Maçonaria: breve perfil astrológico da instituição e seus membros

Por Carlos Hollanda
(M.’.M.’. (R.E.R.), M.E.S.A., PhD, astrólogo, historiador, diretor da Escola Carlos Hollanda * Astrologia)

Bravíssima introdução – leia para entender

Cercada de pressuposições do senso comum, mistificada por uns, demonizada por muitos, a Maçonaria é uma Ordem Iniciática que tem sua origem oficial no princípio do século XVIII, tendo já, segundo Michael Baygent e Richard Leigh, Lojas (grupos organizados, templos, locais de reunião etc.) desde meados do século XVII. Há uma fronteira tênue em suas origens, no que se refere ao que muitos afirmam ser uma herança medieval templária. De fato, no livro “O Templo e a Loja” (BAYGENT e LEIGH, 2013), os autores traçam vários encadeamentos muito nítidos na análise dos séculos que separam o surgimento das Lojas Maçônicas do encerramento trágico da Ordem do Templo, com a execução de muitos membros, mestres e, sobretudo, do Grão Mestre, Jacques DeMolay, em 18/03/1314 (uma sexta-feira 13, daí o folclore em torno de “dia de azar”, com base na suposta profecia de DeMolay quando de seu martírio, sobre a morte do rei e do papa). Efetivamente, as fontes históricas das quais se valem os pesquisadores supracitados não se restringem a documentos lavrados, como certidões e declarações oficiais, mas abrangem a análise de imagens, como as da Capela de Rosslyn, na Escócia, vestígios bastante reveladores de contatos sequenciais entre várias famílias herdeiras daquelas tradições até a chegada da instituição maçônica que conhecemos. Por certo, não apenas na Escócia, que recebeu templários durante o reinado de Robert de Bruce, pouco depois da extinção da Ordem na França, mas também em Portugal, que, pouco a pouco transformara bens e membros dos templários em cavaleiros da Ordem do Cristo. Ela é precisamente a mesma que ostentava as cruzes nas caravelas que chegaram ao Brasil, conforme os pesquisadores Adílio Jorge Marques e Ricardo Uchoa, em seu “Templarismo hoje e sempre” (2018). Portugal tivera um papel de enorme importância na recepção dos templários antes e depois de suas atividades às claras. Entretanto, justamente pelas variadas vertentes que a compõem, a Maçonaria possui caráter próprio, ainda que haja incerteza quanto a uma eventual herança cavaleiresca ou não e que essa discussão esteja longe de se concluir.

Entre as características podemos incluir um importante sincretismo pelas lendas e tradições que abriga em seu corpo de representações. Ele foi transformado em sistema simbólico muito bem articulado, muito embora ele esteja longe de ser uma coisa única. Justamente o fato de a Ordem ter em sua estrutura a necessidade de abrigar os mais diversos campos do conhecimento e o livre pensar, tornar-se-ia incompatível com sua filosofia manter-se concentrada numa única forma de expressar suas propostas. A despeito de haver uma série do que se denominam “obediências” e um perfil bastante claro para todos os maçons em todo o mundo, em função dessa formação híbrida, com temáticas simbólicas herdadas de múltiplas vertentes espirituais, culturais, científicas (sim, também!), políticas e filosóficas, a Maçonaria é bastante multifacetada, não podendo ser rotulada, nem tampouco cada um de seus membros, de um modo unívoco. Essa mesma multiplicidade de vertentes faz com que na mesma estrutura funcione um grande número de ritos ou regimes que seguem correntes filosóficas muito particulares, ainda que partilhando uma série de formalidades comuns a todos os demais.

Em função do que é dito acima, vale dizer que o objetivo desta brevíssima reflexão é traçar alguns poucos, porém consistentes, paralelos entre o perfil geral da Ordem como um todo, suas principais propostas (aquelas partilhadas entre todos ou quase todos os ritos) e expressões comportamentais, situacionais, mundanas e, quiçá, espirituais e sociais, da Maçonaria através de correspondências astrológicas. Não se trata de uma descrição e contextualização dos símbolos astrológicos presentes na decoração dos templos de grande parte dos ritos, mas sim de traçar esse perfil geral dos membros e da Ordem, que pode ser identificado por vias denotativas (obviedades e sinais diretos) e conotativas. Neste último caso, o que representam, em termos zodiacais e planetários, portanto inteligíveis astrologicamente, alguns de seus principais símbolos e atitudes, de forma a dar a conhecer aos não-membros e até mesmo a seus membros não versados em Astrologia, um pouco do que se contém na própria Ordem, quanto ao que se pode decifrar a partir de parte da hermenêutica zodiacal e planetária. Conhecer as correspondências de uma dada realidade com os símbolos astrológicos é ter oportunidade para compreendê-la mais a fundo, em sua expressão psíquica e social, assim como ter referências para lidar com algo com base em dados que podem ser compreendidos pelos intérpretes do símbolo.

Como mencionado anteriormente, a Astrologia desempenha um papel importante em muitas práticas e até mesmo na estrutura dos templos da maioria dos ritos, com uma simbologia fortemente voltada para as Estrelas Fixas (na abóbada ou teto dos templos) e o desenvolvimento humano no caminho iniciático dentro da Ordem, como o percurso do iniciado (Sol) pelo zodíaco. Ainda assim, este presente estudo, extraído de um maior, traduzido em uma palestra que este autor oferece aos membros periodicamente, não faz parte deste presente material. Será, no entanto, oferecido a público, com as devidas supressões das partes compreensíveis apenas para quem é maçom. Da mesma forma, não é objetivo deste artigo detalhar exaustivamente todas as questões controversas ou o enorme conjunto de fatores interessantes que a Maçonaria possui na história mundial ou em sua própria formação. Tal aventura deixo para estudos posteriores, mais rebuscados, possivelmente acadêmicos, com rigor histórico e antropológico, e um recorte mais específico e desde já recomendo os livros da bibliografia. Desse modo, informo que aqui não mergulho nas discussões sobre pormenores que possam ser importantes para os membros da Ordem ou para suposições do senso comum sobre seu impacto nas sociedades. Manter-me-ei concentrado nas analogias ou correspondências que se podem extrair com um olhar relativamente acurado sobre a forma de agir, de pensar e de se posicionar, da Ordem. Considero traçar esse perfil algo muito útil tanto para os maçons quanto para o público interessado em Astrologia, de forma que possam compreender como essa sociedade, outrora secreta, hoje discreta, expressa sua própria arquetipologia em linhas gerais. Esse autoconhecimento coletivo é sempre importante para quem atua dentro do sistema, tanto quanto o é para quem convive com membros do mesmo ou que possui interesse no ingresso para sua formação.

Correspondências gravadas em pedra, a tônica de Saturno e os demais planetas

Para começar a traçar tais analogias astrológicas, vale muito a pena entender que o termo “maçom” em português, vem de “maçon” ou “pedreiro”, em francês. Em inglês, desde antes do século XVII, esses pedreiros eram também conhecidos como “freemasons” (pedreiros livres) e, posteriormente, o que veio a se tornar a Ordem, passou a ser chamada de “Franc Maçonnerie” ou “Franco-Maçonaria”, em grande parte devido à conexão das guildas de construtores e artesãos franceses com a construção de catedrais em vários pontos da Europa e também na Escócia e Inglaterra, em que tais guildas não estavam necessariamente submetidas a um rei. Eram basicamente contratados para erigir catedrais e grandes construções, incluindo fortificações, tais como as utilizadas por Cavaleiros da Ordem do Templo. Não entrando em importantes detalhes sobre a transição das guildas de pedreiros-arquitetos-artesãos para a maçonaria, nem tampouco das gradativa transmissão de valores e conhecimentos templários (conforme BAIGENT e LEIGH, 2013), vale dizer que os elementos filosófico-religiosos das raízes antigas e medievais que subjazem à proposta maçônica ganham contornos claros de atividade lapidar e de esforço de auto-aperfeiçoamento.

Essa mesma herança do “desbastar a pedra bruta” remete aos antigos mestres construtores e “construção” é um termo que, em astrologuês, remete diretamente a Saturno. A maçonaria é, em sua principal expressão, saturnina, ainda que hoje não se esteja mais falando de uma Maçonaria Operativa (construtores) e sim de uma Maçonaria Especulativa (já se desenvolvendo entre os século XVII e XVIII). Esta utiliza o mesmo jargão e princípios filosóficos utilizados por seus ancestrais construtores, mas convertendo a prática de erigir analogamente a catedral externa simultaneamente à interna (espiritual, psicológica etc.) em símbolos que orientam uma trajetória de crescimento interno, majoritariamente. Claro que o astrólogo atento já deverá ter percebido uma certa interferência do simbolismo jupiteriano, em todo esse processo filosófico. No entanto, a jornada interior é totalmente marcada pelos referenciais saturninos até um ponto bastante adiantado do processo, onde passa a dialogar com outros simbolismos planetários, entre expectativas comportamentais e outras mais transcendentes. Porém, mesmo nesses casos mais adiantados, prevalece um enquadramento dentro do padrão saturnino, como veremos adiante. E, claro, cumpre observar que uma expressão mercurial, isto é, do Mercúrio simbólico, regente de Gêmeos e Virgem, se faz presente na figura dos Aprendizes, enquanto elementos que absorvem conhecimento teórico (Gêmeos) e praticam aquilo que aprenderam, esmiuçando e retificando a si próprios no decorrer (Virgem). Os chamados “Companheiros Maçons”, se caracterizam como elemento de ligação, como mediação entre a fase de Aprendiz e a de Mestre, o que dificilmente não remeteria a algo com tonalidade Vênus e Libra, fatores ligados às alianças, parcerias, embelezamento (os companheiros se encarregam de “polir a pedra já desbastada” pelos aprendizes) e de preparo para lidar com a alteridade.

Não obstante, Maçonaria, podemos insistir, é algo saturnino, apesar de suas várias nuances e heranças (de muitas tradições, inclusive pagãs, em sincretismo com as judaico-cristãs!). Tanto pelo sentido capricorniano (que caracteriza os Mestres, no topo da hierarquia de uma Loja) quanto pelo aquariano (que equaliza a todos, a despeito dos títulos e graus). Recorde-se, aos recém interessados nessa linguagem simbólica, que Tanto Capricórnio quanto Aquário são regidos por esse planeta, sendo Urano, descoberto em 1781, um acréscimo da Astrologia Moderna, enquanto desde sempre Aquário tem a Crono como expressão planetária (uma coisa não necessariamente invalida a outra, mas é importante saber que Saturno nunca deixou de reger o signo do aguadeiro). Tal correspondência comportamental-circunstancial-material vale tanto para o âmbito estruturador e hierárquico, diretamente associado ao Capricórnio, quanto para o fraternal e cooperativo, relacionado ao contestador Aquário e sua necessidade de igualdade ou de, pelo menos, não ser subalternizado. Vale para o esforço constante e disciplinado (Capricórnio) e para o serviço aos irmãos e a humanidade (Aquário).

Por suas heranças cavaleirescas, ainda que muitos afirmem que tenham sido apropriadas e ressignificadas por membros da nobreza europeia no século XVIII, e outros afirmem que tenha realmente havido uma transmissão direta de saberes, tradições e valores templários durante 400 anos até a formação da Maçonaria propriamente dita, de um modo ou de outro, encontramos Marte, na composição do comportamento e da hierarquia da Ordem. Para quem está acostumado a ler conexões astrológicas nas realidades ao redor, e sabendo dessa característica marcial herdada, não é surpresa o fato de que, na própria formação de muitos de seus membros, está esse mesmo componente. Desde a origem, muitos militares britânicos,  a partir de 1742, ingressaram na maçonaria e de diversas maneiras deram a tônica para muitas das características da ordem. A própria fraternidade de caserna é algo que se afina com a proposta de fraternidade da mesma, com seu sistema cooperativo. Em vários países, um número consideravelmente grande de maçons são militares até hoje. Em astrologuês isso significa que Marte tem algo de importante na constituição da Maçonaria e de seus membros, e que podemos esperar que os mesmos sejam costumeiramente muito ativos, diretos e incisivos em suas ações, exigindo de seus membros que atuem com clareza, sem complicações e seguindo um código de conduta digno daquilo que o cisterciense Bernardo de Claraval, legara como código de cavalaria a seus contemporâneos medievos. Ao menos em teoria é o que se pede. Nem sempre toda essa disciplina é seguida à risca. Todas as boas plantações possuem ervas daninhas e os códigos servem para detectá-las e afastá-las.

A maçonaria, em sua herança arquitetônica, dos mestres construtores e geômetras entre Antiguidade e Idade Média, com sua preocupação não apenas com aquilo que é preciso, mas, sobretudo, com o que é “belo”, no sentido platônico do termo, terá que possuir algum traço expressivo de Vênus, em sua concepção (já vimos isso quanto aos Companheiros). Com efeito, conforme Christopher Knight e Robert Lomas, em seus livros sobre pesquisas arqueológicas ligadas à formação da Maçonaria, sobretudo “O Livro de Hiram” (KNIGHT e LOMAS, 2005), Vênus desempenha um papel crucial em grande parte do simbolismo do templo, das práticas iniciáticas e do esforço de harmonização do indivíduo como um ser humano melhor em sociedade. Mais ainda, há uma relação indireta entre o simbolismo de Vênus, Ceres/Deméter, a estrela Spica (alfa de Virgo), entre outras presentes no teto dos templos, com os mistérios de Elêusis, onde, em resumo, a morte e o renascimento são uma das principais referências para o desenvolvimento iniciático do membro. Esse fator, portanto, fica subjacente à expressão majoritária, saturnina, mas ainda é prevalente, sobretudo nos estudos mais internos.

A arquetipologia de Saturno, entre os maçons, contudo, faz-se presente em todas as etapas, mesmo quando mesclada com as tônicas de outros planetas, em atos simbólicos como uma iniciação ou uma passagem para um grau acima. Além de todo o simbolismo da pedra bruta e pedra polida, da construção, dos instrumentos de medição (a começar pelo esquadro e compasso, o nível e o prumo), do erigir, em sua maioria, os maçons têm como regra trajar-se de preto (ternos pretos), reforçando a analogia saturnina pelo tom escuro das vestes e pela austeridade das normas. Não só isso: preza-se pela hierarquia, pelo cruzamento paulatino de etapas de aprendizado e de ocupação de cargos, com uma profusão de títulos, certificações, datas comemorativas e de atividades importantes (calendários são coisas que também remetem a Saturno, apesar de serem lunares ou solares – falamos de demarcação de tempo, assunto de Crono). As Lojas (templos maçônicos), de fato, só podem funcionar com um determinado número de Mestres assim reconhecidos como tal, sem o que não é possível conduzir os trabalhos. Curiosamente, o número de maçons idosos tem sido um tanto maior nas primeiras décadas do século XXI, apesar de tal número poder variar de tempos em tempos. Todas essas expressões são saturninas, isto é, em jargão astrológico são assuntos regidos por Saturno.

O irrefutável eixo Câncer-Capricórnio e a conduta maçônica

Entre as principais características maçônicas, desde o ingresso do candidato, onde isso se reforça intensamente, está um ideal de união, comprometimento e adesão que ao que costumeiramente os membros se referem como “família”. Uma “família maçônica”, em que todos se tornam “irmãos” sob um mesmo código e uma mesma trajetória iniciática ou uma egrégora, se preferirem. Família é assunto canceriano, em jargão astrológico, sem discussão. Câncer é o signo que rege precisamente o clã, os familiares, a linhagem, as bases operacionais, sejam elas lar ou um centro para o qual convergem os diversos membros de um grupo relacionado por laços de sangue ou por adoções. Câncer é o signo das tradições provenientes de passados longínquos, conservadas por antepassados, por documentos, construções e diferentes outros tipos de legados sobre os quais repousam o presente. Os laços da Maçonaria, a despeito de toda a racionalidade capricorniana e aquariana, que lhe dão expressão no mundo, são também emocionais e subjetivos, conforme reza a cartilha canceriana. Falando nisso, laços e cadeias de união são fatores de suma importância não apenas na constituição física das Lojas, mas também na construção da rede de apoio e de manutenção do que sustenta seus membros em torno de suas práticas.

Câncer e Capricórnio são signos muito significativos para a Maçonaria em seu discurso simbólico, tanto na circunscrição de grande parte da filosofia/comportamento da Ordem quanto na expressão coletiva de seus membros. Câncer-Capricórnio estão entranhados na instituição pelas heranças zodiacais, com o aumento e o decréscimo de luz ao longo do ano, com o simbolismo de Sol e Lua (meio-dia e meia-noite , como as casas análogas, a 10 e a 4, respectivamente), com a ideia de fundação (Câncer) e construção (Capricórnio). No próprio templo são representados, por intermédio de alguns detalhes na decoração, como colunas, não apenas o zodíaco em si, mas, sobretudo, os trópicos de Câncer e de Capricórnio, que demarcam a ascensão e decréscimo máximos do Sol na abóbada celeste, nos solstícios (verão e inverno, respectivamente, no hemisfério norte).

Esse eixo é marcado também pela tradição judaico-cristã que permeia uma parcela de suas práticas, sobretudo com as datas importantes próximas aos solstícios e sua direta relação com dois “São João”: o Batista e o Evangelista, o primeiro (comemorado em 24 de junho) conectado com o solstício de Câncer e o segundo com o de Capricórnio (comemorado em 27 de dezembro). Ambos tradicionalmente representativos do que, em um sentido mais esotérico, costuma ser denominado pelo conjunto “porta dos homens” e “porta dos deuses”, indicando dois tipos de nascimento, o para o mundo e para a divindade, no sentido filosófico e de autoaperfeiçoamento dessas concepções. Trata-se de uma ressignificação de elementos pagãos, um tanto mais antigos de religiões solares, como a de Mithra, o Sol invictus, absorvidos pelo discurso de poder vigente durante grande parte da Idade Média. Castellani os associa também a Janus, chamando a atenção para o seguinte:

Foi a semelhança entre as palavras Janus e Joannes (João, que, em hebraico é Ieho-hannam = graça de Deus) que facilitou a troca do Janus pagão pelo João cristão, com a finalidade de extirpar uma tradição “pagã”, que se chocava com o cristianismo. E foi desta maneira que os dois São João foram associados aos solstícios e presidem às festas solsticiais. (CASTELLANI, 2012, p. 128)

O que chama a atenção, no entanto, não é apenas o processo de assimilação e ressignificação em si, nem tampouco o direcionamento que o símbolo pode sugerir à consciência do iniciado que mergulha nessa simbologia. O extraordinário é que o comportamento coletivo da Ordem (como o de uma nação ou cultura o faria) se assemelha precisamente ao eixo Câncer-Capricórnio, que lhe cai como uma luva.

Convergências das datas de origem e o eixo Câncer-Capricórnio

Curiosamente, em 24 de junho 1717 (próximo ao solstício de verão e na comemoração de São João Batista), na Inglaterra, época em que há um relativo consenso quanto ao surgimento da Maçonaria que se desdobra na forma atual (apesar de várias imprecisões e controvérsias quanto a um momento preciso de origem, que pode ser, como dito acima, um tanto anterior), é instituída a Grande Loja da Inglaterra. O que surpreende é a grande quantidade de fatores em Câncer – Sol, Mercúrio, Vênus e Júpiter (este, exaltado, nesse signo) – e a Lua cheia em Capricórnio, com Saturno exaltado, em Libra. Ver mapa hipotético, a seguir, com horário “genérico” de meio-dia.

No Brasil, outra “coincidência” interessante: a Maçonaria passa a ser reconhecida como uma instituição em 17 de junho 1822, no mesmo ano da Independência, mas muito mais proximamente ao solstício de Câncer, tendo o Sol e a Lua em Gêmeos, porém com Mercúrio, o planeta regente (dispositor) de Gêmeos, em nada menos que Câncer. Em astrologuês isso é deveras significativo e tem grande peso na consideração dos símbolos. Isso significa que mesmo sem ter o Sol ou a Lua em Câncer, o planeta regente nesse signo confere um enorme peso e representa uma manifestação particularmente caracterizada pela tônica canceriana. E mais: naquela ano havia a conjunção de dois planetas trans-saturninos em Capricórnio, Urano e Netuno, algo muito marcante nas análises de Astrologia Mundial, no que se refere à Independência da maioria das colônias na América do Sul. Vale dizer que, no Brasil, a Maçonaria tem uma flexibilidade forte, bem aos moldes geminianos, mudando rápida e fluentemente conforme a época e necessidade (ou interesses), tendo, ainda, um dos maiores números de ritos em seus quadros (variedade e ecletismo é típico de Gêmeos) em relação aos demais países. Ver mapa hipotético, a seguir, com horário “genérico” de meio-dia.

A história da Maçonaria no mundo e também no que concerne à instituição no Brasil não está, todavia, determinada pelas datas supracitadas. As controvérsias quanto às origens e inícios são grandes e podemos ter diferentes datas, com diferenças de décadas ou até mais de um século entre o que se considera oficial e o que as mais recentes pesquisas têm revelado. De fato, como vimos, entre França e Escócia, muitas Lojas maçônicas já eram formadas um tanto anteriormente à Grande Loja inglesa. Ainda assim, com toda a arbitrariedade ou até mesmo com alguma eventual urgência, nas épocas, para as escolhas das datas consideradas oficialmente, é muito significativa a convergência para o eixo Câncer-Capricórnio, o que só faz tornar a pensar numa inclinação comportamental e representativa (de ambos, membros e instituição) que gira em torno desse eixo.

Referências bibliográficas:

BAIGENT, Michael, LEIGH, Richard. O Templo e a Loja – O Surgimento da Maçonaria e a Herança Templária. São Paulo, Madras, 2013

CASTELLANI, José. Maçonaria e Astrologia. São Paulo: Landmark, 2012

HOLLANDA, Carlos. Astrologia e as polaridades – os seis eixos do zodíaco. Rio de Janeiro: Arte Sequencial, 2016

_____. Os Elos Simbólicos da Maçonaria com a Astrologia – Interseções e Decodificações. Palestra ministrada em 16/09/2021, no Rio de Janeiro, baseada em pesquisa do autor.

KNIGHT, Christopher, LOMAS, Robert. O Livro de Hiram – Maçonaria, Vênus e a Chave Secreta para a Revelação da Vida de Jesus. São Paulo, Madras, 2005.

MARQUES, Adílio Jorge, UCHOA, Ricardo. Templarismo hoje e sempre: aspectos e manifestações. Rio de Janeiro, Clube de autores, 2018

Referências na Internet: https://www.gob.org.br/

Mapa Solar e a Leitura Astrológica sem o Horário de Nascimento

Descobrindo o Método em uma Aventura no Shopping Center

Where to Get a Birth Chart for Free | InStyle
Como Ler o Mapa Sem Horário?

Em 1992, um ciclo de Saturno atrás (reescrevo este texto em fins de junho de 2021), eu havia feito uma mudança drástica de residência do Rio para São Paulo, onde vivi até o final de 1999. Em função disso, como era de se esperar, a quantidade de pessoas que atendia normalmente se reduziu muito, chegando a ficar muitos dias sem fazer um único mapa e sem a remuneração advinda dos atendimentos. Felizmente, fora para a Terra da Garoa trabalhando para uma empresa de mídias e pude me manter com menor dedicação à Astrologia, apesar de nunca ter parado, tendo, inclusive, dado aulas em algumas escolas nesse ínterim.

Em 1996, após um período de hospitalização e várias dificuldades, além de ter escrito meu primeiro livro, o “Progressão Lunar e Kabbalah”, comecei a bolar algumas formas diferenciadas de voltar à ativa com intensidade. Retomei o projeto de cursos, que nos anos anteriores ocorriam de modo um tanto rarefeito, e comecei a procurar uma maneira mais popular de aplicação de Astrologia que não fosse nem horóscopos das publicações comuns nem qualquer outra coisa superficial, que não fosse para esclarecer de fato. Desse movimento surgiu a ideia de testar formas diferentes de aplicação dos conhecimentos astrológicos adquiridos em prática de consultório que eu já tinha chegado a catalogar. Resolvi dividir minhas tarefas diárias com a montagem improvisada de um pequeno stand de atendimento pessoal num shopping center. E lá ia eu com um laptop, dividindo o stand com um amigo perfumista cheio de vidros de essências e pedrarias para vender. A ideia inicial era analisar o perfil de pessoas que compravam aquelas interpretações padronizadas de computador (eu ofereceria textos de minha autoria e também poderia fazer leituras oralmente) e ver que tipo de mercado diferente poderia ser abarcado. Na forma de leitura oral, fazia gravações de fitas K7 (sim, eu sou velho…) com previsões específicas para o mapa dos clientes e daria respostas a alguns questionamentos.

Muitas perguntas me rondavam. Qual seria a reação? Como despertar o interesse? Que resultado este tipo de trabalho teria? Seria possível satisfazer pelo menos parte da curiosidade das pessoas num ambiente tão movimentado e tão sem privacidade? Seria possível prestar um serviço astrológico decente? Até que ponto as pessoas estavam informadas a respeito do que a Astrologia pode oferecer?

Sabia que a qualidade do trabalho poderia ser comprometida se não usasse um método especial para a situação. Sabia que para não orientar erradamente era preciso ser muito específico e sucinto, mas queria testar meus limites. Era uma forma de adquirir jogo de cintura em situações inusitadas.

No shopping não havia outro astrólogo e muito menos alguém imprimindo as tais interpretações padronizadas, muito comuns à época. O serviço, que tinha um preço muito atraente, funcionava da seguinte maneira: eu pegava os dados das pessoas e, enquanto os clientes passeavam pelo shopping, gravava as interpretações (céus, não sei como eu conseguia fazer aquilo sem contato direto com o cliente! Nem pensar fazer leituras sem conversar com o cliente hoje em dia!). Pedia-lhes para voltarem após terem ouvido a fita, caso tivessem alguma dúvida. Quando alguém se preocupava em retornar para solicitá-los, eu complementava o atendimento prestando esclarecimentos adicionais. Outra atividade era distribuir impressos com artigos que escrevia, explicando como funcionava e o que esperar da Astrologia. Conquistei alguns clientes na cidade com essa prática, inclusive pessoas absolutamente céticas que, após ouvirem uma explicação lógica e terem uma demonstração, passaram a se interessar pela nossa Arte.

Algumas observações interessantes sobre o decorrer

  1. Normalmente as pessoas passavam, ficavam curiosas mas muito desconfiadas e rondavam o local onde estávamos até que viam alguém pagando pelos serviços. Depois lá vinham elas com o dinheiro na mão. Eram poucas as pessoas, mas logo descobri que um dos motivos da clientela reduzida era a presença de uma mulher que se dizia cigana e que atendia no andar de baixo. Ciganos pareciam, na época, ser mais populares que astrólogos, e as pessoas lhes atribuíam uma atmosfera de magia e sobrenatural. Para a maioria da população, Astrologia, além de parecer muito complicada para aprender, servia para “dizer como uma pessoa é”, para dizer “qual o signo que combina com o meu” ou para fazer horóscopos de jornal, nada mais além disso.
  • A maioria do público interessado era de mulheres, como ainda hoje, em 2021. Interessantes também eram as várias discussões acaloradas entre casais, quando a mulher desejava fazer uma consulta e o homem dizia em voz alta que aquilo tudo era uma bobagem.
  • Muitas pessoas, levadas por simplificações midiáticas e pela falta de informação, diziam “não acreditar em Astrologia”. Entretanto, volta e meia uma dessas mesmas pessoas (inclusive homens) parava pela segunda vez no stand para perguntar: “qual o signo que combina com o meu?”
Get Your Full Numerology Report At One Place - Authentic Astro

Mas entrando agora no tópico mais importante para o assunto deste artigo: dos clientes do shopping, quase ninguém sabia o horário de nascimento. Quando eu insistia na necessidade do horário, as pessoas acabavam preferindo visitar os stands de adivinhação ou “não-astrológicos”. Para muita gente, uma “superstição” como a Astrologia não justificaria a preocupação em saber o horário correto do nascimento. Para compensar, precisei me utilizar de uma técnica para acompanhar o estudo de progressões, trânsitos e Revolução Solar, que eu oferecia antes mesmo de me mudar para São Paulo. Era o mapa solar, uma técnica de leitura do mapa sem horário que desenvolvi empiricamente e que depois percebi que não era o único a utilizá-la com diferentes finalidades. O problema estava resolvido em parte, pois eu mesmo não acreditava que um mapa sem o horário pudesse fornecer indicações corretas.

Apesar de obrigado a ser muito rápido e a oferecer basicamente prognósticos ao invés de interpretações de mapas natais, não raro alguém se dispunha a sentar-se em meio ao turbilhão de pessoas passando pra lá e pra cá para ouvir uma interpretação. Quando alguém que não sabia o horário fazia isso, eu, com o mapa solar na mão, avisava, pouco confiante, que aquele tipo de consulta, embora não precisasse de horário de nascimento, não era totalmente consistente. Estava sendo sincero, mas várias vezes me surpreendi com a eficácia da técnica. Não esperava que ela fosse tão útil. Percebi que não só estava sendo preciso na descrição de traços de personalidade, relacionamentos e na orientação vocacional, como poderia fazer prognósticos corretos sem grandes problemas, mesmo quando não usava a Astrologia Horária para fazer previsões. E, sim, Astrologia Horária permite que façamos leituras precisas sem qualquer dado de nascimento do cliente. No entanto, não abrange a leitura comportamental ou de outros elementos que só podem ser detectados em um mapa radical.

✓ Natal Chart or Birth Chart: Components and How to Read It

Devo confessar que descobri isso por acidente. Três fatores o provocaram: a alternância entre mapas com horário e os solares, o cansaço de uma semana inteira de trabalho ininterrupto e a confusão mental que aquele tumulto provocava em mim. Mas o fator que mais me fez considerar seriamente o uso da ferramenta foi o seguinte: havia interpretado o mapa de uma jovem senhora cujo horário era conhecido. Ela me elogiara bastante após o término, dizendo-se espantada com o rastreamento correto de épocas de sua vida e de traços particulares, como a profissão, o relacionamento com os filhos, problemas de saúde etc. Qual não foi minha surpresa quando, ao olhar novamente o desenho do mapa, percebi que em vez de usar o mapa com o horário que ela me informara, usei um mapa solar. Como manda a ética, informei à senhora que havia cometido um erro e que toda a interpretação poderia estar comprometida. “Tem certeza de que as datas que lhe informei bateram? Você teve essa profissão mesmo?”, perguntei. Ela respondeu que sim, e que “a interpretação foi muito esclarecedora” (palavras dela). Ainda assim, considerando que ela podia estar deslumbrada com o que acabara de ouvir, verifiquei que a Lua estava em signos trocados. A posição real da Lua era no signo de Touro, e o mapa solar mostrava a Lua em Áries. O que fez a interpretação da Lua na carta solar ficar tão parecida com a do mapa com horário correto foi a conjunção da Lua com Marte no mapa COM o horário (Lua em Touro, conjunta a Marte). Estava prestes a recusar o pagamento, quando ela, muito gentil no falar, mas brusca no movimento, afastou minha mão e disse: “Se você diz que não usou o modo certo e ainda assim interpretou certo, deve ser porque era assim que tinha que ser. Vou ficar chateada se você não aceitar o pagamento e olha que eu sou braba, como você mesmo viu.”

Com a experiência, ao voltar para casa, revirei meu arquivo de mapas de estudo e comecei a elaborar as primeiras versões deste método que usei por muitos anos com certa frequência, antes de a Astrologia começar a ganhar maior terreno na sociedade e os pais começarem a anotar com maior precisão o horário de nascimento dos filhos. Ah, sim, o no que consiste a técnica do Mapa Solar? Você pode conhecê-la ao assistir, no canal Carlos Hollanda * Astrologia, no YouTube, o minicurso realizado no dia 29/06/2021, disponível para membros do canal (nível “hollandês”). Para participar é só tornar-se membro, clicando no botão “SEJA MEMBRO”, lá no canal e seguindo as instruções. Veja lá como é: https://www.youtube.com/c/carloshollanda . É mais barato do que um almoço num restaurante popular. 🙂

Vantagens de ser Membro do Canal Carlos Hollanda * Astrologia- YouTube

Quer ter acesso a conteúdo exclusivo do canal Carlos Hollanda * Astrologia? 🌟 Torne-se membro hoje mesmo! 🌟 Você escolhe como prefere participar:

1️⃣ No nível Astrologuês, você contribui com R$ 7,99 mensais, tem acesso antecipado às publicações do canal e participa de chat exclusivo para membros em algumas lives.

2️⃣ No nível Hollandês, você contribui com R$ 14,99 mensais e, além dos benefícios do Astrologuês, você participa de uma live exclusiva para membros todos os meses. Assista o vídeo abaixo e confira o que você pode aproveitar.

 

 

#astrologia #clubesdoscanais #carloshollanda

O Mapa do Momento da Vacinação da 1a. Pessoa no Brasil contra a COVID-19

O mapa do momento exato da vacinação da primeira pessoa no Brasil. Vale dizer que ele expressa configurações tremendamente de acordo com um momento tão importante, como a conjunção Lua-Netuno no Meio do Céu, assim como Quíron na 10. A esperança vencendo todas as controvérsias e visões distorcidas, com um Ascendente geminiano sobre a Face e o Termo de Júpiter, com a Lua em sextil aplicativo com Plutão e com o Sol. A Lua, associada ao feminino, transitando em Peixes, é emblemática neste caso, em que uma enfermeira (enfermagem = Lua, Virgo, casa 6, Netuno…) é vacinada por outra, sendo a 1a. vacinada Mônica Calazans, uma mulher de 54 anos com um fenótipo claramente lunar (com seios relativamente grandes, um pouco acima do peso etc.), que trabalha numa profissão que tem a cara dos esforços por alívio de sofrimento alheio, como reza a cartilha de Peixes, Netuno e Quíron.

Clique na imagem para ver em tamanho maior

Muitos planetas concentrados na oitava casa, indicando poder de regeneração, resiliência, conexão com a idéia de renascimento, imunidade! Mercúrio, o regente do Ascendente em Gêmeos está num signo, Aquário, em que está muito potente e na nona casa, com repercussões em meios acadêmicos, em longas distâncias dentro do país e diante de outros países. Se considerarmos o horário planetário para aquela localidade, Vênus é o regente da hora, muito compatível com o elemento Ar do Ascendente e com o elemento Terra, em que o planeta se encontra (Capricórnio), o que multiplica a potencialidade do ato na direção dos melhores resultados.

O Ascendente estava sobre uma das mais poderosas e importantes estrelas do céu, uma das 4 estrelas Reais da Pérsia, Aldebaran. Uma estrela que apesar de sua tendência impulsiva, é uma verdadeira locomotiva, prometendo que os procedimentos para imunização da população, a despeito de quaisquer dificuldades causadas por eventuais desorganizações ou contendas, tende a se acelerar a partir daqui. Algumas interpretações a respeito dessa estrela indicam questões sobre doença, o que, de fato, é o que vem sendo tratado no momento da vacinação.

Assista vídeos com previsões e com comentários sobre os últimos acontecimentos sob a luz da Astrologia, no canal CARLOS HOLLANDA * ASTROLOGIA, no YouTube. Clique na imagem para acessar.

Como venho dizendo nos últimos vídeos e lives, a ciência prevalecerá, a lucidez prevalecerá, a esperança prevalecerá. Toda força para os profissionais de saúde e para todos os que se empenham para que vençamos esse tremendo percalço.🤩

SATURNO EM AQUÁRIO E UM MIX DE DEUSAS

Uma homenagem ao ingresso de Saturno em seu signo de gozo e outra às deusas de força e júbilo.

A propósito, o Crono é o Crono mesmo, estilizado de um jeito meio RPG, meio super-herói. Já a Deusa Ruiva é um mix de personagens mitológicas, como Afrodite, Ísis, Ceres, Danna (ou Danu) e Bamba, além de Babalon (vide Crowley), com algo de Promethea (a personagem de Moore e Williams – veja a tese aqui). Se virem mais deusas ali misturadas, provavelmente será verdade.

Se gostam de artes visuais, especialmente ilustrações para livros e quadrinhos, talvez curtam visitar o blog de artes, que, aliás, mostra um passo a passo da criação dessas imagens e uma descrição dos materiais usados. Eis, aqui, o link. Que 2021 seja belo.

12 dicas para começar (e continuar) a estudar Astrologia

  1. Não é possível aprender a atuar como astrólogo somente assistindo vídeos e lendo observações superficiais. É preciso combinar isso com leituras densas e comparações contínuas com as realidades vividas por si próprio e por outras pessoas. Leia livros descritivos, mas jamais deixe de ler livros que promovem o raciocínio conceitual. Repito: astrólogo que tem bom desempenho é astrólogo que lê muito para sempre (me refiro a uma leitura criteriosa, não é qualquer invencionice) e que aplica o que leu o quanto possível, revendo parte do que leu e transformando aquilo quando a realidade mostra que é preciso ajustes.
  2. Receitas de bolo (aquelas famosas quadrinhas com indicações padronizadas, tipo “Escorpião é ciumento”) ajudam até certo ponto como referência, mas você precisa desenvolver isso, ultrapassar isso, construindo a leitura como um todo, a partir do conhecimento dos conceitos. Se tudo dependesse de receitas de bolo, bastava um programa de computador reproduzi-las combinadas para que você tivesse tudo resolvido, não importa qual seu contexto de vida.
  3. Claro, se há cursos de pessoas confiáveis ou de instituições sendo oferecidos, procure-os, faça seu plano de estudos, mantenha a leitura em dia, aplique o que aprendeu passo a passo, anote suas dúvidas e incertezas, colecione resultados positivos e negativos, pois o conhecimento vem pelos dois lados;
  4. Não se manter restrito à literatura astrológica. Estudar diferentes áreas, inclusive, e sobretudo, saberes não-esotéricos e ciências. Você participa do mundo e, portanto, precisa saber se comunicar com todas as instâncias possíveis. Mas claro que outras áreas divinatórias, simbólicas e metafísicas são extremamente bem vindas;
  5. Geralmente, devido à popularização dos horóscopos e resumos no senso comum, se desperta o interesse pela Astrologia através da descrição do signo solar e outros resumos de traços comportamentais e da personalidade. Também é resultado de algumas décadas de ênfase numa leitura mais psicológica, que é ótima, mas não é a única coisa e não abarca tudo o que a Astrologia pode abranger. É melhor tentar conciliar isso com uma visão mais factual, isto é, com o que, de fato, se pode colher de concreto, na interpretação de um símbolo em si ou de um vaticínio. Assim, ao vermos que tradicionalmente se afirma determinada coisa, é preciso verificar se essa coisa ocorre com frequência e quão grande é essa frequência, antes de adotarmos a afirmação como válida para a maioria dos casos. Assim, para começar, tenha seu próprio mapa já calculado e aprenda a identificar os símbolos. Em seguida, aplique-se nos estudos indicados nos itens 1 e 2, para absorver pela própria experiência os significados dos fatores ali contidos;
  6. Colecionar mapas de nascimento além do seu próprio mapa. Seriam os de pessoas próximas e pessoas famosas, comparando o histórico dessas pessoas com o que lhes aconteceu ao longo dos anos. O mapa de nascimento mostra o potencial geral para a vida. Uma vida adulta pode fornecer preciosas comparações entre sua realidade e historicidade e os símbolos dispostos no mapa. Quanto a pessoas famosas, procure por fontes confiáveis, como o Astrodatabank.com, com classificações precisas sobre os dados obtidos;
  7. Fazer o mesmo do item anterior, observando, em seu próprio mapa e nos das pessoas que irá analisar, seus históricos de vida e aquilo que vem ocorrendo com elas (e com você) na atualidade. Fazer comparações entre esse histórico, a atualidade e os trânsitos e outras técnicas de previsão, com o que elas indicam na época em que algo ocorreu. Comparar isso com o que é afirmado na literatura técnica em Astrologia.
  8. Ser tão teórico quanto empírico. Ser tão seguidor do que dizem os grandes nomes quanto ser pesquisador independente, aplicando os saberes e construindo sua própria linguagem de acordo com o que sua experiência pessoal acumulada vem dizendo.
  9. Não achar que a linha que escolheu seguir é superior às demais ou que você descobriu “a grande verdade da Astrologia”, acreditando que tudo o que já havia antes, e que sempre teve resultado visível, não seja válido. O simples fato de ter havido resultado, na forma de correspondências das realidades internas, externas e simbólicas já mostra que as formas anteriores têm validade e que você não precisa tentar destituí-las para fazer valer o modelo que julga ser melhor. Fazer o contrário disso é como dizer que um idioma é melhor do que o outro, tornando este último inválido. “Cadeira” e “chair” são a mesma coisa, com formas diferentes de indicar o mesmo objeto. Dadas as devidas diferenças entre idiomas, isso serve como analogia às linguagens utilizadas com base em raciocínio simbólico, como Astrologia.
  10. Alguns sistemas de concepção da Astrologia e alguns métodos são bastante diferentes, mas se ambos, com todas essas diferenças, indicam o mesmo vaticínio e uma mesma descrição de um caso específico, o problema não está nas metodologias e sistemas, mas no suposto intérprete, que deseja poder em detrimento dos demais. Isso se dá, normalmente, através de tentativas de descredibilização ou desqualificação dos métodos. Muitos que assim procedem podem ter iniciado por um caminho de forma equivocada e passaram para outro, julgando que os erros que cometia, ou as incoerências que não resolvia, se deviam à metodologia usada naquela primeira forma. Talvez tenha faltado a devida orientação, o devido interesse ou é mesmo a vaidade que tem falado alto demais.
  11. Eu diria para se começar do começo, sem desespero para chegar logo ao máximo desempenho e impressionar a todos com seus “dotes divinatórios”. Atualmente há uma profusão de cursos de diferentes escolas e estilos. Você não irá enriquecer com Astrologia tão rapidamente. É bem provável, aliás, que isso nunca aconteça, exceto se você já tiver nascido em berço de ouro e tiver muitas indicações entre os mais abastados para manter sua prática desde seu início. Mas um bom trabalho, bem consciencioso, paciente, sem querer dar passos maiores do que as pernas, irá garantir uma clientela fiel e uma boa remuneração. Ela irá flutuar, com meses em que você ganha mais e outros menos. Será preciso um gerenciamento desses recursos e das atividades que desenvolve. Mas no fundo no fundo, o que é preciso é um grande interesse pelo ser humano, por ajudar, por distribuir benefícios na forma de esclarecimentos e promoção de consciência, por extrair o melhor até quando há situações muito difíceis. A essência do atendimento e da produção de conhecimento é essa. Se você estuda Astrologia meramente para ganhar dinheiro, sem ter o desejo de encontrar soluções para si e para o próximo, então cumpriu só um terço da proposta. Nada contra ganhar dinheiro, ele é um bom motivador e você precisará dele para fomentar seus estudos e aperfeiçoamento, para viver decentemente, pagar suas contas, mas não pode ser o único.
  12. Não pense que por ter uma certificação de alguma escola, associação o órgão nacional ou internacional você passará a ter o mesmo respaldo de um profissional graduado ou pós-graduado em ciências legitimadas academicamente. A ciência vigente não considera a Astrologia válida em seus moldes. O que o reconhecimento dos pares pode promover, e isso é, sim, valioso, é um endosso para o fato de que você não saiu do nada ontem, tendo lido um horóscopo da semana e resolveu dar atendimentos. Mas mostrar isso para um cientista como se isso legitimasse seu saber, será motivo de riso, quando não for de repúdio violento e preconceituoso. Será preciso muito mais para tanto e isso requer uma trajetória muito longa, com muitos percalços e poucas vitórias, quase sempre obscurecidas pelo status quo e pelo medo dos que viram que a coisa funciona, mas não querem ter suas reputações abaladas por confirmarem tal funcionamento. As certificações ou mesmo o reconhecimento de seu autodidatismo bem fundamentado entre os pares astrólogos são também uma ajuda para termos uma quantidade maior de profissionais confiáveis, apesar dos aventureiros e apressados que acham que já dominam tudo sem o devido preparo. Mas apesar dos percalços, ainda é uma vida boa poder fazer aquilo de que se gosta com independência e ainda ajudar os outros.

*.* Quer aprender Astrologia? Conheça o Sistema de Ensino à Distância e o Ambiente Virtual de Aprendizagem dos workshops e formação. Idem com os cursos presenciais, no Rio de Janeiro e noutras cidades: http://carloshollanda.com.br/

 

 

 

.

.

 

ASTROLOGIA E OS HERÓIS – Signos e Ciclos Planetários entre Personagens da Cultura Pop

Em setembro, a novidade Astro-Semiológica do ano! Meu novo livro, com vários estudos sobre os mapas astrológicos de personagens como Superman, Homem Aranha, Mulher Maravilha, Batman, Thor, entre muitos outros seres fantásticos da cultura pop e também de seus autores. Vai sair pela Editora Caligari.
Em acréscimo, uma leitura sobre a obra “O Senhor dos Anéis”, falando sobre os ciclos planetários de sua primeira publicação, sua concomitância com os super-heróis dos quadrinhos, sua representação do imaginário da época e a expressão dos arquétipos na narrativa.

Adorei escrever isso! É um material cujas bases já havia escrito há mais de uma década, mas que foi inteiramente revisado e a ele acrescentei muita, mas muita coisa interessante! Não perca de jeito algum!
Será ELETRIZANTE!
Curta a página lá no Facebook e divulgue entre os amigos. O lançamento ocorreu nos dias 4 e 7 de setembro de 2020. O livro está à venda em várias livrarias, entre elas:

Conheça outros livros de autoria de Carlos Hollanda e em co-autoria clicando aqui.

OBS.: As artes promocionais que você vê a seguir e também a arte da capa (imagem acima), são de autoria de Carlos Hollanda. Clique nelas para ampliá-las.

 

 

O vídeo de Astrologia é longo? Assista por etapas

Povo querido que se queixa dos vídeos mais longos, eis dicas procês usufruírem mais desses trabalhos tão ricamente preparados:

1- Quando o video tiver minutagem na descrição, sorriam, pois vcs poderão acompanhá-lo sempre que tiverem tempo e sempre que quiserem, bastando adiantar o dito cujo até o minuto que indica o assunto que reservaram para aquele momento em que podem ou têm disposição para assistir. É incrivelmente fácil fazer isso.

2- Quando não houver minutagem na descrição, ainda assim, é so ver aos poucos. Você não precisa passar toda a duração do vídeo naquele momento, pode perfeitamente assisti-lo aos pedaços, marcando, vc mesmo, os pontos onde tiver interrompido. Aí é só retomar daquele ponto em diante na hora ou no dia que preferir. Você faz isso com séries enormes da Netflix. O procedimento é bem parecido. E nem adianta dizer que filme é diferente, porque na Netflix e noutros streamings tem documentários bem densos tb, com episódios de uma hora ou mais.

3- Existe, no YouTube, o recurso de aumento da velocidade reprodução do vídeo. Só clicar na engrenagem para acessar as configurações e escolher 2x. Vai assistir na metade do tempo.

4- Obviamente você não tem qualquer obrigação ou necessidade de seguir essas dicas, mas é uma pena, pois, com o raciocínio que sugeri, você tem o mesmo efeito dos videozinhos curtinhos, mas com a vantagem de os longos permitirem um melhor encadeamento das ideias. Os curtinhos, de tão sucintos, acabam dando margem a interpretações meio complicadas. Como horóscopos, que são pequeninos e podem servir para qualquer situação para qualquer um. Sempre fui defensor de mais informação = mais especificidade, ainda que vc precise subdividir em etapas para absorver a seu próprio modo. Com os recursos de Internet isso, atualmente, é extremamente fácil de fazer.

5- Tenha paciência e um pouquinho de boa vontade. Também faço vídeos curtos tantas vezes, mas há outros que precisam ser longos. Por boa vontade, em vez de solicitar que se faça sempre de um modo, tente adaptar as condições a algo próximo desse modo. É bom pra você e pra todos. Infelizmente, ninguém conseguiu agradar a gregos e troianos. Nem um certo Avatar, bem conhecido, de dois mil anos atrás o fez. Imagine eu, tão normalzinho…

6- Vou lamentar, se preferir não assistir, mas pelo menos tens aqui esse desencargo de consciência. É só uma questão de boa vontade e familiaridade com os recursos que os sistemas atuais disponibilizam. Não justifica uma recusa radical. Bjins. 😉

7- Tô brigando não, tá? 😀

O brilho oculto da alma em devir

Assistindo o documentário “A Terra à Noite”. Tudo bem impressionante, mas é notável, do ponto de vista simbólico, o fato de que os escorpiões ficam “fosforecentes” à câmera super sensível, quando banhados por luz ultravioleta. Em outras palavras, eles ressaltam sua presença no escuro, sob uma LUZ INVISÍVEL.

Qualquer semelhança com as noções atuais sobre a mitologia de Hades/Plutão, o regente moderno do signo, e divindade conhecida por seu elmo de invisibilidade, não será mera coincidência ao olhar profundo. Alan Moore fez uma associação semelhante em Promethea, ao escrever sobre Daath, a sephirah oculta, que muitos astrólogos cabalistas contemporâneos correlacionam também com Plutão.

Os escorpiões, em sua biologia, refletem a luz que nossos olhos fisicos não podem ver. No que tange à condição humana, não somente a qualquer ênfase no signo, o símbolo fala, mais ou menos, que o “essencial é invisível aos olhos”, isto é, a alma, a natureza profunda em eterno devir e metamorfose. Da mesma forma, parece dizer que a alma se revela sob holofotes que olhos comuns não alcançam. O signo representa essa característica presente em todos nós: a transmutação que faz a alma-consciência despertar e brilhar no escuro, com a imposição de uma luz que não acende no exterior, que está além do espectro, que, na calada da noite, longe dos olhares curiosos e da superfície, tem o esplendor de uma estrela.

E todos somos.

carloshollanda.com.br

Ordem Sobre o Caos e o Simbolismo da Páscoa

A Páscoa é um símbolo, seja ele adotado de forma religiosa ou não, é a representação do ciclo sempre renovado da vida. É uma alegoria sobre ser possível ter esperança sem que se recaia no otimismo cego.
 
Seja essa esperança numa vida eterna, em novos ciclos a viver ou em se ter deixado algo de bom neste mundo e retirar-se dele com a consciência tranquila, de todo modo a esperança é absolutamente fundamental.
 
Sem ela não há como prosseguir, não há viver suportável. Não se deve confundir esperança com tolice, ao passo que não é saudável confundir lucidez e realismo com a falta de esperança. Ambas podem coexistir e serem muito produtivas sob diferentes prismas: o material, o emocional/psíquico, o coletivo e o espiritual.
 
A Natureza, o Universo, a potência ordenadora, aparentemente caótica, mas sempre em processo organizador, talvez seja algo totalmente impessoal, nem um pouco preocupada se o time de futebol pelo qual alguém torce irá vencer ou ser derrotado numa partida, mas se mostra presente e detectável pelas sutilezas.
 
Entre elas, as nem tão sutis expressões matemáticas que vemos em Geometria Sagrada, no número de Fibonacci, e suas formas quase sempre espiraladas e coincidentes, desde o que vemos no vórtice da pia do lavabo até padrões de girassóis, conchas, plantas, animais, galáxias e no corpo humano.
 

Conheça e inscreva-se nos cursos ONLINE da Escola Carlos Hollanda * Astrologia, clicando na imagem

Podemos pensar também em astrologuês, nos ciclos recorrentes dos planetas, em seus significados estruturais repetidos sempre com a mesma duração, em suas formas espetacularmente geométricas, quando analisamos seus movimentos retrógrados ao longo de ciclos maiores, como o de Vênus, que forma um belíssimo pentagrama cósmico em torno do Sol.

 
Tais fatores ordenados e observáveis são obviamente sujeitos a variações e pequenas deformações de acordo com a multiplicidade de outros fatores cujos movimentos e desenvolvimentos interferem uns nos outros, gerando outros e maiores elementos e ciclos que, novamente, ao serem observados, reincidem no processo organizador.
 
Se o universo é somente caos, esse caos está realmente muito estranho, com tamanha quantidade de evidências de que há algo acima disso ou ao menos ao lado, coexistindo. Há alguma inteligência no cerne desse aparente conjunto de coisas aleatórias que se ajustam matemática e morfologicamente.
 
Você pode denominá-la como preferir, não é preciso enfiar goela abaixo dos outros uma concepção particular ou a de um segmento cultural, nem é preciso situar crenças como infantis, exceto quando essas crenças reformuladas reconstroem os modelos e concepções originais de modo distorcido para aquisição de poder e criação de desigualdades e obscurantismo.
 
A Páscoa, portanto, me soa como um chamado à liberdade, como na tradição judaica, mas no sentido de libertarmos a nós mesmos. É ultrapassarmos as maneiras muito inteligentes de nos tornarmos escravos com justificativas e limitações auto-impostas.
 
No sentido cristão, uma ressurreição, que podemos entender, entre outros significados, como catarse, no sentido purificador da palavra. Como reconhecer o lado sombrio, da ida aos mundos inferiores e retornar à luz da consciência. Como metáfora psicológica ou mitológica, em que encontramos nosso psicopompo, nosso Guia das Almas, na forma de Hermes, do Fio de Ariadne, da Lira de Orpheu, de Héracles dominando seus instintos na forma de Cérbero ou, ainda, Virgílio, para Dante. A narrativa cristã traz a perspectiva da alma que se volve semente e retorna com frutos a alimentar quem tem olhos para ver.
 
Falando em semente, no sentido do celtismo, o período coincide com a volta dos potenciais vitalizadores da primavera, de Ostara, a chance de compactuarmos um pouco mais com a natureza, sermos unos com Ela e Dela termos o júbilo de compartilharmos o universo em determinado tempo que nos é devido.
 
Com tudo isso, pensando nessas diferentes vertentes, incluindo as muitas que não citei aqui, desejo a todos uma “resurreição-renovação” nesse espírito de que é possível ultrapassar a mais negra das noites, pois haverá, logo à frente um áureo alvorecer. A vida se renovará, independentemente da vontade dos humanos mais apegados ao que não mais tem condições de permanecer.
 
FELIZ PÁSCOA!
 
Carlos Hollanda – 12/04/2020, às 12:04, Rio de Janeiro. Com o sol em Áries, o Ascendente em Câncer e a Lua em Sagitário, no mapa do momento.