A Astrologia e a Cultura Medieval

“ASSIM COMO EM CIMA, É EMBAIXO”

Entre as visões mais comuns acerca da Idade Média no mundo atual está a idéia de que as sociedades do período viviam num universo obscuro, repleto de superstições1, de civilização incipiente e, em função das tão famosas ações inquisitoriais (com as quais a maioria de nós tem contato através dos filmes e da literatura romanceada), um período de “horror” contínuo. É também lugar comum o conhecimento da forte presença da Igreja nas questões políticas, sociais e morais, e sua suposta oposição ao desenvolvimento da ciência e do pensamento racional conforme conhecemos hoje.

1-Cabe aqui definir melhor o conceito de superstições e abrir caminho para uma possível rediscussão da classificação da astrologia como crendice e coisa semelhante:
– Crença ou noção sem base na razão ou no conhecimento, que leva a criar falsas obrigações, a temer coisas inócuas, a depositar confiança em coisas absurdas, sem nenhuma relação racional entre os fatos e as supostas causas a eles associadas; crendice, misticismo – Ex.: por s., vários hotéis nos E.U.A. não possuem o 13° andar
– Crença em presságios e sinais, originada por acontecimentos ou coincidências fortuitas, sem qualquer relação comprovável com os fatos dos quais se acredita sejam prenúncio
– Religião primitiva, em que se cultuam basicamente espíritos que se crê estarem presentes nas coisas e nas forças da natureza; paganismo, magia, feitiçaria
– Derivação: por extensão de sentido – crença cega, arraigada e exagerada em alguma coisa, alguma regra ou algum princípio, que se adora ou se segue sem questionar
– Do latim: superstitìo,ónis ‘superstição; observação escrupulosa; objeto de terror religioso; culto religioso, veneração; adivinhação, profecia’, do v.lat. supersto,as,stìti,státum,áre ‘estar sobre ou acima de; estar apoiado ou firmado sobre’; ver -sta- (fonte: dicionário eletrônico Houaiss)

Se levantarmos uma discussão, numa turma de colégio, numa roda de amigos ou entre pessoas de uma mesma família, a respeito do que se considera “superstição”, não raro, nos depararemos com o grupo dando a entender que é todo tipo de manifestação – ou até alguns saberes “pretensamente científicos” – não legitimados pelos poderes vigentes. Igualmente, classificar-se-á esses saberes em como aquilo que não está exatamente de acordo com as premissas e modelos rigidamente adotados para distingüir o que é “verdadeiro” do “imaginado”. Grande parte disso depende de quem está no poder ou do que a cultura dominante impõe como sendo “verdade”.

É interessante perceber que em geral há pouco questionamento acerca do que realmente deva ser “a verdade”, um conceito, diga-se, bastante relativo.

O medievo, período bastante extenso e repleto de matizes, com épocas específicas para cada tipo de desenvolvimento artístico, social, científico, religioso, político etc., por muito tempo foi estereotipado como mencionei no início. Na verdade, é na Idade Média que se encontram as raízes de boa parte das principais instituições do Ocidente, como é o caso das universidades e o racionalismo dialético tão cultuado nelas. Esse olhar pejorativo sobre o pensamento medieval é decorrente do processo de racionalização típico do Iluminismo, que se desenvolveu séculos depois e das diversas descobertas científicas a respeito dos movimentos dos corpos celestes e do lugar da Terra no universo. O culto dos iluministas ao racionalismo e à contestação da religiosidade levava-os à busca de outras explicações para as coisas do mundo que não fossem aquelas constantes nas escrituras sagradas – segundo aqueles pensadores o modelo religioso não explicava o mundo em sua totalidade, daí procurarem novas soluções para problemas com os quais se deparavam e que diferiam dos aspectos míticos e místicos do medievo, que prezavam pela interpretação das escrituras e, no meio “vulgar” ou pagão, pela interpretação das coisas da natureza. Entretanto, a astrologia não podia ser enquadrada no cadinho de crenças vindas das tradições dos povos iletrados europeus e, portanto, não era um elemento totalmente mítico ou místico do processo de pensamento. Nem, tampouco, pode-lhe ser atribuído o termo “crença”, já que era um corpo de conhecimentos calcados em métodos e em premissas que até então, para a ciência da época, eram verdadeiras e incontestes, sendo defendidas especialmente pelos mais doutos pensadores.

Mas isso não se devia a uma questão majoritariamente econômica, como quando falamos da grande vendagem de almanaques (na fase pós Guttemberg e, ainda mais tarde, no século XVII, quando editores não-astrólogos assinavam seus próprios almanaques copiados dos tradicionais ou com previsões que partiam de chutes bem, digamos, “caras-de-pau”), pois muitos dos astrólogos engajados na pesquisa das analogias entre o céu e a terra não produziam esse tipo de publicação (até porque os almanaques só seriam uma realidade a partir do século XV). Ao contrário, seu status de ciência fê-la manter-se por mais de dois séculos desde a publicação das descobertas de Copérnico (1543) como um saber legítimo perante muitos astrônomos, médicos e letrados até que foi, aos poucos, sendo relegada a segundo plano pelas universidades (o marco desse declínio talvez seja o ano de 1666, quando Colbert, ministro francês, proibiu o ensino da astrologia nas universidades).

Voltando à cultura medieval, ela era híbrida, mesclando elementos da cultura greco-romana, germânica e valores da religião cristã. De que forma isso ocorria? Vejamos no diagrama abaixo:

 diagrama

fonte: FRANCO JÚNIOR, Hilário, A Idade Média – nascimento do Ocidente, São Paulo, Brasiliense, 2001. p. 120.

A parte central do diagrama representa o resultado do encontro das culturas que formaram o medievo europeu. Nela vemos alguns termos dignos de nota:

– Hagiografia = biografia ou estudo sobre biografia de santos;

– Vernáculo = a língua própria de um país ou de uma região; língua nacional, idioma vernáculo;

– Nominalismo = doutrina que afirma a irrealidade e o caráter meramente abstrato dos universais (conceitos, idéias gerais, termos abrangentes), que são caracterizados como nomes, entidades lingüísticas sem existência autônoma, ou simples meios convencionais para a compreensão dos objetos singulares (o nominalismo é uma espécie de oposição ao “realismo” da cultura clerical).

As outras manifestações híbridas do medievo apresentam-se sob a forma da arte e arquitetura gótica e românica (das quais falaremos mais adiante), a poesia lírica e trovadoresca e a mitificação heróica, na figura do Rei Arthur, entre outras.

UNIVERSIDADES E DESENVOLVIMENTO CIENTÍFICO: 
A CISÃO GRADATIVA COM A TEOLOGIA
(ONDE FICA A ASTROLOGIA NISSO TUDO?)

Essas trocas culturais que viabilizaram o hibridismo do medievo possibilitaram o fenômeno da formação do pensamento ocidental. As cidades eram verdadeiros pontos de convergência de comércio, idéias, conhecimentos e trocas culturais entre pessoas de diversas localidades que ali estavam com diversas finalidades, entre elas, a de aprendizado. A disseminação das universidades medievais em várias cidades, como Paris, Bolonha, Oxford, Coimbra etc., contribuiu para o nascimento da intelectualidade e de todo um arcabouço de teorias que evidenciavam o processo de desenvolvimento científico e a gradativa divisão entre ciência e religião. No cerne de muitas dessas discussões, a astrologia ficava como uma corda retesada num cabo-de-guerra de potentes cavalos. Não se pensava ainda numa delimitação clara entre ciência e teologia, exceto no que tange à dupla filosofia e teologia, mas hoje é possível ver que essa cisão já estava se iniciando e que a astrologia era um dos problemas mais difíceis de serem resolvidos, sobretudo a partir das descobertas de gênios como Copérnico, no final do século XV, que contestavam gravemente a visão de mundo defendida pela Igreja que, inclusive, afirmava ser a Terra o centro do universo.

O UNIVERSO COMO UM TODO ORDENADO
E O IMAGINÁRIO MÍSTICO E HERÓICO

Entre as expressões da cultura medieval podemos citar as especificidades da literatura, a mentalidade místico-religiosa, o teatro medieval, a filosofia, as artes e as universidades.
Na literatura, destacam-se a moral cavaleiresca da cultura vulgar, com o culto à imagem do herói, seus feitos e proezas e, sobretudo, a figura feminina como fator central, o amor cortês, em paralelo com o amor espiritual, idealizando a mulher, o amor impossível pela mulher já comprometida e temas semelhantes. Um bom exemplo disso é o já mencionado épico do Rei Arthur e o triângulo amoroso envolvendo Lancelot e Guinevere. No cinema, na figura dos super-heróis, temos uma bela referência da cultura medieval e, em 2004, com a segunda produção do “Homem-Aranha”, mais uma vez o herói que salva a mocinha do terrível vilão volta à cena principal bo imaginário (detalhe: “vilão” era quem vivia nas “vilas”, isto é, que não era nobre, normalmente tido como passível de corrupção e coisas parecidas).

A mentalidade místico-religiosa do medievo compreendia o mundo como uma totalidade integrada, onde os astros, a natureza e o Homem eram partes indissociadas. O símbolo, que então era quase tangível, muito mais do que mera alegoria, era a base para estabelecer a união entre os aspectos do mundo concreto ao ideal transcendente. Tudo era passível de ser interpretado, tudo poderia consistir numa mensagem cifrada que cabia ao homem decifrar para chegar mais próximo da divindade. Muitas das noções matemáticas e astronômicas atuais têm raízes na necessidade medieval de estabelecer esta correlação entre o que estava “em cima” com o que estava “embaixo” (coisa que já vinha desde a Antigüidade, e que foi retomada pelos sábios medievais). No caso, a astrologia, entre os eruditos, funcionava como elemento de decodificação dessa natureza cifrada, mostrando os desígnios divinos aos homens através da lei das correspondências, onde as coisas, a natureza e o homem estavam unidos por analogia de atributos. Por exemplo: a coragem e a fúria, com o característico rubor do rosto, associado ao vermelho do ferro em brasa, por sua vez associado à fabricação de armas e à guerra. Eis um dos atributos do amálgama cultural vindo desde a Grécia Antiga: Marte, deus greco-romano da guerra, estava associado ao planeta vermelho, visível a olho nu, de mesmo nome. Este, por sua vez, estava vinculado aos atributos, coragem, raiva, armas, guerra, ferro e outros fatores análogos.

Entre as diversas outras manifestações de símbolos do imaginário das sociedades medievais em geral estava o ato de ajoelhar-se para receber a unção de cavaleiro. Tal ato representava, entre outras coisas, uma analogia da concessão divina de uma condição social e espiritual, especialmente porque era concedida pelo rei, um representante encarnado da divindade. A ação reproduzia, no imaginário, a unção divina.

A divisão da sociedade estamental também obedecia a essa lógica de correspondência entre o mundo “superior” e o concreto, constituindo o entrelaçamento de uma cosmogonia e uma cosmologia. A separação trina entre clero, nobreza e “o resto” (camponeses, burgueses, andarilhos etc.) também fazia parte da noção trinitária típica do imaginário cristão e cada uma dessas três ordens tinha um papel a desempenhar na realização do mundo divino na Terra., tal qual um organismo simbólico, com as cabeças pensantes entre o clero, o peito e os braços fortes para defesa e ataque entre os guerreiros (nobreza) e o corpo, sustentando as instituições “superiores”, entre as demais camadas da população. Assim, a sociedade era dividida em três segmentos gerais (desconsiderando matizes), denominados, oratore (os que oram, ou que têm contato com o mundo superior, e que dão aos demais acesso a ele, através da liturgia, do pensamento e das artes), bellatore (os que lutam, defendem e conquistam) e laboratore (os que trabalham e sustentam o resto do “corpo”).

bosh

Hyeronimus Bosch – “Os 7 Pecados Capitais

Por fim, A questão da correspondência também permeava o universo dos números e divisões cronológicas, espaciais e religiosas: doze meses, doze apóstolos, doze signos do zodíaco; sete pecados capitais, sete planetas visíveis a olho nu (o Sol e a Lua eram entendidos como planetas), sete dias na semana (cada um associado a um planeta), sete cores no arco-íris, setecentos e setenta e sete: o número divino.

Quando o assunto era a morte, a ausência de dúvidas sobre a vida eterna fazia com que ela fosse encarada com naturalidade. A esse respeito, a existência de pobres ou pessoas em situação de necessidade era vista como um dom divino que permitia aos nobres praticarem a caridade e, com isso, garantirem um lugar no paraíso, mais ou menos como se comprassem um lugar no céu. Muitas doações na forma de ouro e outros valores foram feitas à Igreja devido à crença no fato de que o templo era uma espécie de ante-sala do céu e que, por isso, deveria reproduzir todo o esplendor do mundo superior. Em geral, as igrejas eram ricamente adornadas em função disso. Com as doações e com as ações caritativas, o nobre visava o expurgo de seus pecados, o perdão divino e a entrada no reino celeste após a morte.

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Figura de calendário medieval com alusões aos meses de abril e maio, com os signos de Áries e Touro nos círculos.

O teatro, com origens nas cerimônias religiosas e nos costumes pagãos, não raro ocorrendo por volta da metade do ano, durante o verão (no hemisfério norte – durante a passagem do Sol nos signos de Câncer e Leão), assumiu diversas modalidades, indo desde representações de festividades cristãs (Páscoa, Natal etc.) até peças de teor satírico. A ação do teatro nas praças e feiras contribuiu para a difusão tanto da fé cristã quanto da cultura vulgar, que, como vimos no diagrama, mesclava-se à cultura clerical.

teatro medievo

Representação do Teatro Medieval

BASES GERAIS 
DO PENSAMENTO MEDIEVAL

Na filosofia alguns dos nomes que se destacam na formação do pensamento medieval são Santo Agostinho, Santo Tomás de Aquino, Santo Anselmo e Abelardo:

– Santo Agostinho (354 – 430) – promove a síntese entre a filosofia clássica (platônica) e a doutrina cristã. Para ele a natureza humana é corrompida, estando na fé em Deus o perdão dos pecados e a salvação eterna. Tendo vivido na transição da antigüidade para o medievo, sua obra é marcada pelo pensamento antigo, embora tenha inovado, elaborando uma teologia da fé e da história. Seu legado ao medievo comprende três fatores principais: um ideal cultural, uma síntese doutrinal e uma orientação filosófica.

– Santo Anselmo (1033 – 1109) – refletiu as profundas transformações do século X na Europa Ocidental, com o Renascimento Comercial e Urbano. Manifestava grande confiança na lógica e procurou, sem o recurso das Escrituras, mostrar as verdades que defendia por meio da razão.

– Abelardo (1079 – 1142) – foi o primeiro a vulgarizar o emprego da palavra “teologia”. Distingüiu-se por suas interpretações dos textos de Aristóteles.

– Santo Tomás de Aquino (1225 – 1274) – Passou sua vida ensinando, tanto em Paris quanto na Itália. Em sua maior obra, a Suma Teológica, que ficou inacabada, Aquino procurou reconciliar os escritos metafísicos de Aristóteles com os princípios da teologia cristã.

AS ARTES

A arte medieval tinha, sobretudo, um caráter pedagógico e não era produzida senão por sua utilidade, tanto no que tange a seu atributo didático quanto na arquitetura. Tal como na Antigüidade, o artista medieval não era identificado, não assinava suas obras. A maior parte dos trabalhos artísticos era produzida nos mosteiros ou era elaborada para adornar e construir as catedrais. Como vimos, a arte, assim como diversas outras manifestações culturais da Idade Média, tinha a função de mediar a comunicação do Homem com Deus.
A cristianização do Ocidente, aliás, foi basicamente feita através das imagens, especialmente as pintadas nas igrejas de um modo seqüencial semelhante a histórias em quadrinhos, cuja intenção era atingir as populações iletradas. As figuras folclóricas e o tipo físico germânico, por exemplo, foi utilizado como base para figuras do evangelho, pintadas em cenas dramáticas, de tom heróico, para que fossem melhor compreendidas e aceitas pela cultura vulgar. Disso decorre, inclusive, as imagens do Cristo louro de olhos azuis, de físico atlético em cenas épicas, aproximado do imaginário germânico e seus deuses, Odin, Thor etc.

A arte, enfim, promoveu uma espécie de homogeneização do pensamento e da cultura, facilitando a unanimidade da fé e a subordinação daqueles por ela convertidos. Ao menos na forma exterior de culto, muito embora as práticas pagãs, bem como a religiosidade judaica, constantemente ameaçadas pela cristandade, se mantivessem intactas em alguns locais e entre diversas famílias, à revelia do olho da Igreja.

Na arquitetura, os estilos gótico e românico são as marcas principais do medievo. O estilo românico, mais atarracado, expressa a necessidade de estabilidade, típica dos primeiros séculos de implantação de um cristianismo incipiente. O estilo gótico, ao contrário é marcado por uma arquitetura longilínea, com altas paredes e imensas catedrais, capazes de abrigar centenas de pessoas. Esta, aliás, é uma marca do século XII, onde houve considerável crescimento populacional. As catedrais góticas, diferentemente das românicas, mais aristocráticas e monásticas, tiveram grande participação burguesa e leiga, que financiavam sua construção nas cidades.

toledo

Catedral de Toledo, de estilo gótico, cuja construção foi iniciada em 1226. Toledo, na Espanha, era um centro de convergência de diversas culturas e linhas de pensamento filosófico, abrigando desde clérigos cristãos a judeus e muçulmanos sem que tivesse vindo a se transformar em local de conflito. Ali possivelmente houve um sem-número de trocas de experiências e teorias que viabilizaram o o desenvolvimento da astrologia medieval, bastante influenciada por uma visão cabalística proveniente dos filósofos judeus.

Enquanto a pintura românica notabilizou-se pela técnica “a fresco”, de pinturas nas paredes das catedrais, a gótica teve grande expressão nas iluminuras, isto é, na decoração de livros medievais, embora não deixasse a pintura a fresco. A arte gótica também já se mostrava menos bidimensional que a românica, especialmente nos séculos XIII e XIV, como se pode ver no afresco “Lamentação do Cristo Morto”, de Giotto di Bondone, considerado uma espécie de precursor do Renascimento:

giotto

Giotto di Bondone – “Lamentação do Cristo Morto”

UNIVERSIDADES
E AS SETE ARTES LIBERAIS

As universidades foram formadas a partir das corporações de alunos e professores (os universitas) atuantes nas escolas dos mosteiros. Os estudos eram divididos em “faculdade inferior” e “faculdade superior”. A primeira compreendia as sete artes liberais (mais uma vez o sete, número simbólico), subdivididas no TRÍVIO e QUADRÍVIO, como no quadro abaixo:

seteartes

Já a segunda compreendia estudos de Medicina, Direito e Teologia, como no próximo quadro:

faculdades

PERMANÊNCIAS E HERANÇAS

Ainda hoje é possível encontrarmos permanências de práticas, costumes e imaginário medieval, tal é a importância do desenvolvimento cultural, artístico e intelectual daquele período. Entre as mais variadas heranças da Idade Média ao mundo contemporâneo temos a divisão setenária do tempo, especialmente na forma da semana (“setimana”, no italiano), coisa que os medievais receberam da Antigüidade romana e conservaram. Igualmente, a literatura heróica que inspira poetas, músicos e cineastas. É o caso de obras como “O Senhor dos Anéis”, de Tolkien, com toda uma simbologia calcada nos modelos medievais. A magia de Harry Potter e os estereótipos do mago medieval, na forma do diretor da escola do menino bruxo, Alvo Dumbledore, entre outros, também é uma dessas permanências. Em “Guerra nas Estrelas”, entre os Cavaleiros Jedi, o que temos é uma alusão às ordens religiosas que comportavam monges guerreiros, muitos deles conhecedores de mistérios arcanos, medicina (astrologia) e filosofia.
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Há outras permanências, entre os super-heróis dos quadrinhos, corajosos e sempre atléticos, quase sempre trajando uma indumentária que ou lembra uma cota de malha (Capitão América), uma armadura (Homem de Ferro) ou alguma vestimenta de nobreza, como a capa (Super-Homem, Batman – este último, desde os anos 1980, conhecido como “O Cavaleiro das Trevas”).
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Finalmente, no esporte, temos uma referência à lenda do Graal, da saga de Rei Arthur e os Cavaleiros da Távola Redonda, no culto às proezas dos astros do futebol e da fórmula 1, que, ao final do campeonato, recebem uma taça como prêmio. É o prêmio pela conquista heróica típica dos cavaleiros medievais, que cultuavam os dotes atléticos e as proezas nas batalhas. Curiosamente o piloto de fórmula 1 usa um capacete (“helmet” ou “elmo”, em inglês) e uma roupa que é praticamente uma armadura, resistente ao fogo e a certo grau de impacto.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BLOCH, Marc, A sociedade feudal, Lisboa, Edições 70, 1987.
BLOCH, Marc, Os reis taumaturgos, São Paulo, Companhia das Letras, 1999.
CAROLINO, Luís Miguel, A escrita celeste – almanaques astrológicos em Portugal nos séculos XVII e XVIII, Rio de Janeiro, Access, 2002.
DUBY, Georges, O tempo das catedrais – a arte e a sociedade – 980-1420, Lisboa, Editorial Estampa, 1979.
FRANCO JÚNIOR, Hilário, A Idade Média – nascimento do ocidente, São Paulo, Brasiliense, 2001.
STORCK, Alfredo, Filosofia Medieval- coleção filosofia passo a passo, Rio de Janeiro, Jorge Zahar, 2003.

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