Marte direto e Mercúrio em Áries – uma pré-reflexão

 Marte em movimento direto e o iminente ingresso de Mercúrio em Áries, segue uma reflexão astrológica, sociológica e antropológica:

 

Seja homem!

 

Foi-se o tempo em que ser “homem” equivalia a atos heróicos de contos de fadas e mitos. Não chorar, sofrer sem reclamar, ser violento, enfrentar problemas na base da imposição e medição de forças… para as pessoas que com ele estavam ligadas, por laços emocionais ou por dependência financeira, bastava apenas o pagamento de contas, nada de grandes atenções, a menos que fosse para obter favores sexuais e reverência inconteste dos filhos e subordinados. Ter coragem, a qualidade existente na maior parte dos heróis de western, com todo o direito a estereótipos de macheza, que não cede diante de desafios, mesmo quando isso atenta para a própria vida e a dos demais, é também coisa comum nessa construção cultural e histórica do que seria “ser homem”. A grande mentira criada em torno disso comporta em si uma insensibilidade artificial, o falso desprezo ao medo, a necessidade ilusória de constante autoafirmação, na vã tentativa de evitar a aniquilação do ego de um gigante de ferro, mas com pés de barro. A história das conquistas está cheia disso, e também cheia de sangue, complexos psicológicos, abandono e dor. Não, meu caro, você não se bastará por si mesmo. E, não, as pessoas que não se encaixavam nesse estereótipo heróico (mulheres, subalternos, filhos) não são sempre isentas do problema: a naturalização desses hábitos culturais e a expectativa de que eles se reproduzam indefinidamente também contribuem para sua duração. Homem “tem que querer trepar na hora, se uma mulher quiser”, é uma das expectativas, “do contrário não é masculino”. “Homem é sempre decidido – os que não decidem e não sabem o que querem imediatamente são ‘inseguros’, assemelhados às mulheres” – notem o preconceito que percorre inclusive o meio feminino. “Homens são ‘simples’, com comportamentos previsíveis…” Eu diria que ter me formado em História seria um bom remédio para muitos desses problemas, pois pude ver como essa doxa foi-se construindo. Entretanto, não é válido: muitos colegas que conheço agem exatamente dessa forma, o que os torna ainda mais hipócritas. Eis, aí, uma recomendação de leitura: Pierre Bourdieu, com os títulos “O Poder Simbólico” e “A Dominação Masculina”.

 

Abraços,

Carlos Hollanda

 

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