Quando Mercúrio transita em Leão – exemplos

Enquanto Mercúrio transitava em Leão…

 

Apesar dos acontecimentos hediondos na Noruega, da ameaça de um desastre econômico promovido pela política norte-americana, da perda de Amy Winehouse e de tantos outros fatores de vulto que nos deixam tristes ou apreensivos, hoje quero falar de alguma coisa feliz. Escolhi algo que possui relação com o trânsito de planetas rápidos. Isso em geral apresenta repercussões muito interessantes no cotidiano individual e assim pretendo compartilhar experiências para chamar a atenção para o lado bom. Às vezes não o enxergamos e ele está “logo ali”.

 

O Sol entrou em Leão faz apenas 4 dias. Mercúrio, entretanto, já vinha transitando por esse signo há cerca de um mês. Hoje, dia 27/07/2011, ele já passou do vigésimo nono grau, prestes a adentrar Virgo. Inspirado pelo estado ígneo em que se encontra o planeta da comunicação, do saber, da escrita, das viagens curtas, das esquinas e da vida urbana, não pude deixar de pensar nas experiências extremamente prazerosas que vivi tanto em lazer quanto a trabalho nos últimos quinze dias. Uma bela analogia com o simbolismo é a busca de conhecimento de forma divertida e talvez envolvendo crianças ou atividades juvenis. O teatro e salas de entretenimento educativo idem. Isso me fez lembrar das várias caminhadas por locais interessantes do Rio de Janeiro que já promovi com grupos de estudantes de astrologia. Coisa que pretendo retomar em breve. Antes disso, vale a pena aguçar a curiosidade e estimular o interesse nos passeios em grupo noutras cidades repletas de locais especiais. Assim, eis a seguir, numa rápida descrição, experiências em duas grandes cidades brasileiras, cada uma num momento e em situações um tanto diferentes.

 

Primeiro em Porto Alegre, a caminhada pelo centro histórico, numa das aulas práticas do curso  “Das Cavernas às Estrelas – Jornadas de Mitologia e Simbolismo”, da Unipaz-Sul. Nesse caso tratava-se de um dos módulos em que estava programado o passeio didático. Já havia ocorrido um, com o jornalista e mestre em Letras e Cultura Regional, além de astrólogo, Nivaldo Pereira, no mês anterior, falando sobre o mito fundador de Porto Alegre (o curso tem duração de um ano e já tivemos vários módulos sempre com aulas teóricas e práticas). Desta vez fora minha segunda atuação com os participantes. Havia inaugurado o curso em março. Agora trataria do espaço arquitetônico, da imaginação dos elementos na disposição da cidade, seus mitos civilizacionais, as relações dos espaços e locais com a cultura e as estruturas do imaginário, a ponte com a mitologia etc. Não pude deixar de notar que o centro histórico de Porto Alegre, a despeito da data de fundação e de seu mapa astrológico, possui um aspecto profundamente marcial, a propósito. Durante a caminhada, a astróloga Lúcia Torres revelara que Porto Alegre é uma cidade fundada em Escorpião e “re-fundada” (uma alteração legislativa da data) em Áries. De fato, a cidade apresenta um histórico bastante mais inclinado ao escorpiano, mas fosse qual fosse a data, a surpreendente relação entre a forma que assume o centro histórico e o planeta Marte é facilmente detectada pelo olhar treinado do astrólogo e estudioso de simbolismo.

 

O grupo numa de suas paradas didáticas durante o passeio.

 

O grupo passou pela Igreja das Dores, pelos muitos quartéis e centros administrativos militares dos arredores, pelas ruas do comércio e pela Catedral da Matriz e terminou almoçando no bucólico Chalé da Praça XV. Fizemos o seguinte percurso:

 

1. Igreja das Dores – é a mais antiga da cidade e levou 100 anos para sua construção ser concluída – reza a lenda que seu excessivamente longo tempo de construção se deveu à maldição de um escravo enforcado injustamente no pelourinho que havia na frente da igreja, mas outros dizem que é mentira porque ele foi enforcado devido a um assassinato que cometeu.

Igreja de N. Sra. das Dores, em Porto Alegre

 

 

 

2. Quartéis – formam um considerável conjunto na Rua dos Andradas. Mas há vários outros ao longo do trajeto, sejam os da polícia militar ou os do exército.

  Um dos quartéis da Rua dos Andradas, em Porto Alegre

 
 

3. Catedral – Praça da Matriz – Assembléia Legislativa  – tudo ao redor da enorme e belíssima praça central. Um verdadeiro Sol.

4. Memorial do Santander (ex Correios).

 

 

 

5. Mercado Municipal

6. Almoço no Chalé da Praça XV

 

Em quase todos os casos há a nítida influência positivista na arquitetura, mas o mais importante é o conjunto dos elementos arquitetônicos em si, o modo como eles se configuram e transmitem a imagem de capacidade de defesa e de resposta a possíveis ataques. Outro fator destacado nesse módulo do curso é a experimentação das formas locais, dos espaços internos daquelas estruturas e das reações, tanto as provocadas por aspectos culturais, quanto as que se produzem pela relação do corpo humano com as formas materiais. Do corpo e da psique. Uma experimentação que fazemos todos os dias, mas que muitas vezes não nos toca mais conscientemente devido ao hábito. Todavia, a devida atenção mostra o quanto somos afetados pelas formas locais e como nos modificamos internamente com isso sem percebermos. Após o passeio, que exigia bastante falatório meu, seguido de indicações para a apreciação sutil dos locais, retomamos a aula normal, que incluía um exercício sobre a casa imaginária e as estruturas da psique e do corpo, algo que só conto para quem irá fazer o curso da próxima vez. Adianto, porém, que o passeio e suas experiências cinestésicas já haviam dado início ao processo. Mercúrio estava transitando por Leão, enquanto o Sol estava em Câncer. Obviamente foi um passeio histórico (Câncer), ainda que o foco não fosse exatamente falar da história local.

 

Um dos pontos altos do passeio foi a divertida sincronicidade ocorrida quando o grupo parou numa das ruas de comércio (Rua da Praia, em frente ao Clube do Comércio) e eu apontava para dois prédios ornados com o Caduceu de Hermes. Junto a isso eu mostrava o quanto a região concentrava fatores mercuriais: uma antiga sede dos Correios que se transformara em uma rádio, um prédio da associação comercial, outro com a cabeça de Hermes na parte superior do pórtico, outrora fora um centro comercial e abrigava escritórios de contabilidade, abrigando agora um banco. Essa concentração se dava, pasmem: numa encruzilhada! Encruzilhadas são locais típicos do deus Hermes e de outras divindades de outros panteões cujos atributos se assemelham ao mensageiro divino. Mas a sincronicidade que nos chamou a atenção, justamente por não ter sido algo planejado, foi o fato de que na rua, repleta de camelôs, paramos à frente dos referidos prédios mercuriais (ver foto) bem no ponto em que se um dos camelôs nos observa atentamente e às explicações que eu dava. 

Dois prédios mercuriais na Rua da Praia, em PoA. Um deles é o Clube do Comércio. 
Notem que no edifício rosa, bem abaixo, na foto, há um Caduceu na entrada de vidro.
No prédio branco com o grande arco central, a cabeça do deus Hermes, 
com seu capacete alado, está na fachada.

 

Ao vê-lo tão interessado, perguntei-lhe o que ele achava de tudo aquilo. Ora, o homem, sorridente, saiu gesticulando habilmente, pegando livros sobre a Profecia Celestina, já dando indicações de como poderíamos comprar suas mercadorias e não parava mais de falar. Gargalhada geral, claro! Antes que ele ficasse constrangido explicamos os motivos de nossa reação e ele ficou ainda mais entusiasmado. Tivemos que nos despedir para não ficarmos presos por ele no mesmo local todo o tempo. Devíamos ter imaginado que num local tão mercurial, invocando a figura daquela divindade, ela se apresentaria de modo bastante concreto e inusitado. Ainda bem que não foi na forma de um punguista e sim na de um simpático comerciante de rua.

O grupo no meio da caminhada pelo Centro Histórico

 

Ah, sim, aquele local já havia sido reformado pela prefeitura justamente porque ocorriam muitos furtos de… punguistas! Hoje está bem mais seguro, podem ir sem medo.

 

De 23 a 26 de julho estive com a família em São Paulo. A idéia era passear, lazer puro. Sim, em São Paulo é ótimo passear culturalmente, sem gastar tanto dinheiro, aprendendo muito, e vendo coisas belas em recantos que muitos dos próprios paulistanos, infelizmente, não aproveitam (como no Rio, muitos cariocas nem sabem que têm tantos ótimos centros culturais). Eu mesmo, quando morei na terra da garoa entre 1992 e 2000, não dava a mínima para coisas que desta vez me chamaram muito a atenção de professor de história, de artista e de pesquisador, além da de pai de um pimpolho de 8 anos ávido por novas experiências. Foi uma xaropada de museus e centros culturais com atividades infantis que qualquer adulto adoraria e passeios adultos que as crianças aguentam por um certo tempo sem reclamar.

Entrada do Espaço Catavento, em São Paulo – SP

 

Sem esquecer que estou falando de Mercúrio em Leão, entre os infantis pra adulto nenhum botar defeito, não deixem de ir no Espaço Catavento. É o prédio e o terreno da antiga Prefeitura da capital e Palácio das Indústrias. Trata-se de um espaço de exposição refinadíssimo, mas divertidíssimo, de ciências, com atividades e muita, muita, muita coisa pra ver, ler, apreciar e experimentar. É tudo interativo. Andando rápido, sem prestar atenção em tudo, leva-se cerca de 4 horas pra passar por todo o lugar. Num passeio normal, aproveitando em profundidade cada coisa, creio que deve dar umas 8 horas. Talvez seja preciso uma segunda ida para ler as informações mais calmamente. Isso sem contar que a arquitetura é sensacional. Nunca tinha reparado no quanto é bonita em seu ecletismo, que possui traços, em certos pontos, semelhantes aos da Fundação Oswaldo Cruz, no Rio. Claro que Mercúrio em Leão me transformou em criança novamente (se é que em algum momento consegui deixar de sê-lo).

 

Todos de cabelo em pé com o experimento de eletricidade; a evolução (ou não) dos crânios da espécie humana (ou não); Hermes, num dos vitrais do Espaço Catavento. No local ele é a representação do Comércio, que é ladeado pela Agricultura e pela Indústria.

 

 

Outro local muito bom para ir, apesar do ingresso meio caro, é o Aquário do Ipiranga. Pertinho do museu da USP, o famoso Museu do Ipiranga, é próximo também do Museu de Zoologia. O Aquário, no entanto é uma surpresa, com sua enorme estensão e suas muito variadas atrações, entre elas um filhote de peixe-boi que pode ser visto debaixo d’água, pelo vidro, e por cima, nas passarelas de observação. Há também um leão marinho muito saudável e bonito. O cenário é de cinema, algo meio Disney, com uma parte em que se passa por baixo e ao lado de tubarões. O museu privilegia a fauna brasileira e possui muitos peixes do Pantanal, enormes sucuris e jacarés. Um deles é albino e se assemelha a uma estátua de mármore, surpreendendo os observadores quando se mexe.

 

No alto, o filhote de peixe-boi descansando no fundo do enorme aquário. 
Acima, o filhote junto a peixes do Pantanal.

 

A Estação da Luz, em cujas instalações está o Museu da Língua Portuguesa.

Outros locais muito interessantes e de parada obrigatória para qualquer um que deseje um passeio cultural de alto nível:

 

– Museu da Língua Portuguesa – ah, céus, como queria ir lá com mais calma! Certamente retornarei. Há uma passagem “cinematográfica” com vários documentários num só corredor, há a história da Língua Portuguesa contada desde os primórdios até suas mais inusitadas variações. O local é perfeito: as instalações da Estação da Luz, toda reformada. Crianças ali não têm muita paciência com a parte escrita e os pequenos objetos correlacionados às informações histórico-linguísticas, mas param com facilidade na sessão de cinema e na de efeitos visuais-sonoros num salão que lembra um sótão gigante de filmes de fantasia. Não é para menos: nele são recitadas poesias de diferentes épocas e autores combinadas de modo que uma complemente e incorpore a outra, em meio a uma excelente escolha de programação visual com luzes projetadas simulando os efeitos sonoros e a semântica das palavras.

 

Claro que não poderia deixar de aproveitar a proximidade da Luz com a Pinacoteca do Estado. Além das obras de arte da exposição permanente que merecem ser visitadas ao menos mais de uma vez, há um cavalo de cortiça onde as pessoas deixam bilhetes pregados com tachinhas logo na entrada. Destaque para as esculturas de Victor Brecheret, lindas, diáfanas, quase fantasmagóricas, especialmente a “Musa Impassível”: leve, longilínea, aquática. Antes ornava o túmulo da poetisa Francisca Júlia, em homenagem feita por ícones da Semana de Arte Moderna.

No alto, a Pinacoteca. Acima, a “Musa Impassível”, de Brecheret.

 

 

Tendo ido tão próximo, no Aquário e no Museu de Zoologia, não poderia deixar de ir ao Museu do Ipiranga. 

 

Aliás, vale a pena comprar o ingresso duplo que dá direito ao Museu do Ipiranga e ao de Zoologia de uma só vez. O de Zoologia tem dinossauro e bicho empalhado pra tudo quanto é lado. Alguns pimpolhos ficam com certo temor do jacaré-açu empalhado e não se aproximam para tirar fotografias. De fato ele é bem “vivo” e enorme.

 

Claro que fui ao Masp! Pela enésima vez, no meu caso. A desculpa foi que tinha, durante a semana, uma programação infantil. Só não sabíamos que não funcionava essa programação nos fins de semana. Pelo menos revi Zurbarán, Renoir, El greco e todos os caras que cito em aulas, mas ali em obras originais. Queria que lá também tivesse Caravaggio…

 

 

Depois desse chá de museu, como não somos de ferro, aproveitamos o dia de sol no Parque do Ibirapuera andando de bicicleta – depois de tanto programa em locais fechados, precisávamos de ar fresco. E mais uma pequena dose de Brecheret, no Monumento às Bandeiras.

 

Em Sampa, não poderia deixar de ter o óbvio: pizza! Recomendo a La Bella, em Santo Amaro, onde fomos e comemos a “Pomodoro”, que é pra quem gosta de muito molho de tomate e alho (nham!). Matei saudades da Joaquim Eugênio de Lima com um chope gigante de 1250 ml, da Livraria Cultura no Conjunto Nacional e de passear pela Av. Paulista, vendo a diversidade cultural da cidade nas interessantes figuras humanas que transitavam.

Super chopp na Joaquim Eugênio de Lima. Quase morri.

 

E o filhote andou de avião pela primeira vez, ida e volta. Adorou. Apesar do cansaço, foi ótimo. Mas como o velho Tom Jobim diria, minha alma “cantou”, quando viu o Rio de Janeiro da janela em que o filhote olhava. Não há nada igual a essa cidade. Como é bom estar aqui. Logo farei um desses relatórios sobre pontos e recantos não muito conhecidos do Rio e postarei no Astro-Síntese. Vocês entenderão o que quero dizer, especialmente porque estabelecerei algumas correlações astrológicas interessantes.

 

Findo o trânsito de Mercúrio em Leão, é hora de trabalhar bastante, dando corpo àquilo que foi fertilizado na imaginação depois dessa avalanche de cultura e diversão. 

 

Abraços,

Carlos Hollanda

 

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s