sofrimento ou libertação? Depende de como você a usa.

  1. Não lembro de ter lido tão rica e maravilhosa interpretação de um espaço astrológico como este. Obrigado por compartilhar este saber infinito.

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