O QUE ESTÁ ACONTECENDO COM O RIO DE JANEIRO?

UM LONGO PROCESSO HISTÓRICO QUE DESEMBOCA EM UM COLAPSO DO ESTADO – MAS TEM JEITO.

Crise no Petrobras, evasão dos royalties do petróleo? Sim, isso também, mas o processo é muito mais longo e as causas se emaranham numa trama com um longo histórico de descasos e atenções governamentais e populares a coisas não-prioritárias. Muito pouco se fez pela industrialização no Estado nos últimos 40 anos ou mais, criando uma dependência econômica extraordinária da atividade petrolífera. Muitas indústrias e empresas prestadoras de serviços, se deslocaram para outros Estados, sobretudo São Paulo. Talvez estejamos, nessas últimas décadas, reescrevendo o mesmo script que pautou a organização social na época da Colônia e do Império, em que a economia e os interesses giravam em torno de poucas ou apenas uma atividade principal. Isso é, sempre foi, péssimo para a economia como um todo, já que num momento de crise de um setor, todos os demais são derrubados como uma fileira de dominós. A diversificação das atividades produtoras e de oferta de serviços é fundamental para manter uma “estabilidade dinâmica”, isto é, uma estabilidade baseada em movimento e troca de centros de gravidade a cada época em que as crises e oportunidades giram seus ponteiros. O Rio de Janeiro tem um potencial turístico extraordinário, mas que é sabotado pelas desigualdades e pela violência derivada disso. A mesma condição de desigualdade, de dificuldades financeiras históricas gera um terreno fértil para o famoso “jeitinho”, em que os modos de trapaça, estratégias e táticas para conseguir com que o outro compre um produto de má qualidade, pague mais caro do que o que está escrito na tabela, dê dinheiro para um “guardador de carros” clandestino que surge do nada, após você ter ficado horas estacionado sem ninguém credenciado ter-lhe entregue o ticket de estacionamento. Para muitos, esse é o único jeito de adquirir recursos de sobrevivência, de lazer ou de sustento para um vício, sendo, às vezes, o lazer/vício e o sustento partes de uma única massa de dependência que na verdade nada produz, senão uma espécie de parasitismo de atividades realmente robustas e produtivas. Nada contra o lazer, que é fundamental e produtivo, sim, atividades de lazer podem ser economicamente consistentes e fantásticas para a sociedade como um todo, gerando difusão cultural, conhecimento, alívio das tensões e inspiração. Na verdade, acima, falo do “lazer/vício”, que é aquele que se fecha em ações insalubres tanto para o usuário quanto para a sociedade. Entre esses “lazeres/vícios”, podemos citar a pequena atividade irregular, forjada provisoriamente e de improviso, para comprar drogas e bebidas alcoólicas cujo uso seria regular por várias pessoas que ingressam nessas atividades. Estas, aliás, como aquela de quem aguarda nos sinais de trânsito com água e detergente e um pequeno rodo, jogando a água suja no pára-brisas sem o consentimento do motorista, são pequenas formas de coerção e intimidação, que têm parentesco em algum ponto com os furtos ocorridos no Centro da Cidade, por crianças e adolescentes que sustentam, com o produto do roubo, o tráfico de drogas e quadrilhas. Uma parte disso vem da herança escravocrata, com gerações de pessoas sem qualquer oportunidade, historicamente vindas do nada, de uma condição de inferioridade social imposta à força. Outra parte vem de uma atitude corrupta da sociedade como um todo, que, como na interpretação da velha propaganda do cigarro Vila Rica, a população “gosta de levar vantagem em tudo, certo?”. Uma boa parte dessas pessoas não conhece qualquer outra alternativa além das acima e nem poderia: não há recursos suficientes, não há interesse em reverter esse quadro.

Captura de Tela 2015-12-26 às 09.07.13Para quem esteve no topo nos últimos 50, 60 anos, era muito melhor que essa população se mantivesse na ignorância e fechada em um círculo vicioso de comportamentos coletivos que prezam os prazeres e os direitos, mas não o trabalho e os deveres. Isso elege políticos mais facilmente, elege quem não está interessado em infra-estrutura, só em aparência. Infra-estrutura não aparece, não é marketing. Vivemos nessa era em que tudo é marketing. Se duas coisas têm a mesma qualidade, ou se uma tem a qualidade melhor, não importa, vale mais aquela que têm um sistema de propaganda mais eficiente e volumoso ou persistente. É uma cultura da cópia, não da originalidade. O que parece ser costuma ganhar destaque sobre o que é de fato. A questão é muito complexa, pois, por outro lado, uma marca e um estilo podem significar uma promessa de qualidade e uma referência a quem procura determinado tipo de coisa ou situação. Mesmo assim, parecer ter um estilo é mais frequente do que tê-lo ou sê-lo, e é aí que começa o problema, na fachada sem conteúdo.

Eu poderia me estender indefinidamente  em reflexões sobre o estado em que as coisas estão, mas vamos ver, astrologicamente, alguns dos pontos que vêm vindo à tona na crise do Estado através de uma brevíssima incursão por seus significadores em trânsito sobre o mapa radical da capital (no desenho, o círculo interno é o mapa radical, o externo são os trânsitos):

A crise financeira pode ser vista pelas condições da casa 2 do mapa radical e do dispositor da mesma. Os trânsitos que incidem sobre ela e sobre esse fator (planeta regente, dispositor) mostram o tom e o desenvolvimento dos processos. A casa 2 do Rio de Janeiro tem a cúspide em Câncer, regido pela Lua, que está em Peixes, na casa 9 radical. Netuno em trânsito está sobre a Lua e permanecerá ali até abril de 2016, nesta primeira fase. Haverá mais duas outras, cobrindo uma faixa de julho de 2016 a fevereiro de 2017, e em novembro e dezembro de 2017, onde finaliza.

A Lua em Peixes e regendo uma casa 2 em Câncer, corresponde a uma economia baseada em fatores simbolicamente conectados por via indireta: o imaginário (vide carnaval), o mar (as praias, o turismo litoral e o petróleo), a indústria química e gastronômica, além da navegação. Correspondendo também a Netuno angular, nota-se que a cidade, a capital, é belíssima vista de longe, do alto, do mar, de pontos estratégicos, mas de perto há uma extrema desigualdade, sujeira e nada parecido com a sugestão idílica que a visão à distância sugere. Mesmo assim, a maior parte da região favorece atividades contemplativas, desde ir à praia para ficar torrando e vendo a vida passar até subir uma montanha como a Pedra da Gávea e ver o Sol nascer ou, ainda, aplaudir o pôr do Sol no Arpoador ou no Leblon.

Saturno vem intensificando essa crise, pela quadratura que vem fazendo com a Lua desde o primeiro semestre de 2015. Termina também por volta de abril, mas isso não significa que a situação muda num estalo. Será o início de um longo processo de recuperação, lento e progressivo, sujeito a idas e vindas.

A crise na saúde, nos hospitais, fica por conta do eixo das casas 6 e 12 do mapa. A casa 6 tem a cúspide em Escorpião e, no sistema moderno, é regido por Plutão. O sistema de saúde no Estado nunca foi bom. A casa 12, casa dos hospitais, está em Touro, e é regida por Vênus, em Aquário, que, no mapa radical, está em oposição com Saturno, em Leão. Já tive, aliás, uma curiosa e análoga experiência a Saturno tensionado em Leão (autoritarismo), durante os anos da Ditadura Militar no Brasil, em que, de braço quebrado, ainda criança, já entrando com meu pai na sala do médico para engessar, fomos interrompidos por um militar de patente média, que passou a frente (tinha chegado duas horas depois) para tratar do dedo do pé da mulher.

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Plutão, o regente da casa 6, está sob uma conjunção de Kiron e já vem mostrando como funciona a quadratura vinda do trânsito de Saturno. Não admira toda a situação que vinha se acumulando há anos entrar em erupção agora. Todos os empacamentos e obstruções (vide portas fechadas e recusas no atendimento de pessoas que “não têm risco de morrer”) correspondem a essa quadratura e conjunção, mostrando o colapso do sistema. Um colapso de estruturas grandes não ocorre da noite para o dia, pensem bem.

Júpiter está transitando em Virgem, o que, teoricamente, potencializaria justamente o sistema de saúde. Entretanto, sobre o Rio de Janeiro, esse trânsito faz incidir 3 oposições, uma sobre Plutão, o regente da casa 6 (saúde), outra sobre o Sol (os poderes vigentes), regente da casa 3 (trânsito, vias urbanas), e Mercúrio, regente do Ascendente em Gêmeos. Tudo isso é uma verdadeira intensificação de caos em potencial ou preexistente.

O trânsito de Netuno e de Kiron, o primeiro ainda a entrar na casa 10 e o segundo já nela, apontam para a tendência de os próximos 4 a 10 anos terem pessoas da área de saúde se candidatando a cargos de governo e prefeitura, por exemplo, mas também para a necessidade extrema de se modificar a situação desigual da população, sanear a política, assim como a própria cidade, o lixo, os esgotos, despoluir os rios e o litoral, sob pena de epidemias e descontrole perante um dos pontos mais importantes do mapa, que é Plutão na casa 10: o “submundo” (Plutão) se baseando em atividades não raro desempenhada no alto (casa 10/Meio do Céu), através do tráfico de drogas (Peixes) com focos em comunidades carentes (Peixes).

 

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