História, imagem e narrativas – edição 16 no ar!

Já se encontra no ar a edição número 16 de “História, imagem e narrativas. Confiram os novos artigos no link abaixo. Os pesquisadores já podem ir preparando material para a próxima edição. Haverá também um novo dossiê.
http://www.historiaimagem.com.br/edicao16abril2013/edicao16.php

Símbolos do Universo Onírico

Os símbolos estão em toda parte. Eles atuam em nossa percepção de um modo ou de outro e estão integrados ao nosso fazer cotidiano. É nas manifestações artísticas e literárias, no entanto, que eles se expressam em sua forma mais extrema, evocando matrizes culturais, construções históricas e material proveniente do Inconsciente, quer este seja entendido (…) (leia mais no EDITORIAL)

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Atos Mágicos! – Cursos de Astrologia saindo da Forja de Hefesto

Aqui na forja de Hefesto (ou na cozinha da Tia Nastácia, se preferirem) vêm sendo preparados vários cursos e workshops de Astrologia e correlatos que vou ministrar este ano. Se preparem para escolher entre eles ou todos eles. Aqui vai uma lista inicial com seus títulos para abrir o apetite:
 Imagem
– Oficina de Leitura do Mapa Astrológico
 
– Astrologia Horária
 
– Partes Arábicas (Parte da Fortuna e outras)
 
– Kabbalah, uma introdução – Origens, Teoria e Prática
 
– A Alquimia dos Arcanos – o Tarot e a Astrologia no símbolo e na prática
 
– Previsões Astrológicas – Como integrar Rev. Solar, Progressões, Trânsitos e Astro-Horária em um foco mais preciso.
 
– Atos Mágicos! – Usos da Astrologia e de outros saberes para produzir resultados pela alteração na consciência do participante.
 
– Estrelas Fixas – Seu simbolismo, seu uso no mapa astrológico e nas previsões.
 
– Astrologia e Relacionamentos: os pulos do gado – dicas e macetes para pegar e usar
 
– Nodos Lunares: plantando e frutificando pelo mapa astrológico.
 
– Astrologia e Cura com Terapias – Alinhamento Energérico, Florais, Homeopatia, Renascimento, Reiki, 
 
Os workshops inicialmente serão oferecidos no Rio de Janeiro, mas são itinerantes e podem ir para sua cidade. Aguardem maiores detalhes no Projeto Luminar.
 
Na dúvida, falem comigo pelo e-mail carlos.hollanda@gmail.com. Ou entrem no grupo Astro-Síntese para receber os informativos, enviando um e-mail sem precisar escrever nada nele para astrosintese-subscribe@yahoogrupos.com.br . Com ele a inscrição é automática. Você recebe entre uma e quatro mensagens por mês no máximo.
 
Grande Abraço,
Carlos Hollanda

Trânsitos de Urano e outros – a tragédia de Congonhas

Após o terrível acidente de ontem, enquanto assistia as reportagens, produzi, muito entristecido, o texto abaixo. O material com as imagens dos mapas e o texto integral estão no arquivo word anexado.

 

Tragédia em Congonhas

por Carlos Hollanda

 

Quando o Ascendente transitava pelo aéreo e tecnológico signo de Aquário, nas coordenadas de São Paulo, uma netuniana pista de pouso, isto é, molhada, escorregadia, em circunstâncias que iludem a percepção ou confundem os procedimentos, se fazia notar. Ocorre, então, a tragédia que parece ser a maior da história da aviação brasileira, numa extremamente triste perda de muitas vidas humanas. No outro lado do horizonte, Saturno mantinha uma oposição com Netuno. Do astrologuês para o português: Netuno e Saturno tensionados como estavam representam situações de estabilidade precária, de impossibilidade de confiar nas estruturas disponíveis, sobretudo estruturas de segurança. Saturno-Netuno sob tensão podem ser associados a ruínas, literalmente falando. O prédio da TAM, atingido pelo avião, já com as rachaduras causadas pelo calor do incêndio, tende a ruir. Veremos, a seguir, como o momento do acidente, ocorrido, segundo a rede Record de televisão, às 18:45, se relaciona com o mapa da cidade de São Paulo e o que o mapa calculado para esse momento revela sobre o terrível acidente. Veremos também de que modo esse acidente tão pavoroso está vinculado ao último eclipse solar, ocorrido em 18/19 de março de 2007.

Mapa do acidente – 17 de julho de 2007 – 18:45 – São Paulo

 

Sobre o mapa do momento:

 

Ascendente em Aquário – relacionado com aviões; Urano formando quadratura com Plutão, sendo Urano o regente do Ascendente do momento. Plutão encontra-se em Sagitário, signo relacionado, entre outras coisas, a grandes avenidas, rodovias, estradas, aeroportos e meios de transporte de massa. O aspecto aqui apontado encaixa-se na drástica situação, especialmente porque existem outros fatores que reiteram as tensões configuradas e que comentaremos a seguir.

 

Netuno na casa 1 em oposição com Saturno – possibilidade de o prédio ruir, pista molhada e escorregadia, não confiável. Confusão, caos e dificuldade de discernimento. Sistema de segurança não confiável.

 

Marte em quadratura com Netuno – combustíveis no prédio, explosões. Marte na casa 4 do acidente relaciona-se com o fato de que a tragédia envolveu uma base de operações da própria empresa dona do avião acidentado.

 

Lua em quadratura com Júpiter – tensão nos transportes de longa distância, meios de transporte, carga, grandes avenidas e estradas. O período em que as quadraturas de Lua se formam é efêmero, mas suficiente para reiterar outras configurações tensas que atuam em conjunto no mapa.

 

Lua em Virgem enquanto Urano encontra-se em Peixes, signo oposto a Virgem. Considerando a velocidade da Lua em seu trânsito diário, podemos entender que forma-se ali uma oposição. O aspecto tenso e vinculado ao acontecido, apesar da distância em graus para a formação de uma órbita de oposição entre os dois fatores, já estaria em atividade. A mesma Lua ativava, através de uma quadratura T, o aspecto de quadratura que já dura algum tempo entre Júpiter e Urano, aspecto este cuja relação com a continuidade da crise nos aeroportos é inegável. A Lua naquele momento entrava em conjunção com a estrela Thuban, a alfa da constelação de nada menos que o Dragão. A estrela possui natureza Saturno-Marte, coisa que, trocando em miúdos, simboliza algo mais ou menos semelhante a uma conjunção entre esses dois planetas. Sabe-se há muito que Saturno e Marte em contato formam configurações bastante tensas e perigosas, especialmente se, por exemplo, em Astrologia Horária as questões relacionam-se com ações de risco. A conjunção Saturno-Marte, ou melhor, a natureza daquela estrela, que não por acaso está na constelação de um animal mitológico de características extremamente perigosas e ígneas, também está associada a conflitos, enfrentamento de barreiras e bloqueios (Saturno) com fogo e impactos (Marte). Associa-se também a impedimentos nas ações mais individualistas e ao movimento adiante, qualquer que seja, de quem quer que seja, quando há interesse em alguma coisa que se posiciona entre o obstáculo e aquele que almeja o prêmio. Estamos falando do dragão que nas narrativas costuma guardar tesouros e se interpõe no caminho dos heróis tanto como prova quanto como lembrete das limitações e virtudes humanas. O acidente, afinal, ocorreu sobre uma base de operações que mantinha combustível, documentos, outros valores e, o mais triste de tudo, pessoas (os recursos humanos, os maiores valores de uma empresa).

 

No mapa astrológico de São Paulo, considerando o Ascendente a 23 graus de Áries, Marte transita pela casa 1, formando quadratura com Sol, Mercúrio e Marte radicais. Netuno, Marte e Saturno em trânsito formam uma quadratura T que ocorre sobre o Marte radical do mapa da cidade além de permanecerem ativando a conjunção acima mencionada.

Mapa astrológico de São Paulo (círculo central) e mapa do acidente (círculo externo)

 

Marte em trânsito passa pela casa 1 de São Paulo em conjunção com Netuno. Essas configurações favorecem sobremaneira o a tendência a problemas com instalações de combustíveis, gases e produtos químicos inflamáveis diversos. Se há risco, ele aumenta consideravelmente em fases assim. A quadratura de Urano com Plutão em trânsito ocorre no mapa da cidade nas casas 9 e 12, sendo a primeira significadora de aeroportos, entre outros fatores ligados às viagens de longa distância, e a segunda significadora de hospitais que, por sua vez, entraram em estado de prontidão em face ao súbito ocorrido (Urano). O efeito uraniano nas instituições ligadas à casa 12 na cidade de São Paulo, especialmente aquelas dedicadas às internações sofrem as descontinuidades relacionadas ao planeta quando neste setor numa instituição coletiva.

 

O mapa do eclipse de março de 2007 quando comparado com o mapa do acidente é bastante significativo. Marte em trânsito encontra-se em quadratura exata com o Marte radical. Igualmente faz quadratura com Netuno. O Ascendente do eclipse para a cidade de São Paulo ocorreu em fins de Sagitário, o que reforça todas as questões relacionadas aos transportes de massa naquela localidade.

 

 

A Lua do mapa do acidente estando em Virgem opõe-se, por signo, a vários fatores do mapa do eclipse, ativando também a tensão existente entre Urano em Peixes e Júpiter em Sagitário que já foi mencionada anteriormente. O eixo nodal também participa das configurações tensas, estando em Virgem, com a Lua atingindo o nodo sul. Nas considerações a respeito dos nodos lunares tem-se o nodo norte com características jupiterianas e o sul com características saturninas. A ativação tensa do eixo nodal, sobretudo no que tange ao nodo sul costuma ter efeitos complicados, ligados aos fatores do passado (podem ser tanto de passado recente – ontem, uma semana – quanto de anos atrás) que de alguma forma ficaram pendentes. Essas questões pendentes vêm à tona obedecendo as configurações do mapa em que se encontram. No caso, podem ser problemas derivados de ações (obras, ações políticas) ocorridas na localidade, mas cujos objetivos ou necessidades não tiveram uma completação, talvez necessitando de uma espécie de revisão. Quanto maior a negligência a respeito do ou dos assuntos ligados à configuração, maiores os problemas enfrentados.

 

Infelizmente tivemos este momento tão pesaroso e com tantas pessoas. A derrapagem que se cogita ter sido uma das causas prováveis do acidente suscita uma imagem igualmente violenta, como se o avião, com seus trens de pouso abaixados tal qual pernas de uma ave que pousa, as tem decepadas e, num esforço supremo para não causar mais danos nem a si nem ao que está por perto, torna a tentar alçar vôo, mas sem sucesso, dado caráter repentino da experiência.

Eclipses – eventos e efeitos

O ECLIPSE E O “PAN” NOSSO DE CADA DESIGUALDADE

Por Carlos Hollanda

 

Em 9 de dezembro de 2006, durante o evento “Presságios 2007”, realizado pela Escola Astroletiva na CFA – Casa Francisco de Assis, em Laranjeiras, no Rio de Janeiro, vários astrólogos apresentaram pareceres sobre as tendências do ano que viria. Palestraram Antônio Carlos (Bola) Harres, Waldemar Falcão, Bárbara Abramo, Fernando Fernandes, Dimitri Camiloto e eu, Carlos Hollanda. Sobre minha contribuição no evento, gostaria de destacar alguns pontos que atualmente podem ser considerados relevantes para a população do Rio de Janeiro, do Brasil e também das pessoas de outras localidades que estiverem na cidade em função da aproximação dos Jogos Pan-Americanos.

 

Meu tema estava predominantemente concentrado em macroprevisões mundiais, em grandes ciclos como o dos aspectos tensos de Saturno e Plutão, entre outros, projetando-os para além de 2007 até 2010/2011. A eles pretendo retornar no momento oportuno. Por hora, é mister lembrar que na segunda parte da palestra incluí alguns pareceres sobre o eclipse parcial do Sol que viria a ocorrer em 18/19 de março de 2007 e sobre a oposição de Saturno-Netuno. Sabendo que neste ano estaríamos sediando os Jogos Pan-Americanos no Rio de Janeiro, durante a palestra mencionei minha preocupação com o período que abrange os meses anteriores, a própria época do evento e meses posteriores. Procurei observar de que modo tais configurações correlacionar-se-iam com a cidade. Para tanto, fiz uso do mapa da fundação da cidade e nele apliquei os trânsitos supracitados. As implicações dos mesmos relativamente aos eventos vividos na capital carioca têm sido vistas nos noticiários com relativa freqüência, sobretudo nos meses de maio e junho, com forte probabilidade de estenderem-se por julho e agosto até a chegada do segundo eclipse solar do ano, em setembro. O que vem ocorrendo confirma as indicações demonstradas em dezembro.

 

O eclipse fora formado em órbita de quadratura com Plutão (ver imagem “eclipse19-03-07.gif”). Já poderíamos esperar dali um bom grau de tensão social, econômica e política nas localidades que viessem a sofrer a ativação das características do planeta de alguma maneira. Calculado um mapa astrocartográfico para o momento do eclipse nas coordenadas do Rio de Janeiro, obtemos o que se vê na imagem “astrocart-eclipse19-03-07.gif”. Ali a linha de Plutão, que como vimos recebe a quadratura do eclipse, passa sobre grande parte do litoral brasileiro. No destaque, a linha cruzando a cidade do Rio de Janeiro. No destaque menor, a mesma linha de Plutão passa em coordenadas próximas das ilhas britânicas, onde recentemente tivemos os episódios dos carros-bomba impedidos de explodir e o que explodiu na Escócia.

 

O eclipse e sua crepitante quadratura com Plutão atingem em cheio, tal qual uma bala disparada por fuzil, a Mercúrio na casa 10 do Rio. Eis um sinal que aponta para as vítimas nas escolas, sobretudo as que ou estão no alto (Meio do Céu) ou nas adjacências dos morros ocupados. (ver imagem “rioXeclipse.gif”). Balas perdidas podem ser expressas astrologicamente por algum tipo de relação entre Marte e Netuno ou Sagitário e Netuno. Penso aqui no cidadão anônimo que, em meio à multidão, ao indiferenciado (Netuno), é vítima (Netuno) do projétil (Marte e Sagitário – lembrando da flecha, que também é um projétil) e da violência generalizada, do caos e falta de parâmetros, da ausência de princípios norteadores de convivência em sociedade, princípios estes representados por Júpiter e Saturno. No entanto, as balas perdidas são também uma manifestação violenta, repentina e imprevisível da desordem, das desigualdades, da corrupção, do tráfico de drogas, do excesso de individualismo e indiferença de uma lógica de mercado que leva alguns a comercializarem armas de grosso calibre indiscriminadamente, apenas visando lucro ou o famoso “se dar bem” daqueles que querem levar vantagem em tudo e dane-se o resto do mundo. Tudo isso está no mapa radical do Rio de Janeiro, na oposição de Urano em Sagitário na sétima casa com Netuno em Gêmeos no Ascendente. Este mesmo Urano nascido em quadratura com um Plutão numa décima casa, cujos poderes estabelecidos sofrem a penetração e o irromper de fatores do submundo em repetitivos períodos de inversão de ordem. Quando o poder legítimo (Sol na 10) não se encontra no alto física e moralmente falando, quem impera são as forças plutonianas de autodestruição.

 

Claro que as configurações do mapa radical do Rio de Janeiro não caracterizam apenas caos, violência e desigualdades, ou não teríamos a alcunha de Cidade Maravilhosa ou, antes mesmo de recebermos tal designação, não teríamos sido a capital do país por tanto tempo antes de Brasília. O Rio tem muitas qualidades antes de ter seus defeitos, ou melhor, simultaneamente a seus defeitos. Ler uma cidade astrologicamente equivale, com as devidas ressalvas, a ler o mapa de uma pessoa e de uma instituição qualquer (empresa, organização coletiva). De qualquer maneira não nos custa tentar analisar esses pontos críticos em momentos de tamanha violência urbana como os que estamos vivendo e tentar entender o que está havendo para procedermos, se possível, com alguma medida que altere esse quadro.

 

Retornando: o Rio há muito vem sofrendo com o zunir e o impacto das balas perdidas. O problema atual recrudesce desde o eclipse supramencionado, com a conjunção, no céu, de Marte com Netuno (ver imagens: “eclipse19-03-07.gif” e “rioXeclipse.gif”), juntamente com uma oposição com Saturno. O processo ocorre no eixo das casas 3 e 9 do Rio de Janeiro, sendo que a 3 representa, numa cidade, entre outras coisas, as vias públicas, as ruas, as esquinas, como Mercúrio, que, por sua vez, recebe toda a carga do eclipse em quadratura com Plutão. O eixo das casas 3 e 9 também relacionam-se com as comunicações em curta, média e longa distância, sendo a nona casa igualmente a dos estrangeiros. Saturno-Netuno em aspectos tensos é freqüente em casos de manifestações violentas e segregadoras causadoras ou reiteradoras de desigualdades sociais. O que veio ocorrendo nos últimos dois meses até o momento, especialmente em se tratando das incursões no Morro do Alemão com o saldo de 19 mortos entre bandidos e possíveis inocentes, sem contar com os diversos feridos pelas balas que não escolhem vítima, é expressão característica da conjuntura de fatores que vimos mencionando desde o início deste texto. O episódio fatídico do Morro do Alemão ocorreu ao longo de uma oposição do Sol em trânsito com o Plutão do eclipse, ativando enfaticamente a quadratura eclipse-Plutão que continha tal potencialidade (ver imagem “eclipseXtransito-27.06.07.gif”). O planejamento das ações policiais, conforme foi noticiado, abrange vários outros pontos do tráfico em favelas da cidade, uma vez que se cogita a possibilidade de retaliação por parte dos bandidos e auxílio de facções criminosas entre si contra as forças policiais. Essa retaliação não é impossível e pode ocorrer de maneira esporádica em atos de violência que não necessariamente restringir-se-iam a policiais ou às forças de ocupação, podendo sobrevir episódios sérios em pontos diferenciados da cidade.

 

Chamemos a atenção mais uma vez para a linha de Plutão do mapa astrocartográfico do eclipse passando sobre o Rio. Essa foi a preocupação que manifestei durante a palestra proferida em dezembro. Apesar de as autoridades responsáveis continuarem afirmando que as ações policiais e da Força Nacional nas favelas nada têm a ver com a chegada do Pan, há quem já esteja classificando o episódio no Morro do Alemão como a “Chacina do Pan”. Este foi o nome dado ao que aconteceu pelo presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB-RJ, João Tancredo.

 

A ação da polícia e da força nacional tem óbvia relação com a chegada dos Jogos Pan-Americanos, numa espécie de “maquiagem” dos muito profundos problemas sociais do país e da cidade que historicamente vêm sendo acentuados por medidas autoritárias e pela ação dos mecanismos socioculturais formadores e reiteradores de desigualdades. Entretanto, o que seria uma tarefa de repressão e amortecimento das ações do tráfico tornou-se algo público, mundial, com repercussões em diversos jornais de grande circulação em todo o planeta. Mercúrio está sendo ativado, afinal.

 

Outras manifestações das configurações mencionadas estão entre os terrenos que cedem e exigem obras “emergenciais” da Cedae nas tubulações que estão no caminho do Pan. Será que em outra época tais obras seriam mesmo emergenciais? Recordemos: Saturno-Netuno em quadratura, oposição e conjunção também podem significar ruína (literalmente, uma estrutura ruindo) e infiltrações. No eixo das casas 3 e 9 temos, portanto, as vias urbanas e rodovias ou as vias similares às Linhas Vermelha e Amarela, por onde passa grande parte do trânsito que seguirá para os novos estádios construídos especialmente para o período esportivo.

 

Agora outra manifestação de desigualdades análoga à de Saturno-Netuno no mapa do Rio de Janeiro ganhou peso nos noticiários: espancamento de pessoas como a empregada doméstica atacada por vários jovens de classe média que teriam, a princípio, todos os motivos para NÃO fazer o que fizeram, justamente porque, pelo menos teoricamente, teriam tido acesso a uma educação diferenciada e a um nível de vida privilegiado. Ao contrário, a barbárie impera também na mente desses jovens que a exemplo daqueles que atearam fogo ao índio Galdino em Brasília parecem ter perdido a sensibilidade e a humanidade. Talvez não as tenham perdido. Talvez nunca a tivessem possuído. Essa barbárie tão à flor da pele e as ações tão violentas, tão visíveis e, digamos “democráticas” dos últimos meses , afinal todos nós sofremos com isso independentemente de situação social, parece estar relacionada, entre vários outros fatores, aos efeitos de Saturno-Netuno e do eclipse em quadratura com Plutão que sobre o mapa do Rio de Janeiro atinge o Sol e Mercúrio.

 

Não bastasse isso, Urano em trânsito vem mantendo a conjunção com o Plutão radical do Rio, coisa que se estenderá até março de 2008, sendo os meses de julho, outubro e janeiro os meses de maior potência do aspecto. Antes de falar desse aspecto com detalhes, quero fazer uma ressalva. Como disse antes, nem só de aspectos tensos e de crises sérias como esta se faz um período de um ano. O Rio de Janeiro recebeu uma dose maciça de investimentos e alguns bairros terão comércio e urbanização intensificados. Espera-se que o turismo torne a se desenvolver na intensidade almejada na cidade e que haja uma série de avanços sociais, urbanos e tecnológicos que, julga-se, beneficiarão a todos e levarão ao mundo uma nova imagem do cartão postal do Brasil, quem sabe, até favorecendo as negociações para a realização de uma olimpíada em terras tupiniquins nos anos vindouros. Eis que a Lua progredida sobre o mapa do Rio mostra, até o início de julho de 2007, um sextil com Plutão, aspectação cujas características também envolvem o recebimento de recursos de terceiros e acréscimos desde os financeiros até aqueles que vêm na forma de recursos materiais e logísticos. A Lua progredida, até o final de junho, fazia um sextil com o Meio do Céu do Rio e vimos, analogamente, o investimento político do governo federal na cidade em virtude da proximidade de um evento esportivo internacional de grande porte. Esportivo, mas que possui profundas repercussões político-econômicas para a região. O mesmo trânsito de Urano ocorre sobre o Meio do Céu e sobre o Sol da cidade. Trata-se de uma súbita alteração de status, de uma ruptura com uma condição estagnada em termos sociopolíticos e de uma bela injeção de novidades, recursos e desenvolvimento proporcionada pela ação das autoridades (casa 10). Com tudo isso, o Rio torna a ser uma cidade que ganha originalidade (Urano) a cada dia, que altera sua dinâmica social e territorial. Felicitamo-nos por essa faceta tão positiva do período, boa parte dela atribuível à chegada do Pan.

 

A Lua progredida ainda fará um sextil com o Sol do mapa radical no período que cobre praticamente todo o segundo semestre de 2007, sendo setembro o mês mais potente. Mantém-se, portanto, o potencial para o recebimento de benefícios advindos dos poderes centrais e para a formação de novas parcerias que podem até ser empresariais, motivando o retorno do desenvolvimento em alguns setores, talvez o cinematográfico e de navegação, afinal o Sol do Rio está em Peixes, signo ligado ao mar à ilusão do cinema, das fantasias de carnaval, entre outras coisas. Igualmente, a Lua progredida fará sextil com Mercúrio de dezembro de 2007 a março de 2008, o que sugere um favorecimento em setores educacionais, possíveis investimentos em escolas de comunidades carentes, quem sabe, e nos pontos de complicação das vias urbanas. Entretanto, tudo isso não faz com que a conjunção de Urano em trânsito com Plutão radical deixe de acontecer. Assim, a preocupação com conflitos sociais que possam encontrar uma expressão muito violenta e espasmódica continua se mostrando legítima. Entre as características típicas desse aspecto, em uma análise astrológica para uma pessoa, encontramos o seguinte:

 

“Eliminação, talvez repentina, de hábitos nocivos. Atitude obsessivo-compulsiva, objetivos inexoráveis que tanto podem provir de ideais humanitários e de desejo de purgação de males do corpo e da sociedade, quanto de ideais baseados no preconceito e no desejo de poder de uns sobre muitos. A primeira ou a segunda expressão vão depender muito do indivíduo, mas de qualquer modo a fase se relaciona com destruição, poder, coerção, violência e uma intensa disposição de “fazer ou morrer”. O indivíduo pode pouco se importar com o que lhe ocorrerá se fizer valer seus pontos de vista. Ele potencializa seu aspecto compulsivo a tal ponto que se entrega à possibilidade de morte, mutilação, dor, enfim, sofrer o pior possível para não se submeter a quaisquer forças de domínio. Isso pode estender-se àqueles que com o indivíduo têm alguma ligação. Ele pode manter-se inflexível em seus desejos (não adianta pedir uma explicação lógica: a causa é a necessidade de demonstrar que nada poderá detê-lo, talvez nem a morte, pois outros continuarão a fazer o que ele diz) mesmo quando várias pessoas saem prejudicadas por sua teimosia e intolerância.

 

Esta conjunção de Urano em trânsito com Plutão do mapa radical sempre coincide com situações ou atos extremos ao longo do processo. Muitos podem atuar em rebeliões contra autoridades, ter atitudes beligerantes e agir impulsivamente no sentido de eliminar decisivamente quaisquer oposições. Outros vão ao extremo oposto, com grandes obras de caridade e resistência passiva à violência e a desigualdades impostas pelos interesses de terceiros, mas sem deixar de manifestar o caráter extremamente teimoso e contrário a imposições, como mostra o simbolismo. A fase também pode coincidir com o falecimento de amigos ou de pessoas que representem uma síntese referencial para grupos de afinidade ideológica aos quais o indivíduo pertence.

 

Pode haver um intenso interesse em influenciar a mentalidade das pessoas, interferir no coletivo, suscitando nele sentimentos controversos, jogando com questões poderosas que podem causar fortes impactos em estruturas de poder vigentes.

 

A época também pode coincidir com um momento de grande desenvolvimento econômico-financeiro. Muitos podem atuar em ações coletivas (provavelmente como líderes, especialmente se Plutão estiver num ponto-chave do mapa, como o Ascendente ou o Meio do Céu) promovendo o progresso tecnológico e industrial. Investimentos vultosos em projetos sociais com muitos recursos afluindo às mãos do indivíduo ou a uma organização à qual pertença podem ser utilizados para modificações profundas tanto na ordem social quanto no modo de produzir recursos.

 

Alguns podem obter recursos e investimentos em projetos e novos conhecimentos a partir de amigos, clubes e grupos de afinidade intelectual. Idem quanto a investidores interessados no poder de influenciação que algum esforço ou descoberta do indivíduo possa trazer. Outros disseminam suas percepções sobre aspectos ocultos ou sutis da realidade, revolucionando, ao menos em seu meio ideológico, profissional ou religioso, questões de ordem muito abrangentes. De que tipo? Coisas como teorias da física quântica, cosmogonias, mitos de criação-destruição, uso da energia pessoal, mental, emocional, atômica e alternativa (ecologicamente viável) na potencialização dos processos produtivos, na manutenção dos recursos e do crescimento econômico.

 

Médicos podem viver uma fase em que vêem novas tecnologias revolucionarem seus modos de proceder. Pessoas que lidam com subterrâneos, escavações, poços e cavernas podem estar recebendo facilidades em dispositivos tecnológicos de iluminação, extração de minérios etc.”

 

Se transpusermos e adaptarmos os significados aplicáveis a mapas individuais para o mapa da cidade, talvez tenhamos uma noção mais clara do que está por vir. Esperamos que prevaleçam os fatores mais positivos desta e das outras conjunções de Urano em trânsito. Entretanto, o próximo eclipse, em 11 de setembro de 2007 terá nada menos do que Plutão e Marte em oposição no eixo das casas 1 e 7 do Rio de Janeiro, sendo que a configuração do mesmo eclipse forma uma grande quadratura que atinge exatamente os mesmos pontos (Sol, Mercúrio, Plutão etc.) já analisados. Não podemos esperar amenidades no segundo semestre de 2007 nem no princípio de 2008.

Carlos HollandaAtendimento – Consultoria – fones: 2204-3457 – 9218-5428 www.aldeiaplanetaria.com.br/astro-sintesewww.historiaimagem.com.brwww.constelar.com.br/letiva

 

 

 

 

 

MENSAGEM ENVIADA EM 3 DE JULHO DE 2007, AO GRUPO ASTRO-SÍNTESE, NO YAHOOGRUPOS:

 

 

O ECLIPSE E O “PAN” NOSSO DE CADA DESIGUALDADE Por Carlos Hollanda Em 9 de dezembro de 2006, durante o evento “Presságios 2007”, realizado pela Escola Astroletiva na CFA – Casa Francisco de Assis, em Laranjeiras, no Rio de Janeiro, vários astrólogos apresentaram pareceres sobre as tendências do ano que viria. Palestraram Antônio Carlos (Bola) Harres, Waldemar Falcão, Bárbara Abramo, Fernando Fernandes, Dimitri Camiloto e eu, Carlos Hollanda. Sobre minha contribuição no evento, gostaria de destacar alguns pontos que atualmente podem ser considerados relevantes para a população do Rio de Janeiro, do Brasil e também das pessoas de outras localidades que estiverem na cidade em função da aproximação dos Jogos Pan-Americanos. Meu tema estava predominantemente concentrado em macroprevisões mundiais, em grandes ciclos como o dos aspectos tensos de Saturno e Plutão, entre outros, projetando-os para além de 2007 até 2010/2011. A eles pretendo retornar no momento oportuno. Por hora, é mister lembrar que na segunda parte da palestra incluí alguns pareceres sobre o eclipse parcial do Sol que viria a ocorrer em 18/19 de março de 2007 e sobre a oposição de Saturno-Netuno. Sabendo que neste ano estaríamos sediando os Jogos Pan-Americanos no Rio de Janeiro, durante a palestra mencionei minha preocupação com o período que abrange os meses anteriores, a própria época do evento e meses posteriores. Procurei observar de que modo tais configurações correlacionar-se-iam com a cidade. Para tanto, fiz uso do mapa da fundação da cidade e nele apliquei os trânsitos supracitados. As implicações dos mesmos relativamente aos eventos vividos na capital carioca têm sido vistas nos noticiários com relativa freqüência, sobretudo nos meses de maio e junho, com forte probabilidade de estenderem-se por julho e agosto até a chegada do segundo eclipse solar do ano, em setembro. O que vem ocorrendo confirma as indicações demonstradas em dezembro. O eclipse fora formado em órbita de quadratura com Plutão (ver imagem “eclipse19-03-07.gif”). Já poderíamos esperar dali um bom grau de tensão social, econômica e política nas localidades que viessem a sofrer a ativação das características do planeta de alguma maneira. Calculado um mapa astrocartográfico para o momento do eclipse nas coordenadas do Rio de Janeiro, obtemos o que se vê na imagem “astrocart-eclipse19-03-07.gif”. Ali a linha de Plutão, que como vimos recebe a quadratura do eclipse, passa sobre grande parte do litoral brasileiro. No destaque, a linha cruzando a cidade do Rio de Janeiro. No destaque menor, a mesma linha de Plutão passa em coordenadas próximas das ilhas britânicas, onde recentemente tivemos os episódios dos carros-bomba impedidos de explodir e o que explodiu na Escócia. O eclipse e sua crepitante quadratura com Plutão atingem em cheio, tal qual uma bala disparada por fuzil, a Mercúrio na casa 10 do Rio. Eis um sinal que aponta para as vítimas nas escolas, sobretudo as que ou estão no alto (Meio do Céu) ou nas adjacências dos morros ocupados. (ver imagem “rioXeclipse.gif”). Balas perdidas podem ser expressas astrologicamente por algum tipo de relação entre Marte e Netuno ou Sagitário e Netuno. Penso aqui no cidadão anônimo que, em meio à multidão, ao indiferenciado (Netuno), é vítima (Netuno) do projétil (Marte e Sagitário – lembrando da flecha, que também é um projétil) e da violência generalizada, do caos e falta de parâmetros, da ausência de princípios norteadores de convivência em sociedade, princípios estes representados por Júpiter e Saturno. No entanto, as balas perdidas são também uma manifestação violenta, repentina e imprevisível da desordem, das desigualdades, da corrupção, do tráfico de drogas, do excesso de individualismo e indiferença de uma lógica de mercado que leva alguns a comercializarem armas de grosso calibre indiscriminadamente, apenas visando lucro ou o famoso “se dar bem” daqueles que querem levar vantagem em tudo e dane-se o resto do mundo. Tudo isso está no mapa radical do Rio de Janeiro, na oposição de Urano em Sagitário na sétima casa com Netuno em Gêmeos no Ascendente. Este mesmo Urano nascido em quadratura com um Plutão numa décima casa, cujos poderes estabelecidos sofrem a penetração e o irromper de fatores do submundo em repetitivos períodos de inversão de ordem. Quando o poder legítimo (Sol na 10) não se encontra no alto física e moralmente falando, quem impera são as forças plutonianas de autodestruição. Claro que as configurações do mapa radical do Rio de Janeiro não caracterizam apenas caos, violência e desigualdades, ou não teríamos a alcunha de Cidade Maravilhosa ou, antes mesmo de recebermos tal designação, não teríamos sido a capital do país por tanto tempo antes de Brasília. O Rio tem muitas qualidades antes de ter seus defeitos, ou melhor, simultaneamente a seus defeitos. Ler uma cidade astrologicamente equivale, com as devidas ressalvas, a ler o mapa de uma pessoa e de uma instituição qualquer (empresa, organização coletiva). De qualquer maneira não nos custa tentar analisar esses pontos críticos em momentos de tamanha violência urbana como os que estamos vivendo e tentar entender o que está havendo para procedermos, se possível, com alguma medida que altere esse quadro. Retornando: o Rio há muito vem sofrendo com o zunir e o impacto das balas perdidas. O problema atual recrudesce desde o eclipse supramencionado, com a conjunção, no céu, de Marte com Netuno (ver imagens: “eclipse19-03-07.gif” e “rioXeclipse.gif”), juntamente com uma oposição com Saturno. O processo ocorre no eixo das casas 3 e 9 do Rio de Janeiro, sendo que a 3 representa, numa cidade, entre outras coisas, as vias públicas, as ruas, as esquinas, como Mercúrio, que, por sua vez, recebe toda a carga do eclipse em quadratura com Plutão. O eixo das casas 3 e 9 também relacionam-se com as comunicações em curta, média e longa distância, sendo a nona casa igualmente a dos estrangeiros. Saturno-Netuno em aspectos tensos é freqüente em casos de manifestações violentas e segregadoras causadoras ou reiteradoras de desigualdades sociais. O que veio ocorrendo nos últimos dois meses até o momento, especialmente em se tratando das incursões no Morro do Alemão com o saldo de 19 mortos entre bandidos e possíveis inocentes, sem contar com os diversos feridos pelas balas que não escolhem vítima, é expressão característica da conjuntura de fatores que vimos mencionando desde o início deste texto. O episódio fatídico do Morro do Alemão ocorreu ao longo de uma oposição do Sol em trânsito com o Plutão do eclipse, ativando enfaticamente a quadratura eclipse-Plutão que continha tal potencialidade (ver imagem “eclipseXtransito-27.06.07.gif”). O planejamento das ações policiais, conforme foi noticiado, abrange vários outros pontos do tráfico em favelas da cidade, uma vez que se cogita a possibilidade de retaliação por parte dos bandidos e auxílio de facções criminosas entre si contra as forças policiais. Essa retaliação não é impossível e pode ocorrer de maneira esporádica em atos de violência que não necessariamente restringir-se-iam a policiais ou às forças de ocupação, podendo sobrevir episódios sérios em pontos diferenciados da cidade. Chamemos a atenção mais uma vez para a linha de Plutão do mapa astrocartográfico do eclipse passando sobre o Rio. Essa foi a preocupação que manifestei durante a palestra proferida em dezembro. Apesar de as autoridades responsáveis continuarem afirmando que as ações policiais e da Força Nacional nas favelas nada têm a ver com a chegada do Pan, há quem já esteja classificando o episódio no Morro do Alemão como a “Chacina do Pan”. Este foi o nome dado ao que aconteceu pelo presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB-RJ, João Tancredo. A ação da polícia e da força nacional tem óbvia relação com a chegada dos Jogos Pan-Americanos, numa espécie de “maquiagem” dos muito profundos problemas sociais do país e da cidade que historicamente vêm sendo acentuados por medidas autoritárias e pela ação dos mecanismos socioculturais formadores e reiteradores de desigualdades. Entretanto, o que seria uma tarefa de repressão e amortecimento das ações do tráfico tornou-se algo público, mundial, com repercussões em diversos jornais de grande circulação em todo o planeta. Mercúrio está sendo ativado, afinal. Outras manifestações das configurações mencionadas estão entre os terrenos que cedem e exigem obras “emergenciais” da Cedae nas tubulações que estão no caminho do Pan. Será que em outra época tais obras seriam mesmo emergenciais? Recordemos: Saturno-Netuno em quadratura, oposição e conjunção também podem significar ruína (literalmente, uma estrutura ruindo) e infiltrações. No eixo das casas 3 e 9 temos, portanto, as vias urbanas e rodovias ou as vias similares às Linhas Vermelha e Amarela, por onde passa grande parte do trânsito que seguirá para os novos estádios construídos especialmente para o período esportivo. Agora outra manifestação de desigualdades análoga à de Saturno-Netuno no mapa do Rio de Janeiro ganhou peso nos noticiários: espancamento de pessoas como a empregada doméstica atacada por vários jovens de classe média que teriam, a princípio, todos os motivos para NÃO fazer o que fizeram, justamente porque, pelo menos teoricamente, teriam tido acesso a uma educação diferenciada e a um nível de vida privilegiado. Ao contrário, a barbárie impera também na mente desses jovens que a exemplo daqueles que atearam fogo ao índio Galdino em Brasília parecem ter perdido a sensibilidade e a humanidade. Talvez não as tenham perdido. Talvez nunca a tivessem possuído. Essa barbárie tão à flor da pele e as ações tão violentas, tão visíveis e, digamos “democráticas” dos últimos meses , afinal todos nós sofremos com isso independentemente de situação social, parece estar relacionada, entre vários outros fatores, aos efeitos de Saturno-Netuno e do eclipse em quadratura com Plutão que sobre o mapa do Rio de Janeiro atinge o Sol e Mercúrio. Não bastasse isso, Urano em trânsito vem mantendo a conjunção com o Plutão radical do Rio, coisa que se estenderá até março de 2008, sendo os meses de julho, outubro e janeiro os meses de maior potência do aspecto. Antes de falar desse aspecto com detalhes, quero fazer uma ressalva. Como disse antes, nem só de aspectos tensos e de crises sérias como esta se faz um período de um ano. O Rio de Janeiro recebeu uma dose maciça de investimentos e alguns bairros terão comércio e urbanização intensificados. Espera-se que o turismo torne a se desenvolver na intensidade almejada na cidade e que haja uma série de avanços sociais, urbanos e tecnológicos que, julga-se, beneficiarão a todos e levarão ao mundo uma nova imagem do cartão postal do Brasil, quem sabe, até favorecendo as negociações para a realização de uma olimpíada em terras tupiniquins nos anos vindouros. Eis que a Lua progredida sobre o mapa do Rio mostra, até o início de julho de 2007, um sextil com Plutão, aspectação cujas características também envolvem o recebimento de recursos de terceiros e acréscimos desde os financeiros até aqueles que vêm na forma de recursos materiais e logísticos. A Lua progredida, até o final de junho, fazia um sextil com o Meio do Céu do Rio e vimos, analogamente, o investimento político do governo federal na cidade em virtude da proximidade de um evento esportivo internacional de grande porte. Esportivo, mas que possui profundas repercussões político-econômicas para a região. O mesmo trânsito de Urano ocorre sobre o Meio do Céu e sobre o Sol da cidade. Trata-se de uma súbita alteração de status, de uma ruptura com uma condição estagnada em termos sociopolíticos e de uma bela injeção de novidades, recursos e desenvolvimento proporcionada pela ação das autoridades (casa 10). Com tudo isso, o Rio torna a ser uma cidade que ganha originalidade (Urano) a cada dia, que altera sua dinâmica social e territorial. Felicitamo-nos por essa faceta tão positiva do período, boa parte dela atribuível à chegada do Pan. A Lua progredida ainda fará um sextil com o Sol do mapa radical no período que cobre praticamente todo o segundo semestre de 2007, sendo setembro o mês mais potente. Mantém-se, portanto, o potencial para o recebimento de benefícios advindos dos poderes centrais e para a formação de novas parcerias que podem até ser empresariais, motivando o retorno do desenvolvimento em alguns setores, talvez o cinematográfico e de navegação, afinal o Sol do Rio está em Peixes, signo ligado ao mar à ilusão do cinema, das fantasias de carnaval, entre outras coisas. Igualmente, a Lua progredida fará sextil com Mercúrio de dezembro de 2007 a março de 2008, o que sugere um favorecimento em setores educacionais, possíveis investimentos em escolas de comunidades carentes, quem sabe, e nos pontos de complicação das vias urbanas. Entretanto, tudo isso não faz com que a conjunção de Urano em trânsito com Plutão radical deixe de acontecer. Assim, a preocupação com conflitos sociais que possam encontrar uma expressão muito violenta e espasmódica continua se mostrando legítima. Entre as características típicas desse aspecto, em uma análise astrológica para uma pessoa, encontramos o seguinte: “Eliminação, talvez repentina, de hábitos nocivos. Atitude obsessivo-compulsiva, objetivos inexoráveis que tanto podem provir de ideais humanitários e de desejo de purgação de males do corpo e da sociedade, quanto de ideais baseados no preconceito e no desejo de poder de uns sobre muitos. A primeira ou a segunda expressão vão depender muito do indivíduo, mas de qualquer modo a fase se relaciona com destruição, poder, coerção, violência e uma intensa disposição de “fazer ou morrer”. O indivíduo pode pouco se importar com o que lhe ocorrerá se fizer valer seus pontos de vista. Ele potencializa seu aspecto compulsivo a tal ponto que se entrega à possibilidade de morte, mutilação, dor, enfim, sofrer o pior possível para não se submeter a quaisquer forças de domínio. Isso pode estender-se àqueles que com o indivíduo têm alguma ligação. Ele pode manter-se inflexível em seus desejos (não adianta pedir uma explicação lógica: a causa é a necessidade de demonstrar que nada poderá detê-lo, talvez nem a morte, pois outros continuarão a fazer o que ele diz) mesmo quando várias pessoas saem prejudicadas por sua teimosia e intolerância. Esta conjunção de Urano em trânsito com Plutão do mapa radical sempre coincide com situações ou atos extremos ao longo do processo. Muitos podem atuar em rebeliões contra autoridades, ter atitudes beligerantes e agir impulsivamente no sentido de eliminar decisivamente quaisquer oposições. Outros vão ao extremo oposto, com grandes obras de caridade e resistência passiva à violência e a desigualdades impostas pelos interesses de terceiros, mas sem deixar de manifestar o caráter extremamente teimoso e contrário a imposições, como mostra o simbolismo. A fase também pode coincidir com o falecimento de amigos ou de pessoas que representem uma síntese referencial para grupos de afinidade ideológica aos quais o indivíduo pertence. Pode haver um intenso interesse em influenciar a mentalidade das pessoas, interferir no coletivo, suscitando nele sentimentos controversos, jogando com questões poderosas que podem causar fortes impactos em estruturas de poder vigentes. A época também pode coincidir com um momento de grande desenvolvimento econômico-financeiro. Muitos podem atuar em ações coletivas (provavelmente como líderes, especialmente se Plutão estiver num ponto-chave do mapa, como o Ascendente ou o Meio do Céu) promovendo o progresso tecnológico e industrial. Investimentos vultosos em projetos sociais com muitos recursos afluindo às mãos do indivíduo ou a uma organização à qual pertença podem ser utilizados para modificações profundas tanto na ordem social quanto no modo de produzir recursos. Alguns podem obter recursos e investimentos em projetos e novos conhecimentos a partir de amigos, clubes e grupos de afinidade intelectual. Idem quanto a investidores interessados no poder de influenciação que algum esforço ou descoberta do indivíduo possa trazer. Outros disseminam suas percepções sobre aspectos ocultos ou sutis da realidade, revolucionando, ao menos em seu meio ideológico, profissional ou religioso, questões de ordem muito abrangentes. De que tipo? Coisas como teorias da física quântica, cosmogonias, mitos de criação-destruição, uso da energia pessoal, mental, emocional, atômica e alternativa (ecologicamente viável) na potencialização dos processos produtivos, na manutenção dos recursos e do crescimento econômico. Médicos podem viver uma fase em que vêem novas tecnologias revolucionarem seus modos de proceder. Pessoas que lidam com subterrâneos, escavações, poços e cavernas podem estar recebendo facilidades em dispositivos tecnológicos de iluminação, extração de minérios etc.” Se transpusermos e adaptarmos os significados aplicáveis a mapas individuais para o mapa da cidade, talvez tenhamos uma noção mais clara do que está por vir. Esperamos que prevaleçam os fatores mais positivos desta e das outras conjunções de Urano em trânsito. Entretanto, o próximo eclipse, em 11 de setembro de 2007 terá nada menos do que Plutão e Marte em oposição no eixo das casas 1 e 7 do Rio de Janeiro, sendo que a configuração do mesmo eclipse forma uma grande quadratura que atinge exatamente os mesmos pontos (Sol, Mercúrio, Plutão etc.) já analisados. Não podemos esperar amenidades no segundo semestre de 2007 nem no princípio de 2008.

Carlos Hollanda

Atendimento – Consultoria – fone: (21) 9218-5428

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Astrologia Tropical X Astrologia Sideral – diálogos e debates

Alguns questionamentos sobre:

– Astrologia Sideral e Tropical

– Qual ou quais fatores estariam entre os que propiciam o fenômeno astrológico.

Nesta 1a. parte as questões e reflexões principais partiram da astróloga Fabiane Silveira, em suas andanças entre Brasil, Inglaterra, Canadá e outros países nos quais aterrissou em sua incessante e jupiteriana jornada. Este que vos fala acrescentou alguns pormenores a pedido da própria Fabiane, que dialogou também com a astróloga Carole Taylor. Num clima de verdadeira busca pelo saber todos os três, sem pretensões, trocaram idéias, percepções e conhecimentos. Concordâncias e discordâncias foram colocadas de uma forma bastante agradável, favorecendo a gradativa modificação da maneira como cada um concebe(ia) alguns dos porquês da Astrologia.

No próximo boletim será trazida uma segunda questão que certamente deixa a muitos de nós inquietos, embora também dê prosseguimento ao que é inicialmente abordado aqui. Lá, inclusive, alguns pontos importantes desta atual mensagem são rediscutidos e revistos.

Gostaria, entretanto, de chamar vigorosamente a atenção de todos para o fato de que os raciocínios expostos não constituem uma resposta definitiva e sim um levantamento do que parece ser um conjunto de tentativas de respostas ao longo de numerosas observações. É de suma importância que os textos não sejam lidos até a metade, caso se queira realmente entender a que se destinam. Afinal, não se adivinha o que um autor quer dizer lendo apenas a primeira página de um livro. Muitas vezes o que se diz no início de um capítulo pode parecer estranho e até absurdo para um ou outro leitor, mas não raro estabelece-se a coerência ao longo da leitura. Torno a lembrar que esta é a primeira parte. Na segunda parte há esclarecimentos e rediscussões que não puderam ser incluídos aqui, sobretudo em se tratando do problema da universalidade de conceitos e aplicações dos mesmos.

Espero que o conteúdo que se segue seja de utilidade a todos e suscite aquele desejo de descobrir que motivou a quem esteve envolvido nos diálogos que ora disponibilizamos. Fiquem, agora, com a apresentação de Fabiane e com as demais trocas de mensagens.

Carlos Hollanda

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FABIANE SILVEIRA ESCREVEU:

O texto a seguir foi escrito como resposta a um exercício realizado durante a minha formação pela FAS – Faculty of Astrological Studies, curso este que faço à distância. Incluí aqui as resposta de minha tutora – Carole Taylor – que tornaram o dialógo muitíssimo mais interessante – e também minhas réplicas. Devo dizer que este não foi um texto elaborado com a finalidade de publicação, mas que teve como objetivo o aprendizado e a reflexão.

Sentí uma grande necessidade de saber a visão da astrologia brasileira sobre questões como estações do ano e signos do zodíaco, por isso chamei pra essa prosa o Carlos Hollanda, que me presenteou com uma belíssima resposta.

 

Talvez os nossos questionamentos contribuam para promover o debate sobre este tema pouco explorado no ocidente: a Astrologia Sideral. Várias outras questões adjacentes foram discutidasa partir desses diálogos. Tenho certeza de que eles poderiam ser enriquecidos com mais replicas e tréplicas de estudantes e profissionais brasileiros.

 

Primeiramente, o que me move realmente a seguir e a defender a astrologia tropical são as evidências de que ela funciona. Na prática, contudo, eu acredito que nós devemos ir além e defender o nosso ponto de vista conceituamente e não apenas empiricamente.

Comecemos a partir das definições: um ano sideral é, geocentricamente falando, o tempo que o Sol leva para dar a volta na terra, tendo como ponto de referência as estrelas fixas. O ano tropical tem suas referências no ponto vernal – onde luz e escuridão, o comprimento do dia e da noite são iguais nos dois hemisférios terrestres. Coerentemente com a concepção que há por traz da Astrologia como um todo, esta igualdade de luz e escuridão é um fato simbólico extremamente importante. Ele fala de algo muito poderoso à nossa mente inconsciente. O ponto inicial que marca um ano tropical – o início do ciclo do Sol, fala sobre um evento onde as forças opostas – feminino/masculino, yin/yang, sombra e luz estão igualmente distribuídas e equilibradas. A Astrologia fixa este ponto ao signo do Zodíaco que coincide, em diversas formas em seu simbolismo, com um novo começo do ciclo do Sol. Áries é o começo da jornada arquetípica. É o primeiro signo Cardinal e é relacionado ao nosso impulso, nossa energia para dar a partida, ir adiante, iniciar coisas. Áries possui em seu simbolismo o arquétipo da criança em sua urgência de descobrir o mundo a sua volta. Áries é o começo.

Sideralistas consideram que devemos manter um parâmetro estritamente ligado às estrelas para medir o ponto vernal. Bem, tal parâmetro joga para o ar todas as bases que dão sustentação à astrologia em si, o que inclui a concepção de Zodíaco, a definição dos signos. Para a Astrologia o que realmente importa é a divisão igualitária, simbólica, abstrata do caminho do Sol à volta da Terra e não as constelações, que têm tamanhos diferentes e são apenas levemente associadas com os signos.

 

Sideralistas afirmam que a precessão dos equinócios deveria ser considerada para determinar o ponto vernal, um ponto móvel ao longo da Eclíptica segundo eles. Todavia, seguindo esta mesma linha de pensamento, talvez eles devessem também considerar que na verdade é a Terra que se move à volta do Sol e não o contrário.

 

Sideralistas dizem que o ponto vernal era considerado zero grau de Áries somente porque eles (o ponto vernal e o zero de Áries) coincidiam na época de Ptolomeu e esta coincidência foi mantida por 100 anos ou mais depois disto. Após esta data, a ligação do ponto vernal ao zero de Áries somente teria sobrevivido pois astrólogos antigos ignoravam o fenômeno da precessão.

 

Bem, após a época de Ptolomeu esta não foi a única concepção astronômica que mudou e a astrologia de hoje não é menos precisa só porque nós descobrimos que o modelo de sistema solar ptolomaico estava completamente errado!

 

O argumento que sustenta a astrologia tropical é talvez o mesmo que sustenta a astrologia em si: o simbolismo. É de forma analógica que nós entendemos a astrologia e provavelmente nós jamais poderíamos voltar a explicar a relação entre os corpos celestes e a vida na Terra de maneira lógica, mecanicista ou Cartesiana de pensar a realidade. Não após entendermos que a teoria das forças gravitacionais não é suficiente para explicar o fenômeno astrológico. Não após entendermos o princípio que rege a astrologia – uma co-relação entre micro e macro universo onde planetas “mostram” e não “causam” efeitos em nós.

 

Até aqui eu pareço categórica, não? Bem, agora vêm os meus “poréns”: mesmo entendendo as bases teóricas da Astrologia Tropical e experimentando sua precisão prática, eu não tenho ainda bons parâmetros de comparação. E a Astrologia Sideral? Funcionaria ela com a mesma precisão ou seria ainda mais precisa? Eu realmente não posso responder a esta questão.

 

A princípio eu simplesmente não consegui me enxergar, em nenhum aspecto, através do meu mapa natal sideral. Então eu comecei duvidar da minha capacidade de ser flexível o suficiente para aceitar uma mudança de paradigma. No entanto, analisando mapas siderais de outras pessoas (desta vez munida de uma maior imparcialidade), minhas dúvidas aparentemente desapareceram. Eu tampouco consegui ver estas pessoas em seus mapas siderais. Mas então, após algumas leituras e reflexões, mais algumas dúvidas novamente surgiram: será que eu analisei propriamente tais mapas, utilizando a metodologia Sideralista própria para interpretá-los? Acredito que não. Sideralistas prestam muito mais atenção às estrelas individuais, às dignidades planetárias e às debilidades. Eles não usam casas, regentes das casas como os tropicalistas usam. Além disto eu acredito que o entendimento de sideralistas sobre cada signo seja outro, não exatamente o mesmo entendimento que vemos na Astrologia Tropical.

 

Em Astrologia Mundana, especialmente na determinação do tempo dos eventos, a precisão das previsões sideralistas é bastante conhecida e parece que os trânsitos dos planetas em signos cardinais desempenham um papel essencial. Sideralistas asseveram, e muitos tropicalistas concordam, que o retorno Solar e Lunar na astrologia Sideral são ferramentas muito mais precisas do que os retornos (solar e lunar) da astrologia tropical. Sem experiência nenhuma, ou alguma pesquisa na área de Astrologia Sideral eu não poderia concordar ou discordar.

 

Finalmente eu gostaria de destacar que a concepção das Eras Astrológicas, sendo parte da teoria Sideralista por definição, não tem nada a ver com a Astrologia Tropical. Este fato me intriga uma vez que eu enxergo muito sentido da Teoria das Eras Astrológicas, na história vista através das lentes da descrição simbólica de cada Era. Porém eu consigo perceber que é de fato uma incoerência recusarmos todas as concepções sideralistas da astrologia e adotar somente esta.

 

No momento que finalizo este artigo percebo que tenho algumas convicções, algumas dúvidas sobre a clareza das minhas idéias, muitas perguntas sem resposta e a certeza de que o meu conhecimento não é suficiente para ir fundo nesta questão controversa.

 

Acredito que a minha recusa ou falta de interesse em investigar e estudar a Astrologia Sideral – em ressonância com o nível geral de interesse da comunidade astrológica ocidental – tem em suas bases um simbolismo tropicalista profundamente enraizado na nossa psique. Mas o que isto implica? Que nós somos naturalmente presos a paradigmas seguros, temendo quaisquer mudanças neles? Ou significa que a Astrologia Tropical realmente ressoa a nossa verdade interna, arquetípica?

CAROLE TAYLOR ESCREVEU:

Fabiane, eu gostei muito de ler seu ensaio. Concordo completamente com seu comentário sobre a importância das estações e do grau 0 de Áries como poderoso símbolo de começo para o Zodíaco, e este poderia logicamente ser a razão principal para o zodíaco tropical ter sido sempre tão popular com astrólogos ocidentais. A idéia das estações e nossas conexões filosóficas e psicológicas ligadas às estações e a passagem do Sol é muito poderosa realmente, e eu concordo que nós nos conectamos de forma muito forte a este simbolismo, particularmente nas latitudes médias do norte, que obviamente foi onde a astrologia se desenvolveu com maior ênfase. Em astrologia moderna, nós nos conectamos com o Sol como um símbolo muito pessoal de “selfhood” [1], um fato que pode, consciente ou inconscientemente, conectar-nos com o significado da passagem do Sol em relação a solstícios e equinócios e sua passagem através dos signos do zodíaco que são relacionados a estes quatro pontos cardinais. Como você sugere, os cardinais são pontos chave no nosso calendário cultural, mesmo que nós não estejamos plenamente cientes de que eles o são.

1] Estes textos, com exceção da parte que dialogo com Carlos Hollanda, foram escritos originalmente em inglês. Carole Taylor me autorizou, sem saber do perigo de corria, que traduzisse e publicasse suas respostas. Não tenho prática em tradução e desta forma, não encontrando um bom substituto para o termo “selfhood” resolvi deixá-lo aqui na sua forma original.

De um ponto de vista puramente lógico, o sistema sideral parece fazer muito sentido, pois este sistema se origina da (suposta) posição do ponto vernal real. Mas por outro lado a nossa astrologia é geocêntrica e tem a visão dos céus vista através do “framework” da terra física e do relacionamento da terra e do Sol na sua volta anual entre equinócios e solstícios. Parece simbolicamente óbvio relacionar os equinócios e solstícios aos quatro ingressos cardinais. Gostei da maneira como você falou sobre a importância do simbolismo e sentido na astrologia, que ao menos precisa estar em equilíbrio com a realidade astronômica. Eu concordo com você que a astrologia é em última instância apenas parcialmente baseada na realidade do que está lá fora, e se baseia pesadamente no sentido simbólico que nós impomos ao cosmo, baseados no tipo de padrão que estamos inclinados a ver e no tipo de relacionamento – coletivo e pessoal – que queremos manter com os céus.

 

FormacaoPresencial-Tijuca-cartaz-okNão existem dúvidas de que muito mais pesquisas precisam ser feitas, eu concordo, para comparar a validade destas duas maneiras de medir o zodíaco, e apesar desta lama escorregadia parecer tomar lugar entre astrólogos em campos opostos (no change there then!) existe um número de livros bastante interessantes para se ler neste assunto, particularmente o trabalho de Cyril Fagan e Brigadier Firebrace. Para saber mais podemos ainda examinar o modo Veda de trabalhar. Em resposta à sua pergunta, eu não tenho certeza sobre o que tudo isso implica, no entanto eu estou bastante interessada no ponto de vista filosófico criado pelo mecanismo quântico, que parece estar falando que o simples ato de observação tem a capacidade de alterar o rumo da situação – em outras palavras, nós estamos de volta a uma espécie de “participação mística” onde o ato de participar conscientemente no mundo tem o poder de criar a realidade.

 

Penso que isto também se reflete em algum nível nesta outra grande escola filosófica do século 20, o Existencialismo. Nós criamos modelos funcionais do universo que se torna nossa “realidade” porque nós fizemos a “falta de fé” existencialista acreditar neles.

 

O sistema tropical parece ter mais sentido para nós astrólogos ocidentais, então nós adotamos ele porque ele funciona e ele funciona porque nós o adotamos.

 

Ou talvez, como astrólogos, nós simplesmente gostemos de ter uma série de “regras” para ter com que trabalhar, um modelo funcional geral que seja reconhecido como um modo standard de praticar. Assim nós continuamos a gravitar em direção ao sistema tropical parcialmente porque ele tem sido o meio usual de trabalhar por muitos séculos. A minha crença é de que a astrologia não existe isoladamente mas é co-criada por seres humanos, e pode ser vista como uma projeção nos céus daquelas coisas que contém significado para nós – o que parece, no ocidente ao menos, se enquadrar na “moldura” tropical.

 

FABIANE SILVEIRA ESCREVEU:

Querida Carole, muito obrigada pelo seu texto. Eu realmente apreciei o que você escreveu e tenho pensado sobre suas palavras todos estes dias.

 

Algumas pontos no entanto me intrigam. Você diz que a Astrologia desenvolveu-se no hemisfério norte e isto reflete o fato de a ligação das estações aos signos parecer fazer tanto sentido aqui neste hemisfério (norte). Devido ao fato de que sou brasileira, pude ter evidências suficientes de que a Astrologia no hemisfério sul funciona tão bem quanto no hemisfério norte. Eu evitei ligar as estações aos signos. Talvez você tenha percebido que eu mencionei apenas a ligação com os “começos”, os “inícios”: o início de um novo ciclo solar, o início de uma jornada arquetípica representado por Áries. Eu evitei mencionar a primavera como o começo de um ciclo anual porque este assunto é ainda confuso para mim, controverso e eu não possuo ainda boas explicações para ele.

 

Bem, no hemisfério sul agora é outono [2], mas o arquétipo de Áries é muito forte de qualquer maneira. É o final do verão, quando as pessoas voltam ao trabalho após as férias de verão. É dito que no Brasil o ano não se inicia de fato antes do carnaval terminar e isto é bem verdade! O final do carnaval coincide freqüentemente com o final de Peixes – o nosso carnaval, acredito eu, tem muita relação com ritos de adoração a Dionísio – álcool, dança, prazeres, num tempo onde os estados alterados de consciência são buscados e socialmente permitidos, quando as fronteiras do super ego coletivo parecem se dissolver. O que de alguma forma eu também relaciono com o simbolismo de Peixes. Quando o Carnaval acaba é tempo de ser mais objetivo e ativo. Tudo no Brasil começa depois do carnaval, inclusive as escolas. Desta forma eu vejo alguma relação entre os signos e a maneira como as pessoas lá vivem durante o ano. Eu me questiono sobre o que Astrólogos Australianos teriam a dizer a respeito disto…eles talvez tenham outra abordagem, relacionando Áries com o começo do ano apesar do fato de que é na verdade outono lá. No sul do Brasil, eu vejo que quando o verão acaba esta é uma indicação de que a festa acabou, o inverno se aproxima e é hora de estar pronto para ele.

[2] Estes textos foram escritos em final de março, início de abril de 2006, de Ottawa onde eu residia até então, e de Londres, onde reside Carole Taylor. Quando ambas dizemos “aqui”, nos referimos obviamente ao hemisfério norte e “lá” ao hemisfério sul.

 

Eu ainda vejo uma grande diferença entre como nós experimentamos o verão no Brasil e como pessoas experimentam isto na América do Norte. Aqui (Canadá) parece que o verão é a culminação, como o topo de uma escala que vai crescendo até chegar ao seu ponto máximo para depois decrescer. Mas no Brasil eu vejo o verão mais como um final – a recompensa por um ano de trabalho duro. Um “grand finale” . Isto me faz pensar: talvez as pessoas de hemisfério Norte e Sul experimentem as estações de formas muito diferentes. Você acha que isso faz algum sentido? Eu venho do Sul do Brasil, onde nós temos sim inverno e podemos ver grandes diferenças entre as estações. Mas e quanto às pessoas que vivem perto do Equador? Carole, eu não posso acreditar que a Astrologia funcione de forma menos precisa para estas regiões onde, definitivamente, não existem estações.

 

Voltando ao seu texto, eu gostaria ainda de lhe dizer que eu realmente apreciei a maneira como você aborda a Astrologia – suas reflexões sobre física quântica e a construção da realidade realmente me inspiraram! Eu tenho pensado já há algum tempo sobre esta questão – de ser ou não a Astrologia uma construção humana e bem, algumas vezes, vendo os fenômenos do tempo que podem ser previstos pela Astrologia eu penso que os padrões que estudamos através da Astrologia existem apesar da compreensão humana sobre eles. Mas novamente, seguindo a idéia sugerida através da abordagem da física quântica, talvez toda a nossa realidade, incluindo a física, seja uma outra face, outro aspecto do mesmo padrão que se manifesta como mente humana… Jung considera que um Arquétipo pode manifestar-se hora como um evento físico, hora como um estado da psyque! Carole, para você, esta abordagem que vê a Astrologia como uma construção humana não é conflitante com este fato, de que a Astrologia fala também do comportamento de animais, fenômenos meteorológicos etc?

 

CAROLE TAYLOR ESCREVEU:

Querida Fabiane, fiquei fascinada em ouvir suas reflexões a respeito do simbolismo do zodíaco e o início do ano no hemisfério Sul. Eu tenho visto sempre a ênfase no 0 grau de Áries, como um momento de equinócio de primavera como sendo associado mentalmente com o hemisfério norte, mas eu posso ver que este não é o caso e agora que eu reli seu ensaio posso ver que você cuidadosamente evitou relacionar as estações com os signos. Parece que a entrada do Sol em Áries é realmente um símbolo universal de renovação coletiva e o começo de um novo ciclo em vários níveis, sendo a estação primavera ou outono. Obviamente, o Carnaval frequentemente se passa quando o Sol está em Peixes, o que parece inteiramente apropriado para esta ocasião, eu concordo plenamente com você.

 

Eu penso que provavelmente existe alguma pesquisa fantástica a ser feita, em como o zodiaco é experimentado e simbolizado interculturalmente e em diferentes áreas geográficas. Como você diz, pessoas vindas de diferentes partes do mundo e diferentes hemisférios parecem experimentar o verão de diferentes maneiras, e isto deveria ser um ponto fascinante para se começar. Não, na verdade eu penso que o simbolismo astrológico é universal, então eu deveria sempre trabalhar em bases que funcionem igualmente bem em qualquer área que a pessoa nasceu. Mas eu nunca dediquei tempo comparando experiências de pessoas nascidas em diferentes latitudes e em hemisférios diferentes. Poderia ser interessante fazer alguma pesquisa sobre diferenças (se elas existem) que poderiam colorir a nossa interpretação. Em última instância, obviamente, o zodíaco é mais do que simplesmente um calendário de estações e alguém poderia interpretar os signos em vários níveis – no entanto, parece que nós todos compartilhamos o simbolismo coletivo do “ano novo” marcado pela passagem do Sol por Áries.

 

Fiquei fascinada pela sua questão final, sobre se eu me sinto ou não em conflito considerando a astrologia como uma possível construção da mente humana enquanto nós podemos claramente ver que isso se relaciona com outros níveis de realidade, como os fenômenos do tempo e o comportamento animal. Sim, em um nível isto traz sim algumas questões espinhosas, e eu não tenho certeza se tenho realmente respostas sólidas ou convincentes. No coração da astrologia, planetas e signos, nós temos um grupo de arquétipos que são, possivelmente, de fato, universais – não somente produções da mente humana e da presença humana, mas existem, por si mesmo o tempo todo. Se este é o caso, então eles estão tão perto o quanto nós podemos chegar da concepção de “verdade”, e nós podemos visualizá-los como “deuses” e figuras mitológicas ou como planetas e constelações ou como arquétipos e forças motrizes (driving forces) ou energias com o cosmos, para os quais toda a vida (animada e inanimada, consciente ou inconsciente) é sujeita. Talvez não seja correto ver a astrologia como puramente uma construção criada por seres humanos – talvez um ponto de vista mais holístico (e menos arrogante) poderia estar em dizer que tudo nasce em um momento no tempo, e neste momento o universo inteiro, visível e invisível, é ressonante com uma rede particular de energia. Para nós aqui na Terra, esta rede de energias parece ser simbolizada pela posição dos planetas e as constelações na eclíptica dos céus, e isto poderia fazer sentido se nós pensarmos holograficamente – qualquer parte que você olhe o universo, você vai acabar vendo o mesmo padrão repetido um número infinito de vezes. Em outras palavras, seres humanos são sujeitos da mesma força arquetípica, de uma forma variada, que toda a vida é sujeita – árvores, pássaros, pedras, tempo, países, etc. Talvez a única diferença entre nós e os outros ítens na lista seja que nós somos aptos a uma participação ativa e aptos a agregar sentido e significado, o que nos dá o desejo de agir ao invés de ser somente atingido por isso, a usar as energias do nosso mapa de forma mais vantajosa através de um diálogo “com deuses”, ao invés de simplesmente ser uma parte desta corrente. Eu penso que não existem respostas fáceis, mas que é certamente divertido fazer as perguntas!

 

CARLOS HOLLANDA ESCREVEU:

Oi, Fabiane, li seu texto e o diálogo travado com a Carole. Bem madura e sóbria a forma como você trouxe esse problema epistemológico à discussão e muito bacana a forma como vocês duas levaram a cabo a troca de informações. Mesmo com visões diferentes ambas tiveram serenidade para argumentar e admitir lacunas nas próprias visões. De fato, acabo me incluindo nesse “clube” como portador de lacunas, pois não conheço ainda uma explicação satisfatória, ao menos do ponto de vista da ciência oficial, para o funcionamento da astrologia, o que seria um grande passo para compreendermos o motivo pelo qual, mesmo não tendo as estações do ano na mesma época, tanto no hemisfério norte quanto no sul nascem pessoas cujos comportamentos encaixam-se nas descrições que conhecemos na análise signos.

 

Atualmente, devido à minha formação como historiador, me deparo com muitos problemas entre meus pares na Academia quando o assunto é a consideração da teoria dos arquétipos e do Inconsciente Coletivo, posto que para o raciocínio do historiador uma teoria atemporal seria inviável (embora esse não seja exatamente o meu caso, já que minha formação de astrólogo é muito mais longa, anterior e amparada por nossos conhecidos dados empíricos – igualmente, como professor de Teoria da Percepção, em Artes Visuais, acaba-se descobrindo, com legitimação acadêmica e tudo, uma ampla gama de invariâncias existentes no ente humano). O historiador trabalha com a idéia de tempo, de transcorrer, portanto, a perenidade de algo tido como universal entra em sério conflito com a questão das mudanças constantes que formam as sociedades. No entanto, se pensarmos noutra forma de questão perene, como os instintos, o inconsciente, na linha freudiana, o conflito epistemológico é amenizado e traduzido como um fator cujas expressões têm suas características particulares de época para época, de sociedade para sociedade. No final das contas, me parece que o resultado final é o mesmo: algo que consideramos ou perene ou de longuíssima duração, como algo inerente ao ser humano (seja isso o inconsciente coletivo, os instintos as necessidades biopsicológicas…) assume uma forma peculiar no tempo e contexto. Esse algo perene seria como a base de uma linguagem que vai-se transformando e sendo moldada de acordo com as experiências exteriores às quais somos todos submetidos, estejamos no hemisfério norte, no sul, no espaço sideral ou no centro da Terra. O problema passa também pelo que André Barbault desenvolve em seu livro “Da Psicanálise à Astrologia” (aqui no Brasil foi publicado pela editora Kuarup), onde ele estabelece, com muita pertinência, todo um vínculo entre o pensamento de Freud e a visão holística e holográfica do astrólogo. Nesse caso, mesmo com a total inaceitação de muitos setores das ciências humanas quanto às propostas de Jung, a estrutura do ser humano, vista pela psicanálise, já seria, com o devido diálogo entre os dois saberes, suficiente para dar um passo importante na explicação desse fenômeno das características zodiacais ocorrerem não importando o lugar: os instintos e o inconsciente, que determinam o comportamento consciente, têm raízes no próprio corpo, embora possam assumir modos de expressão de acordo com locais, épocas, sociedades.

 

Como você apontou, a resposta talvez não esteja mesmo nas estações do ano, já que se assim fosse então quem nascesse em 30 de março no Brasil teria um temperamento tipicamente outonal, provavelmente com a cara de Libra. Nada, todavia, pode estar mais longe da verdade: um olhar breve num pequeno grupo de pessoas nascidas entre 21 de março e 20 de abril logo desfaz esse engano e mostra o quão impulsivas são tais pessoas (mesmo que elas refreiem seus impulsos, tentem redirecioná-los etc.), bem ao estilo Áries. Mas, ainda endossando suas palavras, o que temos são dados empíricos, não uma teoria capaz de dar conta do problema ou do fenômeno. É algo tão observável e previsível quanto a alteração das marés. O único dado que temos, mas que será muito difícil emplacar como uma epistemologia nos dias de hoje, é o princípio hermético da correspondência (muito mencionado também por Barbault, no já citado livro), cujas características se afinam de modo análogo a alguns princípios da psicanálise, salienta o autor. A afirmação de que Áries inicia o zodíaco porque é o “signo da abertura da primavera” acaba por ser, ainda que sem más intenções, “hemisferiocêntrica”, isto é, pautada por uma visão centrada no hemisfério norte, sem considerar que há uma polaridade que é atingida pelas mesmas características. Isso sim é histórico, sociológico e antropológico, muito mais do que geográfico, astronômico ou arquetípico. A explicação foi incorporada por que nos é mais fácil pensar desse modo, mas ela não dá conta do problema. É preciso rearticulá-lo e elaborar uma nova teoria não centrada no norte, mas global.

 

Quanto ao problema do funcionamento ou não de um mapa sideral ou do tropical, na verdade não é tanto o sistema que define o resultado da leitura. Em meus praticamente vinte anos de atuação na área o que percebo, após ter também testado minha própria leitura com astrologia hindu, chinesa, árabe e também com outros sistemas não baseados no céu astronômico/astrológico, como o Tarô e o I Ching, é que o que faz tudo ter sentido é o modo como o intérprete lê. É, em nosso caso, o astrólogo quem dá a coerência e por mais que o que vou dizer possa parecer uma simplificação, ouso insistir na experiência empírica para quem quer que discorde: o resultado de todas essas interpretações normalmente chega ao mesmo ponto, talvez alterando a linguagem aqui e acolá, mas localizam um problema, uma possibilidade, um sentimento, um padrão repetitivo que está vindo à tona ou que faz parte da estrutura psicossocial do sujeito. Eu mesmo, por exemplo, não me utilizo de Lilith, asteróides ou Quíron, embora entenda que são elementos cujos simbolismos possam ser muito esclarecedores para quem sente necessidade de adicioná-los em sua maneira de interpretar (afinal, são componentes de uma linguagem, são também caracteres, sinais, como ideogramas chineses ou letras hebraicas, cuja semântica e entonação dependerá do conjunto em que se encontram). Apesar de não usá-los atualmente (já os experimentei várias vezes e satisfatoriamente – hoje venho mudando um pouco meu olhar e já estou considerando Éris na leitura) em todos os momentos em que o fiz percebi que a leitura chegava aos mesmos pontos, usando-os ou não (Éris parece ser diferente, ela realmente me sugere acréscimos significativos). Como para meu estilo de leitura fica mais fácil não usá-los, optei por não acrescentar mais tantos dados, mantendo uma linha que me permite, com maior ou menor desenvoltura, chegar onde tenho que chegar. A leitura desses fatores é significativa e eficaz para quem sente necessidade de usá-los. No meu caso não seria. É por isso que entendo que tanto a leitura sideral (comum à astrologia hindu) quanto a tropical, embora possam diferir muito devido à adoção de perspectivas astronômicas diversas, chegam a resultados senão muito próximos, idênticos. Reitero, portanto, minha defesa quanto ao arranjo dos caracteres e à construção do discurso: é ele quem garante a semântica e o resultado da interpretação.

 

Outro ponto que me chamou a atenção foi quando você mencionou que a acurácia da astrologia sideralista, sobretudo na revolução solar, é maior que a tropical. Permita-me discordar, pois não vejo nem o primeiro nem o segundo caso como mais nem menos acurados. Continuo afirmando que depende um bocado do discurso do intérprete, de seu estilo de análise. Uma visita ao site da Constelar, no artigo de Fernando Fernandes sobre o retorno solar do Rio de Janeiro, mostra o quanto essa acurácia pode ser obtida pela astrologia tropical. Isso também demonstro em curso da Astroletiva. O que pode dar essa impressão de maior ou menor exatidão é que o astrólogo sideralista, ao menos nas linhas que conheço, vão mais direto ao ponto quando discursam. Já o ocidental, influenciado pelo discurso psicológico impulsionado pelo pensamento que vem desde fins do século XIX, dá uma volta um pouco mais longa para chegar ao mesmo ponto, mas entre um e outro a diferença talvez só esteja no tempo para chegar a uma conclusão e no modo mais, digamos, “amortecido” de dizer o que se tem que dizer.

 

Bem, Fabiane, no final das contas, repito o que coloquei no início: não há como fechar epistemologicamente essa lacuna, pelo menos por enquanto. Uma outra explicação para o fenômeno não ser invertido nos hemisférios é o fato de que o Sol vai ascendendo na eclíptica a partir do equinócio de Áries, o que estaria analogamente relacionado a um acréscimo de energia, a um “revitalizar” da natureza… bem, ainda vejo muita especulação nisso, apesar de simpatizar com tal resposta em meu lado mais esotérico.

 

Não sei se pude ajudá-la com todo meu falatório. Espero ter dado alguns dados que lhe façam ter insights interessantes. Se os tiver, e acredito que terá, dê um retorno.

FABIANE SILVEIRA ESCREVEU:

Caro Carlos, seu e-mail provocou muitas e muitas reflexões e insights, obrigadíssimo mais uma vez! Queria muito dar retorno antes de sair daqui de Ottawa (mais uma vez estou me mudando). Em meio a uma caixa e outra que arrumo te escrevo!

 

Você acabou mencionando uma outra questão adjacente que me interessa muitíssimo. A questão da perenidade, dos conceitos e teorias universais versus a visão social/antropológica/histórica de homem. Culturalista, sou formada em psicologia e esta discussão me consumiu muito durante a graduação. E também já tinha “descoberto” a astrologia quando iniciei a faculdade, mas também descobrí minha veia fortíssima na psicologia social e institucional – Baremblitt, Foucault, Deleuse, Guattari e turma. A idéia de que a subjetividade é toda socialmente construída e de que portanto não pode haver algo como universalismos me é muito atrativa. Progressista, desconstrutivista e meu stellium em Aquário na casa 11 adora! A idéia de que demandas e desejos são construídos é libertadora. Pois então podemos desconstruí-los!

 

Na psicologia me aproximei bastante das linhas que criticam duramente a psicanálise e a suposta universalidade do complexo edípico etc. Freud na verdade não fazia muitos meios de campo… Como Marx, Freud defendia seus pressupostos com ênfase extrema, talvez me dando a impressão que me dão certos tipos de fanatismos religiosos. No Rio Grande do Sul a psicanálise é fortíssima por causa da influencia da Argentina, e bastante conservadora. Meu lado rebelde adora encontrar conservadorismo e fanatismo pra se contrapor!! E por muito tempo vivi neste paradoxo – com Margarett Mead, Ruth Benedict, Guatarri, Deleuse atacava a psicanálise mas me aproximava de Jung e da astrologia, que bem, também tem como base a universalidade de preceitos – os arquétipos e tal.

 

Porém, ainda insisto que universalidade de complexo de Édipo ou de outros tantos conceitos freudianos é muito diferente de universalidade de um arquétipo. Você concorda? O complexo de édipo fala de comportamento. E de “manifestações” bastante mais restritas e específicas do que é a idéia de arquétipo. (talvez pudéssemos pensar que enquanto o arquétipo é um genótipo, um complexo freudiano é um fenótipo, certo? Será?). Falo de Édipo porque é o exemplo clássico. E porque a psicanálise é contundente em afirmar que o complexo edípico é universal. Ela se complica pois prega a universalidade de um comportamento baseado numa formação de família que é cultural e histórica sem dúvida, concorda? Baseada na família ocidental em sua formação relativamente recente de pai/mãe e filhos. E nas famílias árabes com várias mulheres?? E nas comunidades nativas onde as crianças não tem um pai e às vezes nem uma mãe, sendo na verdade a tribo toda vista como mãe e pai? Bem, Édipo aí cai por terra. Mas e a astrologia? Acredito eu que, se tomarmos o cuidado necessário de não impor os significados dos significantes astrológicos de uma cultura para a outra, podemos sim encontrar a maneira singular daquela determinada cultura em expressar o simbolismo astrológico.

 

Numa linguagem junguiana podemos dizer que enquanto o pensamento freudiano é lógico, o astrológico e junguiano é essencialmente analógico e simbólico. O problema está ao meu ver quando astrólogos abordam arquétipos de forma linear e lógica…

 

E ainda vejo uma questão ética/filosófica complicada na universalidade e na atemporalidade – que talvez esteja na margem que ela dá para a “normatização”, base para manutenção do status quo… Se por acaso se admite que a busca por poder seria inerente à nossa psique, teríamos uma sustentação “insustentável” para práticas abusivas. Sustenta-se injustiças sociais na base do “sempre foi assim”. Se misturamos atemporalidade com darwinismo então podemos dar bases a praticas totalitárias, a ideologias fascistas etc. Podemos criar monstros!! O problema é muito retórico. E ideológico, claro. Realmente pode-se utilizar dos conceitos da psicanálise ou dos arquétipos e inconsciente coletivo para defender a idéia de que as coisas são do jeito que foram “meant to be”… Simplificando, generalizando e manipulando conceitos defende-se qualquer coisa, não?

 

Neste sentido gostei muito do que vc escreveu – e gosto muito da visão que vc e Fernando tem da astrologia. Hoje compreendo bem isso de que a astrologia não dita significados mas que só aponta para possíveis significantes (como diria Katia Lins!) que serão culturalmente contextualizados. Mas ainda peno um pouco e me retraio em discussões mais fervorosas com o pessoal “de esquerda” da psicologia que vê a astrologia como pensamento perigosamente reacionário…Logo eu, reacionária! Fico doida! 😉 A banalização na astrologia sim, concordo que é perigosa.

 

Carlos, por enquanto é isso o que eu gostaria de comentar. Sigo nas minhas caixas, marcando passagem e tudo mais. Vamos passar um tempo no Brasil, bastante tempo. Nos nutrir um pouco no seio terra natal antes de seguirmos pra Vancouver. Quem sabe durante esta nossa estada lá eu dê uma passada no Rio pra caminhar com os astrólogos andantes!!! Adorei a idéia Carlos, sensacional! [3]

[3] Fabiane já esteve no Brasil e já voou de novo para o exterior. Entretanto, a Confraria dos Astrólogos Andantes não faz mais seus encontros desde 2010. 

Valeu a dica do livro do André Barbault!

CARLOS HOLLANDA ESCREVEU:Olá, Fabiane, quanto ao problema da universalidade ou não do complexo de Édipo, creio que ele se manifesta de maneiras diferentes de cultura para cultura, de época para época, mas talvez ele continue sendo o mesmo lááá no fundo. Seria, acho, como a nossa percepção visual, que pode ser condicionada por fatores geográficos, culturais, físicos etc., mas que em todos os seres humanos de visão saudável consiste no mesmo aparelho orgânico, adaptável. Em outras palavras, e tomando emprestado as que você disse acima, acredito eu que, se tomarmos o cuidado necessário de não impor os significados dos significantes psicanalíticos de uma cultura para a outra, podemos sim encontrar a maneira singular daquela determinada cultura em expressar o complexo…Bem, prefiro deixar essa questão para a próxima mensagem do Astro-Síntese. Até lá temos muito o que digerir. Obrigado por nossa tão interessante troca de mensagens. Agradeça à Carole mais uma vez por autorizar a publicação das réplicas.

Conheça os CURSOS ONLINE EM VÍDEO com Carlos Hollanda clicando aqui.

Abraços!

Carlos Hollanda

 

A Sentença de Saddam Hussein

Mensagem de 6 de novembro de 2006

 

A sentença de Saddam saiu durante uma série de oposições de planetas em Escorpião com seus planetas em Touro, além de uma quadratura de Saturno em trânsito com Mercúrio, que, por sua vez está em conjunção com Algol. Tudo de acordo: essa estrela é comum em decapitações (a cabeça da górgona decapitada pela espada de Perseu – Capulus), degolas e enforcamentos.Eis duas versões de seus dados :28 Apr 19378:55 AM -3:00Tikrit 34N30; 043E4228/4/37 – 07:05 AM Tikrit, Iraq Hollanda

A Coréia do Norte desde há alguns anos pra cá

Ocorreu com os seguintes dados:

 

 

Horário Local: 10:36 A.M (JST: -9) 

Localidade: Hwadaeri – 34N58 33 – 127E07 33 (é preciso confirmar os minutos da longitude) 

Fontes: – Agência “último segundo” – http://ultimosegundo.ig.com.br/materias/mundo/2550001-2550500/2550252/2550252_1.xml 

Coordenadas: http://worldtimezones.core.fubra.net/profile.php?index=KR&city=hwadaeri 

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Algo em torno de meia hora antes do horário informado pela Imprensa, o Ascendente cruzou Plutão e Urano, bem de acordo com um teste subterrâneo, encontrava-se na casa 4. O dispositor do Ascendente do momento, Júpiter, está envolvido na quadratura T de Saturno-Netuno-Júpiter. Esta ativa fortemente o eixo das casas 3 e 9, ou seja, a óbvia reação internacional ao teste. Com Mercúrio em Escorpião regia a sétima casa enquanto Plutão estava no Ascendente e Urano na casa 4 (às 10 h da manhã – vejam o mapa para esse horário, pois ele é realmente significativo como os últimos minutos antes da explosão).


No momento divulgado, 10:36, era a Lua a regente da sétima e ela está em oposição com Mercúrio. Há alguma dúvida de que haverá represálias sérias?
 


Confirmando com estrelas fixas (uso, após experimentar muito, uma órbita próxima a dois graus, pois o procedimento e a interpretação se encaixam muito bem nos resultados das análises): 
Sobre a Lua: Menkar – uma das mais destrutivas estrelas do Cetus, posicionada em seu focinho ou em seus dentes à mostra (ao contrário da visão mais recente, o Cetus não é uma baleia, mas um monstro marinho, meio réptil, meio peixe, uma espécie de dragão dos mares – enfim, um monstro comedor de pessoas). Menkar funciona também como uma irrupção de aspectos do inconsciente coletivo represados pelo racionalismo. O estado tenso de Netuno reitera a faceta do Inconsciente Coletivo de caráter destruidor do símbolo do monstro das profundezas – como Jormungand, a Serpente de Midgard, filha de Loki, exilada nas profundezas aquáticas da “terra média” (Midgard), combatida por Thor, o deus do trovão nórdico no dia do Ragnaroc – o juízo final viking (detalhe: no mito, ambos morrem). Tomei ainda, a liberdade de me antecipar ao Raul Martinez, pedindo-lhe, no entanto, seu toque especial na interpretação dos graus simbólicos. Vejam as coincidências (como se isso realmente existisse) no mapa de 10:36: Sobre o grau da Lua:

Touro 13. Um cão tendo um osso corre a toda velocidade para escapar de outro cão que o persegue para lhe tomar seu osso, enquanto duas comadres se injuriam, prontas a se baterem.

ou – Duas mulheres que se batem.

Sobre o grau do Ascendente:

 

Capricórnio 06. Um homem coberto com uma capa caminha levando sobre cada ombro um pequeno cão, e, em sua mão estendida, um coração encimado por uma chama.

ou – Um homem levando sobre cada ombro um cão.

Sobre o grau de Mercúrio (lembrando que a figura diabólica – mefistófeles – dependendo da concepção e da formação sociocultural, costuma ser chamado de “cão”):

 

Escorpião 10. Em um camarote, um ator lança um último olhar sobre seu traje de Mefistófeles; vêem-se, penduradas, muitas fantasias e, sobre a mesa, muitas máscaras.

ou – Uma cabeça de homem fazendo careta.

Sobre o grau de Saturno, dispositor do Ascendente (homem com duas cabeças – pode ser a própria Coréia – norte e sul – a brilhante estrela: uma explosão? A figura tem a cara do Jano bifronte…):

 

Leão 23. Um homem com duas cabeças, olhando para trás, está em pé na beira de um lago clareado por uma brilhante estrela que se reflete na água.

ou – Um homem com duas cabeças , e olhando ao mesmo tempo para frente e para trás.

Sobre o grau do Fundo do Céu (o subterrâneo da explosão):

Peixes 18. Um cavalo carregando seu cavaleiro sem sela cai ao saltar uma barreira, levando a desordem ao restante do bando de cavalos do prado, onde dois se lançam um sobre o outro para se morderem.

ou – Dois cavalos que se batem.

Carlos Hollanda

http://www.aldeiaplanetaria.com.br/astro-sintese
http://www.constelar.com.br/constelar/indices/hollanda.php

Superinteressante – apocalipsismos, astrologia e 11 de setembro

Este post foi publicado inicialmente em 2011.

Saiu, na revista “Superinteressante” de setembro, não muito distante do “11 de setembro” , uma matéria sobre a astrologia, intitulada “Astrologia e ciência”. A matéria de capa, toda em preto (Saturno/Plutão), fala sobre já estarmos vivendo uma espécie de terceira guerra mundial. Ela fora lançada quando Marte estava no final da quadratura com Plutão, assim como Mercúrio (Imprensa) formando também quadratura com o atualmente anão. Num momento um tanto pessimista e depressivo, de “nada ter a perder” como a quadratura “T” Saturno-Júpiter-Netuno é significativo o fato de uma publicação com o alcance daquela optar mais uma vez por um tema de caráter apocalipsista, mais uma vez trazendo à baila o assunto “Astrologia” numa mesma leva de artigos.

A associação, semiologicamente falando, entre Astrologia e temas apocalípticos e milenaristas é bastante recorrente na mídia, especialmente nos últimos anos do século XX, também com as apropriações de interpretações acerca das centúrias de Nostradamus e agora, em tempos de terrorismo e de medo coletivo. As matérias nada tâm a ver, a princípio, uma com a outra, porém, não custa lembrar que é típico da formação histórica da própria Imprensa e das necessidades de veiculação em massa, despertando interesse no maior número possível de pessoas, favorecer tal tipo de associação, ainda que não se tenha a intenção imediata de ser sensacionalista. Todavia, um certo alarme é sempre muito proveitoso para a mídia, que precisa de audiência. De qualquer maneira, os textos são realmente interessantes, embora mantenha aquele tom de “a astrologia ajudou a formar a ciência moderna, mas agora não tem nada a ver…”

Outra associação semiótica possível, na capa, é o fato de que o subtítulo “astrologia e ciência” encontra-se imediatamente ao lado de “os maiores picaretas da história” e acima de “Prêmio Nobel”, que é dado a cientistas renomados, políticos que se destacam ou pessoas que recebem das comunidades legitimadoras um alto grau de credibilidade. Sugestiva essa oposição, não?

Carlos Hollanda

DO EGITO A SANTO ANTÔNIO DO DESCOBERTO

De olho nas previsões

DO EGITO A SANTO ANTÔNIO DO DESCOBERTO

 

Realizado no Rio de Janeiro em novembro de 2010, o último evento “Presságios”, com previsões mundiais para o ano de 2011, teve entre as questões abordadas a forte possibilidade de continuar a ocorrer e a recrudescer uma série de levantes populares diante de poderes estabelecidos e desigualdades. Foi o que indiquei em minha apresentação, entre outros assuntos. Naquele caso referia-me à atual transição de Netuno, que se encontra em Aquário, para Peixes, signo em que ingressará em 4 de abril de 2011. Esses últimos graus do signo de Aquário vêm coincidindo, durante a passagem de Netuno, com vários levantes populares ou revoltas generalizadas contra poderes estabelecidos, medidas autoritárias e também contra o descompromisso com os clamores de distribuição de benefícios para uma parcela maior de uma dada população. Foi, por exemplo, o que ocorreu nos dois ciclos anteriores, isto é, nas duas últimas viradas de Netuno de Aquário para Peixes em seu ciclo de aproximadamente 164 anos.

 

 

Uma dessas viradas coincidiu com as revoluções liberais na Europa de meados do século XIX. Recordo-me, ainda, de ter mencionado, na palestra do “Presságios”, as “barricadas em Paris, em 1848” e os demais levantes que caracterizaram o período. Ali a condição de Netuno era praticamente a mesma da atualidade. No outro caso, olhando para a História do Brasil e, ainda que promovida por senhores de engenho e comerciantes, a Revolta dos Beckman, ocorre no Maranhão, em 1684. Mesma posição para o planeta: a passagem Aquário-Peixes. A revolta ocorre diante das medidas da Coroa Portuguesa com a criação da Companhia do Comércio do Maranhão (1682). A Companhia passaria a deter o monopólio de todo o comércio do Maranhão durante vinte anos, prejudicando comerciantes, proprietários rurais e outras camadas da população cujo descontentamento eclodiu na revolta em fevereiro de 1684.

 

Atualmente nossas atenções se voltam para vários pontos ressaltados nos noticiários internacionais e nacionais, com a enorme massa humana em protestos no Egito, dos quais até o momento são relatados cerca de 300 mortos e mais de 3 mil feridos em revolta contra o regime de Hosni Mubarak, há aproximadamente 30 anos no poder com os “requintes” de um sistema opressivo e ditatorial, incluindo tortura. Os protestos se estendem a outros países árabes e muçulmanos, em apoio à população egípcia. Conforme o site Paraná online (entre outras matérias jornalísticas), o líder da Irmandade Muçulmana, Hammam Saeed, que faz oposição ao governo da Jordânia, alertou hoje que os protestos vão se espalhar pelo Oriente Médio e pelo mundo árabe e destituirão seus “líderes tiranos aliados dos Estados Unidos”.

 

 

Aqui no Brasil, a pequena cidade de Santo Antônio do Descoberto, no Estado de Goiás, próxima ao Distrito Federal, virou notícia do programa “Fantástico”, quando o padre Marcelo José Vieira Júnior surge como uma espécie de heróico protetor do povo em revolta contra as péssimas condições em que se encontram os serviços mais essenciais da cidade, a apenas 40 Km de Brasília. Diante do levante popular, a polícia havia sido acionada e atuou com tiros, bombas, socos e pontapés. O padre abrigou a população dentro de uma igreja cujas grossas paredes já chegaram a servir de defesa contra ataques indígenas no século XVIII. Sua atitude, aliás, remonta à de muitos clérigos medievais diante das ameaças de bárbaros e cavaleiros contra populações de vilarejos próximos a catedrais.

 

Essas revoltas e alterações nas estruturas de poder já vêm sendo anunciadas no meio astrológico há alguns anos, especialmente desde o ingresso de Plutão em Capricórnio. Como nunca um único fator pode ser atribuído ao desencadear de movimentos de tal intensidade, valerá a pena continuar observando essa passagem concomitante de Netuno para Peixes e a entrada de Urano em Áries nos próximos meses. Esses por certo são indicadores de intensificação nesse processo em diferentes cantos do mundo.

 

Carlos Hollanda

Os fétidos tons marrons do “novo” signo

SOBRE O BOATO DO NOVO SIGNO DO ZODÍACO
Imprensa e pseudo-produção científica: fétidos tons marrons

Nesta última semana, seis pessoas me enviaram e-mails perguntando sobre a mais nova notícia sensacionalista – e acrescento: falsa – que vem correndo na mídia sobre a suposta “descoberta” de um novo signo, entre Escorpião e Sagitário. Como essas seis, várias outras pessoas podem estar com a mesma dúvida e assim como respondi às primeiras com algumas explicações com base histórica, aqui faço o mesmo com o acréscimo de outros dados. Infelizmente isso que podemos tranquilamente chamar de boataria e sensacionalismo barato nos dá um certo trabalho de esclarecimento. É uma perda de tempo por um lado, rebatendo inverdades a respeito da prática e das concepções astrológicas, mas por outro é uma oportunidade de ressurgirmos no mainstream das mídias. O grande problema aqui é que esse esclarecimento já havia sido feito há mais de 15 anos, como veremos adiante, sobre A MESMA QUESTÃO. Repetir a dose dessas informações sem qualquer fundamento é um verdadeiro deboche para com o público telespectador e leitor.

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Prezados, essa história do décimo terceiro signo, creiam, é mais velha que a bisavó do Ptolomeu. Inventaram agora que um astrônomo estadunidense, Parke Kunkle,”descobriu recentemente” o Esculápio ou Ophiuco (Serpentário), que é uma constelação cuja extensão ocorre bem próxima da eclítica, o caminho aparente do Sol, que corresponde à faixa do Zodíaco. Acontece que Kunkle não pode ter descoberto isso agora porque isso já se sabe há muito tempo. Já afirmei acima: essa falsa polêmica há mais ou menos uns 15 ou 16 anos já tinha sido propagada em jornais, revistas e TV’s. Aqui no Brasil, entre outros programas, a questão fora vista até mesmo numa audiência como a do Fantástico ou do Globo Repórter.

Uma baboseira que não considera que o zodíaco utilizado pelos astrólogos ocidentais é o zodíaco tropical, o que é concebido segundo as estações do ano em conformidade com o hemisfério norte, onde esse simbolismo se originou. O zodíaco tropical difere grandemente do zodíaco sideral, o das constelações, sendo que um e outro só coincidiram em parte cerca de dois mil anos antes da era comum e mesmo assim, como disse, não totalmente: o tamanho das constelações e dos signos nunca foram os mesmos, nunca houve uma equiparação total entre uma coisa e outra desde as primeiras concepções do zodíaco astrológico, excetuando-se os nomes das constelações que entre outros atributos, tinham algumas estrelas que serviam de referência para a mudança das estações e seu decorrer.

O zodíaco tropical é construído matemática e arbitrariamente de forma a ajustar-se a calendários como os caldaicos, sumerianos e egípcios, com seus 360 dias e 5 dias que miticamente se atribuíam ao influxo dos deuses no mundo criado (veja bibliografia ao final). Esses 360 dias são divididos por 12 em função de alguns princípios fundamentais, entre eles:

a) o ingresso de uma estação do ano, seu ponto culminante e sua transição para a estação seguinte, o que caracteriza uma divisão da estação em três períodos. São 4 estações, cada uma possuindo 3 períodos de um mês, resultando em 12 períodos de tempo divididos igualmente. A origem dessa divisão equânime obedece a uma concepção de universo e meio ambiente que parte dos sumerianos e de outros povos a eles próximos no tempo, cujas sociedades desenvolveram-se até atingir as chamadas “cidades-estado-hieráticas”. Estas sociedades não apenas herdaram do paleo e do neolítico muitas práticas de sobrevivência e convivência, como sistematizaram e deram complexidade às concepções do sagrado. Assim, o universo é concebido por esses povos como uma espécie de manifestação da ordem divina sobre o caos, um elemento de inteligibilidade que permite, isomorficamente (por analogia), organizar a vida concreta abaixo do céu.

b) o próprio processo de formação desse zodíaco das estações do ano, que entre os sumérios obedece ao sistema sexagesimal por eles desenvolvido para calcular a passagem do tempo e, de certa forma, comungar com os deuses naquele período das primeiras produções escritas em cuneiforme. O dia de 24 horas é um múltiplo de 6 (6 X 4), enquanto a hora, com 60 minutos e tudo o que dali decorre pertence a essa concepção. A divisão por 12 do zodíaco provém dali, com seis eixos interdependentes marcados pelos signos e suas polaridades. Os gregos sistematizaram ainda mais o sistema de divisão do céu cujos princípios herdaram daquelas primeiras visões. Nota-se claramente uma contribuição do pensamento pitagórico na geometria e na divisão exata de 30 graus para cada signo, encaixando-os numa perfeita circunferência, que no final é uma forma de representação do infinito e de muitas considerações acerca de uma consciência divina.

Desse modo, a inclusão de um novo signo não possui a menor pertinência para esse modelo, que perderia todo e qualquer sentido na relação do ser humano e seu ambiente com o universo percebido. Mas é precisamente isso o que tal tipo de falsa descoberta quer incutir na mentalidade do leitor. Ora, a constelação do Esculápio, também conhecida como Ophiuco (o serpentário), já era conhecida dos astrólogos-astrônomos há milênios. Claudio Ptolomeu, que viveu no século II da era comum, e cujas obras, como o Tetrabiblos e o Almagesto, nortearam a astronomia até Copérnico, obviamente conhecia essa constelação, tanto que a incluiu, e às estrelas que a formam, em suas obras. Entretanto ele mantém a divisão hierática do céu zodiacal, mantendo Ophiuco junto às constelações não-zodiacais, até porque de fato apesar da proximidade e de uma parcela dessa constelação chegar a tocar a eclítica, grande parte dela está fora do “caminho do sol”.

Sendo assim, as reportagens e o astrônomo que diz ter “descoberto” essa suposta “falha” no sistema astrológico estão completamente equivocados quanto ao próprio sistema astrológico e seu processo formador, sua lógica interna, sua linguagem, entre tantas outras características próprias da astrologia. Ao se tomarem por precisos e rigorosos com o modelo científico, estão, ao contrário, sendo totalmente a-científicos ao julgarem de antemão um tema que parecem desconhecer por completo.

Enfim, é como um geógrafo dizer para um médico que se ele não usar os conceitos geográficos sobre clima para curar um paciente epilético, jamais terá sucesso. Em outras palavras, não tem nada a ver.

Alguns astrônomos (não todos) parecem também querer assumir uma postura de deuses com tudo isso. Suas palavras seriam leis no sentido cósmico, que alteram processos conhecidos e fazem “deixar de funcionar” aquilo que decretam. Dúvidas muito semelhantes foram difundidas com a alteração da classificação de Plutão. Teve gente que achava que tinha que retirar tudo o que fora dito pelo astrólogo a respeito de Plutão porque os astrônomos decidiram que ele não era mais planeta. Com a retomada dessa velha e, repito, falsa polêmica, é mais ou menos a mesma coisa: os sujeitos só querem desacreditar astrólogos e tudo o mais, confundindo as estações. Nossa… que poder divino tem esse astrônomo…! Se for assim mesmo ele deveria candidatar-se a fundar uma nova religião, já que deve ser Deus ou algo parecido…

Em tempo, hoje também li, no blog “Devir”, do astrólogo Alexey Dodsworth, uma indignação semelhante, talvez ainda pior, já que seu esclarecimento feito para a revista “Veja” foi podado de modo gritante. Dodsworth postou uma mensagem a respeito, apresentando, inclusive, a imagem da capa da “Revista da Folha”, do jornal “Folha de São Paulo”, de 16 anos atrás, com, pasmem, a mesma manchete! Como disse antes: como fedem os tons amarronzados do sensacionalismo!

Seguem, abaixo, duas referências bibliográficas interessantes a respeito e de bem fácil aquisição:

CAMPBELL, Joseph. As máscaras de Deus v. 2 e 3. São Paulo: Palas Athena, 2010.

STUCKRAD, Kocku von. História da astrologia: da Antiguidade aos nossos dias. São Paulo: Globo, 2007

Atenciosamente,

Carlos Hollanda