A casa 12 no Retorno Solar

O texto que se segue consiste na adaptação, na forma de artigo, de respostas a questionamentos de estudantes do curso “Revolução Solar”, da escola Astroletiva, no ano de 2004. Várias perguntas realizadas em tais cursos exigem uma reflexão como a que apresentamos abaixo. Ela pode ser útil e esclarecedora para vários níveis de interesse. De início são colocadas perguntas e observações a respeito. Confiram:

TEXTO ENVIADO POR: TANNIAH

Numa revolução com um (ou mais planetas) na 12ª casa, eu poderia dizer que quando o sol [em trânsito] alcançasse esses planetas haveria uma tomada de consciência da atuação deles? [Tanniah refere-se à atuação daqueles planetas naquela revolução solar, isto é, naquele perído relativo a um ano a contar do retorno do Sol ao mesmo ponto em que estava no momento do nascimento]. E que, quando o Ascendente os alcançasse [numa técnica da revolução solar em que se traça o passo diário do Ascendente como indicador de experiências ao longo do ano], haveria uma atuação pessoal com nuance daqueles planetas numa 12ª casa ou que pode ocorrer um impedimento físico?

TEXTO ENVIADO POR: HAROLDO

Também gostaria de entender melhor isso [o que Tanniah escreveu acima]. Porque o Sol atravessará a doze e os planetas por lá, assim como o Ascendente da revolução solar (pelo arco diário). Que tipo de experiências e/ou enventos podem ser esperados?

TEXTO ENVIADO POR: MARYLEIA

Permitam que eu dê também a minha opinião. Acredito que sendo a casa 12, uma casa ligada ao inconsciente e à espiritualidade, tudo depende de como estão sendo vivenciados estes assuntos da 12. Há busca de auto-conhecer-se através de terapias ou de um caminho espiritual? [embora, deve-se acrescentar, nem sempre uma experiência de casa 12 precisa coincidir com terapias ou buscas de caminhos espirituais – em geral isso ocorre como conseqüência das experiências típicas do setor] É um reino de Netuno onde tanto pode reinar a confusão, depressão, ilusões, como a inspiração criativa, compaixão ou a sensação de união com a Vida. Acredito que o Sol ao iluminar os planetas deverá trazer uma consciencia de como a energia deles estão sendo expressas, ativando-as, para que possam ser percebidas e transmutadas , se necessário.

TEXTO ENVIADO POR: HAROLDO

Deve ser por causa disso que ela se parece com o que chamam de “inferno astral”. Mas isso é relativo, porque posso estar vivendo esse inferno em plena casa 7. [concluindo o que Haroldo iria dizer, vai depender da configuração do mapa que estivermos analisando].

AS RESPOSTAS:
Reparem que muita gente não se toca de uma coisa a respeito da casa 12: ela é justamente aquilo que ocorre às costas do Ascendente, isto é, à revelia de nossa visão direta, quero dizer, de nossa percepção com os olhos, que, por sua vez, ficam na frente da cabeça (cabeça/rosto = Ascendente…). A casa 12 é a casa de tudo o que ocorre à nossa revelia, de tudo o que não podemos controlar porque não podemos estar cientes. E não importa o quanto façamos terapias, não importa o quanto estudemos o que chamamos de inconsciente, aquilo que a casa 12 representa se parece muito com o que Carlos Castañeda, em seus livros sobre o xamã Don Juan, chama de “Nagual” (a pronúncia, me disseram anos atrás, é “naual”, ou mais ou menos “nawal”). Tudo o que pudermos denominar para definir o que seria o “Nagual”, na verdade é aquilo que ele não é. O “Nagual” é algo que não podemos definir, muito embora possamos perceber seus efeitos e sentir sua presença. A casa 12 é mais ou menos assim. Aquilo que acontece sem que possamos interferir, que está totalmente além de nossa vontade, só pode ser experienciada por meio da fé, de uma crença em algo que é indefinível, invisível, quase imperceptível, mas cujos efeitos são bastante visíveis. É como o lado escuro da Lua: nunca o vemos, mas ele está lá.

Respondendo à Tanniah, quando planetas na 12 da RS são atingidos pelo passo do Sol ou do Ascendente no arco diário, podemos ter experiências derivadas daquelas situações que ocorreram à nossa revelia e que, então, passam a interferir ativamente em nossas vidas cotidianas e, aí sim, em nosso campo de consciência. Marte na 12 da RS, por exemplo, quando ativado pelo arco diário pode coincidir com alguns dias em que os resultados de nossas ações agressivas dos meses anteriores chegam sem que saibamos exatamente os motivos de estarmos sendo agredidos, insultados ou, ainda, de estarmos enfrentando situações de conflito/combate. A trama (lendo o mapa como se ele fosse um conto ou um romance de literatura) de todo o período parece cruzar-se ali na casa 12. É a época de enredo, isto é, de enredamento, em que nos vemos à mercê das coisas que foram ocorrendo sem que pudéssemos ter tomado ciência plena ao longo da fase. Ali elas se manifestam com a cara dos planetas que ali se encontram.

maxheindel

Diagrama extraído de uma das famosas”Efemérides Rosacruzes”, da fraternidade de Max Heindel. Nota-se a disposição do contorcionista ao centro, cujas partes do corpo situam-se em pontos referentes aos signos do zodíaco e às casas a eles análogas. Os pés, ligados ao signo de Peixes e à casa 12, permanecem logo atrás da cabeça, ao mesmo tempo simbolizando a totalidade (círculo) análoga entre o cosmo e o corpo, e demonstrando a relação entre cada setor do círculo com os demais. Ver, adiante, o detalhe, com a ampliação do contorcionista.

Outra coisa a lembrar sobre a décima segunda casa: ela, diferentemente da casa 7 (“inimigos declarados”, na terminologia tradicional), é a casa dos “inimigos ocultos”. Mas tem que ser, se soubermos que estamos falando sobre algo que acontece sem que estejamos cientes ou no controle. “Tramar” também é sinônimo de “confabular”. Num romance ou mesmo na literatura de história política, aqueles que tramam contra alguém são exatamente seus “inimigos ocultos”, isto é, aqueles que procuram atentar contra o indivíduo à sua revelia, sem que ele possa preparar-se para tanto. Todo ser humano está sujeito a isso. Todo mundo interfere na realidade de algum modo e, por isso, provoca reações seguidas de reações numa escala que lembra reações em cadeia. o retorno disso tudo está totalmente além de nosso controle e consciência e algumas coisas que juramos não ter a menor importância podem retornar na forma de antagonismos ou de gratidão, dependendo de como nossas ações repercutiram na cabeça e comportamento das pessoas. É como dizer o mesmo de uma obra literária: o autor não tem mais controle sobre sua criação, seus personagens, sua obra. Ela pode ser interpretada de mil maneiras, inclusive aquelas que ele nem sequer imaginou embutir em sua trama. Isso ocorre independentemente da vontade do autor.

Hoje eu faço algo, com uma determinada intenção que julgo muito benéfica. Amanhã, vem alguém e, ao ser-me apresentado por um amigo, esse alguém torce o nariz e se afasta ou me diz alguns impropérios. É, entre outras coisas, desse tipo de caos de que fala a casa 12.

Daí muita gente ter atribuído, conforme lembrou Haroldo, o período imediatamente anterior ao aniversário ao chamado “Inferno Astral”, coisa sobre a qual teço considerações num artigo publicado na Revista Constelar e para o que sempre chamo a atenção quando dou início a um curso sobre Revolução Solar. Na verdade, se pensarmos no sentido da casa 12, aquele período tanto pode ser um “inferno” quanto um “Paraíso Astral”, se me permitem o uso do termo. Vai depender muito da época, dos atos individuais, do que esses atos significaram para as sociedades naquele momento histórico e tudo o mais. Se analisarmos um trânsito ou progressão em que os indicadores revelem potenciais para favorecimento e superação de dificuldades, aquele tal período de “inferno” não se faz sentir desse modo, mas em experiências um tanto aprazíveis.

detalhe

Detalhe do contorcionista ou acrobata do desenho anterior

Vale, ainda, acentuar que não é bem uma questão de “descontrole”, mas simplesmente de algo sobre o que não temos alcance e que acontece independentemente de estarmos cientes de sua existência (tente olhar para a parte de trás de sua cabeça sem usar espelhos – se algo estiver lá e se mantiver sempre a mesma direção, você não terá a menor idéia do que é, exceto pelos efeitos que isso pode ter). Mas certamente podemos administrar esses efeitos ou lidar com eles da melhor maneira possível. Um deles é conformarmo-nos com nossas limitações e, quando percebermos que realmente é impossível exercer nossa vontade, deixar que a natureza siga seu curso e dite o que iremos viver em seguida.

Pode-se dizer que “tentar não deixar que as coisas fiquem ocultas” seria uma solução. Entretanto, isso é uma maneira de resolver apenas parte da questão. A casa 12 sempre vai representar algo sobre o que não podemos exercer poder. Como disse, algo sobre o que não temos alcance. Imagine alguém preso numa masmorra do século XV. Isso por si só já é uma experiência típica de isolamento e exclusão característica das atribuições há séculos relacionadas àquela casa. Agora imagine esse alguém imaginando o que tem lá fora, nutrindo esperanças e fantasias acerca de sua libertação, de sua fuga. Ao não conseguir fazê-lo concretamente, o faz na imaginação. O mundo lá fora corre à revelia dessa pessoa e ele não tem alcance além de sua cela. De sua limitação extrema, ele cria realidades fantásticas na mente, sejam elas totalmente neuróticas e aterrorizantes, sejam paradisíacas. É claro que estou usando um exemplo grosso modo do que é uma experiência de casa 12, mas talvez ele sirva para ilustrar melhor o modo como ela se manifesta.

Um relato muito interessante que ouvi de um cliente cuja Revolução Solar apontava para várias relações de casa 12 era a de que ele, que não havia sido preso nem tampouco sofria injúrias perpetradas por inimigos ocultos, sentia-se há meses como se estivesse aprisionado, sem chances de fazer nada para alterar a realidade em que vivia. Disse que vivia entediado e muito solitário (eis uma forma subjetiva de sensação de isolamento e exclusão), apesar da companhia da esposa e dois filhos, bem como colegas de trabalho que ocasionalmente organizavam saídas coletivas. Ele afirmava angustiado que não estava conseguindo identificar-se com nada que havia ao seu redor e que as coisas que tanto interessavam às outras pessoas pareciam-lhe banais. Igualmente, não vinha conseguindo muito sucesso em compartilhar seus interesses com os demais, pois a ele parecia que ninguém sentia atração pelas coisas que acalentava. Tudo o que ele queria, na época, era, usando um trecho de uma música do Blitz que ele mesmo mencionou, “fugir, desaparecer, escafeder-se”, e “não ser controlado por um mundo tão maior do que ele mesmo que seria impossível fazer algo para mudar de situação”. Eis um relato que tem elementos suficientes para um estudo das manifestações da casa 12.

Gostou deste texto? Quer aprender Astrologia ou aprimorar o que já conhece? O autor tem uma agenda de cursos e workshops presenciais em constante atualização e uma série de cursos ONLINE disponíveis.
Para ver detalhes, sobre os cursos PRESENCIAIS, CLIQUE AQUI
Para ver e se inscrever nos cursos ONLINE, CLIQUE AQUI

Cordialmente,
Carlos Hollanda

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s