Ophiucco, Serpentário ou Esculápio – Não há 13o. signo – Entenda:

Pela enésima vez ocorre uma divulgação massiva do chamado 13o. signo, o Esculápio, isto é, a constelação de Ophiucco, algo que não tem peso como signo zodiacal, mas que se insiste em colocar como a “última descoberta”, a “grande novidade”, “os astrólogos sempre estiveram errados, vejam”! Não apenas eu, mas dezenas de outros astrólogos já explicaram isso com detalhes inúmeras vezes e fazemos isso há décadas, mas, ok, aqui vai mais uma, de um outro jeito.

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John Flamsteed, Ophiuchus & Serpens, Londres, 1728

1- Claudio Ptolomeu, que viveu no século II da era comum, e cujas obras, como o Tetrabiblos e o Almagesto, nortearam a astronomia até Copérnico, obviamente conhecia essa constelação, tanto que a incluiu, e às estrelas que a formam, em suas obras. Entretanto ele mantém a divisão hierática do céu zodiacal, mantendo Ophiuco junto às constelações não-zodiacais, até porque de fato apesar da proximidade e de uma parcela dessa constelação chegar a tocar a eclítica, grande parte dela está fora do “caminho do sol”. Outras constelações zodiacais parecem não estar totalmente “dentro” da eclítica, mas nenhuma delas com tantas estrelas fora do caminho. Mas se ainda querem usar as estrelas de Esculápio como algo significativo, nada impede: durante toda a Idade Média, varando o Renascimento e até aqui, astrólogos se utilizaram largamente de constelações não-zodiacais para estabelecer nexos entre situações vividas e o céu. Este é o estudo do simbolismo das Estrelas Fixas e suas aplicações em mapas de nascimento ou em técnicas como Retorno Solar e Astrologia Horária.

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Livro “Trânsitos Planetários”, de Carlos Hollanda. À venda nas livrarias especializadas em Astrologia ou pelo correio. Solicite ao autor.

2- O zodíaco utilizado pelos astrólogos ocidentais é o zodíaco tropical, o que é concebido segundo as estações do ano em conformidade com o hemisfério norte, onde esse simbolismo se originou. O zodíaco tropical difere grandemente do zodíaco sideral, o das constelações, sendo que um e outro só coincidiram em parte cerca de dois mil anos antes da era comum e mesmo assim, como disse, não totalmente: o tamanho das constelações e dos signos nunca foram os mesmos, nunca houve uma equiparação total entre uma coisa e outra desde as primeiras concepções do zodíaco astrológico, excetuando-se os nomes das constelações que entre outros atributos, tinham algumas estrelas que serviam de referência para a mudança das estações e seu decorrer.

3- O zodíaco tropical é construído matemática e arbitrariamente de forma a ajustar-se a calendários como os caldaicos, sumerianos e egípcios, com seus 360 dias e 5 dias que miticamente se atribuíam ao influxo dos deuses no mundo criado (veja bibliografia ao final). Esses 360 dias são divididos por 12 em função de alguns princípios fundamentais, entre eles:

a) o ingresso de uma estação do ano, seu ponto culminante e sua transição para a estação seguinte, o que caracteriza uma divisão da estação em três períodos. São 4 estações, cada uma possuindo 3 períodos de um mês, resultando em 12 períodos de tempo divididos igualmente. A origem dessa divisão equânime obedece a uma concepção de universo e meio ambiente que parte dos sumerianos e de outros povos a eles próximos no tempo, cujas sociedades desenvolveram-se até atingir as chamadas “cidades-estado-hieráticas”. Estas sociedades não apenas herdaram do paleo e do neolítico muitas práticas de sobrevivência e convivência, como sistematizaram e deram complexidade às concepções do sagrado. Assim, o universo é concebido por esses povos como uma espécie de manifestação da ordem divina sobre o caos, um elemento de inteligibilidade que permite, isomorficamente (por analogia), organizar a vida concreta abaixo do céu.

b) o próprio processo de formação desse zodíaco das estações do ano, que entre os sumérios obedece ao sistema sexagesimal por eles desenvolvido para calcular a passagem do tempo e, de certa forma, comungar com os deuses naquele período das primeiras produções escritas em cuneiforme. O dia de 24 horas é um múltiplo de 6 (6 X 4), enquanto a hora, com 60 minutos e tudo o que dali decorre pertence a essa concepção. A divisão por 12 do zodíaco provém dali, com seis eixos interdependentes marcados pelos signos e suas polaridades. Os gregos sistematizaram ainda mais o sistema de divisão do céu cujos princípios herdaram daquelas primeiras visões. Nota-se claramente uma contribuição do pensamento pitagórico na geometria e na divisão exata de 30 graus para cada signo, encaixando-os numa perfeita circunferência, que no final é uma forma de representação do infinito e de muitas considerações acerca de uma consciência divina.

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Formação Completa, com certificação.

4- A inclusão de um novo signo não possui pertinência para esse modelo. Ele não mudará porque a astronomia moderna assim deseja. Essa interferência de alguns astrônomos sobre o modelo astrológico não faz sentido e é uma pena, pois ambos os saberes são diferentes e prestam-se a finalidades diversas, embora tenha havido por muitos séculos uma mescla de ambos. Retirar a idéia de divisão sexagesimal, ou de múltiplos de 6, do zodíaco simbólico das estações (repetindo que não é o sideral) faria perder todo o sentido na relação do ser humano e seu ambiente com o universo percebido, visual e sensível ou psicológico. Não seria nenhum espanto se essas reportagens visassem apenas minar uma suposta crença dos usuários de serviços astrológicos ou gerar alguma desconfiança a mais em futuros usuários. O que, novamente, é uma pena. Novamente não se trata de uma postura de quem quer realmente esclarecer ou conhecer cientificamente algo. A relação que os usuários e os praticantes possuem com a Astrologia não se baseia em crença, na maior parte dos casos de quem procura consultoria astrológica, mas sim em constatação. O que é dito durante uma leitura é constatado em parte durante ela e em parte ao longo do período em que se projetam as técnicas de previsão para uma faixa de tempo. Sendo assim, tentar determinar que haveria um suposto 13o. signo em nada altera isso, pois não irá demolir crença alguma, posto que não é disso que se trata. Não quando falamos de quem se dispõe a procurar um bom trabalho de leitura.

5- Muitas vezes tais tentativas de intervenção ou de “revelação”, soam como se um degustador de queijos quisesse demolir crenças sobre a consistência que a estrutura metálica de uma ponte teria, usando seu paladar, ao lamber um pilar de aço. As categorias utilizadas para determinar essa suposta alteração do zodíaco não se encaixam e não levam em conta uma bela quantidade de variáveis nem a especificidade do conhecimento que desejam desqualificar.

Seguem, abaixo, duas referências bibliográficas interessantes, sugeridas para conhecer mais sobre o que disse no item 3. É de fácil aquisição. Não é tudo, pode ser questionado, mas é um bom começo e está em língua portuguesa.

CAMPBELL, Joseph. As máscaras de Deus v. 2 e 3. São Paulo: Palas Athena, 2010.

STUCKRAD, Kocku von. História da astrologia: da Antiguidade aos nossos dias. São Paulo: Globo, 2007

Atenciosamente,

Carlos Hollanda

Astrologia, Aprendizado, Livros e Receitas de Bolo – Um Questionamento

torta zodiacalPerguntas pertinentes merecem boas reflexões e maiores detalhes como resposta. Nem sempre consigo tempo para fazer isso, mas aproveitei uma que a Maria Tereza Lopes Dantas me fez em particular para escrever este artigo. Pode ser que com ele mais gente possa ter novos insights e serem esclarecidas de alguma maneira. Esta não é uma resposta definitiva e inquestionável. Só parto do que observo por muito tempo dando aula e escrevendo e, até aqui, parece ser a melhor e mais adequada. O que mais achei bacana na questão abaixo foi o fato de que ela não foi uma imposição, não veio subestimando nem superestimando nada. É uma curiosidade que me pareceu genuína e manifesta de maneira gentil, apesar de poder expressar a insatisfação de alguns com um post que fiz há alguns dias em minha página (fanpage) no Facebook. Nele disse que “Astrologia não é receita de bolo” e que se seguíssemos somente o “decoreba” não haveria interpretação decente. Segue, abaixo, a pergunta, na íntegra, bem parecida com o que faria Gêmeos, por sinal, ou alguém com um belo, curioso e contestador Mercúrio, mas algo expressivo de elemento Fogo junto:

“Carlos, ainda não tenho seu livro mas vou lhe confessar que me intriga como fazer esse tipo de livro sobre trânsitos sem ser receita. Como???!!!!!”

Ótima pergunta, Maria Tereza! Como havia te pedido em particular para torná-la pública, com a resposta, aqui vão os detalhes. Antes de tudo, obrigado.

Na verdade, naquele post, eu me referia ao aprendizado em cursos, não a livros. Vou tentar te responder explicando isso e também diretamente o que perguntou, ok?

É muito comum ocorrer de alguns alunos terem pressa para interpretar mapas astrológicos e desejarem resultados com poucos dados. Desse modo, uma grande parte se pauta pela repetição de padrões que são trabalhados pedagogicamente para funcionarem como peças em um grande quebra-cabeças. Este talvez só possa ser devidamente montado observando três principais atitudes:

METROPOLIS_REDA) Conhecer bem cada uma das “peças” (leia-se signos, planetas, casas, aspectos etc) que o intérprete, em sua escolha de variáveis, irá usar (alguns usam ou não Lilith, outros só os sete planetas clássicos, outros estrelas fixas, outros asteróides e assim por diante, como coleção de variáveis a ler);

B) Aprender a integrá-los como frases ou parágrafos em uma linguagem, de modo coerente, tornando cada um daqueles “fragmentos”, partes de um todo. Seguir uma metodologia ou montar ele mesmo uma própria.

C) Entender que uma posição de planeta em casa, signo e casa ou configuração planeta + aspecto + signo + casa + outros planetas, apesar de possuir um modo padrão de expressão (a essência desses fatores), terá manifestações diferenciadas para cada pessoa, instituição ou situação (vide mapas horários e eletivos). Isso dependerá do contexto em que tais fatores e posicionamentos no mapa assumem aquelas características. Contexto sociocultural, histórico (o que ocorre para uma pessoa numa geração, mesmo que idêntico para outra de outra geração, manifestar-se-á com outras roupagens nesta última) e até familiar. A estrutura de um fator no mapa é sempre a mesma, mas as roupagens variam de contexto a contexto. Levar isso em conta pode fazer significativa diferença entre uma leitura “mais ou menos”, onde o interrogante se identifica e se ajusta, e uma reveladora, que pode nortear mais adequadamente quem procura leituras astrológicas.

Na imagem acima, um dos cartazes do filme “Metropolis”, de Fritz Lang, como analogia para o que escrevo aqui. Por um lado, as descrições cabais que “robotizam” modelos comportamentais e interpretações. Por outro, cada “peça” de nossa estrutura simbólica é parte de um todo que só funciona quando concatenado.

Daí o post lá do Face: há quem queira somente ouvir em aulas descrições-chave de comportamento, mas sem precisar fazer um esforço de adequação entre o que se decora e o que se manifesta. Um bom exemplo são as aulas de mitologia, que consistem em narrar em parte os mitos, relacioná-los a signos e planetas, a situações vividas ou possíveis e dar ao futuro intérprete uma maneira de encarar situações de consulta mais complexas com uma ferramenta a mais. Não bastasse isso, aprender mitologia e simbolismo desses fatores, com uma boa gama de correspondências, pode fazer a diferença entre decorar um padrão e ENTENDER o padrão. Conhecer raízes profundas da formação daquelo modus operandi aumenta as chances de fazer algo a respeito, de reconhecer sintomas, de ver que as coisas ali fazem sentido e que nós ajudamos a produzir realidades. Sendo bastante honesto, não consigo entender quando alguém se entendia com aulas teóricas, em que a raiz do pensamento, de expressões que vivemos é explorada e comparada com situações reais em potencial. A teoria é a ferramenta que nos ajuda a pensar, a não sermos bonecos guiados por procedimentos fechados. A teoria pode ser modificada, é móvel, apesar de precisar de bons argumentos para isso. Melhorei muito minha prática de desenho, por exemplo, simplesmente por estudar com afinco teorias de Gestalt e de Composição, em Artes. Os resultados atuais são visivelmente melhores, mas, usando uma analogia, há quem deseje apenas aprender a apertar parafusos e não a criar modos de fixação mais eficazes, se é que me entende. Em outras palavras, se sei que Saturno no Ascendente pode coincidir com lentidão e rabugice, para quê saber se ele é o símbolo da gravidade, do tempo, do peso, das estruturas, que “devora” (ou limita) seus filhos, que realiza penitência, que por causa da necessidade de estruturação abdica muitas vezes do ideal (Urano, cujos bagos foram “ceifados” por Crono). A diferença no exemplo acima é precisamente entender como as realidades podem se moldar de diferentes maneiras e quais as raízes daquelas potencialidades. Com isso pode-se reinterpretar o fator, fazer a interpretação evoluir, se desenvolver, tornar-se ainda mais satisfatória e intimamente coerente. Dá até para fazer livros que ultrapassam os modelitos tradicionais, feitos segundo o contexto de uma época, atualizá-los, reutilizá-los de modo criativo e eficiente.

FormacaoPresencial-Tijuca-cartaz-okOs livros e manuais são extremamente valiosos, sem sombra de dúvida. Fazem parte do aprendizado do astrólogo. Sem leitura constante e comparação dos dados escritos com as realidades que se apresentam, o intérprete de símbolos torna-se aprisionado em modelos prontos e aparentemente imutáveis. Entretanto, e já iniciando a resposta à sua pergunta, um livro de Astrologia que explica como se dá determinada configuração celeste não tem condições de flexibilizar do mesmo modo que uma situação real de consulta nem tampouco uma situação de orientação. Aquelas interpretações dadas nas “receitas de bolo” servem como referência, são trampolins ou bases sobre as quais podemos nos apoiar para realizar a interpretação propriamente dita. Esse é o grande valor de livros com descrições, sejam elas as de planetas em signos e casas, sejam as de trânsitos de planetas (mas veja o que escrevo um contraponto lá no final deste artigo). Muitas vezes o que está escrito caberá de modo praticamente literal ao que uma pessoa que apresente tais configurações vive. Porém, há, em igual proporção, pessoas que não se identificam de imediato com o que se descreve naquelas posições ou “fragmentos” do mapa. É aí que entra o entrecruzamento de dados, o comparativismo (entre o padrão descrito no livro e a realidade vivida), o bom senso, o ato de estabelecer a mescla de significados que as inter-relações de planetas entre si com as casas, signos etc permitem e são praticamente irrepetíveis. Se assemelham muito em suas estruturas, claro! Duas pessoas que tenham quadraturas T envolvendo um Saturno na casa 4 podem ter dificuldades expressivas no relacionamento com as figuras familiares, sobretudo o pai, pode trazer antigos medos de escassez vindos de antepassados em várias gerações e coisas do tipo. Só que para uma delas, aquele pai pode ser terrível, rigoroso ao extremo, e ausente, enquanto para a outra ele pode ter um histórico de fragilidades, doenças, perdas e similares, sem que o indivíduo tenha uma mágoa daquele pai. É isso que “receitas de bolo” astrológicas, em especial aquelas bem resumidas, as cabais, as sem margem de adaptação de caso para caso, não conseguem abordar. Elas podem, sim, dar o já citado ponto de apoio para o raciocínio, alguma informação estrutural de onde podemos partir para fazer uma leitura bem amarrada conceitualmente e que permita ao aluno e ao cliente estabelecerem o link necessário entre o que se lê e o que se vive. Esse é o ponto em que se liga o “interruptor” da capacidade individual de mexer em seus próprios padrões repetitivos ou de pelo menos, no caso de situações coletivas ou fortuitas, desviar-se o quanto possível do pior lado, procurando o melhor.

Não há, creio eu, como fazer astrologia sem usar referenciais como esses. Então, não é possível fazer um livro de trânsitos com descrições dos potenciais de um período marcado por um aspecto de um planeta sem recorrer a um “modelito”, como as famosas “receitas” (novamente, vide o contraponto ao final). Há diferenças, como as descrições absolutas e sem tonalidades, tantas vezes diferentes do que vivemos, e as que procurei dar no livro dos Trânsitos Planetários, com detalhes e aberturas a acréscimos. Num livro como esse, aliás, cabe às partes introdutórias deixar essa pista de que vários aspectos ocorrem simultaneamente e podem alterar a dinâmica do que é descrito num ou noutro. De fato, fiz isso até nas próprias descrições, ao dizer, em algumas delas, que “se outros aspectos/trânsitos indicarem algo diferente…” (ou escrevi algo bem parecido com o sentido desta frase). Assim, este livro, assim como qualquer outro bom trabalho publicado, pretende servir de referência para o livre pensar, para dar um “veículo”. Os incrementos e usos do veículo quem faz é o leitor e intérprete.

Por fim, o contraponto que prometi acima duas vezes: como fazer um livro sobre trânsitos ou progressões sem receitas de bolo? Até dá para fazer sim, só não sei se quem está começando a aprender vai usufruir ao máximo. Como? Eu faria uma série de artigos com mapas de exemplo, mostrando configurações e mais configurações realizadas por movimentos planetários sobre aqueles mapas. Mostraria coisas como “aqui neste caso, com Saturno no Meio do Céu, em quadratura com Netuno no Ascendente e com Júpiter na casa 7, o cônjuge pode viajar bastante, enquanto você tem problemas de saúde ligados à mãe e avó. Pode também ver as situações de trabalho bastante empacadas e sem perspectivas durante a fase, temendo pelo pior, mesmo diante de acenos de bons resultados para meses à frente”. Isso já seria bem distante das fórmulas fechadas, creio, e dá para fazer assim por centenas e centenas de páginas.

Grande abraço!

 

CALENDÁRIO DE PALESTRAS DE LANÇAMENTO – LIVRO – TRÂNSITOS PLANETÁRIOS

Lançamento em São Paulo, com palestra e leituras: 13/05, às 19h., na Regulus Astrologia. Entrada franca.

Lançamento no Rio de Janeiro, com palestra e leituras – AGUARDEM DIVULGAÇÃO EM BREVE.

Lançamento em Portugal – OUTUBRO DE 2016 – Lisboa e Porto – aguardem detalhes sobre dias, horários e locais – entre 18 e 24/10.

capaweb-retifUma das formas mais conhecidas de usar o movimento dos planetas para verificar as probabilidades do porvir, os trânsitos são as passagens dos planetas sobre determinados pontos no zodíaco, onde formam aspectos (ângulos) com os planetas de mapa natal ou com outros planetas que estão igualmente transitando no céu.

lendoAs técnicas de previsão fazem parte de um conjunto de procedimentos que os astrólogos usam para obter maior qualidade de vida, superando adversidades pelo conhecimento prévio que possuem dessas situações em potencial. Eu chamo essa atitude de “efeito Matrix”, em uma analogia com o primeiro filme da série “Matrix”, dos irmãos Wachowski, em que o protagonista, Neo, em uma das cenas mais interessantes, se desvia das balas disparadas por um dos agentes que o perseguiam, contorcendo o corpo até quase tocar o chão. As balas, ali, equivalem às realidades que enfrentamos e que se nos impõem a despeito de nossa vontade, mas o arbítrio, por menor que seja, consiste em reagir adequadamente a essas realidades e desviar-se, na medida do possível. Isso faz toda a diferença, ainda que, como no filme, uma das balas ainda passe de raspão pelo ombro do herói. Entender os trânsitos planetários é uma oportunidade de realizar isso da melhor maneira e, se não for possível dadas as circunstâncias, ao menos entender e superar as piores fases. E o melhor de tudo é que se soubermos agir e disciplinar certos impulsos, multiplicamos as melhores perspectivas.

 

 

 

 

 

Algol – a “Cabeça do Demônio” e a Égide de Atená

egideA estrela Algol, a Beta Persei, ou “Ras Al Ghul” – “Cabeça do Demônio”, referente, pela mitologia grega, à cabeça de Medusa, decepada por Perseu (a espada é Capulus – o copo da espada) e que depois serviu de arma “congelante”, matando Cetus, o monstro, que posteriormente passou a ser entendido como “Baleia”, mas que nas representações mais antigas tem características bem mais inclinadas a Godzila do que um cetáceo. No medievo e durante o Renascimento, entre magos como Cornelio Agrippa, os talismãs montados com o símbolo (selo – sigil) de Algol eram usados para aterrorizar e derrotar os inimigos, “petrificando-os” de medo ou tornando o portador capaz de resistir às suas armas de algum modo. De fato, apesar das diferentes versões do mito, uma cabeça de górgona encontrava-se na Égide, o escudo que Zeus usara na batalha contra os titãs. Esse escudo foi dado por Zeus a Atená, que o teria revestido com a pele de Medusa. Tanto o uso por Zeus de um escudo mágico criado por Hefesto quanto o revestimento com o couro mágico da Medusa transformaram esse objeto em algo bem parecido com o escudo do Capitão América :uma proteção praticamente indestrutível. Na DC Comics, os braceletes igualmente indestrutíveis da Mulher Maravilha seriam feitos com pedaços da Égide. Há representações variadas da Égide, que podem ser uma couraça, um manto com a pele da cabra Amaltéa (que amamentou Zeus), entre outras, mas sempre uma proteção que torna o usuário invulnerável sob algum aspecto.
 
Algol tem algo de Lilith, algo de vampiro, algo de The Punisher. Atinge quem tem essa estrela forte no mapa diretamente na garganta (a parte decepada) podendo coincidir com dons de canto ou locução ou com uma grande frequência de problemas na garganta e no pescoço (músculos, vértebras, laringe, tireóide etc.). Há também algo de sedução muito poderosa nessa estrela, como que um “encantamento”, que “petrifica” os interesses alheios ou os próprios, tornando-os bastante obsessivos em torno do desejo sexual ou do desejo de satisfação de uma necessidade (vide as noivas de Drácula).
 
Esta e muitas outras estrelas, com descrições ainda mais detalhadas nas conjunções com planetas e pontos do mapa estão no curso de Estrelas Fixas, que dou no Rio e em São Paulo periodicamente. Em Sampa teremos um workshop em maio. No Rio já está acontecendo um e vamos para a quarta aula de dez.
 
Recomendo ler os comentários do professor Johnni Langer, um dos maiores especialistas do Brasil em cultura escandinava, no excerto abaixo e também artigo do link logo em seguida, para conhecer um pouco mais sobre essa estrela sob diferentes visões e culturas.
No dia 3 de abril eu postei um comentário [no Facebook] sobre as pesquisas de Stephen Wilk a respeito das observações gregas sobre a estrela variável Algo (Beta Persei) e a narrativa das Greias. Agora descobri uma pesquisa de finlandeses (publicada em dezembro de 2015) sobre antigas observações egípcias da mesma estrela no manuscrito El Cairo 86637, associando sua variabilidade à má sorte e com conexões paralelas à Lua. O curioso é que o nome árabe da estrela, Al Gol, significa demônio e ela também foi associada ao demônio mesopotâmico Lilith durante o medievo (que também possui conexões maléfica com a Lua, segundo o Zohar). Ou seja, uma antiga e ampla tradição oriental liga essa estrela com períodos de má sorte durante o ano (explicada pela variação de três dias do seu brilho: os antigos olhavam mais o céu do que se pensa), mais uma evidência do uso de mitologias celestes no cotidiano histórico…
 

Sergio Moro, seus Trânsitos Planetários, uma pitada de Sinastria com Lula e… Cunha: a trama!

OBS. veja, ao final, como participar do evento da Cia. dos Astros: “OS DESTINOS DO BRASIL E A PRÁTICA DA ASTROLOGIA”, a ocorrer em 29 de abril de 2016, no Rio de Janeiro, com vários astrólogos. ENTRADA FRANCA.

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FORMAÇÃO PRESENCIAL EM ASTROLOGIA – início em 06/05/2016. Veja os detalhes e a PROGRAMAÇÃO completa clicando na imagem acima.

Um amigo, o pesquisador de símbolos, Pedro Ribeiro, me havia alertado para a semelhança curiosa entre o sobrenome de Sérgio Moro, as circunstâncias que envolvem o juiz atualmente e um personagem bastante interessante da mitologia grega: Moros. Ele é pai das Moiras, as entidades do Destino, das leis inexoráveis, sendo ele mesmo o próprio Destino. Segundo o site Grécia Antiga.org, Moros, como as Moiras, representava o quinhão que cada homem recebe durante a vida. Era uma divindade inflexível, suas leis não podiam ser revogadas nem mesmo por Zeus, o rei dos deuses. É curioso notar que, na linguagem astrológica, as partes arábicas, também conhecidas como lotes gregos, representam “quinhões”, isto é, os lotes ou partes, incluindo a muito famosa Parte da Fortuna, são “a parte que nos cabe” em se tratando do conceito de “destino” e de tempo de vida. A Parte da Fortuna mostra como nos encaixamos na grande trama de nosso tempo histórico.

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Participe desta Jornada Mágica, em 3 cidades italianas. Aproveite que o dólar baixou! Entre em contato conosco pelos telefones do cartaz. Clique na imagem acima para abrir a PROGRAMAÇÃO COMPLETA deste workshop vivencial.

Vale lembrar e asseverar com veemência, que a Parte da Fortuna, na Astrologia, NÃO É a mesma coisa que a Roda da Fortuna, no Tarot. Como disse, as partes ou lotes são quinhões, mostram focos do mapa, subtons de personalidade, áreas da vida que se referem a vocações e enfatizam bastante a casa em que se posicionam, bem como seus significados. São fatores tão poderosos que muitas vezes nos identificamos com os padrões relacionados ao comportamento de um signo sem ter nele qualquer planeta, nem o Ascendente. Quando vamos verificar, lá está a Parte da Fortuna, representando precisamente aquela parte que muitos negligenciam na leitura do mapa. Voltando às Moiras e seu pai, uma breve busca na Internet pode levar o leitor a algumas das atribuições de Moros, como divindade do Destino e seu parentesco com Nix e o Caos. Lembrando também que o estudo das mitologias é absolutamente fundamental para a prática da Astrologia, possibilitando ao intérprete chaves para amarrar dados que estariam aparentemente esparsos na leitura do mapa e promover mais consciência ao cliente em seu contexto.

MORO E OS TRÂNSITOS PLANETÁRIOS

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Capa provisória do novo livro de Carlos Hollanda, a ser lançado em breve. Fiquem atentos aos informes.

As relações disso tudo com Sérgio Moro e uma grande trama da contemporaneidade são muitas. Para começar, Sérgio Moro nasceu no dia de Marte (terça-feira), na hora de Marte (13:45, segundo a certidão), com Marte angular, conjunto ao Meio do Céu, local onde se encontra a Parte da Fortuna do juiz. Alguém com esse posicionamento normalmente assume posições em que o indivíduo se notabiliza, seja no sentido de mostrar competência, seja no de ganhar notoriedade propriamente dita, atraindo para si as atenções em função das obras que realiza (ou que deixa de realizar). Essa notoriedade, obviamente, é relativa às obras e aos campos em que se atua. Não é necessariamente algo que as mídias tornarão célebre, mas certamente se ganhará um olhar diferenciado dentro da área que se escolhe. Não bastasse isso, conjunta a seu Meio do Céu, que é nosso renome, o epíteto que recebemos de acordo com o que construímos na vida, está a estrela Regulus, a alfa da constelação do Leão. Ela também está associada a sucesso sob várias perspectivas. É uma das chamadas “estrelas reais da Pérsia”, uma estrela “de reis”. A acepção do termo só deve ser relativizada de acordo com o contexto de sua aplicação. Não se tornará “rei” como numa monarquia de fato necessariamente, mas ganhar-se-á status de referência e prestígio inegáveis, sobretudo no MC, inclusive possibilitando o acesso a poderosos e ao poder com maior facilidade do que a média, bastando que haja esforço e interesse. E o esforço não é tão gigantesco assim, quando essa estrela ali se encontra.

Os trânsitos atuais de Moro mostram essa figura de celebridade por duas vias: primeiramente, a mais evidente, que é o trânsito de Júpiter na casa 10 de seu mapa natal desde fins de 2015. Em segundo lugar, o trânsito de Urano, em trígono com seu Sol, que ocorreu no início da operação Lava-Jato, sendo sucedido por um trígono do mesmo Urano com o Ascendente do juiz. Júpiter em trânsito, em 2014 também formou aspectos passíveis de levar o indivíduo à evidência pública, entre eles, a conjunção com o Sol, um trígono com o Ascendente e depois uma outra conjunção, com Mercúrio.

 

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Trânsitos sobre o mapa natal de Sérgio Moro. Círculo interno: mapa natal. Círculo externo: trânsitos de 22/03/2016.

 

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Clique na imagem para obter outras informações sobre este curso.

Moro, atualmente, vive uma quadratura T, uma configuração bastante tensa e complexa, envolvendo Saturno, Júpiter, Netuno e, para quem utiliza pontos considerados obscuros no mapa, Kiron também.  Esses fatores atingem pontos de grande importância no mapa, os chamados ângulos, três deles: o Ascendente, a casa 4 e a casa 10. Embora recebendo apoio do que aparenta ser a maioria da população, Moro sofre pressões bem grandes, indo desde ameaças de morte e atentados contra sua família, até levar “pitos” de superiores hierárquicos no sistema jurídico brasileiro, como o juiz Teori Zavascki, que ordenou a devolução ao STF a investigação sobre Lula, na Lava-Jato. Saturno e a casa 10 são, de fato, referências para localizarmos a relação com superiores hierárquicos, por exemplo. Mas Saturno, mesmo em meio a esta configuração tão tensa, gerando instabilidade doméstica e uma tendência à instabilidade profissional (as pressões em torno das obras realizadas – a casa 10 tensionada)** está em oposição com o Saturno de nascimento de Moro. Inicialmente pensar-se-ia em uma crise ainda maior, porém, essa oposição, embora represente muito trabalho, esforço e a necessidade de contar quase que exclusivamente com as próprias forças para levar os projetos a cabo, tem um lado bem desejável: o fechamento de um ciclo de aproximadamente 14 anos e meio (cerca de um hemiciclo de Saturno) em que aquilo que fora iniciado no início dele tem aqui sua culminância. As obras, os projetos, os esforços perpetrados 14 anos atrás, ganham corpo, notabilizam-se, se estabelecem e recebem importância social. É como se Moro estivesse, sem perceber, se preparando para viver este momento. De fato, foi em 2002, 14 anos atrás, que Moro concluiu seu doutorado na Universidade Federal do Paraná, e em 2003 que ele passou a atuar em casos semelhantes, como o Escândalo do Banestado e sua respectiva CPI.

**NOTA: a casa 4, com quadraturas a Netuno ali transitando, ganha “desenraizamento”: costuma-se mudar de residência e de outros territórios que normalmente se ocupa. Moro, que ia de bicicleta até o trabalho, viu essa atividade ser interrompida e seu endereço de trabalho ser vigiado 24h. por dia. Os dois regentes da casa 4 em Aquário, Saturno e Urano, vêm sob configurações tensas desde 2014. Um recebendo quadratura e oposição respectivamente de Plutão e Urano em trânsito, enquanto outro, há pouco tempo, recebendo todo o peso da quadratura T, com a oposição de Saturno em trânsito.

Vamos ver como ficará todo o processo e os resultados que Moro irá conseguir, após o dia 9 de maio, quando Júpiter sairá da retrogradação e voltará ao movimento direto. Esperemos nova carga. Enquanto Júpiter retrograda, há várias reformulações nesse campo jurídico, nas metas de médio e longo prazo. As coisas “andarão” a partir dali um pouco melhor do que agora sob vários pontos de vista.

De fato, é em maio que se inicia um trígono da Lua progredida com o Sol natal de Moro, estendendo-se até outubro de 2016. Este é ligado a favorecimentos diante de autoridades, poderes vigentes e ressalta o vigor, a saúde e a coragem, tanto quanto a liderança e o carisma. Porém, é em setembro que se inicia uma fase de grande abertura para o juiz, com a Lua em progressão adentrando a casa 1. Muitas situações represadas nos dois últimos anos têm suas comportas abertas e fluem aqueles objetivos que até então não tinham possibilidade de serem alcançados. Não é um passe de mágica, mas é um início de um processo promissor que dura 2 anos e meio, mesmo com pedras no percurso. Esses aspectos podem levar Moro a aparecer mais, sair da “toca”, dar mais declarações públicas, tornar-se menos oculto e ganhar mais voz ativa. O pico é a fase de julho a dezembro, sendo setembro e outubro os melhores meses.

MORO E LULA EM GOTAS DE SINASTRIA – SEMELHANÇAS E FAÍSCAS

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Lula tem sido um dos principais alvos de Moro nas investigações da Lava-Jato. Um verdadeiro cabo-de-guerra é travado entre as duas personalidades que têm pontos em comum. Entre eles, a já mencionada Parte da Fortuna, que no mapa de ambos se encontra na casa 10, conjunta ao MC. A de Lula, aliás, o identifica com alguns pontos importantes da personalidade e comportamento de Moro: se encontra em Leão, consistindo, assim, de um subtom de seu mapa que o torna carismático, centralizador, direto, explícito, diferentemente da média do comportamento escorpiano, que costuma ser um tanto mais reservado e arredio. O mapa de Lula, usado aqui, parte do mesmo estudo-hipótese que considerei noutro artigo, envolvendo Lula e Dilma (clique aqui para ler). Aqui não me aprofundarei todos os detalhes possíveis numa sinastria, apenas focalizarei alguns dos principais pontos de interesse, mostrando como em relações, inclusive de força ou de oponência, a simples existência do “outro” diante dos campos de experiências do indivíduo, já é suficiente para alterá-las significativamente. O “outro” oferece direções, opções e pressões que modificam o comportamento do “um”, e, portanto, os resultados de suas iniciativas e posturas, ainda que não viesse a agir diretamente sobre esse “um”. Com uma ação direta, o resultado é ainda mais intenso, obviamente. Ainda que por acaso o mapa de Lula não esteja com o horário realmente correto, os demais aspectos permanecerão válidos, pois eles ocorrem entre planetas de qualquer modo.

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Comparação – Sinastria, entre o mapa de Lula (círculo interno) e o de Moro (círculo externo)

Como disse, concentrar-me-ei apenas em poucos fatores e aqui acrescento: somente na ação do mapa de Moro sobre o de Lula, para demonstrar como o juiz o afeta, além do processo da Lava-Jato.

Um dos pontos que chamam a atenção no desenho acima é a quantidade de fatores que Moro insere na casa 10 de Lula. A visibilidade do ex-presidente, a partir de um pacto, de uma oponência ou, até, uma relação amorosa com alguém com as mesmas configurações de Moro, aumentaria bastante. Não fossem oponentes, Moro serviria como extraordinário cabo eleitoral para Lula. Porém, o contato não pode ser ameno: Marte de Moro “atiça” a casa 10 de Lula, formando uma quadratura com o Ascendente (possível) e com o Mercúrio do ex-presidente. Acusações, disputas verbais, desmentidos, combates mentais são frequentes em casos assim. De fato, os Mercúrios de ambos formam quadratura. A aspectação tensa de ambos numa sinastria complica bastante as comunicações verbais e documentais. Enquanto um oculta (Escorpião) ou outro deixa explícito (Leão). É curioso que Moro, sendo leonino e tendo o Sol na casa 9, é considerado alguém que dificilmente abre sua vida pessoal a público. De fato, isso não é necessário, o céu não se importa com as questões pessoais e as reservas. Moro é um homem público e invariavelmente sua vida pessoal vem à tona, ao menos em parte. Um pouco dessa reserva vem pela Parte da Fortuna em Virgem, signo tímido, concentrado, “todo certinho” e bastante crítico, não se envolvendo facilmente em atos explosivos de grandes emoções ou de expressão expontânea.

Mercúrio e Marte de um na casa 10 do outro, faz com o que o outro declame mais, seja visto como alguém que fala muito, que ataca ou defende, que combate. A mesma exposição pode ocorrer com o Sol de um sobre o Plutão do outro. Entretanto, Plutão do outro sobre Sol do um, cria, para ele situações propícias a autoconhecimento, crises pessoais, revides. O contato entre eles, sem qualquer investigação, já não seria lá muito amistoso, exceto em se tratando do comportamento esperado por um estadista e um juiz, em situações sociais. Fora isso, faíscas escapariam por seus olhos e, se Lula viesse a lançar farpas pela via das indiretas, Moro o convidaria para ser claro diante de todos. Trata-se da natural quadratura entre fatores em Leão versus fatores em Escorpião. Ambos são signos fixos, pertencem à mesma quadruplicidade, são compensatórios e contraditórios entre si. Ambos os sóis desses personagens se encontram numa quadratura. Netuno de Moro na 1 de Lula pode sensibilizá-lo e até enfraquecê-lo sob alguns aspectos, mas Marte de Moro na 10 de Lula, formando quadraturas importantes como as supracitadas torna Lula ainda mais combativo e capaz de respostas à altura. Outro ponto óbvio de conflito, mas também de complementaridade, é a Lua de Moro oposta ao Sol de Lula. Moro funciona como o cobrador de resultados, aquele que quer provas físicas (Touro) daquilo com que Lula se identifica (Sol) e que consistem em ideais (casa 11) não necessariamente visíveis (Escorpião) e documentáveis.

Há muitos outros pontos de conflito, embora outros possam servir como harmonizadores e atenuadores. Não é o objetivo deste artigo analisar todos, mas chamo a atenção para duas conjunções: Júpiter de Moro com o Nodo Sul de Lula e Saturno de Moro emconjunção com Urano de Lula. Júpiter de um no Nodo Sul do outro desenraíza este último, podendo aumentar a frequência de viagens e mudanças residenciais, negociações imobiliárias e mudar diretrizes e planos formulados tempos atrás com uma ampliação de escopo. Pode, inclusive, favorecer o alargamento de territórios ocupados pelo outro ou gerar dispêndio financeiro em função disso. Não é difícil perceber que, de um modo ou de outro isso se relaciona com as recentes questões imobiliárias do ex-presidente, sejam elas prova de culpa ou apenas um elemento circunstancial descartável. Como disse, a ação de Moro atinge essa área da vida de Lula de qualquer modo. Já Saturno de um sobre Urano de outro, restringe a mobilidade do outro em se tratando dos grupos sociais aos quais esse outro se vincula. Igualmente, conforme o simbolismo de Saturno, há fiscalização ou um “medir a consistência” das propostas do outro constantemente. Os ideais ou o que o outro acredita serem ideais, são continuamente contestados ou cobrados em termos de consistência e aplicabilidade. Essa conjunção atinge Lula no ponto de mudança da casa 7 (parceiros, oponentes, alianças e acordos ou litígios) para a 8 (recursos compartilhados com cônjuges ou sócios, crises, perdas, investimentos de longo prazo).

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Lula, conforme essa hipótese de mapa tem a cúspide da casa dos oponentes, a casa 7, em Touro. Este é regido por Vênus, que está em Libra, conjunto a Netuno, Kiron e Júpiter. O comportamento de seus parceiros e cônjuges pode girar em torno dos tons desse signo e desses planetas. Para se ter uma idéia, dona Marisa, esposa do ex-presidente (casa 7 pela via do cônjuge), apesar de ter nascido com o Sol em Áries, (7 de abril de 1950), tem Netuno em Libra, em oposição com esse Sol, o que por si só já constitui um tom netuniano em seu comportamento. Não bastasse isso, a Lua da ex-primeira dama muito provavelmente naquele dia, estava em Sagitário, signo regido por nada menos que Júpiter. Os tons do mapa se associam por semelhança, a propósito.

Como oponente, Lula pode ter muitos, mas este, que está com enorme visibilidade atualmente, tem o Ascendente em Sagitário, com Júpiter na casa 1 e, pasmem, a Lua em Touro! A casa 7, conforme reza a tradição astrológica, revela como são e como funcionam os oponentes (antigamente denominados de “inimigos declarados”), simultaneamente aos cônjuges.

Moro tem algumas estrelas poderosas em conjunção com pontos fortes do mapa. Já falamos de Regulus no MC. Betelgeuse e Polaris fazem conjunção com Vênus. São estrelas de honrarias e de guerreiros (lembrar que há uma redundância: Marte, no início do artigo, é bastante enfatizado). E a estrela Mirach, da constelação de Andrômeda, está sobre a Lua. Ora, a estrela é relacionada ao que é belo e Moro tem algo em sua postura que o tornou uma espécie de galã para muitas pessoas. Vale lembrar que por mais belo que seja o simbolismo de uma estrela, ela não representa um indivíduo necessariamente virtuoso. É como se reage às próprias tendências que forma uma atitude aceitável/desejável ou não. A lua de Saddam Hussein, por exemplo, estava conjunta a Antares, uma das estrelas reais da Pérsia. Aliás, ele foi enforcado, como reza uma parcela de seu simbolismo.

Moro só precisa não ser obsessivo (Parte da Fortuna em Virgem) e evitar atuar com excesso de força (Marte, Leão), evitando radicalismos que o possam derrubar de sua atual boa condição. Não seria lá muito aconselhável, a despeito da enorme potência para ganhar autoridade, candidatar-se à presidência. Não que não pudesse vencer. As chances são realmente muito grandes, mas ele é interessante para servir de contraponto a quaisquer poderes abusivos, sejam de esquerda ou direita. Seria bom manter-se como juiz, crescendo em sua profissão, andando, sempre, no fio da navalha, olhando para os dois lados com o mesmo senso crítico. Como presidente talvez não se tornasse tão admirado como o tem sido, na condição de juiz, de defensor do saber acadêmico e a uma forma inflexível, mas desejável de justiça, pelo menos em tempos de lamaçal vindo à tona. Ou talvez, toda Justiça deva ser inflexível, dentro dos limites do bom senso.

A ESTRELA REGULUS, A VISIBILIDADE E EDUARDO CUNHA – UM LEMBRETE

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E quanto a Eduardo Cunha? Sim, ele possui algumas semelhanças interessantes com Moro, sobretudo no que se refere aos trânsitos e uma certa estrela real no Meio do Céu. Com os olhares das mídias focados no “triângulo amoroso” Lula-Dilma-Moro”, tem-se esquecido daquele que tem uma das visões mais conservadoras e radicais do país, tendo sido acusado, na Operação Lava-Jato, de receber milhões em propina. Cunha, cujo mapa, se estiver correto (e pelo jeito parece estar), teria Plutão na casa 10 e Saturno no Ascendente, em Sagitário, o que condiz com sua condição de propagador por diferentes vias (rádio, sites de internet – Sol conjunto a Mercúrio, Marte, dispositor da Lua, em Gêmeos) das ideologias de religiosos, não raro de posturas radicais. O elemento religioso fica por conta do Sagitário no Ascendente, muito embora o mesmo seja aparentemente uma ponte para obtenção de poder (Plutão na casa 10 e Saturno na 1). Poder e manipulação, algo em que Cunha parece ter maestria, relacionam-se às configurações do mapa do deputado, como Saturno e Plutão angulares (poder e controle, envolvimento com tudo o que permita persuadir, nem que seja por severas pressões e coerções, mesmo veladas), ênfase em Libra (as estratégias de confronto lateral, usando conchavos, trocas de favores) e a autodefensiva e reativa Lua em Áries, o contraponto da polidez libriana, levando constantemente ao confronto, à competição, elegendo sempre algum tipo de oponência, alguma espécie de dragão para enfrentar como um mítico cavaleiro andante. O problema é que todas as configurações convergem para o dogma, disfarçado, infiltrado (Júpiter, regente do Ascendente, conjunto a Netuno e na entrada da casa 12), nem sempre explícito, quase sempre confundido pelo domínio do linguajar (Mercúrio).

 

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Mapa de nascimento de Eduardo Cunha. Dados obtidos em artigo do astrólogo Adon Saleeby.

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O poder de Cunha consiste sobretudo em permanecer nas sombras, entre fogos cruzados, regulando os poderes ao redor (Libra) em função de seus próprios objetivos ou de ideais que deseja implantar a todo custo (Plutão angular em quadratura com Marte), afinal, ele crê estar “sempre certo” e tudo saber mais precisamente do que os demais (ênfases em Sagitário – Ascendente – em Virgem – Vênus nesse signo, em quadratura com Saturno – e em Gêmeos – Marte ali, sendo dispositor da Lua ariana). Pessoas com ênfases nesses signos normalmente têm a impressão de que o mundo ao redor “emburreceu”, sobretudo quando os aspectos envolvidos são tensos como os de Cunha, tomando para si a “missão” de fazer os outros pensarem como ele, nem que seja na marra, já que ninguém “pensa direito”. Há de fato algo de messânico em suas propostas, no sentido de “eu tenho a verdade e você terá que aceitá-la ou não será salvo” (leia-se: “não participará da cúpula dos bem-aventurados”), ou “implantarei meu modelo ideal custe o que custar, nem que eu morra por isso” embora isso seja feito na surdina (casa 12, Plutão, Júpiter em Escorpião). Cunha tem extrema facilidade de convencer pessoas enquanto permanece semi-oculto, articulando a maior parte do que faz fora das vistas públicas, embora mostrando, pelo uso das mídias (Mercúrio) o que interessa, por vezes desviando a atenção, por vezes gerando polêmicas, como o “dia do orgulho hetero”. Este, diga-se de passagem, seria algo bastante alinhado com sua Lua em Áries e com Marte em quadratura com Plutão, no confronto com uma tendência coletiva de apoio a minorias por muitos anos reprimidas na sociedade, como que temendo, paranoicamente (Plutão), a chegada de uma situação futura semelhante a quem não é homossexual. A Lua em trígono com Saturno e Plutão, Júpiter em sextil com Plutão, Mercúrio e Vênus em trígono com Marte, tudo isso consiste de grandes facilitações à chegada ao poder, em especial pela manipulação das crenças e pelos favores recebidos de outros poderosos, sobretudo favores econômicos. Astrologicamente isso seria marcado pelo seguinte:

a) Saturno é o regente da casa 2, que entre outras coisas, revela modos de adquirirmos nossos recursos pessoais.

b) Ele está em quadratura com Vênus, o que leva ou a enfrentar escassez no início da vida ou a permanecer com grande esforço evitando uma escassez que provavelmente só seus antepassados viveram. Por isso, usa de todos os meios para manter-se relativamente estável.

c) Essa estabilidade, nesse mapa, é conseguida, como já dito antes, por propagação de sistemas ideológicos ou de crenças, via Urano na casa 9 (crenças) em trígono com Saturno.

d) Curiosamente, Urano está em Leão, regido pelo Sol, que está conjunto a Mercúrio (comunicação). Cunha é economista (Saturno e Plutão angulares – lidar com recursos alheios e coletivos) e radialista (Mercúrio muito poderoso e Gêmeos enfático pela regência de Marte nesse signo sobre a Lua).

Seu mapa apresenta indicadores em condições que o alcance de objetivos políticos se torna realmente muito mais fácil e a infiltração em sistemas que ele deseja “converter” (Sagitário + Plutão enfáticos) bem simples e ágil. Não bastasse isso, o deputado nasceu com pontos cruciais do mapa em conjunção com estrelas extremamente poderosas e tidas como favorecedoras da ascensão social: Regulus no Meio do Céu, como Moro, e Arcturus e Spica, sobre o Nodo Norte. Spica, entre outras coisas, é a mais relacionada à fartura.

Em algum momento o deputado viria “à tona” e se tornaria alguém com uma notoriedade acima da média, mesmo para radialistas. Ocorre que seu poder, como disse, está nas sombras, e se ele está visível demais, parte desse poder é minado. É kryptonita.

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Círculo interno: mapa de nascimento de Eduardo Cunha. Círculo externo: trânsitos gerais do dia 25/03/2016.

Nos trânsitos, a visibilidade está muito forte, apesar da Imprensa ter-se desviado um pouco para tratar do caso Lula. Nota-se a quadratura T nos ângulos, nas casas 1, 4 e 10, estando Júpiter na casa da visibilidade. De fato, Júpiter quando transita pela 10 granjeia o apoio de empregadores, superiores hierárquicos, há possibilidade de ganhar até simpatia do público. Cunha, porém, vive esse trânsito benfazejo sob complicadores severos, como esta quadratura, envolvendo Saturno em trânsito pela casa 1, em seu segundo retorno à posição original. Com todas essas pressões, dificilmente as atenções não tornarão a voltar-se para o deputado e tudo o que o envolve, como o processo de Impeachment contra a presidente Dilma e outro contra ele mesmo.

ATENÇÃO: LOTAÇÃO ESGOTADA para o evento “OS DESTINOS DO BRASIL E A PRÁTICA DA ASTROLOGIA”.

cartaz-destinos-brasilComo ficará o país ao longo de 2016 e um pouco mais? A relação entre a crise brasileira e o cenário internacional: como uma coisa afeta a outra? As disputas de poder, a economia, os problemas sociais. Ao final, uma apresentação sobre a prática da Astrologia, suas possibilidades e seus usos, para a vida pessoal, para o entendimento das situações coletivas e a importância de seu aprendizado com orientação adequada para a aplicação profissional.

O evento reúne vários astrólogos, com um olhar para essas questões, cada qual partindo de um viés, com uma formação diferente, mas complementar. A entrada é franca, mas as vagas são limitadas. É preciso confirmar presença com antecedência para reservar.

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Dilma, Lula e a crise (outra!): ciclos do mapa do Brasil – um olhar breve

Uma visão rápida da crise política no Brasil, com destaques para os trânsitos sobre o mapa da Independência e as hipóteses de mapa astrológico de Dilma Rousseff e de Lula.

Não é objetivo deste brevíssimo texto entrar na polêmica de quem é ou não culpado de quê, se a governante deve ou não sofrer impeachment e se as atuais movimentações partidárias são boas ou ruins. Trata-se de indicar alguns dos principais trânsitos planetários que correspondem às situações críticas que o país e o poder central vêm passando e algumas repercussões para nós, meros mortais. Com isso, a idéia é observar didaticamente o processo que já vem ocorrendo – entendê-lo sob o ponto de vista dos ciclos atuais – e tecer algumas considerações sobre os possíveis desdobramentos. Eu e a astróloga Márcia Mattos, em novembro de 2015, aliás, fizemos um vídeo pela Cia. dos Astros, em que havíamos indicado algumas das situações que de fato vêm ocorrendo.

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Carta da Independência do Brasil, no círculo interno e os trânsitos de 17/03/2016, no círculo externo.

Neste dia 17/03/2016 a Presidência da República nomeou ministro da Casa Civil o ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva, numa manobra política que gerou turbulências em várias partes do país, entre apoiadores e a maioria descontente. Tão descontente que o juiz federal Itagiba Catta Preta Neto suspendeu a nomeação de Lula ao Ministério logo de imediato. O ex-presidente, portanto, ainda não é de fato Ministro, embora o Governo possa recorrer.

A crise política que já vem ocorrendo há muitos meses, vem ganhando proporções ainda maiores com o ápice da Operação Lava-Jato e as manifestações gigantescas em todo o país. Mas quais seriam os principais indicadores astrológicos envolvidos nessa crise e quais seus papéis?

Para começar, sobre o mapa da Independência do Brasil incide o seguinte:

1- Saturno em trânsito em quadratura com o Sol radical – crises, impedimentos, obstáculos, cobranças por competência, pressões, lentidões, enfraquecimento, tudo isso ligado ao poder central, o Sol, do país.

astro-horariatijuca2- A quadratura acima vem sendo intensificada por duas outras condições que a envolvem: um aspecto que vem se formando desde 2015, com Netuno em Peixes, formando, aos poucos, uma oposição com o Sol radical do país, e com o incremento da visibilidade de Júpiter em conjunção com o mesmo Sol, formando uma quadratura com Saturno. Netuno em tensão com o Sol despotencializa, dissolve, sujeita a traições e a conspirações, atos realizados à revelia. Qualquer que fosse o governante neste momento e qualquer que fosse o grupo de pessoas envolvido com o poder central estaria agora sob algum tipo de crise e descredibilização. Claro que uma intensidade maior ou menor da mesma seria definida pelo arcabouço de realizações ou de fracassos que o mesmo tivesse tido ao longo dos últimos anos.

 

estrelasfixas-lgodomachado23- As resistências atuais do Governo ficam por conta do trígono de Plutão em trânsito com o Sol radical. Este, porém, já se encontra em seu final, menos intenso, o que significa que qualquer favorecimento vem se dissipando, enquanto há uma quadratura de Plutão e Urano em trânsito envolvendo as casas 11 e 3 desse mapa. A incidência é sobre os sistemas de comunicação de massas (casa 3 + Urano), as Assembléias, Plenários, Senado e outras reuniões de partidos (casa 11). De fato, temos visto que as tensões também se têm voltado para emissoras de TV, as denúncias se acirrando, e membros de partidos se agredindo fisicamente nas dependências das instituições políticas, por exemplo.

 

oficina-de-leitura-cartaz-web4- Mercúrio no mapa do Brasil rege praticamente tudo, com exceção de Marte. Essa condição o torna especialmente poderoso, enfático. Vemos que esse ponto tão importante encontra-se sob aquela configuração em que estão Saturno, Júpiter, Kiron e, mesmo afastado por órbita, Netuno. Mercúrio recebe as quadraturas e oposições, aspectos tensos, de quase todos eles, com exceção de Júpiter, planeta “benéfico”, que lhe faz conjunção. Ela, no entanto, só intensifica o estado de confusão, as informações truncadas, as afirmações muito dogmáticas de ambos os lados da questão (Júpiter + a quadratura de Saturno em Sagitário), as intervenções no trânsito (Mercúrio rege o trânsito, assim como a casa 3), a troca de ministros (Mercúrio, o “minister”, em oposição ao “magister”, Júpiter) e, enfim, a própria confusão entre tentar empossar um e esbarrar numa liminar que impede (Saturno) a nomeação.

NOVO-cartaz-italia-astro5- Nas duas datas cruciais, até aqui, para a definição da condição de Lula diante da Operação Lava-Jato, dias 16 e 17 de março, Marte, transitando na casa 10 (poder, governantes), já havia iniciado uma oposição com o conjunto Júpiter-Lua (Lua – povo) do mapa radical do Brasil, na casa 4 (oposição, população). o resultado foram manifestações violentas, com confrontos com a polícia, uso de gás (Netuno) lacrimogêneo (gás que arde, que queima – Marte aplicando quadratura a Netuno). No mapa de um indivíduo comum, o trânsito de Marte na casa 10 costuma incliná-lo a tomar decisões parciais, a fim de que operacionalize algum intento independentemente da anuência de todos, não raro, visando o melhor, mas quase sempre sendo tido como encrenqueiro. No mapa de uma entidade coletiva são ações rápidas, potencialmente impulsivas e autoritárias, por um lado, ou sujeitas a combates de terceiros, por outro. O trânsito de Marte leva cerca de 2 meses para cruzar o espaço de 30 graus. A casa 10 em questão tem cerca de 34 graus. Marte já cruzou uma parte desse arco e poderia concluir essa fase tensa em maio, mas irá retrogradar e ampliar sua permanência na casa 10. Ficará ali, entre retrogradação e movimento direto até aproximadamente 18 de setembro de 2016.

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6- Nesse ínterim, o mesmo Marte fará uma quadratura com o Sol radical do Brasil e uma conjunção com Saturno em trânsito, isto é, Saturno e Marte, ambos transitando, ficarão conjuntos no céu, atingindo a já referida quadratura T com Sol, Mercúrio, Júpiter, Kiron e Netuno. Isso ocorre numa faixa de tempo que compreende os meses de abril (Marte quadratura Lua-Júpiter) maio (quadratura exata Saturno-Sol), agosto (Marte quadratura Sol) e setembro (Marte quadratura Plutão, conjunção Urano e Netuno radicais).

Estamos simplesmente num dos picos de intensidade dos aspectos supracitados, que agravar-se-ão em abril e maio, recrudescendo as pressões em torno das figuras de governo. Mais enfraquecimento e estruturas em demolição.

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Trânsitos (círculo externo) de 17/03/2016, sobre o mapa de nascimento de Lula (círculo interno). O mapa de Lula tem a data e o horário baseados na pesquisa da astróloga Lydia Vainer.

Já quando os mesmos trânsitos são aplicados sobre uma das hipótese do mapa de nascimento de Lula (ver imagem acima),temos o seguinte:

cartaz-espaco-psi-web1- Plutão vem formando uma oposição com Saturno, ainda distante por órbita, mas aparentemente já confirmando a tendência que tal aspectação representa, com as crises estruturais, perda de credibilidade tensões do coletivo sobre o individual e situações similares. Saturno em trânsito está em oposição com Urano radical, uma verdadeira restrição aos modos de agir mais característicos do indivíduo. É um dos aspectos (sim, não é o único) que em outras ocasiões representaria motins, greves, abaixo-assinados, a fim de que o indivíduo se afaste de atribuições ou idéias que defende ou propaga. Não fosse isso o suficiente, a Lua em progressão secundária sobre o mapa de nascimento do ex-presidente forma uma oposição, aspecto tenso, com Plutão radical, até os últimos dias de maio, e uma oposição da mesma Lua progredida com o Meio do Céu, até fins de julho de 2016. Purgações, confrontações intensas, conflitos/contatos com pessoas muito obsessivas, rudes, perdas, cirurgias, desgaste financeiro, litígios, tudo isso se encontra no escopo da aspectação tensa da Lua com Plutão. A que ocorre com o Meio do Céu endossa a redução da credibilidade e a inversão provisória da reputação, de acordo com o contexto de cada um.

2- Lula, no entanto, vem vivendo trânsitos extraordinariamente favoráveis, nesse ínterim. São elementos compensadores dos pontos mais tensos, o que pode explicar a resistência que sua figura continua apresentando diante de tantas investidas à sua reputação. Saturno em trânsito forma trígono com o Meio do Céu (reputação, credibilidade, imagem pública, persona social) até novembro de 2016, ganhando mais intensidade nos meses de maio e de outubro. Não bastasse esse atenuante, há um intenso favorecedor, que, inclusive, o coloca em bons lençóis diante de assuntos jurídicos e estrangeiros: a Lua progredida forma um trígono com Júpiter em abril, intensificar-se-á em maio e só terminará em meados de julho. Curiosamente, agora mesmo ele está sob um outro trígono da Lua progredida, com Vênus, que predispõe ao benefício proveniente de mulheres. Isso dura até meados de abril. Todas as datas aqui, aliás, dependem da precisão do horário e data de nascimento do ex-presidente, caso seja de fato este o correto, como julgamos que sim. Lula ainda ganha certo apoio de partidos e entre junho e outubro, sob o trígono da Lua progredida com Urano, o que soa surpreendente, claro, diante das atuais manifestações coletivas contra sua figura. Entretanto, repito, se os dados estiverem corretos, isso pode aumentar a resistência de Lula até essa fase.

3- O ponto mais crítico se estende de agosto a dezembro, sendo outubro o pior mês. Ali a Lua forma uma quadratura com Mercúrio, que se encontra, nesse mapa, sobre o Ascendente de Lula, desarticulando sua habilidade de persuasão, criando mal entendidos, bloqueando ou promovendo incorreções em documentos, potencialmente gerando mais crises com as mídias.

 

 

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Trânsitos (círculo externo) de 17/03/2016, sobre o mapa de nascimento de Dilma (círculo interno). Hipótese obtida em artigo da Revista Constelar.

 

Os trânsitos sobre o mapa de Dilma, na quarta hipótese oferecida em pesquisa da Revista Constelar, com o Ascendente em 25 graus de Virgem, apresentam, por seu turno, complicações bem maiores. Se a condição de Lula depender da figura da presidente, os aspectos favoráveis que ele vive não são suficientes para aliviá-lo das tensões a que se vem submetendo. Se para ele há bons aspectos com o indicador do “chefe”, “patrão” ou “superior hierárquico” (o Meio do Céu), ganhando o favor do mesmo, este superior (a presidente) está em situação bem mais crítica. Assim:

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1- A supracitada quadratura T envolvendo Saturno, Júpiter, Netuno e Kiron atingem em cheio a Mercúrio, Júpiter e Sol radicais de Dilma na terceira casa (comunicação, arredores, discursos). Parece ficar clara uma das razões simbólicas pelas quais os grampos telefônicos com suas conversas vieram a público e causaram comoção na população e os confrontos mencionados no início deste texto.

2- No dia 17, data do anúncio e tentativa de homologação do ministério de Lula, o Sol em trânsito formou a quadratura exata com o Meio do Céu da presidente.

3- Um juiz (juízes são uma mescla de Júpiter – leis – e Saturno – autoridade) impediu o procedimento: Saturno em trânsito em conjunção com Júpiter radical e em quadratura com Júpiter em trânsito.

4- Plutão em trânsito vem fazendo conjunção com Vênus radical, enquanto o mesmo Plutão ainda está sob a quadratura formada com Urano em trânsito, atingindo a casa das parcerias, aliados e oponentes. Muitas pessoas em condições assim terminam casamentos, rompem contratos, encerram parcerias em geral.

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5- Ainda segundo essa hipótese de horário de nascimento, há favorecedores poderosos no mapa de Dilma sob os trânsitos atuais. Estes são aspectos que provavelmente a mantêm na resistência, com o apoio partidário (Urano em trânsito em trígono com o Sol), até março de 2017 e com aliados competitivos de maio a agosto (Lua progredida em sextil com Marte)

 

6- O final do ano e a virada para o ano que vem coincide em crises pessoais com o mapa de Lula: de setembro de 2016 a março de 2017 teremos Lua progredida em oposição com a Lua radical, em quadratura com Netuno radical, enquanto Saturno em trânsito formará oposição com o Meio do Céu. Ali há um novo e mais intenso enfraquecimento, com emaranhamento de atividades, confusão, crises com antigos apoiadores.

7- Detalhe: a crise na Petrobrás vinha ocorrendo desde o início da aplicação da quadratura de Plutão e a oposição de Urano com o Netuno do mapa da presidente. Netuno e a Petrobrás têm uma íntima relação, pelo fato de que o petróleo brasileiro provir da exploração em meio ao oceano, em isolamento, em plataformas.

Vamos acompanhando, portanto, o desenrolar dos acontecimentos aqui em Pindorama. E fica aqui o convite para o evento “Crise Outra vez: o Mapa Astrológico do Brasil, os Políticos e a Economia”, a ocorrer em 08/04/2016. Aguardem novas divulgações.

 

 

O planeta regente do ano e as Horas Planetárias – considerações e desconsiderações

sun-astrology-800pxEstamos chegando ao equinócio de Áries, que ocorre sempre por volta dos dias 20 ou 21 de março (em 2016 ocorre dia 20/03, 01:29:54, nas coordenadas do Rio de Janeiro). O ingresso do Sol nesse signo marca o início do que chamamos “ano astrológico”, que no hemisfério norte é a primavera e no sul o outono. Astrologicamente falando, é ali que as coisas se iniciam, não no primeiro dia de janeiro. Esse ingresso do Sol no primeiro signo também representa uma espécie de “semente”, isto é, de latência para todo o ano que se seguirá, de março a março, indicando, pelas configurações celestes da região para onde se faz o cálculo de um mapa, como transcorrerão as coisas com instituições, governantes, economia, movimentos populacionais e até setores da sociedade. Faz parte de um conjunto bem complexo de saberes para análises em Astrologia Mundial. Até aqui, parece haver somente uma ou outra discordância entre os especialistas. A celeuma começa quando se atribui ao ano a regência de um único planeta. O tal “regente do ano”.

Há muita especulação sobre esses “regentes”, algo difundido massivamente pelas publicações populares de astrologia ou de algum assunto esotérico, que se por um lado despertam uma boa curiosidade em muitos, por outro, costumam simplificar demasiadamente aquilo que disponibilizam. Com isso, quando ocorre tal massificação e simplificação daqueles conteúdos, frequentemente vem junto a ausência de senso crítico de uns (achando que aquele conteúdo tão inconsistente é “tudo”), o excesso dele para outros (que pela falta de consistência ou de explicações mais aprofundadas, o consideram uma idiotice) e a completa indiferença de muitos, vendo naquilo apenas conteúdo para preencher páginas excedentes (o famoso “encher linguiça”). Aquele conteúdo, porém, é bem mais interessante e profundo, com possibilidades de uso sob diversas circunstâncias, mas ainda assim, é preciso entendê-lo devidamente, quais suas possíveis funções e o que logicamente não faz o menor sentido afirmar a respeito dele.

Antes que os apressadinhos que se crêem divinamente iluminados queiram pular os importantes detalhes da explicação que se segue, aí vai: teoricamente, o planeta que rege 2016 é o Sol.

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Aos céticos de plantão, calma! Chamar o Sol ou a Lua de planeta faz parte de uma tradição, do jargão astrológico da Antiguidade. Para os antigos filósofos gregos, entre eles Aristóteles, que usavam essa denominação, os corpos celestes que se moviam visivelmente no céu eram “errantes”, os astros que “vagueiam” ou que “viajam”, em oposição aos que aparentemente seriam fixos, as estrelas, que, observadas a olho nu, pareciam manter a mesma posição indefinidamente. O termo “aster planetes” em grego significa “astros errantes”. Daí a denominação para qualquer um deles que se deslocasse nesse contexto, inclusive nossa estrela e nosso satélite (que pretensão chamá-los de nossos! Mas para facilitar…).

Voltando ao regente do ano, o Sol é o que estaria no comando em 2016, mas poucos se perguntam de onde parte essa consideração e qual o fundamento. A resposta esbarra em enormes complicações, como por exemplo o fato de que não se sabe exatamente qual é a origem desse sistema, exceto que entre os registros mais antigos estão os caldaicos, e no que eles se basearam para encontrar um ponto de início. Quero dizer: ninguém sabe qual seria o planeta regente do primeiro ano em que isso começou a ser contado. De fato, não se sabe nem mesmo qual seria esse primeiro ano. Como? Continue acompanhando para saber, mas já adianto que é certamente especulativo, já que nosso calendário (gregoriano) é diferente do que eram os calendários medievais (juliano – desde a Roma dos césares) e antigos (como o sumeriano e o egípcio, de 360 dias e mais 5 de “influxo divino”). Isso por si só já teria criado uma divergência numa possível contagem das regências dos anos, a menos que ao serem substituídos os calendários, que o foram com finalidades políticas, sobretudo, se tenham feito ajustes e adaptações para que se mantivesse tal regência planetária na ordem, o que é bastante improvável.

Count_of_St_GermainHá quem indique que essa prática tenha-se iniciado com o famoso Conde de Saint Germain (séc. XVI/XVII), que teria definido o “domínio” dos planetas a cada ano. Acontece que o sistema e a seqüência adotada, como dizem, pelo conde, é totalmente calcada no referido sistema caldaico e que pode ser verificado nos diagramas das camadas de céu aristotélico-ptolomaico e também na seqüência descendente do diagrama da Árvore da Vida, entre os cabalistas.

 

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céu no modelo aristotélico-ptolomaico

Entre os livros medievais que asseveram esse modelo está o Sepher Yetzirah (Livro da Criação ou Livro da Formação – Yetzirah em hebraico é “Formação”). Este último exibe claramente em seu texto a questão da seqüência criadora (não esquecer que apesar de hebraico, se trata também de um texto metafísico com raízes helenistas entre outras que contribuíram com aquele pensamento – vide o 2o. capítulo desta tese) exatamente na ordem que se segue: Saturno-Júpiter-Marte-Sol-Vênus-Mercúrio-Lua e, em seguida, o ciclo retorna a Saturno, na sequência acima.

 

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Raziel

Algumas lendas e tradições colocam isso como tendo sido iniciado com o patriarca hebreu Abraão, enquanto outras apontam para o anjo Raziel, que transmitiu esse saber para Adão, após a expulsão do paraíso, com o intuito de que a humanidade pudesse retornar de sua queda. De qualquer modo, o Sepher Yetzirah foi compilado aos poucos durante a Idade Média, o que provavelmente ocorreu entre os séculos VIII e XIII, quando conhecimentos matemáticos e místicos de judeus e árabes proliferavam pela Europa. Esse, aliás, foi um período de grande florescimento da astrologia, sobretudo os séculos XII e XIII. De qualquer forma isso não muda o fato de que não se sabe com exatidão qual o ano de início da classificação planetária anual, que, no caso, seria o de Saturno. Como assim?

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Três diferentes versões da Árvore da Vida – Kabbalah

Esse sistema de classificação de planetas regentes do ano obedece ao mesmo sistema que define os dias da semana e os chamados “horários planetários”. De acordo com o texto do referido Sepher Yetzirah, a divisão das horas de um dia tem início, segundo o relato bíblico, “no quarto dia de Criação”, que na linguagem que usamos hoje equivaleria à noite de terça-feira e à quarta-feira. Quanto a isso, o rabino Arieh Kaplan diz o seguinte:

A influência dos planetas no sistema do Sepher Yetzirah não depende de suas posições no céu , mas da hora do dia . Isto é discutido em inúmeras fontes talmúdicas e cabalísticas. [tornando a recordar que mesmo as fontes talmúdicas receberam muitas influências do helenismo]

Em ordem de distância da Terra, os planetas são : Saturno, Júpiter, Marte , Sol, Vênus, Mercúrio , Lua. Deles, Saturno é o mais distante da Terra e a Lua é o mais próximo.

De acordo com a Bíblia, as estrelas e planetas foram feitos no Quarto Dia da criação (Gênesis 1:14-19). contando do domingo, o quarto dia era quarta-feira.

Na contagem bíblica, no entanto, a noite sempre precede o dia . A Torah, então, diz: ” Era noite e era manhã”. A noite sempre precede a manhã.

Os planetas foram colocados em sua posições na noite do quarto dia , que é a [ ou equivale para nós hoje à] noite de terça-feira. Eles foram colocados um de cada vez, a cada hora , de acordo com suas distâncias da terra [e também com a duração de seus movimentos na eclíptica]. Assim , na primeira hora (18h. de terça-feira ), Saturno foi colocado em sua posição . Na segunda hora (19h. de terça-feira ), Júpiter foi posicionado. A ordem da criação dos sete planetas foi, então, a seguinte:

primeira hora: 18h. – Saturno
segunda hora: 19h. – Júpiter
terceira hora: 20.h – Marte
quarta hora: 21h. – Sol
quinta hora: 22h. – Vênus
sexta hora: 23h. – Mercúrio
sétima hora 00h. – Lua

(KAPLAN, Arieh. Sepher Yetzirah – the book of creation in theory and pratice. York Beach. Samuel Weiser: 1990. pp. 180-181).

planetaryhourstarAssim, seguindo a ordem indicada acima até as 6 horas da manhã, teremos a quarta-feira como um dia regido por Mercúrio. Veja a seguir a continuação da sequência mostrada acima:

oitava hora 01h – Saturno
nona hora 02h – Júpiter
décima hora 03h – Marte
décima primeira hora – 04h – Sol
décima segunda hora – 05h – Vênus
Primeira hora do dia (com o despontar do Sol no horizonte) – 06h – Mercúrio

 

astro-horariatijucaPor que até às 6 da manhã? Porque para o modelo de pensamento antigo, bastante diverso do nosso, com relógios e divisões racionais do tempo, o dia só começava de fato quando o Sol despontava ou estava para despontar no horizonte. Isso normalmente ocorre por volta das 6 h. Antes disso é tudo considerado noite, já que o Sol não está mais visível (das 18h. até as 6h., o período entre o ocaso e o nascer do Sol). A primeira hora do dia define o regente do dia. Se no nascer do Sol no quarto dia da Criação temos a hora de Mercúrio, é ele quem rege a quarta-feira (Mercredi – francês, Miércoles – espanhol; em inglês, Wednesday, o dia de Woden ou Odin, equivale: é também um deus da escrita, pelas runas). Explicado isso, basta, então, aplicar a seqüência na ordem indicada para perceber que a quinta-feira é o dia de Júpiter, a sexta, o de Vênus, o sábado, o de Saturno, o domingo o do Sol, a segunda o da Lua e a terça o de Marte.

Nota “virginiana”: na citação de Kaplan não consta o fato de que a organização hierárquica dos planetas obedece, na verdade, a ordem temporal dos mesmos, mensurável por observação. Sendo a Lua o fator mais rápido, ela fica mais abaixo na escala, enquanto Saturno, o mais lento, se aproxima do “não-tempo”, representado pelas estrelas fixas e outras camadas do céu imaginário, tidas como acima da temporalidade e, portanto, ligadas aos mundos divinos, das idéias arquetípico ou qualquer outra denominação que represente a superação do tempo e da corrupção provocada por ele na matéria. Fica aqui, novamente, a dica do já mencionado capítulo de tese que fala a respeito, é só clicar.

NOVO-cartaz-italia-astroContudo, como podemos saber, a partir do mito criador, em que momento essa criação ocorreu se esse momento é mítico? Desse modo, não podemos saber com toda certeza qual o ano regido por um determinado planeta. Isso tem mais de especulação, como disse, do que de uma contagem confiável. O mais estranho de tudo é que o sistema das horas planetárias, com práticas que consideram o dia e a hora para determinadas práticas e ações, é extremamente preciso e funcional. É possível até mesmo perceber a mudança de tom de assuntos ou de circunstâncias, por exemplo, na medida em que mudam as horas planetárias. Em poucas horas, com uma condução adequada da atenção, é perfeitamente possível constatar isso. Aliás, até mesmo sem criar expectativas quanto ao que poderia ocorrer durante a próxima hora, quando nos damos conta, as situações convergem para o sentido que a hora reserva. Experimente.

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Curso perfeito para quem quer começar a dar atendimentos ou para quem deseja reciclar conhecimentos.

Entretanto, quando se trata do ano astrológico ou do planeta regente do ano, fica muito difícil perceber a diferença, se é que ela existe, sem mergulharmos em especulações. O pior erro daquele que crê sem questionamento é querer tanto enxergar alguma coisa que acaba reconstruindo o que de fato ocorre diante de seu nariz com suas fantasias. É preferível uma dúvida saudável do que o estabelecimento de uma certeza sem a convergência de diferentes pontos de vista ou diferentes experiências com o mesmo assunto. Outro ponto importante a levantar: mesmo que essa contagem estivesse absolutamente certa, asseverando que é mesmo o ano regido por aquele planeta, seria incrivelmente simplista e ingênuo acreditar que apenas um único fator, em termos astrológicos, definisse as características gerais de um ano para todas as pessoas da Terra. Vale muito mais a pena calcular o mapa astrológico para o ingresso do Sol no signo de Áries, que de fato representa um potencial para os próximos 12 meses em nível coletivo, do que ter a ilusão de que o “planeta regente do ano” irá interferir em alguma coisa para alguém.

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Clique no cartaz e abra a agenda completa, com a programação dos cursos.

Uma especulação que pode ser testada, mas que pode durar anos a fio para que possa se transformar em constatação, e não dou certeza disso, é verificar como o suposto regente de um ano se encontra no mapa do ingresso do Sol em Áries, daquele ano. Como disse, é a partir dali que o ano astrológico começa, o que inclui o ano “regido por alguma coisa”. A hipótese seria a de que aquele planeta regente, pelas razões listadas nos parágrafos acima, sob os aspectos que recebe de outros planetas, a casa astrológica em que caísse, no cálculo, assim como os trânsitos que sofresse, teria preponderância e daria de fato a tônica daquele ano. É algo a se testar. Eu prefiro verificar o mapa do ingresso e lê-lo como manda o figurino, vendo os dispositores, as ênfases etc., etc. Veja aí o que você prefere.

 

Abraços,
Carlos Hollanda

Análise Astrológica – Ritual do Uni (Ayahuascar)

No dia 4 de março de 2016 participei do Ritual do Uni (Ayahuascar) Ritual do UNI Yawanawa com a pajé Hushahu, seu companheiro Mawa Isã Nawa e Wyahu Yawanawa. No dia seguinte, emendando o processo, fizemos, na manhã do dia 5, o Temazcal (Tenda do Suor) da Tradição Asteca. Embora a substância seja a mesma e a Tenda obedeça a princípios semelhantes, os nomes variam em função de sua conexão com diferentes tradições e métodos. Neste caso, a beberagem foi produzida segundo a tradição indígena Yawanawá, de acordo com o pajé Tata, da aldeia Mutum, com quem o supracitado Wyahu, caçador nato, convive, sendo seu “filho” mais próximo. A aldeia daquele pajé fica a oeste do Estado do Acre. Já a Tenda, foi conduzida pelo Ricardo Iztlimitl, iniciado em tradições mesoamericanas e pela Jacira Monteiro, índia guarani.

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Exemplo de festividade na Aldeia Mutum, no Acre

Não pude me furtar à curiosidade de ver o céu do momento, para, posteriormente, registrar cá comigo as impressões e experiências que tive, encontrando, assim, pistas nítidas para os símbolos que porventura viesse a ver/receber. E de fato isso ocorreu, uma torrente incessante, que creio, ficará brotando em minha mente de Mercúrio em Peixes e Júpiter de casa 12 pelas próximas semanas a fim de que eu possa estabelecer os elos.

Não vou contar aqui minha experiência pessoal com o que o Uni permitiu. Vale dizer que o comecinho dela é caleidoscópico, como nos relatos mais variados de experiências psicodélicas, mas no caso foi muito mais poderoso e interessante. Em meu caso, pulei dos fractais que inicialmente percebi dançando à minha frente a coisas bastante inusitadas que trouxeram de volta algumas propostas e missões a que me havia submetido e que andavam em suspenso por diversos motivos pessoais. Mas isso é assunto para uma outra hora. Conto depois que fixar os conteúdos devidamente. Afinal, apesar de Mercúrio em Peixes, tem aqui dentro uma racionalidade que também precisa ser satisfeita e que pode contribuir um bocado para intensificar experiências como estas a posteriori. Aqui me limitarei a descrever algumas características do céu do momento de início de fato do ritual, até porque durante minha experiência pude discernir, com toda clareza, Júpiter exatamente no Meio do Céu, por entre as árvores (antes de mergulhar totalmente no efeito da beberagem e fazer Júpiter “falar comigo”).

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A bela casa do Espaço Terra Viva, com a Igreja do Santo Daime na parte superior, de onde partimos para a cerimônia, que se realizou uns 200 metros acima.

Subimos até o local onde ocorreria a cerimônia. Eram 23:33, com Saturno em cima do Ascendente. De fato, subimos uma escadaria em etapas até uma gruta. Ambos são símbolos saturninos, sobretudo a gruta (e também a tenda do suor, que é o útero da Mãe cósmica, Binah!). Ela era aberta, na verdade uma enorme rocha que serve de cobertura, devido à sua posicão natural. O Ascendente da breve jornada colina acima estava em Sagitário, com Júpiter, seu regente, no centro da casa 10, bem no alto do mapa (e do céu, claro). Mas o ritual mesmo, com as pessoas bebendo o Uni, só começou um pouco depois. A essa altura, já devia ter passado de meia noite, mais precisamente, meia noite e quinze. Como sei disso? Eu acabara de tomar minha primeira dose e, sem planejar, me deu uma enorme vontade de olhar para cima. Foi aí que vi, Júpiter, no centro da abóbada celeste. Como sei que era Júpiter? Fácil: a olho nu, planetas, diferentemente de estrelas, não “piscam”, no céu. Visto daqui da Terra, Júpiter é o fator de maior brilho, logo após Vênus, que mesmo sendo muito menor fisicamente, está muito mais  próximo da Terra. Vênus não poderia estar naquele ponto do céu naquela hora, pois nunca dista mais que 45 graus de arco do Sol. Por fim, sabendo que o Sol está, nessa época do ano, em Peixes (no ZODÍACO TRÓPICO, obviamente – se quiser saber do que isso se trata, leia um artigo a respeito neste link aqui, e tem outro tão interessante quanto, neste aqui) e que já tinha passado de 23h., com o Sol no Fundo do Céu, aquele fator em cima de nossas cabeças só poderia ser Júpiter, que no zodíaco trópico tem transitado em Virgem, signo oposto a Peixes e está em órbita de oposição com o Sol.

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Mapa do Início do Ritual do Uni (ayahuascar)

 

Então você pode perguntar: “e daí?”.

Daí que os procedimentos foram realizados em um momento bastante potencializado astrologicamente e suas repercussões podem ser mais intensas e mais significativas do que outras atividades como esta em épocas nas quais o céu não está tão de acordo como este. Júpiter, como Netuno, é um planeta que tem tudo a ver com o procedimento pelo qual passamos. Tanto ele quanto Netuno são os regentes de Peixes, sendo o primeiro o regente tradicional e o segundo o regente moderno. Ambos lidam com estados alterados de consciência, sendo Netuno atualmente o mais associado a isso, embora Júpiter, juntamente com a Lua, sempre tenha sido esse fator de conexão com o divino, com sistemas míticos, religiosos, metafísicos e similares, cada qual em seu âmbito. Na Tradição Hermética,

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Alegoria de Júpiter no Meio do Céu. No local, ele estava literalmente acima de nossas cabeças.

É precisamente Júpiter quem rege esses assuntos e, utilizando o sistema das Horas Planetárias, verifica-se, naquele momento, a hora de Júpiter. Com o Ascendente em Sagitário (signo regido por esse planeta) e com o Júpiter físico no ponto de culminação no céu, digamos que o ritual estava tão potente, com um cosmo tão favorável e aberto a tais atividades, que dificilmente alguém que dele participasse não teria alterações perceptivas e não faria conexões muito significativas com seus desejos de cura, esclarecimento etc. Se rituais como este já são bastante eficazes sem qualquer planejamento astrológico sobre qual céu “usar”, imagine com essa “coincidência”! (ênfase nos aspas)

Kiron, o planetóide cuja órbita o mantém entre Saturno e Urano, é o símbolo do Mestre, função que divide com Júpiter, porém, mais voltado para a medicina, para o ensino de coisas que possam fazer o aluno/discípulo superar situações-limite. Kiron é o Curador Ferido, na verdade, é o arquétipo do próprio xamã, do caçador pré-histórico que, já com idade avançada ou com um ferimento que o acompanha constantemente, cura a todos com suas habilidades e alternativas apreendidas com a vida e com a intensidade de suas próprias experiências-limite. O Sol desse mapa está “enquadrado”, isto é, entre Netuno e Kiron, meio que “emoldurado” por eles, formando uma oposição com Júpiter, o que significa que as dores, as fraquezas, as inadequações e os problemas que enfrentamos também socialmente estavam todos sendo ressaltados, prontos para um procedimento de limpeza. Tudo vindo à tona, sobretudo num dia em que a Lua tivera feito uma conjunção com Plutão horas antes – Plutão, entre outras coisas, representa purgações. De fato, desde 25/02/2016 até 13/03/2016 essa configuração formada pelo trânsito do Sol com os regentes do alívio do sofrimento e do mergulho no Inconsciente (ou do contato com “entidades” curadoras) inclina a maioria das pessoas no mundo a voltarem-se para assuntos similares, indo desde consultas corriqueiras no médico ou ler livros sobre saúde física e mental, até prestar auxílio em instituições que visam trabalhos de alívio coletivo, compaixão e desenvolvimento da consciência. estrelasfixas-lgodomachado2O Sol estava transitando pela estrela Achernar, que é a foz do Rio Erídano, o rio mítico que sintetiza em si todas as jornadas da alma, como o Estige, que leva as almas dos mortos ao Hades, que nos conecta com os Campos Elíseos, o paraíso dos mitos gregos. Assim também como o Nilo, o rio físico e o mítico, com seu aspecto fertilizador e de contato com o mundo divino. O rio, que nunca será o mesmo amanhã, como o tempo e as águas na correnteza. Achernar é, pela tradição babilônica, conhecida como “O Querubim e a Espada”, possuindo, segundo Ptolomeu, a natureza de Júpiter. A mesma tradição astrológica afirma que essa estrela promete felicidade e sucesso, com “bons costumes” (adequando esse conceito à época, sociedade, relativizando o que se entende por boas ações em sociedade), adesão às crenças religiosas, metafísicas ou inclinação filosóficas com as quais se entra em contato.

NOVO-cartaz-italia-astroO Temazkal se realizou com a Lua ainda em Capricórnio, formando um trígono com Marte em Escorpião, com o Sol em sextil com Plutão, que vem estando sob um trígono com Júpiter. Perfeito para um procedimento que visa aquecer intensamente (é quase como cozinhar!) e purgar tudo quanto é porcaria , com o acompanhamento dos cânticos e mensagens, que só intensificam ainda mais o processo. Ufa! Intenso! Sobretudo após uma noite inteira de ayahuáscar com experiências igualmente intensas por uma outra via! Os aspectos supramencionados são melhorias e favorecimentos em função de intensidades, de força, de, claro, calor! A Lua em Capricórnio só me faz pensar novamente em Saturno, que na Kabbalah Hermética é ligado a Binah, a Grande Mãe, como já disse. Saturno é frio, mas o útero da Mãe é poderosamente quente e acolhedor. Um belíssimo símbolo de renascimento, coroado pelo sextil com Plutão (morte-renascimento). O ritual que usa pedras (Saturno) quentes (Sol), às vezes literalmente incandescentes (Marte) iniciou-se na hora de Marte, no dia 5, por volta das 9 horas, com Ascendente em Áries, domicílio diurno desse planeta, sendo que ele, o planeta, está em Escorpião, seu domicílio noturno. E Marte, nesses dias, está transitando precisamente sobre a estrela Toliman, mais conhecida como a Alfa do Centauro (outro nome conhecido é Bungula). É estrela mais brilhante da constelação do Centauro, lembrando que este NÃO é o Sagitário, mas sim outra constelação, aquela que, observando daqui deste hemisfério, fica logo acima do Cruzeiro do Sul. Ele é o Kiron, que, em seu mito, foi transformado em constelação por Zeus, após os clamores de Hércules, filho deste último e discípulo ou filho adotivo do primeiro, rogando para que o sofrimento do Mestre, com sua ferida incurável, terminasse. E assim, o mestre rege eternamente a todos os que caminham por essa senda.

cartaz-espaco-psi-webUma curiosidade sobre uma de minhas percepções na Temazkal: no finalzinho, quando olhei para cima, dentro da tenda, observei uns pequenos furinhos ou aberturas no teto causadas pela colocação da cobertura. Cada parte da cobertura foi colocada meio que aleatoriamente, portanto, se até mesmo calculando isso seria extremamente difícil de fazer o que vi, quanto mais sendo a coisa montada sem essa finalidade. Uma obra do “acaso”, que não deve ser bem acaso de fato, dadas as circunstâncias. O que vi? As aberturas no teto tinham uma certa organização ou pareciam ter. Olhei várias vezes, ainda no torpor do ritual. Até que me deu um baita estalo: “Céus, são as Híades! E as Plêiades! Ali! Aldebaran! E ali, a mais distante, lá na pontinha! El Nath!”. O que esses estranhos nomes querem dizer? Simplesmente são estrelas que compõem a constelação do Touro. Ela estava lá, quase inteirinha, perfeita! E não era só por causa do torpor que eu a vi, era física a configuração. Não estava lá quando começou, pois olhei com atenção. Ficou assim com o movimento das pessoas dentro da tenda. E daí??? E daí que esse final do ritual foi por volta das 11 horas da manhã, alguns minutos a mais. cartaz-curso-talismas-RegulusNessa hora, o Ascendente estava em Touro! Coincidência? Tanta, mas tanta que aí não dá pra ser só isso.

Será difícil encontrar uma combinação de rituais com um céu tão adequado. Parabéns a todos, facilitadores e participantes.

Gratidão!

 

 

 

 

Pressuposições, símbolos e certezas absolutas: para refletir

por Carlos Hollanda

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Harrison Ford, no filme “O Fugitivo”. Acusado injustamente, foge para provar inocência. A Justiça pode ser cega, muitas vezes sectária e não-imparcial.

Uma das coisas mais desagradáveis deste mundo e que costumam causar mais problemas vindos de mal entendidos é a pressuposição sem confirmação de intenções, atos e pensamentos nocivos de terceiros, como se eles tivessem informado claramente que o fizeram e ao “intérprete” cabe somente admoestar o sujeito ou acusá-lo. Aquele que pressupõe que você está pensando de determinada forma, que fez algo que não pode provar que você fez, além disso, está cometendo de uma só vez dois atos de extrema grosseria, violência simbólica e injustiça:

a) o está condenando, sem provas, por algo que ele imagina que você fez. Está imaginando com tanta veemência, que crê ser a mais pura verdade. Costuma, inclusive, dizer que vai “dizer umas verdades”, para alguém, quando essa “verdade” é tão somente uma pressuposição baseada em… delírio! Simplesmente se tirou aquilo de um desejo de fazer justiça ou de revelar as coisas “tais como são”, mas provavelmente só são assim na cabeça do delirante. Ele tende a ver-se como justo, bondoso, certo de que os outros precisam lhe ouvir e dificilmente enxerga o próprio rabo, com a terrível brutalidade que está cometendo e que faz sucessivamente. Uma brutalidade que não precisa provir dos punhos ou das armas. As palavras e as atitudes são tão terríveis quanto. Isso se chama, como disse acima, “violência simbólica”. É violência, como aquela do assédio moral, como a dos preconceitos de toda ordem, que impedem que as pessoas que se encaixam no rótulo possam atingir determinados fins sociais.

b) cria, com afirmações diretas e sem qualquer consideração pelos meandros de uma situação, mal entendidos com transtornos que podem chegar a ser graves para aquele que foi o alvo daquela pressuposição de má conduta. Isso é irritante ad infinitum, e pode gerar contendas tão prolongadas quanto durar a disposição das partes para engendrar acusações ou defesas. Não raro o delirante afirma tudo isso no grito, mesmo que não imagine que o esteja fazendo. Falar alto, num tom maior do que o dos demais É ISSO! É querer tomar para si a “verdade” e as atenções, é querer sufocar o argumento do outro em seu falatório megafônico, é vomitar delírios incessantemente para ver se o outro se cala e aquela loucura toda se torna verdade aos ouvidos e mentes dos demais. Uma estupidez sem tamanho, tratada como sinceridade ou como um mero engano passageiro. Com tudo isso, o acusador delirante pode talvez acreditar que você irá se submeter à “verdade” e se tornar “humilde”, irá se arrastar em pedido de perdão ou irá mudar a conduta. Ele crê firmemente que fez uma boa, digo, ótima, ação, ao tentar achatar aquele “sujeitinho” “vil”, “mesquinho”, que não fez aquilo que acha certo, dentro de seus próprios e delirantes parâmetros. E não há quem consiga demovê-lo dessa certeza absoluta. Ele tem “provas imaginárias” que crê serem muito “sólidas”.

Pare para pensar! De onde você tirou essa afirmação ou essa pressuposição? Há evidências disso? Tem certeza de que o que você tem é uma evidência ou é você acreditando veementemente que é? Será que não é só para poder dar vazão ao seu desconforto com aquela pessoa que irá julgar e ao que ela faz ou fez, mesmo sem ser nada contra você ou o resto do mundo? Não seria sua carência da atenção do acusado? Não seria carência da atenção de todos, pelo seu ego gigante? O acusador delirante não consegue enxergar. Ele lerá isso e apontará o dedo para alguém e o acusará baseado em pressuposições sem prova.

Não pensem que isso ocorre apenas em tribunais ou em filmes de baixa categoria. É no cotidiano, e existem milhares, milhões de pessoas, que o fazem com uma frequência assustadora. Todos nós, em algum momento, podemos cometer algo assim, porém, há quem repita indefinida e velozmente esse padrão e é dessas criaturas que estou falando. Vale para boas e más condutas imaginadas. Pressupondo que o sujeito é “sensacional” o tempo todo, que irá “conduzir” a alguma salvação ou bem estar, que “solucionará” aqueles problemas com os quais se digladia por muito tempo com facilidade é também dar margem a desapontamentos. Mas na verdade, quem está desapontando a si mesmo é a própria pessoa que cria esses personagens e os incorpora em alguém. Quando ocorre o “desapontamento”, aponta o dedo, acusa, tem certezas absolutas, sem contar que é ele mesmo que provocou o problema. O “acusado”, não é nem uma coisa nem outra. No máximo, um tiquinho de cada simultaneamente, mas nada no preto e no branco como querem esses delirantes literais.

Igualmente, não pensem que por eu ser astrólogo eu estou escrevendo isso para me referir a Júpiter em Virgem, signo que tem forte relação descritiva e com a padronização para facilitação de procedimentos. Se é para pensar em um símbolo do sistema astrológico ele seria Júpiter, sim ele mesmo, o “Grande Benéfico”, senhor do otimismo e da esperança. A mesma “certeza” que leva à esperança salvadora em situações difíceis e a distribuir bondade ao redor é aquela que pode degringolar em injustiças tremendas e mágoas irreparáveis que o delirante crê serem frescuras, pois foi “só uma coisinha”. Qualquer Júpiter em qualquer posição em que ele se encontre potente, qualquer mapa em que ele assuma destaque de algum modo. Tensionado por aspectos difíceis obviamente fica um pouco pior, mas é característica dos exageros jupiterianos esses tipos de certezas absolutas sem provas e as acusações diretas, por vezes escandalosas, por vezes diante de outros que nos são caros, por vezes entre poucas pessoas, mas sempre pressupondo que o acusado fez ou pensa algo que ele desaprova sem que tenha qualquer confirmação. Ele não pergunta, ele não é suave, ele não dá oportunidade de defesa, ele não relativiza, ele afirma e pronto. O “Grande Benéfico” tem lá suas mazelas e esta é uma das piores. E ainda podemos acrescentar um Mercúrio forte? Me parece que sim, na medida em que as pessoas muito mercuriais tendem a também pressupor finais de frases que não chegaram nem à metade ou que seus interlocutores não entendem as coisas direito. Saturno? Também sim. Pressuposições de que as outras pessoas precisam ser controladas, ou por não terem persistência, ou comprometimento, ou por serem falhas no geral (cometendo uma falha corrigível em 10 anos de atos competentes, por exemplo). Vênus? Claro, sedução, todos estão “jogando verde”, charme, para obter satisfação sexual ou conforto de algum modo. Lua? A Lua só pressupõe que quer aconchego e envolvimento. Sol? Ora, “eu sou a criatura mais importante da galáxia!!!”. Marte? “Filho da puta!! Está querendo me passar a frente na saída do sinal fechado!!!”. Marte, Saturno e Plutão vêem filhos da puta em quase todo lugar. Deixemos, por hora, os planetas trans-saturninos. Mas que Júpiter repete esse padrão com bem mais frequência, isso repete. Não é pressuposição, você pode constatar ao longo dos anos, basta observar com calma. E não se preocupem, jupiterianos em geral: conheço muitos que não têm essa frequência. Só fiquem sabendo que numa escala de zero a dez, dois não têm. Talvez um. E você é um agraciado pelos deuses pelo bom senso e autopercepção, se não o faz com exagero.

Fica aqui a dica, meio desesperançosa de um lado, esperançosa, de outro. Quando alguém lhe perguntar algo, não pressuponha tão depressa que ele tem segundas, terceiras, várias intenções por trás, e não responda como se já soubesse quais são essas intenções. Você está sendo ofensivo, violento, burro, e não está demonstrando qualquer sabedoria, qualquer percepção acima da média. Não, você não é especial nem mais esperto. Você pode desconfiar, pode pensar que há algo errado, pode até construir situações em sua cabeça, mas antes de sair metralhando com palavras duras os outros, tente descobrir se está mesmo correto. Quando o fizer, em vez de atacar ou de colocar as coisas de modo depreciativo, com comparações com o que acha que deveria ser o “bom”, suavize. Não se atinge a correção e a “coisa boa” sendo veemente o tempo todo. Até mesmo quando se está 100% com a razão. Violência, meu caro, só em auto-defesa e olhe lá!

E antes que alguém pressuponha que escrevi isso porque estou com ódio de alguém, esqueça: a única coisa que incomoda de fato é a pressuposição desmedida descrita em todo o texto. Se você o faz, vale a pena reconsiderar. Eu não sei se é você quem faz, não escrevi pensando numa determinada pessoa, mas conheço centenas que o fazem. Elas merecem estas palavras, mas não precisam nem devem ser expostas. Alguns de meus textos receberam mensagens em retorno como: “você está atacado!”, “nossa! Você deve ter brigado com alguém!”, “quem foi que te irritou assim, meu caro?” ou “eita, ariano arretado!!! Tá brabo com alguém, né?”. Nenhuma das alternativas, meus queridos! O fato de eu ter o Sol em Áries não me obriga a ser um justiceiro brigão 24 horas por dia todos os dias do ano. Isso também é pressuposição baseada em estereótipos. Das levinhas, mas é. Acontece que o texto acima parte de observações que vieram a vida toda. Acho que vale a pena as pessoas ficarem um pouco mais conscientes desse dado. E se os acusadores delirantes se tocarem, coisa da qual duvido um pouco, puxa! Como ficarei feliz! Mas tenho a pressuposição, espero que não cega, de quem tiver lido vai conseguir perceber um pouquinho melhor essa atitude nos demais e exercer um pouco mais de ponderação. Isso (quem sabe?) pode fazer a diferença para melhor em situações injustas.

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