Arrastões e veículos queimados: Marte, claro!

Um amigo me encontrou na rua hoje de manhã e me perguntou se há “uma explicação astrológica” (sic) para os arrastões e carros e ônibus incendiados por bandidos no Rio de Janeiro. Respondi na hora que não tinha tido oportunidade de analisar isso com calma, mas que provavelmente seria algo relacionado ao planeta Marte: “Este é o ‘cara’ que corta, queima e incendeia, falando em astrologuês”, disse a ele. Pois bem, observando o trânsito de ontem e de hoje notamos que no céu Marte está aplicando uma quadratura à conjunção de Júpiter com Urano. No dia 21, quando tudo começou, Marte encontrava-se em conjunção com Mercúrio e já dando início a uma órbita compatível com uma quadratura com os já referidos planetas lentos. Só lembrando, Mercúrio, em astrologia mundana, rege também as vias urbanas, as encruzilhadas e vias de acesso próximo às cidades. Júpiter rege as estradas. Um dos ataques mais intensos ocorreu na Linha Vermelha, principal rota de acesso ao Rio. Aspectos tensos de Urano-Marte são normalmente associáveis a curtos-circuitos, choques, acidentes envolvendo máquinas e automóveis (num mapa de nascimento é preciso ver outros detalhes, então não se preocupe tão rapidamente se você tem isso no seu mapa). Temos, portanto, uma configuração compatível com os recentes acontecimentos. Entretanto, isso é insuficiente para defini-los exclusivamente no Rio de Janeiro. Em função disso, convém dar uma olhada no mapa da fundação da cidade. Ali, Marte do trânsito desses últimos dias forma uma quadratura com ninguém menos que a tripla conjunção de Sol, Mercúrio e… Plutão! E ainda, Júpiter e Urano estão bem ali, sobre os três, numa casa angular, a décima, o que caracteriza o processo como ainda mais intenso e visível.

 

De qualquer modo, a “explicação” que meu amigo solicitara não pode ser dada apenas com Astrologia, a menos que ainda pensemos que astros influenciam decisões e que as coisas provenham do nada. De fato, essas ações são fruto (sim, isso é deveras repetitivo, mas é o que é) de mais de um século de reforços nas desigualdades na República brasileira. Claro que tem toda a herança do período colonial, da escravidão, da compra de títulos nobiliárquicos, dos latifúndios etc., mas também da segregação planejada com as reformas urbanas sobretudo na capital, então, o Rio, no princípio do século XX. Mais recentemente, o crescimento das favelas no alto e no baixo da cidade, o desemprego e a crise com a corrupção nos anos 80 (já deixamos alguma vez de ter crises com isso?). Apenas agora tem-se uma ligeira preocupação com o que fazer com as populações das favelas, com os acessos à cidade, talvez em função da proximidade da Copa do Mundo e das Olimpíadas. Ora, a preocupação é mesmo com as populações menos favorecidas ou com o status das elites? É eu sei que pareço um baita militante russo de 1917, mas é difícil não duvidar num momento como esse. Obviamente não vejo a ação criminosa desses grupos como respostas legítimas ou que possam ter qualquer resultado positivo. Será mesmo uma bela porcaria se isso continuar. O problema é que muitos desses criminosos vieram de meios fortemente oprimidos por uma violenta falta de oportunidades e descaso. Alguns deles devem ter uma índole nada civilizável desde a origem, mas outros podem não ter tido outro caminho ou, ainda, foram motivados por valorizações culturais da violência, da “macheza”, da “esperteza” ou até da vingança contra o sistema. Está certo que muitos “maria-vai-com-as-outras” estão entre os bandidos, que cresceram em comunidades que se acreditavam protegidas por traficantes e assassinos psicopatas ante uma polícia corrupta e/ou ineficiente. Em situações assim, muitos crêem que é “legal” ser amigo do bandidão local, ter segurado uma arma de grosso calibre, tirar fotos com ela… nossa, que situação heróica! Pensam que estou só brincando? Não, era assim que pensavam muitos dos meninos com quem eu brincava em minha infância e com quem conversava no futebol de rua de minha adolescência. Quem pode me garantir que essa postura não se perpetua até hoje, sendo ainda piorada exponencialmente? Ser amigo de bandido era muito “bonito” naquele mundo. Espero que essa cultura da violência que rende tantas cicatrizes e dores crônicas para o Rio tenha um fim algum dia e que sejam valorizados livros, artes, esportes e um lazer que não discrimine. O trânsito de Marte nesses últimos dias, enfim, ressoa com todas essas tendências latentes. Se em sua cidade esse tipo de perspectiva violenta é latente, preste atenção nos trânsitos de Marte. E ano que vem, preste atenção no de Netuno. Levantes são o que não faltam durante a virada de Netuno de Aquário para Peixes.

 

Atenciosamente,

Carlos Hollanda

 

 

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