Você tem problemas por causa de quê? A metafísica das explicações metafísicas

Por Carlos Hollanda
A vantagem de saber quem você foi numa vida passada é… bem… não sei. De que adianta saber que você foi rei/rainha se agora você é uma criatura normal, pouco respeitada, negligenciada e cuja voz para ser ouvida tem que ser na base da lei ou da porrada? Aliás, praticamente todo o planeta já foi rei ou rainha ou nobre de alta “patente”. Tem rei pracacete nesse mundo. Na barriga, então, está a maioria. O mais interessante é que um mesmo rei do passado pode ser a última encarnação de centenas, milhares de pessoas diferentes hoje. Incrível! Tava todo mundo incubado naquele cara! Ninguém se lembra do mendigo amputado ou do(a) canalha que ferrou a vida de um monte de gente. Nããão! Sou uma pessoa de luz, alma velha! Vim para salvar a humanidade, enquanto estou dentro de casa, desejando a roupa da última moda, o melhor carro, comer pipoca vendo minha TV de dois milhões de polegadas. Nada contra isso. Ter conforto é bom paca e eu também quero (o melhor equipamento de arte digital e de fotografia, principalmente – olhaí o presente de natal!), mas é curioso como tem pessoas “de luz” ou “de Deus”, “do bem”, que o são só no discurso! Às vezes, putz!, quanto discurso! Daqueles doutrinadores, que não lhe permitem pensar diferente e julgam que condenações às diferenças vão realmente melhorar alguma coisa. Mas, ok, para ser gente boa não é preciso virar a Irmã Dulce, salvando pessoas nas ruas (mas seria até bacana isso): o simples fato de não criar problema desnecessário já ajuda muito (eu, aqui, criei um problema que me parece necessário – nunca se sabe…).
Outro problemão em tais considerações (colocando pulga atrás da orelha – tenho algumas respostas mas só dou nas condições do fim deste texto): compare o contingente populacional mundial de hoje, início do século XXI, com o contingente, digamos, do século XVIII (nem precisa ir muito longe – 400 anos antes das revoluções políticas e industriais era muito menos). Há uma explosão da espécie humana no planeta. Nunca, jamais, houve tanta gente viva (alguns mortos-vivos, seguindo modismos e ditames ideológicos sem questionamento) ao mesmo tempo. Quer dizer que há uma fábrica de almas, uma indústria espiritual que se utiliza de ectoplasma sedento por encarnação? Bom, há doutrinas e explicações metafísicas que dizem que sim, de um certo modo que até merecem considerações. Daí que um descarte precoce dessa hipótese seria radical demais. Mas adotar isso como uma premissa irrefutável é bem complicado. Há muita hermenêutica entre o que se transmite em tradições e o que dá pra fazer em sociedade. É preciso adaptar as concepções (fica aí a dica do livro “A Alma Imoral”, do Nilton Bonder). Do contrário, “olho por olho, dente por dente” vira o caos.
Um dos grandes problemas das abordagens espiritualistas – eu diria “excessivamente espiritualistas”, já que há algumas um pouco mais sóbrias – é a predileção pelas explicações fáceis. Reparem bem: eu disse “fáceis”, não “simples”. Explicações simples nem sempre são fáceis ou acessíveis de imediato. Dizer que num nível quântico o tempo inexiste é uma explicação fácil, baseada em poucas premissas, quase sempre com informações esparsas a respeito, mas é bem difícil entender exatamente como se chega a isso. É preciso todo um encadeamento de dados e um amadurecimento de leituras – um processo – para se chegar a algum grau de consistência numa proposição.
“Ui, que cara chato, esse Cazollanda, falando difícil pra dizer uma coisa tão fácil! Você está fodido hoje porque na vida passada fez isso. Está sifu agora porque tem um encosto em você. Viu como é simples? Fala logo que é isso, pô!”. Queridos, não é assim tão simples. Gostaria muito que fosse só isso, pois as soluções seriam incrivelmente acessíveis, bastaria um período de meditação por dia e acender um incenso/defumador ou uma ida semanal à igreja/templo para limpar pecados, purificar-se e atingir a “plenitude do Ser”. É possível melhorar reunindo tudo isso? Acredito que sim. Repito: acredito. Não tenho certeza absoluta. Mas vi e experimentei várias situações de melhorias significativas sob diversos aspectos. Obviamente, contudo, não se resolve tudo dessa maneira. Ah, quem dera! Seria economicamente muito mais viável.
Se você prefere pensar assim… (o encosto, o malvado da vida passada), fique à vontade, você é livre ou pelo menos deveria ser. É realmente doloroso sair da Matrix e olhar o mundo por outro ângulo que não aquele que as mídias, os costumes e os modelos impostos socialmente impõem. Não é fácil mesmo. Nos torna errantes, solitários, em meio a um mar de conformismos e adequações a expectativas fantásticas. A elas nos agarramos ferozmente com o intuito de não nos expormos à responsabilidade de sermos livres de tamanha quantidade de condicionamentos. Os internos (tendências psicológicas) e os externos (as coerções sociais e os ambientes físicos). É mais fácil mesmo seguir a corrente. Eu mesmo gosto de seguir algumas. A diferença é não se tornar uma peça imóvel num grande mecanismo alienante, conseguir transitar e promover periodicamente um distanciamento (físico, psicológico, filosófico etc.) daquilo que nos envolve. Com isso é possível enxergar que aquilo é só uma parte. Não falo de entender isso intelectualmente, mas sim de vivenciar, realizar a experiência. Entender intelectualmente é só uma parte da coisa. usando um aforismo esotérico para explicar melhor: “uma coisa é entender o caminho, enquanto outra, bem diferente, é trilhar o caminho”.
Uma explicação simples completa quebra-cabeças. Uma explicação fácil responde às expectativas que temos quanto a alguma coisa. Nem sempre, todavia, essas expectativas correspondem àquilo que de fato acontece. São só necessidade de projeção e confirmação daquilo que queremos que seja. Aqui vale dizer que quem gosta de explicações fáceis e excessivamente diretas achará esse texto por demais complicado e entediar-se-á antes de chegar aqui. Mas o que acabo de fazer na frase acima não deixa de ser uma explicação fácil, já que generalizei até um certo ponto. Este longo texto é uma explicação simples. Ou ao menos um questionamento simples.
Entretanto, voltando ao contexto dos primeiros parágrafos, entender uma das maneiras pelas quais se formam os padrões repetitivos que levam a situações difíceis é precisamente a leitura de fatores que antecedem seu nascimento. Vidas passadas? Pode ser sim, mas sem certezas absolutas. Por que não pode ser uma síntese entre isso, tendências de família (heranças comportamentais de antepassados) e tendências coletivas que se expressam no indivíduo em dados campos de sua experiência, via complexos? Pois esta é uma das propostas de nosso curso dos dias 5 e 6 de dezembro, que irá abordar tudo isso e bem mais, com práticas terapêuticas no ato, ferramentas de leitura astrológica simples, mas bem pouco conhecidas, orientações para alterar os rumos e padrões nocivos que se repetem através de treinos comportamentais. A realidade é um campo multifacetado com o qual se pode dialogar, mas para isso é preciso conhecer a linguagem e ter recursos de tradução de seus diferentes “idiomas”.
cartaz-curso-carmicaEntre em contato para inscrição (clique na imagem ao lado). Mas faça logo, porque o curso só vai rolar mesmo se tivermos a confirmação dos interessados antecipadamente.
Saudações,
Carlos Hollanda

 

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