Dia das Mães com Júpiter e Lua transitando em Gêmeos

Escrevo isso enquanto o Ascendente no horizonte de hoje neste horário (12/05/2013 – às 09:30 – Rio de Janeiro) passeia pelo maternal signo de Câncer. Imagem

É dia das mães: como outras datas comemorativas, algo elencado e imposto pela máquina de vendagens do sistema capitalista 

Ele começa com a Lua transitando em conjunção com Júpiter, ambos em Gêmeos. Um bom momento para relações de desprendimento, promovendo uma abertura refrescante diante de pressões, culpas e chantagens emocionais que todos vivemos ao longo da vida, sobretudo na vida familiar. “Você não deu parabéns pro fulano no dia do aniversário????!!!!”, “Você não comprou presente para seu pai no dia dos pais???!!!”, “Não comprou chocolate na páscoa???!!!”, “Não fez uma festa no dia do ‘não-sei-o-que’???!!!”. Isso nos faz pensar que, nos dias restantes do ano, qualquer coisa que se possa ter feito que pudesse ter agradado a alguém simplesmente deixou de existir. Tem que haver um dia certo para demonstrar carinho ou fazer alguém feliz? 

Em geral, quando quero dar um presente, fazer contato telefônico ou visitar alguém, o faço várias vezes por ano, sem precisar de datas comemorativas. O problema é a eliminação de todos esses gestos pela memória coletiva quando se elenca uma data específica. Podemos não estar nos sentindo muito bem nesse dia, podemos querer concluir um trabalho ou ter uma experiência com a qual há muito sonháramos, mas temos que parar tudo para cumprir um protocolo cuja importância é construída com base… em que? O apelo é mormente comercial. E assim nos sentimos coagidos a consumir, quando não precisamos, fingir harmonia, quando há conflito, estagnar, quando o ideal seria buscar o próprio sonho. A menos que o sonho seja estagnar. Aí, nesse caso, nada a dizer.

Mas a Lua está conjunta a Júpiter em Gêmeos. É dia de comemorar, de se mexer, procurar saber. Saber qualquer coisa, de um jeito ou de outro. Bom momento para ir em livrarias (as dos shoppings, pois as de rua fecham aos domingos), tomar um café com pequenos grupos de pessoas, chamar os irmãos para um bate-papo sobre qualquer coisa descompromissada ou chamar os amigos que consideramos irmãos para um futebol, um chá com biscoitos (especialmente se morarmos na serra), um sarau de poesias ou uma gostosíssima discussão filosófica recheada de bom humor, em que entendemos a seriedade do que discutimos, mas caricaturamos as “verdades” ditas.

Abraços,
Carlos Hollanda

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A Astrologia e a Cultura Medieval

“ASSIM COMO EM CIMA, É EMBAIXO”

Entre as visões mais comuns acerca da Idade Média no mundo atual está a idéia de que as sociedades do período viviam num universo obscuro, repleto de superstições1, de civilização incipiente e, em função das tão famosas ações inquisitoriais (com as quais a maioria de nós tem contato através dos filmes e da literatura romanceada), um período de “horror” contínuo. É também lugar comum o conhecimento da forte presença da Igreja nas questões políticas, sociais e morais, e sua suposta oposição ao desenvolvimento da ciência e do pensamento racional conforme conhecemos hoje.

1-Cabe aqui definir melhor o conceito de superstições e abrir caminho para uma possível rediscussão da classificação da astrologia como crendice e coisa semelhante:
– Crença ou noção sem base na razão ou no conhecimento, que leva a criar falsas obrigações, a temer coisas inócuas, a depositar confiança em coisas absurdas, sem nenhuma relação racional entre os fatos e as supostas causas a eles associadas; crendice, misticismo – Ex.: por s., vários hotéis nos E.U.A. não possuem o 13° andar
– Crença em presságios e sinais, originada por acontecimentos ou coincidências fortuitas, sem qualquer relação comprovável com os fatos dos quais se acredita sejam prenúncio
– Religião primitiva, em que se cultuam basicamente espíritos que se crê estarem presentes nas coisas e nas forças da natureza; paganismo, magia, feitiçaria
– Derivação: por extensão de sentido – crença cega, arraigada e exagerada em alguma coisa, alguma regra ou algum princípio, que se adora ou se segue sem questionar
– Do latim: superstitìo,ónis ‘superstição; observação escrupulosa; objeto de terror religioso; culto religioso, veneração; adivinhação, profecia’, do v.lat. supersto,as,stìti,státum,áre ‘estar sobre ou acima de; estar apoiado ou firmado sobre’; ver -sta- (fonte: dicionário eletrônico Houaiss)

Se levantarmos uma discussão, numa turma de colégio, numa roda de amigos ou entre pessoas de uma mesma família, a respeito do que se considera “superstição”, não raro, nos depararemos com o grupo dando a entender que é todo tipo de manifestação – ou até alguns saberes “pretensamente científicos” – não legitimados pelos poderes vigentes. Igualmente, classificar-se-á esses saberes em como aquilo que não está exatamente de acordo com as premissas e modelos rigidamente adotados para distingüir o que é “verdadeiro” do “imaginado”. Grande parte disso depende de quem está no poder ou do que a cultura dominante impõe como sendo “verdade”.

É interessante perceber que em geral há pouco questionamento acerca do que realmente deva ser “a verdade”, um conceito, diga-se, bastante relativo.

O medievo, período bastante extenso e repleto de matizes, com épocas específicas para cada tipo de desenvolvimento artístico, social, científico, religioso, político etc., por muito tempo foi estereotipado como mencionei no início. Na verdade, é na Idade Média que se encontram as raízes de boa parte das principais instituições do Ocidente, como é o caso das universidades e o racionalismo dialético tão cultuado nelas. Esse olhar pejorativo sobre o pensamento medieval é decorrente do processo de racionalização típico do Iluminismo, que se desenvolveu séculos depois e das diversas descobertas científicas a respeito dos movimentos dos corpos celestes e do lugar da Terra no universo. O culto dos iluministas ao racionalismo e à contestação da religiosidade levava-os à busca de outras explicações para as coisas do mundo que não fossem aquelas constantes nas escrituras sagradas – segundo aqueles pensadores o modelo religioso não explicava o mundo em sua totalidade, daí procurarem novas soluções para problemas com os quais se deparavam e que diferiam dos aspectos míticos e místicos do medievo, que prezavam pela interpretação das escrituras e, no meio “vulgar” ou pagão, pela interpretação das coisas da natureza. Entretanto, a astrologia não podia ser enquadrada no cadinho de crenças vindas das tradições dos povos iletrados europeus e, portanto, não era um elemento totalmente mítico ou místico do processo de pensamento. Nem, tampouco, pode-lhe ser atribuído o termo “crença”, já que era um corpo de conhecimentos calcados em métodos e em premissas que até então, para a ciência da época, eram verdadeiras e incontestes, sendo defendidas especialmente pelos mais doutos pensadores.

Mas isso não se devia a uma questão majoritariamente econômica, como quando falamos da grande vendagem de almanaques (na fase pós Guttemberg e, ainda mais tarde, no século XVII, quando editores não-astrólogos assinavam seus próprios almanaques copiados dos tradicionais ou com previsões que partiam de chutes bem, digamos, “caras-de-pau”), pois muitos dos astrólogos engajados na pesquisa das analogias entre o céu e a terra não produziam esse tipo de publicação (até porque os almanaques só seriam uma realidade a partir do século XV). Ao contrário, seu status de ciência fê-la manter-se por mais de dois séculos desde a publicação das descobertas de Copérnico (1543) como um saber legítimo perante muitos astrônomos, médicos e letrados até que foi, aos poucos, sendo relegada a segundo plano pelas universidades (o marco desse declínio talvez seja o ano de 1666, quando Colbert, ministro francês, proibiu o ensino da astrologia nas universidades).

Voltando à cultura medieval, ela era híbrida, mesclando elementos da cultura greco-romana, germânica e valores da religião cristã. De que forma isso ocorria? Vejamos no diagrama abaixo:

 diagrama

fonte: FRANCO JÚNIOR, Hilário, A Idade Média – nascimento do Ocidente, São Paulo, Brasiliense, 2001. p. 120.

A parte central do diagrama representa o resultado do encontro das culturas que formaram o medievo europeu. Nela vemos alguns termos dignos de nota:

– Hagiografia = biografia ou estudo sobre biografia de santos;

– Vernáculo = a língua própria de um país ou de uma região; língua nacional, idioma vernáculo;

– Nominalismo = doutrina que afirma a irrealidade e o caráter meramente abstrato dos universais (conceitos, idéias gerais, termos abrangentes), que são caracterizados como nomes, entidades lingüísticas sem existência autônoma, ou simples meios convencionais para a compreensão dos objetos singulares (o nominalismo é uma espécie de oposição ao “realismo” da cultura clerical).

As outras manifestações híbridas do medievo apresentam-se sob a forma da arte e arquitetura gótica e românica (das quais falaremos mais adiante), a poesia lírica e trovadoresca e a mitificação heróica, na figura do Rei Arthur, entre outras.

UNIVERSIDADES E DESENVOLVIMENTO CIENTÍFICO: 
A CISÃO GRADATIVA COM A TEOLOGIA
(ONDE FICA A ASTROLOGIA NISSO TUDO?)

Essas trocas culturais que viabilizaram o hibridismo do medievo possibilitaram o fenômeno da formação do pensamento ocidental. As cidades eram verdadeiros pontos de convergência de comércio, idéias, conhecimentos e trocas culturais entre pessoas de diversas localidades que ali estavam com diversas finalidades, entre elas, a de aprendizado. A disseminação das universidades medievais em várias cidades, como Paris, Bolonha, Oxford, Coimbra etc., contribuiu para o nascimento da intelectualidade e de todo um arcabouço de teorias que evidenciavam o processo de desenvolvimento científico e a gradativa divisão entre ciência e religião. No cerne de muitas dessas discussões, a astrologia ficava como uma corda retesada num cabo-de-guerra de potentes cavalos. Não se pensava ainda numa delimitação clara entre ciência e teologia, exceto no que tange à dupla filosofia e teologia, mas hoje é possível ver que essa cisão já estava se iniciando e que a astrologia era um dos problemas mais difíceis de serem resolvidos, sobretudo a partir das descobertas de gênios como Copérnico, no final do século XV, que contestavam gravemente a visão de mundo defendida pela Igreja que, inclusive, afirmava ser a Terra o centro do universo.

O UNIVERSO COMO UM TODO ORDENADO
E O IMAGINÁRIO MÍSTICO E HERÓICO

Entre as expressões da cultura medieval podemos citar as especificidades da literatura, a mentalidade místico-religiosa, o teatro medieval, a filosofia, as artes e as universidades.
Na literatura, destacam-se a moral cavaleiresca da cultura vulgar, com o culto à imagem do herói, seus feitos e proezas e, sobretudo, a figura feminina como fator central, o amor cortês, em paralelo com o amor espiritual, idealizando a mulher, o amor impossível pela mulher já comprometida e temas semelhantes. Um bom exemplo disso é o já mencionado épico do Rei Arthur e o triângulo amoroso envolvendo Lancelot e Guinevere. No cinema, na figura dos super-heróis, temos uma bela referência da cultura medieval e, em 2004, com a segunda produção do “Homem-Aranha”, mais uma vez o herói que salva a mocinha do terrível vilão volta à cena principal bo imaginário (detalhe: “vilão” era quem vivia nas “vilas”, isto é, que não era nobre, normalmente tido como passível de corrupção e coisas parecidas).

A mentalidade místico-religiosa do medievo compreendia o mundo como uma totalidade integrada, onde os astros, a natureza e o Homem eram partes indissociadas. O símbolo, que então era quase tangível, muito mais do que mera alegoria, era a base para estabelecer a união entre os aspectos do mundo concreto ao ideal transcendente. Tudo era passível de ser interpretado, tudo poderia consistir numa mensagem cifrada que cabia ao homem decifrar para chegar mais próximo da divindade. Muitas das noções matemáticas e astronômicas atuais têm raízes na necessidade medieval de estabelecer esta correlação entre o que estava “em cima” com o que estava “embaixo” (coisa que já vinha desde a Antigüidade, e que foi retomada pelos sábios medievais). No caso, a astrologia, entre os eruditos, funcionava como elemento de decodificação dessa natureza cifrada, mostrando os desígnios divinos aos homens através da lei das correspondências, onde as coisas, a natureza e o homem estavam unidos por analogia de atributos. Por exemplo: a coragem e a fúria, com o característico rubor do rosto, associado ao vermelho do ferro em brasa, por sua vez associado à fabricação de armas e à guerra. Eis um dos atributos do amálgama cultural vindo desde a Grécia Antiga: Marte, deus greco-romano da guerra, estava associado ao planeta vermelho, visível a olho nu, de mesmo nome. Este, por sua vez, estava vinculado aos atributos, coragem, raiva, armas, guerra, ferro e outros fatores análogos.

Entre as diversas outras manifestações de símbolos do imaginário das sociedades medievais em geral estava o ato de ajoelhar-se para receber a unção de cavaleiro. Tal ato representava, entre outras coisas, uma analogia da concessão divina de uma condição social e espiritual, especialmente porque era concedida pelo rei, um representante encarnado da divindade. A ação reproduzia, no imaginário, a unção divina.

A divisão da sociedade estamental também obedecia a essa lógica de correspondência entre o mundo “superior” e o concreto, constituindo o entrelaçamento de uma cosmogonia e uma cosmologia. A separação trina entre clero, nobreza e “o resto” (camponeses, burgueses, andarilhos etc.) também fazia parte da noção trinitária típica do imaginário cristão e cada uma dessas três ordens tinha um papel a desempenhar na realização do mundo divino na Terra., tal qual um organismo simbólico, com as cabeças pensantes entre o clero, o peito e os braços fortes para defesa e ataque entre os guerreiros (nobreza) e o corpo, sustentando as instituições “superiores”, entre as demais camadas da população. Assim, a sociedade era dividida em três segmentos gerais (desconsiderando matizes), denominados, oratore (os que oram, ou que têm contato com o mundo superior, e que dão aos demais acesso a ele, através da liturgia, do pensamento e das artes), bellatore (os que lutam, defendem e conquistam) e laboratore (os que trabalham e sustentam o resto do “corpo”).

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Hyeronimus Bosch – “Os 7 Pecados Capitais

Por fim, A questão da correspondência também permeava o universo dos números e divisões cronológicas, espaciais e religiosas: doze meses, doze apóstolos, doze signos do zodíaco; sete pecados capitais, sete planetas visíveis a olho nu (o Sol e a Lua eram entendidos como planetas), sete dias na semana (cada um associado a um planeta), sete cores no arco-íris, setecentos e setenta e sete: o número divino.

Quando o assunto era a morte, a ausência de dúvidas sobre a vida eterna fazia com que ela fosse encarada com naturalidade. A esse respeito, a existência de pobres ou pessoas em situação de necessidade era vista como um dom divino que permitia aos nobres praticarem a caridade e, com isso, garantirem um lugar no paraíso, mais ou menos como se comprassem um lugar no céu. Muitas doações na forma de ouro e outros valores foram feitas à Igreja devido à crença no fato de que o templo era uma espécie de ante-sala do céu e que, por isso, deveria reproduzir todo o esplendor do mundo superior. Em geral, as igrejas eram ricamente adornadas em função disso. Com as doações e com as ações caritativas, o nobre visava o expurgo de seus pecados, o perdão divino e a entrada no reino celeste após a morte.

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Figura de calendário medieval com alusões aos meses de abril e maio, com os signos de Áries e Touro nos círculos.

O teatro, com origens nas cerimônias religiosas e nos costumes pagãos, não raro ocorrendo por volta da metade do ano, durante o verão (no hemisfério norte – durante a passagem do Sol nos signos de Câncer e Leão), assumiu diversas modalidades, indo desde representações de festividades cristãs (Páscoa, Natal etc.) até peças de teor satírico. A ação do teatro nas praças e feiras contribuiu para a difusão tanto da fé cristã quanto da cultura vulgar, que, como vimos no diagrama, mesclava-se à cultura clerical.

teatro medievo

Representação do Teatro Medieval

BASES GERAIS 
DO PENSAMENTO MEDIEVAL

Na filosofia alguns dos nomes que se destacam na formação do pensamento medieval são Santo Agostinho, Santo Tomás de Aquino, Santo Anselmo e Abelardo:

– Santo Agostinho (354 – 430) – promove a síntese entre a filosofia clássica (platônica) e a doutrina cristã. Para ele a natureza humana é corrompida, estando na fé em Deus o perdão dos pecados e a salvação eterna. Tendo vivido na transição da antigüidade para o medievo, sua obra é marcada pelo pensamento antigo, embora tenha inovado, elaborando uma teologia da fé e da história. Seu legado ao medievo comprende três fatores principais: um ideal cultural, uma síntese doutrinal e uma orientação filosófica.

– Santo Anselmo (1033 – 1109) – refletiu as profundas transformações do século X na Europa Ocidental, com o Renascimento Comercial e Urbano. Manifestava grande confiança na lógica e procurou, sem o recurso das Escrituras, mostrar as verdades que defendia por meio da razão.

– Abelardo (1079 – 1142) – foi o primeiro a vulgarizar o emprego da palavra “teologia”. Distingüiu-se por suas interpretações dos textos de Aristóteles.

– Santo Tomás de Aquino (1225 – 1274) – Passou sua vida ensinando, tanto em Paris quanto na Itália. Em sua maior obra, a Suma Teológica, que ficou inacabada, Aquino procurou reconciliar os escritos metafísicos de Aristóteles com os princípios da teologia cristã.

AS ARTES

A arte medieval tinha, sobretudo, um caráter pedagógico e não era produzida senão por sua utilidade, tanto no que tange a seu atributo didático quanto na arquitetura. Tal como na Antigüidade, o artista medieval não era identificado, não assinava suas obras. A maior parte dos trabalhos artísticos era produzida nos mosteiros ou era elaborada para adornar e construir as catedrais. Como vimos, a arte, assim como diversas outras manifestações culturais da Idade Média, tinha a função de mediar a comunicação do Homem com Deus.
A cristianização do Ocidente, aliás, foi basicamente feita através das imagens, especialmente as pintadas nas igrejas de um modo seqüencial semelhante a histórias em quadrinhos, cuja intenção era atingir as populações iletradas. As figuras folclóricas e o tipo físico germânico, por exemplo, foi utilizado como base para figuras do evangelho, pintadas em cenas dramáticas, de tom heróico, para que fossem melhor compreendidas e aceitas pela cultura vulgar. Disso decorre, inclusive, as imagens do Cristo louro de olhos azuis, de físico atlético em cenas épicas, aproximado do imaginário germânico e seus deuses, Odin, Thor etc.

A arte, enfim, promoveu uma espécie de homogeneização do pensamento e da cultura, facilitando a unanimidade da fé e a subordinação daqueles por ela convertidos. Ao menos na forma exterior de culto, muito embora as práticas pagãs, bem como a religiosidade judaica, constantemente ameaçadas pela cristandade, se mantivessem intactas em alguns locais e entre diversas famílias, à revelia do olho da Igreja.

Na arquitetura, os estilos gótico e românico são as marcas principais do medievo. O estilo românico, mais atarracado, expressa a necessidade de estabilidade, típica dos primeiros séculos de implantação de um cristianismo incipiente. O estilo gótico, ao contrário é marcado por uma arquitetura longilínea, com altas paredes e imensas catedrais, capazes de abrigar centenas de pessoas. Esta, aliás, é uma marca do século XII, onde houve considerável crescimento populacional. As catedrais góticas, diferentemente das românicas, mais aristocráticas e monásticas, tiveram grande participação burguesa e leiga, que financiavam sua construção nas cidades.

toledo

Catedral de Toledo, de estilo gótico, cuja construção foi iniciada em 1226. Toledo, na Espanha, era um centro de convergência de diversas culturas e linhas de pensamento filosófico, abrigando desde clérigos cristãos a judeus e muçulmanos sem que tivesse vindo a se transformar em local de conflito. Ali possivelmente houve um sem-número de trocas de experiências e teorias que viabilizaram o o desenvolvimento da astrologia medieval, bastante influenciada por uma visão cabalística proveniente dos filósofos judeus.

Enquanto a pintura românica notabilizou-se pela técnica “a fresco”, de pinturas nas paredes das catedrais, a gótica teve grande expressão nas iluminuras, isto é, na decoração de livros medievais, embora não deixasse a pintura a fresco. A arte gótica também já se mostrava menos bidimensional que a românica, especialmente nos séculos XIII e XIV, como se pode ver no afresco “Lamentação do Cristo Morto”, de Giotto di Bondone, considerado uma espécie de precursor do Renascimento:

giotto

Giotto di Bondone – “Lamentação do Cristo Morto”

UNIVERSIDADES
E AS SETE ARTES LIBERAIS

As universidades foram formadas a partir das corporações de alunos e professores (os universitas) atuantes nas escolas dos mosteiros. Os estudos eram divididos em “faculdade inferior” e “faculdade superior”. A primeira compreendia as sete artes liberais (mais uma vez o sete, número simbólico), subdivididas no TRÍVIO e QUADRÍVIO, como no quadro abaixo:

seteartes

Já a segunda compreendia estudos de Medicina, Direito e Teologia, como no próximo quadro:

faculdades

PERMANÊNCIAS E HERANÇAS

Ainda hoje é possível encontrarmos permanências de práticas, costumes e imaginário medieval, tal é a importância do desenvolvimento cultural, artístico e intelectual daquele período. Entre as mais variadas heranças da Idade Média ao mundo contemporâneo temos a divisão setenária do tempo, especialmente na forma da semana (“setimana”, no italiano), coisa que os medievais receberam da Antigüidade romana e conservaram. Igualmente, a literatura heróica que inspira poetas, músicos e cineastas. É o caso de obras como “O Senhor dos Anéis”, de Tolkien, com toda uma simbologia calcada nos modelos medievais. A magia de Harry Potter e os estereótipos do mago medieval, na forma do diretor da escola do menino bruxo, Alvo Dumbledore, entre outros, também é uma dessas permanências. Em “Guerra nas Estrelas”, entre os Cavaleiros Jedi, o que temos é uma alusão às ordens religiosas que comportavam monges guerreiros, muitos deles conhecedores de mistérios arcanos, medicina (astrologia) e filosofia.
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Há outras permanências, entre os super-heróis dos quadrinhos, corajosos e sempre atléticos, quase sempre trajando uma indumentária que ou lembra uma cota de malha (Capitão América), uma armadura (Homem de Ferro) ou alguma vestimenta de nobreza, como a capa (Super-Homem, Batman – este último, desde os anos 1980, conhecido como “O Cavaleiro das Trevas”).
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Finalmente, no esporte, temos uma referência à lenda do Graal, da saga de Rei Arthur e os Cavaleiros da Távola Redonda, no culto às proezas dos astros do futebol e da fórmula 1, que, ao final do campeonato, recebem uma taça como prêmio. É o prêmio pela conquista heróica típica dos cavaleiros medievais, que cultuavam os dotes atléticos e as proezas nas batalhas. Curiosamente o piloto de fórmula 1 usa um capacete (“helmet” ou “elmo”, em inglês) e uma roupa que é praticamente uma armadura, resistente ao fogo e a certo grau de impacto.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BLOCH, Marc, A sociedade feudal, Lisboa, Edições 70, 1987.
BLOCH, Marc, Os reis taumaturgos, São Paulo, Companhia das Letras, 1999.
CAROLINO, Luís Miguel, A escrita celeste – almanaques astrológicos em Portugal nos séculos XVII e XVIII, Rio de Janeiro, Access, 2002.
DUBY, Georges, O tempo das catedrais – a arte e a sociedade – 980-1420, Lisboa, Editorial Estampa, 1979.
FRANCO JÚNIOR, Hilário, A Idade Média – nascimento do ocidente, São Paulo, Brasiliense, 2001.
STORCK, Alfredo, Filosofia Medieval- coleção filosofia passo a passo, Rio de Janeiro, Jorge Zahar, 2003.

A casa 12 no Retorno Solar

O texto que se segue consiste na adaptação, na forma de artigo, de respostas a questionamentos de estudantes do curso “Revolução Solar”, da escola Astroletiva, no ano de 2004. Várias perguntas realizadas em tais cursos exigem uma reflexão como a que apresentamos abaixo. Ela pode ser útil e esclarecedora para vários níveis de interesse. De início são colocadas perguntas e observações a respeito. Confiram:

TEXTO ENVIADO POR: TANNIAH

Numa revolução com um (ou mais planetas) na 12ª casa, eu poderia dizer que quando o sol [em trânsito] alcançasse esses planetas haveria uma tomada de consciência da atuação deles? [Tanniah refere-se à atuação daqueles planetas naquela revolução solar, isto é, naquele perído relativo a um ano a contar do retorno do Sol ao mesmo ponto em que estava no momento do nascimento]. E que, quando o Ascendente os alcançasse [numa técnica da revolução solar em que se traça o passo diário do Ascendente como indicador de experiências ao longo do ano], haveria uma atuação pessoal com nuance daqueles planetas numa 12ª casa ou que pode ocorrer um impedimento físico?

TEXTO ENVIADO POR: HAROLDO

Também gostaria de entender melhor isso [o que Tanniah escreveu acima]. Porque o Sol atravessará a doze e os planetas por lá, assim como o Ascendente da revolução solar (pelo arco diário). Que tipo de experiências e/ou enventos podem ser esperados?

TEXTO ENVIADO POR: MARYLEIA

Permitam que eu dê também a minha opinião. Acredito que sendo a casa 12, uma casa ligada ao inconsciente e à espiritualidade, tudo depende de como estão sendo vivenciados estes assuntos da 12. Há busca de auto-conhecer-se através de terapias ou de um caminho espiritual? [embora, deve-se acrescentar, nem sempre uma experiência de casa 12 precisa coincidir com terapias ou buscas de caminhos espirituais – em geral isso ocorre como conseqüência das experiências típicas do setor] É um reino de Netuno onde tanto pode reinar a confusão, depressão, ilusões, como a inspiração criativa, compaixão ou a sensação de união com a Vida. Acredito que o Sol ao iluminar os planetas deverá trazer uma consciencia de como a energia deles estão sendo expressas, ativando-as, para que possam ser percebidas e transmutadas , se necessário.

TEXTO ENVIADO POR: HAROLDO

Deve ser por causa disso que ela se parece com o que chamam de “inferno astral”. Mas isso é relativo, porque posso estar vivendo esse inferno em plena casa 7. [concluindo o que Haroldo iria dizer, vai depender da configuração do mapa que estivermos analisando].

AS RESPOSTAS:
Reparem que muita gente não se toca de uma coisa a respeito da casa 12: ela é justamente aquilo que ocorre às costas do Ascendente, isto é, à revelia de nossa visão direta, quero dizer, de nossa percepção com os olhos, que, por sua vez, ficam na frente da cabeça (cabeça/rosto = Ascendente…). A casa 12 é a casa de tudo o que ocorre à nossa revelia, de tudo o que não podemos controlar porque não podemos estar cientes. E não importa o quanto façamos terapias, não importa o quanto estudemos o que chamamos de inconsciente, aquilo que a casa 12 representa se parece muito com o que Carlos Castañeda, em seus livros sobre o xamã Don Juan, chama de “Nagual” (a pronúncia, me disseram anos atrás, é “naual”, ou mais ou menos “nawal”). Tudo o que pudermos denominar para definir o que seria o “Nagual”, na verdade é aquilo que ele não é. O “Nagual” é algo que não podemos definir, muito embora possamos perceber seus efeitos e sentir sua presença. A casa 12 é mais ou menos assim. Aquilo que acontece sem que possamos interferir, que está totalmente além de nossa vontade, só pode ser experienciada por meio da fé, de uma crença em algo que é indefinível, invisível, quase imperceptível, mas cujos efeitos são bastante visíveis. É como o lado escuro da Lua: nunca o vemos, mas ele está lá.

Respondendo à Tanniah, quando planetas na 12 da RS são atingidos pelo passo do Sol ou do Ascendente no arco diário, podemos ter experiências derivadas daquelas situações que ocorreram à nossa revelia e que, então, passam a interferir ativamente em nossas vidas cotidianas e, aí sim, em nosso campo de consciência. Marte na 12 da RS, por exemplo, quando ativado pelo arco diário pode coincidir com alguns dias em que os resultados de nossas ações agressivas dos meses anteriores chegam sem que saibamos exatamente os motivos de estarmos sendo agredidos, insultados ou, ainda, de estarmos enfrentando situações de conflito/combate. A trama (lendo o mapa como se ele fosse um conto ou um romance de literatura) de todo o período parece cruzar-se ali na casa 12. É a época de enredo, isto é, de enredamento, em que nos vemos à mercê das coisas que foram ocorrendo sem que pudéssemos ter tomado ciência plena ao longo da fase. Ali elas se manifestam com a cara dos planetas que ali se encontram.

maxheindel

Diagrama extraído de uma das famosas”Efemérides Rosacruzes”, da fraternidade de Max Heindel. Nota-se a disposição do contorcionista ao centro, cujas partes do corpo situam-se em pontos referentes aos signos do zodíaco e às casas a eles análogas. Os pés, ligados ao signo de Peixes e à casa 12, permanecem logo atrás da cabeça, ao mesmo tempo simbolizando a totalidade (círculo) análoga entre o cosmo e o corpo, e demonstrando a relação entre cada setor do círculo com os demais. Ver, adiante, o detalhe, com a ampliação do contorcionista.

Outra coisa a lembrar sobre a décima segunda casa: ela, diferentemente da casa 7 (“inimigos declarados”, na terminologia tradicional), é a casa dos “inimigos ocultos”. Mas tem que ser, se soubermos que estamos falando sobre algo que acontece sem que estejamos cientes ou no controle. “Tramar” também é sinônimo de “confabular”. Num romance ou mesmo na literatura de história política, aqueles que tramam contra alguém são exatamente seus “inimigos ocultos”, isto é, aqueles que procuram atentar contra o indivíduo à sua revelia, sem que ele possa preparar-se para tanto. Todo ser humano está sujeito a isso. Todo mundo interfere na realidade de algum modo e, por isso, provoca reações seguidas de reações numa escala que lembra reações em cadeia. o retorno disso tudo está totalmente além de nosso controle e consciência e algumas coisas que juramos não ter a menor importância podem retornar na forma de antagonismos ou de gratidão, dependendo de como nossas ações repercutiram na cabeça e comportamento das pessoas. É como dizer o mesmo de uma obra literária: o autor não tem mais controle sobre sua criação, seus personagens, sua obra. Ela pode ser interpretada de mil maneiras, inclusive aquelas que ele nem sequer imaginou embutir em sua trama. Isso ocorre independentemente da vontade do autor.

Hoje eu faço algo, com uma determinada intenção que julgo muito benéfica. Amanhã, vem alguém e, ao ser-me apresentado por um amigo, esse alguém torce o nariz e se afasta ou me diz alguns impropérios. É, entre outras coisas, desse tipo de caos de que fala a casa 12.

Daí muita gente ter atribuído, conforme lembrou Haroldo, o período imediatamente anterior ao aniversário ao chamado “Inferno Astral”, coisa sobre a qual teço considerações num artigo publicado na Revista Constelar e para o que sempre chamo a atenção quando dou início a um curso sobre Revolução Solar. Na verdade, se pensarmos no sentido da casa 12, aquele período tanto pode ser um “inferno” quanto um “Paraíso Astral”, se me permitem o uso do termo. Vai depender muito da época, dos atos individuais, do que esses atos significaram para as sociedades naquele momento histórico e tudo o mais. Se analisarmos um trânsito ou progressão em que os indicadores revelem potenciais para favorecimento e superação de dificuldades, aquele tal período de “inferno” não se faz sentir desse modo, mas em experiências um tanto aprazíveis.

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Detalhe do contorcionista ou acrobata do desenho anterior

Vale, ainda, acentuar que não é bem uma questão de “descontrole”, mas simplesmente de algo sobre o que não temos alcance e que acontece independentemente de estarmos cientes de sua existência (tente olhar para a parte de trás de sua cabeça sem usar espelhos – se algo estiver lá e se mantiver sempre a mesma direção, você não terá a menor idéia do que é, exceto pelos efeitos que isso pode ter). Mas certamente podemos administrar esses efeitos ou lidar com eles da melhor maneira possível. Um deles é conformarmo-nos com nossas limitações e, quando percebermos que realmente é impossível exercer nossa vontade, deixar que a natureza siga seu curso e dite o que iremos viver em seguida.

Pode-se dizer que “tentar não deixar que as coisas fiquem ocultas” seria uma solução. Entretanto, isso é uma maneira de resolver apenas parte da questão. A casa 12 sempre vai representar algo sobre o que não podemos exercer poder. Como disse, algo sobre o que não temos alcance. Imagine alguém preso numa masmorra do século XV. Isso por si só já é uma experiência típica de isolamento e exclusão característica das atribuições há séculos relacionadas àquela casa. Agora imagine esse alguém imaginando o que tem lá fora, nutrindo esperanças e fantasias acerca de sua libertação, de sua fuga. Ao não conseguir fazê-lo concretamente, o faz na imaginação. O mundo lá fora corre à revelia dessa pessoa e ele não tem alcance além de sua cela. De sua limitação extrema, ele cria realidades fantásticas na mente, sejam elas totalmente neuróticas e aterrorizantes, sejam paradisíacas. É claro que estou usando um exemplo grosso modo do que é uma experiência de casa 12, mas talvez ele sirva para ilustrar melhor o modo como ela se manifesta.

Um relato muito interessante que ouvi de um cliente cuja Revolução Solar apontava para várias relações de casa 12 era a de que ele, que não havia sido preso nem tampouco sofria injúrias perpetradas por inimigos ocultos, sentia-se há meses como se estivesse aprisionado, sem chances de fazer nada para alterar a realidade em que vivia. Disse que vivia entediado e muito solitário (eis uma forma subjetiva de sensação de isolamento e exclusão), apesar da companhia da esposa e dois filhos, bem como colegas de trabalho que ocasionalmente organizavam saídas coletivas. Ele afirmava angustiado que não estava conseguindo identificar-se com nada que havia ao seu redor e que as coisas que tanto interessavam às outras pessoas pareciam-lhe banais. Igualmente, não vinha conseguindo muito sucesso em compartilhar seus interesses com os demais, pois a ele parecia que ninguém sentia atração pelas coisas que acalentava. Tudo o que ele queria, na época, era, usando um trecho de uma música do Blitz que ele mesmo mencionou, “fugir, desaparecer, escafeder-se”, e “não ser controlado por um mundo tão maior do que ele mesmo que seria impossível fazer algo para mudar de situação”. Eis um relato que tem elementos suficientes para um estudo das manifestações da casa 12.

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Cordialmente,
Carlos Hollanda

Combinando técnicas de previsão astrológica

 

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Photo by Carlos Hollanda

 

Nos cursos Online que aplico há quase duas décadas costumamos receber dos estudantes certos questionamentos que merecem pareceres um pouco mais extensos. O que se segue é um deles, que trata de problemas do intérprete-astrólogo na hora de combinar técnicas diferentes de previsão e produzir, com coerência, uma síntese entre os fatores aparentemente dispersos em cada uma delas. Com vistas a preservar a privacidade da participante do curso, seu nome foi omitido do texto.

PERGUNTA: A passagem da Lua progredida através das casas vai me mostrar como será a minha reação emocional para aquele assunto em determinado momento (01 ano aproximadamente)? Devo levar em conta a relação entre o signo lunar do mapa natal e o da progressão?

RESPOSTA: A Lua em progressão representa uma espécie de foco sobre o qual recai a consciência e as experiências advindas das circunstâncias análogas aos planetas, casas e outros fatores que ela toca em sua trajetória simbólica de cerca de 28 anos. A prova de que ela é esse foco, isto é, de que ela é um indicador de como você está experimentando sua vida num dado período, é fácil de obter: basta analisar uma fase em que a Lua progredida faz uma conjunção com qualquer planeta. Repare que a tônica daquele planeta parece tornar-se o centro da realidade de quem passa pelo aspecto. E isso não se restringe a aspectos psicológicos; falamos aqui de correspondências em todos os níveis (espiritual, mental, emocional e material), sob todas as gradações que esses níveis possam oferecer. Se a Lua faz conjunção com Saturno você pode ver a si mesmo numa fase de pessimismo e de falta de perspectiva ou esperança quanto às possibilidades; ao mesmo tempo, seu corpo pode apresentar uma curiosa rigidez, indo desde uma manifestação patológica com problemas na coluna, artrite e coisas parecidas, até uma tendência a enrijecer o corpo como um militar ou um mordomo o faria para satisfazer alguma exigência social (e satisfazer tal tipo de exigência é algo que remete a um dos atributos de Saturno como símbolo). Pode, ainda, deparar-se com empecilhos e situações variadas que promovam o atraso nos objetivos ou, ao contrário, por uma das vias mais favoráveis do aspecto, mas sem sair do escopo saturnino, descobrir-se bastante ambicioso e capaz de enorme concentração para atingir objetivos a longo prazo. Pode estar consolidando alguma situação, seja ela afetiva, profissional, familiar, financeira… São muitas as colocações e isso irá depender da combinação entre o signo em que o planeta está (e que, claro, a Lua está passando), a casa e os aspectos que o planeta recebe. Repare também que não é seu emocional (atributo associado à Lua), exclusivamente, que se torna “saturnino” durante a referida conjunção. É tudo. Todo o sistema, a totalidade macro e microcósmica representativa do ser humano no esquema astrológico passa a reproduzir o caráter saturnino simultaneamente. progressaolunarekabbalahDa mesma forma, a passagem da Lua progredida por uma casa irá indicar que as experiências pelas quais você passa adquirem o teor ou o caráter que aquela casa simboliza. Se é a casa 7, relacionamentos e parcerias assumem papel mais relevante do que antes, nos cerca de 2 ou 2 anos e meio, em que ela esteve progredindo pela casa 6 (sim, se a casa tiver cerca de 30 graus ou exatamente isso, a passagem da Lua progredida será de 2 anos e meio, não de um ano apenas – isso só ocorre se a casa tiver algo em torno de 12 ou 13 graus de arco, coisa que só acontece em altas latitudes e mesmo assim isso não é regra geral). Aliás, naquele período o indivíduo pode ter-se visto bastante atarefado, muito mais do que seu habitual, e sem conseguir desvencilhar-se de condições subalternas (isso costuma ocorrer em uma grande parte dos casos) e ainda preocupado com saúde, com o funcionamento do corpo, muito concentrado em questões que envolvem interesses de colaboradores, empregados e colegas de trabalho etc. etc… Em qualquer técnica de previsão você jamais deve desconsiderar seu mapa natal. Assim, mesmo quando a Lua estiver numa posição completamente diferente da de quando você nasceu, lembre qual é a estrutura essencial que você carrega consigo: essa estrutura vem das relações existentes em seu mapa de nascimento. Contudo, e isso é bem importante, suponhamos que a Lua do mapa natal está em Touro e aos 26 anos de idade mais ou menos está em Áries. Como você acha que aquela pessoa de Lua em Touro, normalmente estável e relutante, sensual e relativamente lenta (porque econômica até nos movimentos;“repousante” no tipo físico), estará se comportando no geral? A Lua progredida é como uma viagem da própria consciência e condição humana pelos meandros do inconsciente e dos arquétipos, todos eles. Na época da vida que aquela Lua chega em Áries, certamente uma necessidade maior de movimento, um grau maior de irritabilidade e um renovado potencial para a ação e “ignição” de projetos pessoais estará presente. Por mais que o sujeito seja pacato, ele ali experimentará um bom grau de competitividade e impaciência com a lentidão alheia ou circunstancial. É por essas e outras que costumo escrever que não importa que você não tenha absolutamente nenhum planeta num determinado signo, nem mesmo que esse signo “vazio”, esteja interceptado (aquele que não é tocado por cúspide alguma de casas): você irá, em algum momento, invariavelmente (a menos que morra antes disso), experimentar as características daquele signo e daquele planeta. Assim sendo, quando reclamamos de alguém com ênfase num dado signo ou num dado fator do mapa, cuidado: é bem possível que estejamos justamente naquela fase vivenciando a fundo aquele mesmo aspecto que vemos pejorativamente no outro.

PERGUNTA: Eu sei que para se fazer uma boa previsão é preciso analisar várias coisas que no final vão nos levar a uma conclusão, Certo?

RESPOSTA: De fato, convém analisar mais de uma técnica como forma de dar apoio à nossa própria percepção e compensar possíveis distorções ou ausências de abordagem sobre determinados assuntos.

PERGUNTA: Eu estava pensando numa escala. O que é mais importante? Primeiro as progressões secundárias, que são mais de Longo prazo, seguido pelos trânsitos dos Planetas Lentos (Plutão a Saturno), finalmente as progressões da Lua, trânsitos de Júpiter, marte e lunações (gatilho)? Não sei, ainda, em que ponto analiso as Revoluções Solares…

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RESPOSTA: Correndo o risco de avançar o sinal e passar algo que seria mais proveitoso abordar com detalhes no curso de “Técnicas Integradas de Previsão”, posso dizer que para trabalhar com a Rev. Solar combinada com as outras técnicas supramencionadas, uma dica é pensar em termos de ênfase por período. Por exemplo (e é um exemplo grosso modo): a Lua progredida faz conjunção com Júpiter, ao mesmo tempo ou muito próximo da época em que Júpiter em trânsito passa ou pelo Ascendente ou pelo Meio do Céu. Esses dois aspectos em técnicas diferentes ocorrem no período concernente a uma revolução solar em que Júpiter está recebendo um monte de aspectos e situa-se, talvez, numa casa angular, como a casa 4. Na mesma rev. solar temos a Lua na casa 9. O que toda essa concentração em atributos jupiterianos em técnicas diferentes pode estar sugerindo? A resposta eu deixo para vocês… De qualquer jeito, é preciso conhecer as técnicas diferentes uma a uma para DEPOIS proceder com essa síntese, senão o resultado pode ser confuso.

 

PERGUNTA: Outra dúvida, estou analisando as previsões para um cunhado que mora em outro país e esta vindo para o Brasil. As progressões estão dificeis, com aspectos de Urano. Os trânsitos estão díficeis com aspectos tensos de Plutão e Saturno, mas a Lua progredida está fazendo ótimos aspectos com o Meio do Céu. E eu não sei como interpretar este movimento. O que quero dizer com isto, é que uma coisa não exclui a outra, mas tenho medo de cair em contradição.

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RESPOSTA: Os aspectos acima não se contradizem mutuamente. Eles estão dizendo exatamente o que o sujeito anda vivenciando em sua fase da existência. Um aspecto da vida em crise não necessariamente levará todos a uma crise, muito embora seja muito comum que a sintamos como se ela estivesse em toda parte e sob todas as circunstâncias. Em momentos difíceis ficamos mais ou menos cegos para oportunidades e amenidades que ocorrem diante de nosso nariz e podemos até nos considerar os mais infelizes dos seres humanos (especialmente se estivermos passando por algo parecido com um aspecto tenso da Lua em progressão com Netuno, por exemplo – tende-se a agigantar as “desgraças” e a buscar justificativas para assumir o papel de vítima). No caso acima, é bem possível que seu cunhado esteja passando por uma daquelas transições turbulentas em que a gente tem que optar por uma mudança radical de rumos, o que não raro implica mudança residencial, desligamento de emprego (estou apenas dando exemplos, não sei se esse é o caso de seu cunhado, já que os dados que você nos passou são um tanto vagos – é preciso ver como está o mapa) e até tipos variados de perseguição contra o indivíduo. Contudo, o trígono da Lua com o Meio do Céu, apesar de toda a turbulência, aponta para oportunidades de crescimento, nem que seja por uma via alternativa, potencializada, até, justamente por causa da necessidade de abandonar um estilo de vida ou algum apego que já deu o que tinha que dar. O tal trígono pode muito bem ocorrer junto com favorecimento vindo de pessoas de autoridade e até pode chegar a ser um indicador de mudança residencial, quando outros fatores indicam o mesmo (no caso acima, se os aspectos tensos já atingem significadores de lar, residência e afins, esse trígono acaba sendo análogo a coisas que contribuem para essas alterações).

 

MARATONA-SAMPA-02-okMas ele pode estar recebendo alguns valores a mais ao mesmo tempo em que é preciso abandonar outros valores. Pode até estar se tornando mais conhecido por aquilo que faz… enfim, são vários os potenciais e sem o mapa só o que podemos fazer é pensar em uma multiplicidade de circunstâncias, sem um foco central que ajude a definir o processo pelo qual ele passa. Só para finalizar, cabe acrescentar que você pode combinar a leitura com as técnicas que você escolher. Muito dependerá de você discernir quais as que melhor lhe orientam nesse sentido. No curso que mencionei abordamos progressões, trânsitos, revoluções solares e astrologia horária e as fazemos dialogar. É uma boa forma de pensar de maneira holográfica na hora de interpretar, prever e analisar astrologicamente.

Atenciosamente,
Carlos Hollanda