ESPERANÇA E SIGNIFICADO

 

Por que deprimimos? As razões são múltiplas e as reações aos elementos depressores podem ser bastante variadas. Uma delas é a perda das metas ou a dificuldade de crer que elas podem ser atingidas. Tal coisa ocorre por diferentes razões e grande parte delas é legítima, isto é, tem razão de ser. É nesse momento que deixamos de construir sentido, eis o perigo. A vida é alimentada não apenas pelas substâncias que ingerimos, mas pela “substância” em si: o significado. Gêmeo univitelino do significado é a esperança, que é gerada e alimentada pela imaginação. A esperança e o significado são alimentos imprescindíveis à alma. É com eles que o corpo, alimentado quimico-fisicamente, reage. O significado é o elemento substancial da matéria onírica de que nossas idéias são feitas (e nós como um todo, claro), e a esperança o combustível que se inflama quando as realidades ao redor expressam de algum modo aquele significado que nos anima. A esperança, a despeito das piores condições a serem suportadas, transforma seres medíocres em super-seres. Com ela somos capazes de percorrer milhares de quilômetros a pé, suportar cárceres injustos, preconceitos e atos horrendos e até mesmo culpas e a inevitabilidade da morte. Desta última, diz o ditado, nem mesmo a esperança escapa, sendo a última a dar o derradeiro suspiro. Mas a esperança é imortal, pois se o corpo do esperançoso morre, suas idéias, transportadas pelo significado, inflamam-se e propagam-se através de outras pessoas, renovando-se a cada vez que um código é decifrado, uma noção é reconstruída, uma (re)descoberta é feita. Talvez isso se dê na esquina de sua rua, na hora de comprar pão na padaria, quando uma frase solta no meio do burburinho lhe (re)desperta algo inspirador.

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Esse “superpoder” de enfrentar o impossível, de confiar no imponderável é o que faz com que nós, seres mínimos e ridículos perante a enormidade do universo, sejamos interessantes e capazes de dar tangibilidade ao inexistente. Seja criando uma empresa, seja bolando uma diversão, uma obra de arte, um livro, prestando um auxílio a quem precisa, tudo isso é movido por esperança. Ela desperta nossa curiosidade, mas está longe de ser apenas curiosidade, pois esta última em si, sem um significado profundo, não ultrapassa o aspecto informativo, mesmo sendo isso algo muito bom e saudável. A curiosidade, que é um bem, não dá força, ela move e une o que está separado ao permitir o acesso à informação, mas isso não quer dizer que aquela informação necessariamente será inspiradora. Para isso a curiosidade precisa estar amparada pela busca de significado e este chega imbuído de esperança em algo que suplanta as condições em que alguém se encontra em um dado momento. Todos os nossos deuses são de algum modo uma ficção, o que não quer dizer que não haja algum tipo de realidade bastante concreta nisso. A imaginação, o estado onírico com o qual abordamos as realidades que se nos apresentam, promove a esperança e o significado, gerando deuses, monstros, heróis e metas. É nas metas, ainda que não possamos atingi-las de imediato, que reside uma das principais chaves para alimentar a vida, pois a vida é muito mais do que simplesmente um coração pulsante e um estômago cheio. Viver é também experimentar o Fogo criativo da imaginação que se expressa pela busca, pela inaceitação de condições limitadoras. Se não podemos superar tais condições de um modo, as mesmas podem ser vencidas por outros a serem imbuídos deste poder, se suas imaginações receberem a centelha de que falamos acima. Metas muito distantes não podem nem devem servir como desculpa para desânimo, mesmo que o desânimo tenha em algum momento seu papel, motivando vez por outra reflexões e mudanças necessárias de rumo. As grandes metas podem ser subdivididas em etapas, cada qual com seu sabor de vitória sobre uma condição anterior.

Tenha esperança, preencha-se de significado, não vire as costas à sua imaginação em busca de soluções e melhores dias. Faça isso e mantenha sua alma alimentada, forte e poderosa, capaz de coisas que todos julgavam impossíveis até que você foi e fez.

Fico por aqui, provisoriamente, contando que você tenha conseguido se alimentar um pouco do elemento Fogo e de seu simbolismo, implícito na mensagem acima.

Abraços,

Carlos Hollanda

(Rio de Janeiro, ultimo dia de fevereiro de 2012, ano bisexto)

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