O Palhaço é Capricorniano

O PALHAÇO É CAPRICORNIANO

Com as características de Ascendente em Peixes e Lua em Câncer, estando Júpiter em algum ponto importante do mapa, é claro. Refiro-me ao belo filme “O Palhaço”, magistralmente dirigido e co-roteirizado por Selton Mello, que além disso encarna com o mesmo talento o protagonista da narrativa. Mello é acompanhado por um refinado conjunto de atores, alguns menos conhecidos (espera-se, por pouco tempo) mas de excelente performance. Conta com nomes como Paulo José, Tonico Pereira, faz matar saudades de Ferrugem, Moacir Franco e Jorge Loredo, o “Zé Bonitinho”.

 

A fotografia é primorosa, tanto quanto a roteirização que preza pela linguagem visual, mas não perde a mão nos diálogos, poucos que são, repletos de profundidade. Gestos, expressões faciais, ambientações, posturas que comunicam muito mais do que longos discursos. Na medida certa. Uma aula de cinema e de arte dramática com sutilezas que arrancam gargalhadas e lágrimas.

 

Afora os muito merecidos elogios, não pude deixar de notar os tons do que poderia ser o mapa astrológico do principal personagem, Benjamin, vivido por Mello. Benjamin é o palhaço Pangaré, do circo itinerante “Esperança”, dirigido por seu pai (vivido por Paulo José) e por ele mesmo. Benjamin faz as pessoas rirem, mas é extremamente sério, compenetrado, vive em crise e não consegue rir. Não o faz não porque é necessariamente triste ou porque não gosta do que faz, mas principalmente porque aos poucos vai deixando de existir como alguém autodefinido. O palhaço que não ri perde-se nas responsabilidades de manter o circo em funcionamento sempre em condições precárias (no Brasil dos anos 1970), cuidar da trupe e dos problemas individuais de cada componente, uma verdadeira família que, sem perceber, mantém as responsabilidades sobre seus cancerianos e capricornianos ombros. Ele nem mesmo considera transferir uma parte disso a qualquer outro, preocupa-se constantemente com o estado de seu pai, que não demonstra problemas de saúde. Capricornianamente controla tudo, marcial e mercurialmente dá um jeito no que pode, mas netunianamente nem tudo é resolvido e por isso saturninamente se pune. Como quem tem uma forte casa 11, um poderoso Netuno e o signo de Câncer enfático no mapa, esquece de si em prol do coletivo a que sente pertencer. Um dos fatores de relevo do filme é seu desejo ardente (mesmo: tudo se passa em locais bastante quentes) por um ventilador, cujo preço, naquela altura e sob tais condições, lhe era inacessível. Eis um dos hilários, mas inteligentes, na narrativa, motivos para sua jornada heróica. O ventilador, naquele caso, significa poder fluir, sair do peso a que os elementos Água e Terra, tão enfáticos, atam o personagem. Ser fluido e… ser.

 

Ele piscianamente se aniquila, se esvai, aos poucos se deprime diante desses esforços, enquanto sua “inexistência” vai-se tornando cada vez maior: preocupando com os problemas alheios, sempre emaranhado nas impossibilidades financeiras e nos improvisos que se vê compelido a executar, não consegue parar para tirar sua carteira de identidade, não tem endereço fixo e não pode abrir um crediário. Sem identidade, resguarda-se com uma certidão de nascimento bastante amassada e maltratada pelo tempo. Sua “inexistência” perante a sociedade e perante sua própria subjetividade o leva a perder as forças físicas em dado momento, fazendo com que finalmente tome a dolorosa decisão de abandonar o grupo. Há toda uma série de repercussões que não pretendo contar aqui, pois elas são as mais bonitas e inteligentes sutilezas do filme. Mas uma vez realizada sua jornada do herói em busca, literalmente, de sua identidade, jupiterianamente as coisas… bem, Júpiter está presente em vários momentos, atado por uma conjunção a um belo Mercúrio regendo a casa 4 (lar, território, âncora, família…), pois a trupe viaja o tempo todo de caminhão (Júpiter) por localidades próximas (Mercúrio). Dêem-se o prazer de assistir o filme e concluam, pois ele é muito mais recheado de pequenos e significativos detalhes, coisas divertidíssimas que requerem atenção e uma cena com um bode… Mas vale aqui mais um comentário: um mapa que bem poderia ter sido o de Benjamin é o dos dados que se seguem: 17/01/1973, às 09:00 da manhã (ver imagem 01). Escolhi Passos, em MG, mas poderia ser qualquer cidade próxima na região. Passos é a cidade de nascimento de Selton Mello.

 

Coincidentemente (ou não! Descobri após assistir o filme, já pensando no título deste texto!) o ator Selton Mello nasceu em 30 de dezembro de 1972, tendo, pois, o Sol em Capricórnio. Seu Ascendente e sua Lua, no entanto, diferem de Benjamin: respectivamente Virgem e Escorpião. É um ator, afinal de contas, com uma casa 5 povoada. Apesar das diferenças com relação a Benjamin, sua Lua revela a sintonia com o elemento Água presente na composição de um personagem que possui um poderoso envolvimento com seu grupo-raiz, sua referência identitária e o contato com as emoções das pessoas.

 

Carlos Hollanda

————————

 

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s