Superinteressante – apocalipsismos, astrologia e 11 de setembro

Este post foi publicado inicialmente em 2011.

Saiu, na revista “Superinteressante” de setembro, não muito distante do “11 de setembro” , uma matéria sobre a astrologia, intitulada “Astrologia e ciência”. A matéria de capa, toda em preto (Saturno/Plutão), fala sobre já estarmos vivendo uma espécie de terceira guerra mundial. Ela fora lançada quando Marte estava no final da quadratura com Plutão, assim como Mercúrio (Imprensa) formando também quadratura com o atualmente anão. Num momento um tanto pessimista e depressivo, de “nada ter a perder” como a quadratura “T” Saturno-Júpiter-Netuno é significativo o fato de uma publicação com o alcance daquela optar mais uma vez por um tema de caráter apocalipsista, mais uma vez trazendo à baila o assunto “Astrologia” numa mesma leva de artigos.

A associação, semiologicamente falando, entre Astrologia e temas apocalípticos e milenaristas é bastante recorrente na mídia, especialmente nos últimos anos do século XX, também com as apropriações de interpretações acerca das centúrias de Nostradamus e agora, em tempos de terrorismo e de medo coletivo. As matérias nada tâm a ver, a princípio, uma com a outra, porém, não custa lembrar que é típico da formação histórica da própria Imprensa e das necessidades de veiculação em massa, despertando interesse no maior número possível de pessoas, favorecer tal tipo de associação, ainda que não se tenha a intenção imediata de ser sensacionalista. Todavia, um certo alarme é sempre muito proveitoso para a mídia, que precisa de audiência. De qualquer maneira, os textos são realmente interessantes, embora mantenha aquele tom de “a astrologia ajudou a formar a ciência moderna, mas agora não tem nada a ver…”

Outra associação semiótica possível, na capa, é o fato de que o subtítulo “astrologia e ciência” encontra-se imediatamente ao lado de “os maiores picaretas da história” e acima de “Prêmio Nobel”, que é dado a cientistas renomados, políticos que se destacam ou pessoas que recebem das comunidades legitimadoras um alto grau de credibilidade. Sugestiva essa oposição, não?

Carlos Hollanda

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