O que precisamente quer dizer o título do Simpósio do SINARJ 2013, “A Terceira Força – A Astrologia e suas Interseções com Outros Saberes”?

pecapara-facebook-escura4ATENÇÃO: INSCRIÇÕES ABERTAS!

A idéia da “interseção” corresponde ao entrecruzamento de dois fatores diferentes que formam um terceiro. O termo, em nosso caso, é um empréstimo do jargão psicológico e uma adaptação do conceito para nossos propósitos. Nesse jargão filosófico-psicológico, a “primeira força” seria a Psicanálise, a segunda o Comportamentalismo, e a terceira o Humanismo. A Psicologia Transpessoal seria “a quarta força”. O empréstimo do termo ligado ao Humanismo possui razões que serão demonstradas através das palestras em nosso evento, que contemplará os 5 seguintes temas:

– Astrologia junto ao processo de desenvolvimento da espécie humana – A Astrologia foi-se formando pela mescla entre Mythos e Logos. Em outras palavras, desde a pré-história, em que as forças naturais eram representadas animicamente, até as primeiras civilizações com conhecimentos matemáticos e organização complexa, pensamento mágico e pensamento lógico se compensam na leitura do céu-terra. Sendo composta simultaneamente por aspectos irracionais e aspectos racionais rigorosos, a Astrologia é um discurso bastante apropriado para a compreensão do ser humano (uma entidade “sapiens-demens”) e dos assuntos aos quais este se dedica.

– Astrologia enquanto terapia ou enquanto suporte a terapias – o terapeuta, antes de dominar técnicas ou práticas, precisa dominar a arte de mergulhar na alma do sujeito que está a sua frente e captar a essência do que precisa ser trabalhado naquele momento.O encontro terapêutico é como a intersecção de dois círculos ou dois universos e a interpretação + a possibilidade de mudança de rumos + conscientização é o resultado da fusão do processo.

– Astrologia enquanto saber sincrético – A Astrologia não surgiu do nada. Ela é, antes de tudo, um grande amálgama de símbolos e experiências concretas que diferentes tradições e culturas trouxeram para um ponto em comum. A Astrologia que conhecemos hoje tem sua complexidade marcada por esse sincretismo, cujo processo difusor tem um de seus principais focos nas conquistas macedônicas e na propagação do helenismo. Este último contendo em si vertentes como as sumero-babilônicas, gregas, egípcias e persas, civilizações cujos contatos comerciais e interculturais com tradições chinesas e indianas formaram o pensamento que atravessou a Europa e ali foi novamente sincretizado até chegar aos dias de hoje. Entrecruzamentos sem fim marcam a Astrologia, seja como ciência, arte ou magia, sempre recordando que a base para seu raciocínio e sua lógica é de caráter mágico – os princípios herméticos – ainda que possamos nos utilizar de outro sincretismo discursivo com as estatísticas de resultados e hipóteses científicas contemporâneas.

– Astrologia, saberes correlatos e seus processos comuns – Diferentes artes divinatórias, sistemas oraculares, ritualísticas nas organizações religiosas ou nas esotéricas, concepções cosmológicas de sociedades tradicionais usadas com finalidades diagnósticas e curativas, todas têm algum tipo de vínculo com as representações do universo. Esse universo é uma forma onírica e imagética de compreensão da condição humana e suas possibilidades. Assim, os saberes ligados às concepções cosmológicas estão em grande parte da construção dos Tarots, de sistemas complexos como a Kabbalah, em imaginações míticas como as Árvores das Vidas em sociedades em que o xamã tem que resgatar almas e assim sucessivamente. Se por um lado há diferenças nítidas de aplicação e de construção de cada discurso, por outro há uma estrutura em comum. Nesse ponto temos outro entrecruzamento, outra interseção. Há uma “terceira força” atuando junto.

– Astrologia, Filosofia, Religiosidade, Ciências – os campos em que a Astrologia pode ter papéis de maneira inter e transdisciplinar. Diálogos e entrecruzamentos, possibilidades e limites.

Fora esses assuntos que norteiam a base temática do evento, serão apresentados trabalhos de caráter estritamente astrológico, como a aplicação de técnicas e conceitos, bem como as análises sobre questões individuais e coletivas.

Em tempo: no ato da consulta o conhecimento, bem como seu uso em astrologia, é um processo onde deve acontecer um relacionamento verdadeiro, em que a interação entre dois fatores, o intérprete e o fator analisado, não só não podem ficar de fora como também ao se unirem nesse processo formam uma outra coisa. É uma via de mão dupla. Quando se trata de uma astrologia usada como terapia ou como suporte a ela, por exemplo, o intérprete deve perceber que tanto ele quanto o cliente são transformados pela interação ou pela interseção de seus potenciais. Conceitos, regras e fórmulas prontas para diagnósticos não são a grande ferramenta, mas uma parte importante de algo maior, em que a interação desses fatores com a humanidade das questões abordadas produz insights e reorientações. Isso constitui o que denominamos “terceira força”, sendo a primeira o objeto a ser analisado ou o cliente com suas questões, a segunda o intérprete e seu arcabouço, e a terceira o resultado da fusão.

Cordialmente,
Carlos Hollanda – diretor técnico – SINARJ

 

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